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Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis

DIRETORIA DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL
COORDENAÇÃO-GERAL DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL DE EMPREENDIMENTOS MARINHOS E COSTEIROS
COORDENAÇÃO DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO E GÁS OFFSHORE

 

Relatório de Vistoria nº 17/2026-Coexp/CGMac/Dilic

 

Número do Processo: 02022.000336/2014-53

Interessado: PETRÓLEO BRASILEIRO S.A PETROBRAS

 

Rio de Janeiro/RJna data da assinatura digital.

 

INTRODUÇÃO

Trata o presente relatório da realização de acompanhamento do Projeto de Monitoramento de Fluidos e Cascalhos (PMFC) e do Plano de Gerenciamento de Resíduos da Atividade de Perfuração (PGRAP) da atividade de perfuração marítima no Bloco FZA-M-59, Bacia da Foz do Amazonas, por parte da equipe técnica do Ibama.

Ambos são medidas exigidas, respectivamente, pelas condicionantes 2.17 e 2.19 da Licença de Operação (LO) nº 1684/2025 (25058395). Adicionalmente, a condicionante 2.18 estabelece que "não poderão ser descartados no mar os cascalhos provenientes da perfuração da 'fase reservatório', onde está localizada a reserva principal de óleo, e aqueles oriundos de reservatórios mais rasos, em que foram confirmados a presença de óleo".

Conforme tratativas registradas neste processo, vide Ofícios nº 84/2026/Coexp/CGMac/Dilic (26636199), nº 122/2026/Coexp/CGMac/Dilic (27323018) e nº 136/2026/Coexp/CGMac/Dilic (27538830) e Cartas SMS/LMA/LIE&P DPBR-2026-24018 (27112709), DPBR-2026-32740 (27522177) e DPBR-2026-40790 (27568487), o escopo do acompanhamento é a perfuração da fase-reservatório do poço Morpho, com foco nas operações de recolhimento de cascalhos da perfuração, haja vista o ineditismo da medida no licenciamento ambiental federal. Além disso, o acompanhamento visa também avaliar as instalações em terra utilizadas para a posterior destinação final desses resíduos. Em virtude do dinamismo da operação, a data efetiva do acompanhamento foi sucessivamente postergada, finalmente ocorrendo entre os dias 30/06/2026 e 02/07/2026.

O acompanhamento envolveu embarque da equipe do Ibama a bordo da sonda NS-42, localizada no Bloco FZA-M-59, a partir de Oiapoque/AP, bem como deslocamento à base de gestão de resíduos da empresa Transcabral Ltda. em Belém/PA.

ACOMPANHAMENTOS

30/06/2026: Acompanhamento do PMFC a bordo da sonda NS-42

Reunião de apresentação inicial (lista de presença 27867833 e apresentação de slides 27885086 anexas): Previamente ao efetivo acompanhamento das operações de recolhimento de cascalhos da perfuração, as equipes do Ibama, Petrobras e suas contratadas se reuniram para uma apresentação inicial. Nela, os representantes da Petrobras forneceram informações sobre a perfuração do poço 1-APS-57 (Morpho) e o estágio atual da operação. Informaram que se encontravam na sexta fase do poço (12 1/4"), em profundidade de mais de 7.000 metros, com possibilidade de ainda perfurarem fase(s) adicional(is), ainda no projeto de um poço de perfil vertical. Sobre a gestão de fluidos e cascalhos da perfuração do poço, ressaltaram o compromisso firmado no âmbito do Projeto de Monitoramento de Fluidos e Cascalhos de recolhimento do cascalho proveniente das zonas portadoras de óleo (condicionante 2.18 da LO), escopo principal da vistoria. A este respeito, a Petrobras destacou que o procedimento se divide nos seguintes cenários: (i) recolhimento do cascalho oriundo do objetivo geológico principal do reservatório, mapeado a partir de dados sísmicos obtidos previamente à perfuração do poço, acrescido de uma margem de segurança de 2% (equivalente a 130 metros) acima do topo do reservatório e abaixo da sua base; e (ii) recolhimento do cascalho oriundo de eventuais reservatórios não previstos, a partir do recebimento de indícios da presença de hidrocarbonetos até a sua cessação, determinados a partir de dados de perfilagem de poço obtidos em tempo real, durante a perfuração. A Petrobras informou que a operação se encontrava no segundo cenário, tendo iniciado o recolhimento de cascalho no dia 29, com base em dados de ferramentas de Logging While Drilling (LWD) instaladas na coluna do poço. Foi informado que o emprego dessas técnicas durante a perfuração de poços é prática comum de toda a indústria. Ainda sobre a gestão de cascalhos, informaram que, inicialmente, a sonda estava equipada com 21 cutting boxes, mas que esse número precisou ser aumentado para 35 e que, segundo a empresa, ainda seriam insuficientes para a totalidade de cascalho a ser recolhido, sendo necessária a recirculação dessas caixas até o seu esvaziamento em terra e reposição de volta à sonda. Pelo Ibama, foi informado o objetivo principal do acompanhamento de verificar in loco a execução das operações associadas ao recolhimento de cascalho da fase-reservatório, incluindo o processo de determinação da presença de hidrocarbonetos e tomada de decisão sobre o recolhimento. A Petrobras ressaltou a classificação de determinadas informações como sigilosas naquele momento, por segredo industrial envolvendo a geologia do reservatório explorado. 

Vistoria (fotos anexas 27888228): A vistoria foi planejada conforme o fluxo do cascalho a partir de sua chegada à sonda, iniciando-se pela sala de peneiras de separação do fluido de perfuração aderido. A sonda contava com sete peneiras vibratórias em funcionamento no momento da vistoria, recebendo ativamente a mistura oriunda do poço em perfuração. Nesta etapa, o fluido separado era recirculado para reaproveitamento, após análise de sua composição, enquanto o cascalho com fluido residual aderido era encaminhado para o sistema de secagem, no andar inferior. Para este sistema, a sonda contava com duas centrífugas instaladas e em funcionamento no momento da vistoria. Apesar de não prevista a descarga marítima desse cascalho, devido à determinação de recolhimento para destinação em terra, as secadoras eram utilizadas para redução do percentual de base orgânica aderido ao cascalho ao teor previsto conceitualmente de 4,5%.

Após este processo, o cascalho era direcionado aos cutting boxes. Foram instaladas duas caixas próximas à sala de secagem, alimentadas por um duto também instalado para esta operação, além de dezenas de outras caixas armazenadas em ampla área próxima. Os representantes da Petrobras informaram ter sido necessária a docagem da sonda para realização de adaptações de layout específicas para esta operação, incluindo sistema específico de recolhimento (normalmente a sonda conta apenas com sistema para situações contingenciais, o qual também estava instalado) e área suficiente para armazenamento de caixas em quantidade que não comprometa o ritmo da perfuração (devido ao seu peso, foi informado ser possível empilhar no máximo duas caixas).

Os representantes do Ibama solicitaram, ainda, o acompanhamento do processo de determinação de indícios da presença de hidrocarbonetos nos fluidos e cascalhos oriundos do poço, o qual embasa a tomada de decisão sobre o recolhimento pela empresa. Em virtude da classificação dessas informações como sigilosas, por segredo industrial envolvendo a geologia do reservatório explorado, a empresa não autorizou a entrada à área de entrada de dados do reservatório. Foi realizada visita à cabine do sondador, breve interação com responsáveis pelas técnicas de LWD e demonstração de ferramentas sobressalentes de LWD dispostas no convés. Foi então finalizada a vistoria e uma nova reunião convocada, ainda a bordo, com a presença de geólogo responsável pela operação.

Reunião com especialista em geologia (apresentação de slides 27881221 anexa): Nesta reunião, o geólogo responsável pela operação, apresentou em maiores detalhes o processo de perfilagem/LWD realizado no poço Morpho, incluindo as fontes de dados e metodologias empregadas para determinação de indícios da presença de hidrocarbonetos em tempo real, bem como o fluxograma de tomada de decisão acerca do recolhimento de cascalho. O especialista informou que as técnicas de LWD empregadas incluem sensores de radiação gama, registros sonoros, resistividade elétrica e ressonância magnética, as quais são capazes de indicar alterações de características do reservatório normalmente associadas à presença de hidrocarbonetos. O emprego de múltiplas técnicas, segundo ele, garante redundância, consistência e possibilidade de validação das informações obtidas. Ainda segundo ele, as informações obtidas dentro do poço dão aos operadores margem que pode chegar a quatro horas até a chegada do cascalho à superfície para a tomada de decisão sobre o recolhimento, a qual, no entanto, costuma ser imediata, pois sempre há um geólogo acompanhando a evolução do poço. Essas técnicas são também complementadas por análises de cromatografia gasosa e de amostras do próprio cascalho uma vez recepcionado na sonda. Por fim, foi reiterado que os dados obtidos são retornados em tempo suficiente para execução do ciclo de comunicação entre os atores envolvidos na tomada de decisão e que, em qualquer intercorrência, o geólogo e o Fiscal da Petrobras têm autonomia para a decisão final.

Apesar da apresentação demonstrar as técnicas envolvidas para determinação de hidrocarbonetos e o ciclo de comunicação para a tomada de decisão do recolhimento dos cascalhos contaminados, foi apontado pela Petrobras que os resultados seriam apresentados oportunamente no relatório do PMFC específico para o poço Morpho. No sentido de viabilizar o completo entendimento dos fatores que determinam o recolhimento, tendo em vista o pleno atendimento da condicionante e das futuras operações no país, foi apontada pela empresa a disponibilidade para acompanhamento de operações de perfilagem em outras atividades de perfuração em que os dados possam ser imediatamente interpretados. Após troca de impressões entre os participantes, a atividade foi encerrada.

02/07/2026: Acompanhamento do PGRAP nas instalações da Transcabral Ltda.

Reunião de apresentação inicial (lista de presença 27879061 e apresentação de slides 27885168 anexas): O acompanhamento teve início com a apresentação da representante da empresa Transcabral Serviços Ambientais Ltda., que expôs o portfólio de serviços da empresa. A Transcabral informou que as atividades de gestão do cascalho recolhido da NS-42 ainda seriam iniciadas, visto que o recolhimento do cascalho do reservatório do poço Morpho havia começado no dia 29 de junho (há 3 dias). Dessa forma, nenhum cutting box havia sido desembarcado com resíduos. Contudo, foi esclarecido que as tratativas foram iniciadas e que a operação da Transcabral abarcará o transporte dos cutting boxes do porto até a base, desembarque e destinação dos resíduos, limpeza das caixas e retorno ao porto para reutilização pela unidade marítima. A Transcabral informou ainda que prioriza a blendagem para coprocessamento pela indústria cimenteira como destinação final, enquanto a SLB, prestadora de serviços de gestão de fluidos e cascalhos para a Petrobras, informou ter assumido compromisso de "aterro zero". A Petrobras considerou que o prazo médio da operação de envio para o porto, desembarque e retorno dos cutting boxes à sonda alcançaria cerca de 10 a 20 dias. O Ibama apontou a necessidade de previsão de outras técnicas disponíveis para tratamento de cascalho, considerando um possível aumento do volume de resíduos gerados e dúvida quanto à capacidade da indústria cimenteira em receber todo o quantitativo. Adicionalmente, foi apontando que a nova área de exploração necessita das melhores práticas e que deve ser excluída a alternativa de aterro industrial. Também foi apontado pelo Ibama a opção pelo uso de tecnologias como o tratamento térmico e  microondas. Os representantes da Petrobras consideraram que, mesmo com essas tecnologias, ainda haveria uma pequena fração de resíduo final a ser encaminhada para aterro industrial, sem mencionar alternativas mais ambientalmente adequadas. Outrossim, os representantes da SLB afirmaram que atualmente as empresas destinadoras teriam capacidade de atendimento ao quantitativo previsto para o poço Morpho, enquanto a Petrobras afirmou o seu empenho em utilizar as melhores práticas.

Vistoria (fotos anexas 27889239): A vistoria seguiu o fluxo de recebimento e destinação do resíduo desembarcado da sonda NS-42 na base da Transcabral. Foi apresentada a garagem dos caminhões de transporte de resíduos. Tão logo recebidos na área de operação, os cascalhos serão transferidos para contêineres maiores já no galpão de blendagem, assim disponibilizando os cutting boxes para limpeza e seu reenvio para a sonda. No galpão de blendagem, foi apresentada a área de armazenamento temporário, bem como os equipamentos de realização da blendagem, que consiste na mistura do cascalho com serragem e óleo, para fins de aproveitamento energético por parte da indústria cimenteira. No local havia um contêiner proveniente da sonda, o qual, segundo a Petrobras, continha cascalho oriundo da fase anterior a fase-reservatório, encaminhado à destinação final para fins de avaliação do sistema de gestão de resíduos. Foi feita uma demonstração do processo de blendagem com outros resíduos manuseados naquela ocasião.

A representante da Transcabral prevê a possibilidade de destinação do blend resultante para duas empresas fabricantes de cimentos, e que amostras de cascalhos secos foram encaminhadas para avaliação. A princípio, o cascalho será utilizado no processo de blendagem para coprocessamento. Contudo, em resposta às avaliações realizadas, uma das empresas considerou a possibilidade de recebimento de cascalho sem blendagem prévia. De acordo com a representante da Transcabral, o cascalho poderia ser utilizado como matéria-prima para fabricação do cimento em si, e não como insumo energético. Diante disso, o Ibama solicitou confirmação dessa informação. Caso positivo, a respectiva atualização do PGRAP conceitual da Petrobras, considerando que, tecnicamente, trata-se de destinações finais distintas (coprocessamento ou reciclagem).

A vistoria seguiu para o galpão de armazenamento temporário, onde o cascalho pode ser armazenado em grande quantidade, caso não seja imediatamente encaminhado à destinação final. A Transcabral confirmou ter capacidade para armazenar satisfatoriamente todo o resíduo oriundo do cascalho recolhido na atividade, se necessário. Na garagem, foi apresentado o tipo de carreta utilizada nesta operação, cada uma delas comportando até quatro cutting boxes

No setor de lavagem, foi apresentada a área onde será realizada a limpeza dos cutting boxes vazios, que retornarão ao contratante. Segundo a Transcabral, o sistema de lavagem permitirá a separação de sobrenadante a ser coletado por caminhões similares ao limpa-fossa.  

Embora sua utilização não esteja prevista na blendagem do cascalho, foi apresentado o Galpão 4 - Incineração, contendo as incineradoras de resíduos. 

Após ampla troca de impressões entre os participantes, a atividade foi encerrada.

CONCLUSÕES E ENCAMINHAMENTOS

De modo geral, avalia-se que os acompanhamentos realizados cumpriram boa parte dos objetivos esperados, possibilitando tanto o monitoramento específico da atividade de perfuração do poço Morpho como observações ampliadas sobre o ciclo de vida e alternativas de gestão dos resíduos da perfuração marítima.

O acompanhamento do PMFC a bordo da sonda NS-42 possibilitou a maior compreensão do fluxo de gestão dos cascalhos gerados no reservatório do poço, bem como o entendimento teórico sobre o emprego de técnicas de perfilagem para determinação da presença de indícios de hidrocarbonetos. As limitações impostas pela classificação de informações como sigilosas pela empresa dificultou o seu entendimento prático. Neste sentido, deverá ser viabilizado novo acompanhamento focado nas técnicas de perfilagem, mesmo que em outra atividade de perfuração, considerando a informação de se tratar de prática comumente empregada pela indústria. Adicionalmente, o relatório do PMFC do poço Morpho deverá apresentar em detalhes o processo de tomada de decisão e os resultados do recolhimento de cascalho.

Já o acompanhamento do PGRAP nas instalações da Transcabral Ltda. também possibilitou o maior entendimento sobre a gestão dos resíduos da atividade de perfuração em terra e o ateste da ampla capacidade de recebimento e destinação final disponibilizada pela empresa. Informações nem sempre visíveis nos relatórios do PGRAP ou mesmo nos manifestos de resíduos, como a possibilidade de priorização da reciclagem direta do cascalho por parte da indústria cimenteira, foram consideradas de grande interesse pela equipe do Ibama e deverão ser confirmadas pela empresa. 

Por fim, as informações obtidas em ambos acompanhamentos realizados serão levadas em conta, juntamente com a análise dos relatórios mencionados, quando da oportuna análise do atendimento às condicionantes da LO nº 1684/2025.

 


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Documento assinado eletronicamente por ANNA PAOLA ALVES DOS ANJOS, Analista Ambiental, em 07/07/2026, às 13:19, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.


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Documento assinado eletronicamente por VIVIANE DA COSTA SANTANNA, Analista Ambiental, em 07/07/2026, às 13:22, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.


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Documento assinado eletronicamente por IVAN WERNECK SANCHEZ BASSERES, Analista Ambiental, em 03/08/2026, às 08:47, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.


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Referência: Processo nº 02022.000336/2014-53 SEI nº 27862637

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