INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS
COORDENAÇÃO DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO E GÁS OFFSHORE
Praça XV Novembro, 42, 11º andar - Rio de Janeiro - CEP 20.010-010
Parecer Técnico nº 162/2025-Coexp/CGMac/Dilic
Número do Processo: 02001.029983/2025-48
Empreendimento: Atividade de Perfuração Marítima do Bloco FZA-M-59, Bacia Foz do Amazonas.
Interessado: PETROBRAS - PETRÓLEO BRASILEIRO SA
Assunto/Resumo: Avaliação Pré-Operacional do Plano de Emergência Individual, Agosto de 2025
I. INTRODUÇÃO
Em cumprimento ao indicado no Parecer Técnico nº 106/2017-COEXP/CGMAC/DILIC (1128781) e encaminhado Despacho Decisório nº 33/2025/Gabin (23390586) do Presidente do Ibama, foi realizado, entre os dias 24 e 27/08/2025, o exercício de Avaliação Pré-Operacional (APO), sob acompanhamento dos técnicos do IBAMA, com vistas à aprovação do Plano de Emergência Individual para a atividade de perfuração marítima no Bloco FZA-M-59, Bacia Foz do Amazonas.
O exercício teve como objetivo avaliar a operacionalidade do Plano de Emergência Individual e seu anexo, o Plano de Proteção à Fauna, ambos conceitualmente aprovados no decurso do processo de licenciamento. Os objetivos específicos foram: a) testar o protocolo de comunicação transfronteiriça; b) avaliar o desempenho da estrutura de combate ao vazamento de óleo offshore, em sistema de carrossel, até as 60h de atuação; e, c) avaliar as ações de resgate, atendimento e transporte da fauna oleada. O exercício foi acompanhado por uma equipe de 20 servidores da CGMAC, posicionados nos locais previamente determinados de modo a viabilizar a aferição de procedimentos adotados pela empresa.
O exercício foi iniciado às 18h10 do dia 24/08/2025 e considerado encerrado às 16h15 do dia 27/08/2025.
A exigência de realização de exercício previamente ao início da atividade de perfuração residiu no fato da atividade estar localizada em área considerada nova fronteira para exploração de petróleo.
Este Parecer Técnico apresenta as observações e comentários da equipe técnica no acompanhamento da Avaliação Pré-Operacional.
II. AVALIAÇÃO PRÉ-OPERACIONAL
II.1. Cenário Acidental
O cenário acidental foi um ataque hacker à unidade marítima ODN II (NS-42) na fase reservatório no dia 24/08/2025 (D0), às 18:10h, durante a perfuração do Poço Morpho, que deixou o sistema DP descontrolado, ou seja, com dados de GPS desconexos, atuação confusa dos thrusters, alarmes conflitantes e o sistema de controle manual bloqueado. Após várias tentativas de retomada de controle da sonda, verificou-se que a plataforma derivou perigosamente para fora da área de segurança, com isso foi acionado o sistema de desconexão de emergência do BOP. Ao desconectar do BOP, notou-se o vazamento de fluido sintético que estava dentro do riser. Ao checar a situação no BOP, o painel de alarmes informou que o mesmo se encontrava com as válvulas abertas, apesar da desconexão.
O acionamento ocorreu na sonda de perfuração, quando a analista ambiental do Ibama comunicou ao fiscal da Petrobras e ao gerente da sonda (OIM) que acabara de ocorrer um incidente na unidade.
Assim que finalizou o acionamento, o gerente da unidade reportou o incidente para a empresa FORSEA e junto a equipe da ODN II simularam as providências necessárias, de acordo com o cenário, como: estabilizar a unidade; comunicação com as embarcações próximas (MR. SIDNEY, C-WARRIOR e CRONOS) que a unidade derivou 115 m e necessidade de desconectar o poço. Retomaram o controle da sonda passando para o manual.
O fiscal da PETROBRAS ligou para a Central de Atendimento de Emergências (CAE) e reportou o cenário repassado a ele.
A equipe da sonda elucubrou diversas formas para minimizar o vazamento no mar de acordo com a situação apresentada, contudo, conforme as premissas da APO, nenhuma ação resultaria em redução do volume vazado.
Por estar próximo a troca de turno, o fiscal repassou para o seu substituto o cenário e as ações até então realizadas. Juntos fizeram um resumo executivo para o Centro de Suporte a Decisão (CSD), que ao longo de toda atividade inicial do acionamento levantou questões com objetivo de sanar e/ou minimizar o incidente.
Às 04h00 do dia 25/08/25 (D1), foi informado o afloramento do óleo em coordenadas a Noroeste da sonda e foi solicitado que a embarcação ILHA DAS FLECHAS monitorasse a mancha com o radar de óleo.
Às 06h20 de 25/08/25, D1, foi realizada a atualização na sonda de que os 4 guindastes haviam sido afetados pelo ataque hacker e não estavam operacionais.
Os dois técnicos especialistas em resposta (TERs) iniciaram a observação de fauna da unidade marítima às 06:00h do dia 25/08/25 (D1). Utilizaram binóculos calibrados e graduados, fazendo turnos de 12h com intervalos a cada 2 horas. Há fichas de observação para serem preenchidas no caso de identificação de algum animal. A base dos TERs é o contêiner de fauna da sonda, climatizado, com mesa de apoio e presença do material do PMAVE.
Abaixo segue na integra o cenário reportado na ODN II que iniciou a Avaliação Pré Operacional (APO).
“ATENÇÃO, ISSO É UM SIMULADO!
ESTAMOS ACIONANDO A AVALIACAO PRÉ-OPERACIONAL DO FZA-59 ATRAVÉS DO SEGUINTE CENARIO:
O poço Morpho estava em perfuração, durante a fase reservatório, quando nesta última hora, sofremos um ataque hacker na sonda que deixou o sistema DP descontrolado, ou seja, com dados de GPS desconexos, atuação confusa dos thrusters, alarmes conflitantes e o sistema de controle manual estava bloqueado. Após várias tentativas de retomada de controle da sonda, verificamos que a plataforma derivou perigosamente para fora da área de segurança, com isso foi acionado o sistema de desconexão de emergência do BOP. Ao desconectar do BOP, notamos o vazamento de fluido sintético que estava dentro do riser. Ao checar a situação no BOP, o painel de alarmes informou que o mesmo se encontra com as válvulas abertas, apesar da desconexão.
Não temos informações sobre o volume vazado. Não é possível interromper a fonte de vazamento. Não temos confirmação visual de vazamento.
Fim do acionamento.”
Considerando as ações discutidas após o acionamento, considera-se que as equipes da ODN II (NS-42) atenderam às expectativas de forma positiva.
II.2 Estrutura Organizacional de Resposta
A estrutura organizacional de resposta acionada na APO do FZA-59 foi composta por equipes dispostas a bordo do Navio Sonda ODN-II, no Posto de Comando Central – RJ, Sala CAR – RJ, Posto de Comando Avançado - Oiapoque, Embarcações de Resposta Offshore, Embarcações de Atendimento à Fauna e CAF-Oiapoque.
Além dos itens de avaliação específicos da APO, a equipe de avaliadores apresentará comentários e observações relativos ao desempenho de cada seção.
II.2.1. Posto de Comando Central– EDISEN (Rio de Janeiro/RJ)
Avaliadores: Raquel, Gabriel, Cíntia, Patrícia, Michelly, Clarisse
O Comando do Exercício Simulado estava localizado no 20º. andar do edifício Senado (Edisen), no Rio de Janeiro.
A estrutura contemplava salas individualizadas para as seções de Operações (Chefia), Subseção de controle de impacto costeiro, Subseção de controle de impacto à fauna e Grupo de operações aéreas, para a seção de Planejamento, para a Unidade de Gestão de Recurso, Unidade de Meio Ambiente, Unidade de Situação, Seção de administração e finanças, Seção de logística, além de mais duas salas grandes, com recursos audiovisuais, onde ocorriam as reuniões, com a presença do Comando e Assessorias. Outras unidades também estavam presentes nas salas indicadas. Foram montados três pontos, estratégicos, com dois monitores touch interativos em cada, para a consulta da Situação e toda a documentação do simulado.
Foram utilizados drones para registrar as ações em campo e os vídeos projetados nos monitores da sala de comando, o que trouxe ao simulado, uma uniformização no conhecimento da situação, facilitando o acompanhamento e planejamento das ações pela Estrutura Organizacional de Resposta (EOR).
Nas salas do Posto de Comando Central, observou-se comprometimento e seriedade por parte de todos os participantes. Notou-se, também, que as lideranças das equipes se mostraram preparadas, concentradas, conhecedoras do cenário e respectivas atribuições.
As reuniões de comando apresentavam o panorama geral do cenário até o momento, no entanto o caráter das reuniões foi meramente expositivo, não foi observado, por exemplo, a atualização do status da emergência com a revisão dos objetivos, prioridades e ações em aberto.
Em relação à assessoria de comunicação, pôde-se observar que a equipe, a princípio, não estava atenta às possibilidades de canais por onde poderiam chegar os injects disparados pela equipe do IBAMA, o que ao longo da avaliação foi sendo ajustado. À medida que a emergência ia avançando e/ou novos injects eram encaminhados, a equipe realizava monitoramento das redes sociais e imprensa, elaborava notas informativas tanto para público interno como externo, cards e panfletos para as comunidades, vídeos institucionais. Também foi observado, quando necessário, a articulação da assessoria de comunicação com outros setores, tal qual com o posto de comando do Oiapoque, para planejar ações conjuntas, conforme ilustrado na Figura 01 abaixo.
Figura 01: Reunião na assessoria de articulação
Também deve ser observado que houve dificuldades da equipe do IBAMA e da própria PETROBRAS no acesso, via Teams, ao ambiente no qual a empresa disponibilizou os documentos referentes à avaliação. No caso da PETROBRAS, pôde-se observar que a equipe não conseguia subir vídeos pela plataforma. Esta é uma questão recorrente em simulados da PETROBRAS. Sugere-se a busca por uma simplificação neste acesso, sobretudo porque, diante de passos adiante em termos tecnológicos, as informações passaram a circular com maior rapidez e, por vezes, dúvidas quanto aos procedimentos poderiam ser dirimidas pela simplificação de acesso aos documentos.
A sala onde se instalou o grupo/equipe responsável pelas operações possuía estrutura de comunicação com projetor de imagens/vídeos, telefones, computadores, estrutura de escritório, além de quadros na parede lateral onde eram atualizadas as ações tomadas desde o início do exercício simulado. A equipe trabalhou em conjunto com a sala CAR, coordenando e executando as ações da empresa com o objetivo de mitigar o impacto ambiental causado pelo vazamento de óleo decorrente do cenário acidental programado nessa avaliação pré-operacional. Segue a avaliação das ações realizadas pela seção de operações com foco na estrutura carrossel de embarcações para combate a vazamento de óleo e gestão dos resíduos gerados.
Na primeira reunião com o comando, foi informada a previsão da mancha entrar em área internacional, e o comando solicitou um plano de resposta continuada (levantamento das embarcações disponíveis). Solicitou também articulação para iniciar discussão de plano de resposta conjunta em área internacional.
A equipe de operações elaborou e executou plano de manutenção de resposta, através de mobilização de recursos da própria empresa e de terceiros (no caso de águas internacionais). Observou-se a discussão e apresentação de estratégia de mitigação do impacto transfronteiriço com a apresentação de plano de resposta transfronteiriça na reunião de comando.
Com relação a gestão dos resíduos gerados durante o combate ao vazamento de óleo no mar, optou-se por utilizar prioritariamente as embarcações com maior tancagem para as atividades de contenção e recolhimento, e mobilizar recursos extras para a destinação do resíduo (navio tanque).
Sobre dispersão química, a seção de operações avaliou (após a realização da modelagem) que não seria indicada a utilização de dispersante químico e que, portanto, essa estratégia não seria considerada nas ações de combate ao vazamento de óleo.
Os recursos apresentados no PEI (Aeróstato, drone, câmera dos barcos, modelagem, derivador) foram utilizados de forma bem-sucedida durante o exercício.
De toda forma, ao se analisar os aspectos gerais do exercício, é possível concluir que a companhia demonstrou eficiência na resposta ao cenário acidental proposto. Deve-se ressaltar que, do ponto de vista do Posto de Comando Central, todas as ações recomendadas foram realizadas satisfatoriamente.
II.2.2. Sala CAR (Subseção de Controle de Impactos Offshore) – CENPES (Rio de Janeiro/RJ)
Avaliadora: Juliana Peroba
A Sala, onde fica o(a) Coordenador(a) das Ações de Resposta (CAR), está localizada no CENPES e possui uma estrutura dedicada à resposta a emergência, com recursos disponíveis para auxiliar a Estrutura Organizacional de Resposta (EOR). A sala CAR é responsável pela mobilização das embarcações, organização de sobrevoos dentre outras funções, e participa ativamente da EOR nas ações de resposta. Além do coordenador das ações de resposta, também fica alocada nesta sala a equipe de apoio a este coordenador e a especialista em modelagem da consultoria TETRATECH. Esta sala funciona 24 horas nos 7 dias da semana, os colaboradores que atuam nela trabalham em regime de turnos de 12 horas de duração (7h às 19h e 19h às 07h).
A sala supracitada possui monitoramento permanente, são projetados em uma tela grande a localização de todas as embarcações em tempo real (GIS-CAR), imagens de radar e das câmeras presentes em algumas embarcações, imagens do drone e do aeróstato, localização das aeronaves e demais dados que considerem relevantes conforme exemplificado na Figura 02 abaixo.
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Figura 02: Telas com espelhamento das imagens das câmeras das embarcações
Adicionalmente a sala CAR, havia uma sala dedicada aos especialistas em dispersante químico que ficaram dedicados a esta temática durante toda a APO. Devido as características da mancha, maior parte do óleo em aspecto de arco-íris, não houve indicação para utilização da dispersão mecânica em superfície, a dispersão em profundidade não foi avaliada.
A análise presencial na sala CAR se deu a partir das 05h45 do D1 (25/08/2025), entretanto, tendo em vista o acompanhamento da passagem de turno que ocorreu às 7h da manhã do dia 25/08/2025 e os registros no ICS 214 da subseção de controle de Impactos offshore, foi possível avaliar as ações realizadas pela sala CAR nas primeiras horas desta APO.
A sala CAR foi mobilizada às 18h23 do dia 24/08/2025 com a ligação da Central de Atendimento à Emergência (CAE) informando sobre o cenário acidental de perda de posicionamento dinâmico da NS-42 ocasionando na desconexão do BOP. Após este acionamento foram realizadas ações relativas à: solicitação de modelagens determinísticas; mobilização das embarcações do PEI; comunicação com as OSRVs; definição das estratégias de combate ao vazamento de óleo no mar (contenção e recolhimento, dispersão mecânica por canhões Firefight e dispersão mecânica por propulsores); definição do posicionamento e função de cada embarcação na faina de emergência; gestão do lançamento do derivador; levantamento de embarcações adicionais para atuar no combate a emergência, incluindo embarcações de apoio, OSRVs e navios tanque; logística dos sobrevoos; acionamento da aeronave asa fixa POSEIDON II para avaliação complementar da mancha; definição e acompanhamento dos voos de drone e aeróstato; gestão dos sobrevoos de helicóptero e contato com LES; compra de imagens de satélites atuais para visualização da mancha; dentre outras. Todas as ações são acompanhadas em tempo real.
A análise dos pontos de avaliação realizados a partir da sala CAR serão apresentados no item II.5. “Itens avaliados” deste parecer.
II.2.3 Posto de Comando Local – Hotel La Villa Morena (Oiapoque/AP)
Avaliadores: José Eduardo, Emerson
O posto de comando local foi instalado no Hotel La Villa Morena e após o início da avaliação pré-operacional foi feita uma visita no local e verificou-se que não existia nenhuma mobilização prévia. Esta somente ocorreu no dia 25/08/2025 com a mobilização do local e das equipes.
A equipe do posto de comando local foi incorporada respeitando a simulação dos voos fretados vindo dos Aeroportos de Viracopos e Galeão. De acordo com a simulação foram dois voos fretados que chegaram ao Oiapoque ao longo da manhã e no início da tarde do dia 25/08/2025. No final da tarde, chegou um terceiro voo, porém, este foi real. A partir das listas disponibilizadas foi feita verificação se algumas pessoas, que estariam em cidades fora dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, seriam capazes de chegar para o embarque nos voos fretados, e nenhum problema foi detectado.
O posto estava com o foco nas operações de resgate a fauna, no atendimento a comunidade e acompanhamento das atividades dos barcos de resposta à emergência offshore. A principal questão da fauna envolvia o planejamento e a execução do transbordo e translado dos barcos Cronos e Baru para os centros de atendimento à fauna.
Fazia parte do planejamento da APO testar o modal marítimo de transporte dos animais, desta forma, no primeiro momento utilizou-se da simulação de indisponibilidade de guindastes na plataforma, o que impediria o uso do modal aéreo para retirada dos animais. A empresa verificou que necessitaria fazer o transbordo e translado da fauna no período noturno. Contudo eles, a partir de uma análise de risco prévia, tinham vetado atividades à noite. Em uma reunião às 11 horas do dia 25/08/2025 foi decidido que eles iriam revisar a análise de risco, pois sem as atividades neste período a empresa verificou que não cumpriria o prazo de 24 horas do resgate da fauna até a entrada dos animais no centro de atendimento. Durante esta reunião a representante da empresa Mineral passou para a equipe de análise de risco do comando central uma informação incorreta de que a embarcação Cronos teria iluminação de convés com sistema giratório 360º.
A empresa avaliou e modificou a análise de risco para a atividade noturna com base em informação equivocada, como por exemplo a informação que a embarcação Cronos tinha iluminação com giro 360º. Salienta-se que esta alteração ocorreu poucas horas antes da realização da atividade. A análise de risco teve como objetivo atender ao tempo especificado no manual de boas práticas da fauna de 24 horas. Com base neste enfoque, questões de segurança foram minimizadas, o que culminou com a ocorrência de incidentes.
No decorrer do transbordo noturno de fauna ocorreram três incidentes: atropelamento de petrecho de pesca, encalhe em banco de areia e abalroamento de embarcações que participavam da atividade. Cabe uma reconsideração na forma como foi conduzida a avaliação de risco, conjecturando também aspectos de segurança da equipe envolvida.
Observa-se que no dia seguinte, 26/08/25, uma pessoa de comunicação foi realizar um reconhecimento do local do PAF e teve uma torção de tornozelo que a afastou do exercício.
Avalia-se que tal decisão no decorrer da APO contraria o critério de prevenção que sempre pauta as análises de risco das permissões de trabalho.
O acompanhamento das embarcações offshore ocorreu por meio da imagem local através dos drones, câmeras dos barcos e no último dia (27/08/25, D3) com o uso do aeróstato.
No posto de comando local havia um representante da subseção de transporte aéreo. Ele era responsável por planejar os sobrevoos em conjunto com a sala CAR no Rio. O objetivo era alinhar as necessidades com os pilotos e fazer o levantamento das coordenadas dos pontos de observação junto a seção de operações.
As equipes preencheram os formulários ICS, utilizavam tanto a ferramenta microsoft teams como o IAP web.
Incidente real com rede de pesca e encaminhamentos para ressarcimento
Avaliador: Emerson
Na madrugada do dia 26.08.2025, após o transbordo noturno de fauna entre as embarcações Cronos e as ambulanchas, por volta de 02h10min, já no retorno ao Oiapoque, a embarcação Mineral III se envolveu em um acidente com rede de pesca.
De acordo com o relato das analistas embarcadas, as ambulanchas atuaram conjuntamente para solucionar o problema, e o percurso foi retomado às 02h25min. Foram registradas as informações necessárias ao prosseguimento do processo de reembolso pelo dano aos petrechos em momento posterior.
Na reunião de 26.08.2025, 7h30h, acompanhada do Posto de Comando Local, foi registrado o acidente com dano a petrecho de pesca. Foi citado que a embarcação se chamava Bambam e que no momento do acidente ela encontrava-se desabitada. Na reunião, foi indicada também a necessidade de identificação do responsável pela embarcação e procedimentos para ressarcimento.
Às 9h50 um analista do Ibama acompanhou a equipe da Petrobras (Sávio, Alexandre e Victória) até a Colônia de Pescadores para identificação do responsável pela embarcação. A equipe chegou na Colônia de Pescadores Z-03 de Oiapoque às 10h10h e solicitou conversa com o presidente da entidade.
A equipe foi recebida pelo Sr. Silvio, presidente da Colônia. Os técnicos da PETROBRAS falaram sobre a operação, reafirmaram que a atividade se tratava de um simulado e que não havia qualquer tipo de vazamento real de óleo, falaram sobre o aumento da movimentação de embarcações no Rio Oiapoque durante o exercício simulado e informaram ao presidente da Colônia sobre o incidente ocorrido com perda de petrecho de pesca da embarcação Bambam. Ainda na colônia, um outro pescador que aguardava atendimento, ao ser perguntado se conhecia o responsável pela embarcação Bambam, informou ser parente do proprietário, de nome Clodomir e passou seus contatos aos técnicos da PETROBRAS.
A partir desse contato telefônico, a equipe da PETROBRAS teve a informação que o proprietário da embarcação se encontrava em Calçoene e que um “parceiro” de pesca, de apelido Chambaril, era quem estava embarcado na Bambam naqueles dias.
A equipe PETROBRAS identificou que ele ainda permanecia embarcado e que sua esposa estava em casa, no distrito de Vila Vitória.
Na tarde de mesmo dia 26.08.2025, por volta de 15h10, a equipe PETROBRAS foi até a residência da esposa do pescador e ao chegar lá conversou com ela sobre o acontecido, recebendo a confirmação que o Sr. Chambaril ainda permanecia embarcado, mas que assim que eles se falassem, ela indicaria a necessidade de entrar em contato com a equipe Petrobras para avaliação sobre o material perdido e acertos de ressarcimento.
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Figura 03: Encontro com presidente da Colônia de pescadores. |
Figura 04: Conversa com familiar do responsável pelo petrecho de pesca. |
Durante a reunião de debriefing do dia 27.08.2025, acompanhada no Posto de Comado Local de Oiapoque, foi reforçada a necessidade de conclusão do processo de ressarcimento e que deveria ser considerado o valor da rede de pesca perdida, dos lucros cessantes e da estimativa de tempo até que o pescador pudesse substituir o material perdido.
Após a reunião, foi recebida a informação que a equipe de comunicação da Petrobras havia conseguido fazer contato com o pescador Chambaril e que ele havia avaliado seu prejuízo em R$ 12 mil. A equipe Petrobras avaliou o valor como razoável naquelas circunstâncias e informou que seria feito o pagamento em espécie e registro através de recibo simples. A empresa concordou com o valor proposto pelo pescador.
O procedimento de identificação do pescador responsável pela embarcação e petrecho perdido foi considerado apropriado e célere.
II.2.4 Sobrevoos – Aeródromo de Oiapoque (Oiapoque/AP)
Avaliadores: Ana Fernandez, Iago, Luisa, José Eduardo
Como parte do exercício Simulado foram realizados sobrevoos partindo do Oiapoque- Amapá, nas proximidades do Navio-sonda ODN II (NS-42) e foz do rio Oiapoque, a partir do Aeroporto de Oiapoque (AP), em uma aeronave AW189 da empresa OMNI.
As figuras mencionadas neste item são apresentadas no Relatório Fotográfico em anexo a este parecer (SEI 24683826).
Dia 25/08/2025
Foi informado que a Lider especialista de Sobrevoo (LES) foi acionada as 18h57 do dia 24/08/2025, pelo Coordenador de ações de resposta (CAR) e, o sobrevoo foi solicitado por e-mail ao Transporte Aéreo Petrobrás às 22h02, com previsão de decolagem às 6h30.
A chegada ao aeroporto de todos os integrantes do sobrevoo ocorreu próximo às 5h30, para a realização do checkin.
Acompanharam o sobrevoo, por parte da PETROBRAS, a líder especialista de sobrevoo (LES) Vivian Rosana, com o apoio da especialista Josiane Moraes, ambas da PLANENG, e o especialista de Fauna Icaro Silva, da Mineral. Do IBAMA acompanharam o sobrevoo a analista ambiental Ana Paula Fernandez e o técnico ambiental Iago de Castro Moreira. No retorno do sobrevoo, além dos integrantes descritos acima, ocorreu o embarque da Analista do IBAMA Luisa Pache e da representante da PETROBRAS Michelle Lima Nunes que se encontravam embarcadas na Sonda NS-42.
A LES reside na região e possui conhecimento sobre aspectos ambientais locais. O especialista de fauna não reside na região, mas informou que permanece por certo período nela em regime de revezamento. Apesar de não ser da região, demonstrou possuir conhecimento na ocorrência de fauna local.
Após o checkin e briefing de segurança a LES realizou reunião de alinhamento com os Comandantes, o piloto Kerginaldo e copiloto André. O especialista de fauna demonstrou preocupação de realizar voo acima de 500 pés para preservar a segurança das aves e a LES confirmou o percurso pretendido, a necessidade de comunicação com as embarcações e solicitou rádio extra. Somente foi possível disponibilizar dois rádios extras, que ficaram na ida com a LES e com o especialista de fauna.
A LES possuía rádio portátil para comunicação com as embarcações, porém, após apresentação de ruído em uma tentativa de uso, ela optou por se comunicar com as embarcações através dos pilotos da aeronave. O especialista de fauna possuía câmera com lente teleobjetiva e binóculo, além do celular para registrar a presença de fauna.
Os pilotos passaram a orientação sobre altitude permitida de voo sobre o continente e rota permitida, de forma a reduzir o impacto sobre as aldeias da região.
Não ocorreu nenhuma orientação detalhada por parte da LES sobre a emergência ocorrida, feições esperadas da mancha, orientação sobre a visualização in situ e marcação de coordenadas, toda a orientação foi passada pela sala CAR somente.
O sobrevoo teve início às 07h11, pois os pilotos tiveram que aguardar a passagem de uma tempestade na região da sonda.
Aproximadamente às 08h14 o navio-sonda NS-42 foi avistado, e foi realizado sobrevoo sobre pontos definidos na malha de busca para possível avistamento de óleo (Figuras II.2.4.1 e II.2.4.2 01 e 02). Próximo a sonda, a noroeste, foram avistadas as embarcações de resposta, a boreste foi avistada a embarcação MR.SIDNEY aproximadamente às 8h41 (Figura II.2.4.3) e a bombordo a C-WARRIOR aproximadamente às 8h42 (Figura II.2.4.4), ambas com o sistema CB6 bem posicionado, porém somente a MR.SIDNEY se encontrava com a bomba em operação.
A LES solicitou que o piloto realizasse contato com a embarcação líder MR.SIDNEY, para avisá-la que estava sobrevoando e de que a formação estava bem posicionada. Pediu também que fizesse contato através da embarcação com a sala CAR, que solicitou que fosse realizado o corte no NS-42 (Figura II.2.4.6). Aproximadamente 09h00 foi avistada a embarcação CRONOS (Figuras II.2.4.5(a) e II.2.4.5(b)), realizando monitoramento e se necessário captura e atendimento de fauna.
O pouso no navio sonda ocorreu às 09h36. Após o pouso a LES realizou contato com a sala CAR para passar as observações.
Aproximadamente às 13h30 ocorreu a decolagem da aeronave para novo sobrevoo e retorno ao aeroporto de Oiapoque. No retorno foram avistadas as embarcações MR.SIDNEY, com formação bem realizada e bombeio do recolhedor, C-WARRIOR (Figuras II.2.4.7e II.2.4.8), com a formação bem realizada, porém permanecia sem realizar bombeio e, mais distante, a aproximadamente 7 Km a noroeste se encontrava a embarcação ILHA DAS FLECHAS (Figura II.2.4.10), realizando dispersão mecânica com os canhões de combate a incêndio (firefighting – FiFi).
Durante o sobrevoo, o especialista de fauna relatou a presença de aves e passou as informações para a sala CAR através da LES.
Foi informado pela NS-42 ventos de 12 nós de NE e corrente para NW de 2,1 nós. Da sonda foram checados os dados meteoceanográficos modelados, no aplicativo WIND, para a localidade (Figura II.2.4.9).
A chegada ao aeroporto ocorreu em torno das 15h30. Não ocorreu planejamento prévio do roteiro da volta, e as orientações para os pilotos sobre a necessidade de avistamento das embarcações foram passadas ao longo do trajeto. Apesar de a embarcação C-WARRIOR não estar com a bomba ligada, não foram passadas orientações nem realizado questionamentos por parte da LES para a embarcação.
A LES não organizou o trajeto a ser percorrido com os pilotos antes do embarque, antecipando as coordenadas aproximadas de cada embarcação. No primeiro sobrevoo do dia não foi possível localizar a embarcação ILHA DAS FLECHAS. No retorno, como não houve programação do trajeto, a localização da ILHA DAS FLECHAS demandou muito tempo por dificuldades de comunicação com o barco líder, MR.SIDNEY.
Dia 26/08/2025
Sobrevoo de acompanhamento do LES
A chegada ao aeroporto de todos os integrantes do sobrevoo ocorreu próximo às 05h30, para a realização do checkin.
Acompanharam o sobrevoo, por parte da PETROBRAS, a líder especialista de sobrevoo (LES) Vivian Rosana, com apoio da especialista Josiane Moraes, ambas da PLANENG. Do IBAMA, acompanharam o sobrevoo o analista ambiental Jose Eduardo Matheus Evora e o técnico ambiental Iago de Castro Moreira .
Foi informado que o especialista de fauna faria um sobrevoo dedicado, sem pouso na sonda, o que demandou a utilização de conector de rádio extra, novamente não possibilitando o acompanhamento da comunicação pelos avaliadores do IBAMA.
Após o checkin e briefing de segurança, a LES realizou reunião de alinhamento com os comandantes, na qual foi ratificado o plano de voo, com indicação dos pontos da malha de busca, de checagem das embarcações de apoio, além de pouso na sonda. Também foi revisada a questão da altitude mínima de voo durante o percurso (Figura II.2.4.11).
O sobrevoo teve início às 07h20, devido às questões de logística relacionadas ao funcionamento do aeroporto.
Durante o sobrevoo, a LES realizou algumas tentativas de comunicação com as embarcações, utilizando o rádio portátil e, novamente, não conseguiu contato, devido a ruídos.
Aproximadamente às 09h28 foi avistada a embarcação ILHA DAS FLECHAS, que se encontrava realizando dispersão mecânica com os canhões de combate a incêndio (firefighting – FiFi) – Figura II.2.4.12.
Nesse momento, a LES avistou aves próximas à área de dispersão mecânica fazendo mergulho na água, reportando prontamente, por meio da comunicação com os pilotos, à embarcação. O objetivo dela era para que a embarcação ficasse atenta para que não ferisse as aves com os jatos de dispersão durante a APO.
Segundo relato da embarcação com a sala CAR, não foi informado o tipo de fauna nem se havia contaminação por óleo.
Às 09h33 foram avistadas as embarcações MR. SIDNEY (Figura II.2.2.13), C-WARRIOR (Figura II.2.2.14) e CORCOVADO , as três embarcações encontravam-se com o sistema CB6 bem-posicionado e com a bomba em operação.
O pouso no navio sonda ocorreu às 09h52. Após o pouso, a LES realizou contato com a sala CAR para passar as observações.
Em seguida, em reunião com a sala CAR, foram informados mais detalhes sobre o avistamento das aves, oportunidade na qual foi solicitada da LES uma comunicação mais assertiva sobre as informações repassadas, reforçando a necessidade de diferenciação entre injects e situações reais.
Aproximadamente às 13h26 ocorreu a decolagem da aeronave para novo sobrevoo e retorno ao aeroporto de Oiapoque. No retorno, foram avistadas as embarcações MR. SIDNEY, C-WARRIOR e CORCOVADO com formação bem realizada e bombeio do recolhedor (Figura II.2.4.15). Foi avistada a embarcação BARU GORGONA se deslocando em direção à sonda em velocidade aparentemente alta (Figura II.2.4.16).
Foram avistadas, também, as embarcações ILHA DAS FLECHAS e MS.VIRGIE (Figura II.2.4.17) realizando dispersão mecânica com os canhões de combate a incêndio (firefighting – FiFi).
A chegada ao aeroporto ocorreu em torno das 15h05.
Sobrevoo de avaliação do IBAMA
No dia 26/08/2025 (D2), foi realizado um sobrevoo objetivando avaliar a estrutura de resposta offshore e de fauna offshore e nearshore, a partir do aeroporto de Oiapoque nas proximidades do Navio-sonda ODN II (NS-42) e da foz do rio Oiapoque. O sobrevoo foi realizado em uma aeronave AW189, prefixo PR- OON da empresa OMNI.
A chegada ao aeroporto de todos os integrantes do sobrevoo ocorreu próximo às 13h00, para a realização do checkin. Acompanharam o sobrevoo, por parte da PETROBRAS, Michelle Lima Nunes e do IBAMA as analistas ambientais Ana Paula Fernandez e Luísa Pache. Foram disponibilizados dois rádios extras, que ficaram com a Michelle Lima Nunes da PETROBRAS e Ana Paula Fernandez do IBAMA. Foi realizada uma breve reunião com o piloto e copiloto para a organização do roteiro pretendido e cuidados necessários. Previamente foi feita a programação do voo, com levantamento dos pontos de interesse: embarcações ORSVs, embarcações de fauna e o PAF. Tais coordenadas foram encaminhadas aos pilotos.
Há um corredor de acesso ao aeródromo de Oiapoque com 9 milhas, qualquer acesso deve no fim passar por este corredor, voando a 4 mil pés de altitude.
O sobrevoo teve início aproximadamente às 13h57, e não ocorreu corte no navio-sonda (Figuras II.2.4.18 e II.2.4.19).
Ao longo do sobrevoo foram realizados os seguintes avistamentos:
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Horário |
Unidade Marítima |
Descrição das atividades |
Figura N° (SEI 24683826) |
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14h51 |
Radar do helicóptero |
Trajeto com todas os pontos de observação |
Figura II.2.4.18 |
|
15h00 |
NS-42 E BARU GORGONA |
Monitoramento |
Figuras II.2.4.20 e II.2.4.21 |
|
15h07 |
CORCOVADO |
Contenção e recolhimento |
Figura II.2.4.22 |
|
15h07 |
C-WARRIOR |
Contenção e recolhimento |
Figuras II.2.4.22 e II.2.4.23 |
|
15h07 |
MR. SIDNEY |
Contenção e recolhimento |
Figuras II.2.4.22 e II.2.4.24 |
|
15h19 |
MS. VIRGIE |
Dispersão mecânica com FiFi |
Figura II.2.4.25 |
|
15h21 |
ILHA DAS FLECHAS |
Dispersão mecânica com FiFi |
Figura II.2.4.26 |
|
16h09 |
SANTA MARIA II |
Monitoramento |
Figura II.2.4.27 |
|
16h30 |
PAF |
3 embarcações – Baía do Oiapoque |
Figuras II.2.4.28 e Figura II.2.4.30 |
Após o avistamento das embarcações MS.VIRGIE e ILHA DA FLECHAS realizando dispersão mecânica com os canhões de combate a incêndio (firefighting – FiFi) seguimos para a coordenada 5°11’46” N e 51°0’23” W onde foi informada a presença da embarcação MCE, porém esta não foi encontrada.
Foi informado após o sobrevoo pela LES ventos de 13 nós de NE e corrente para NW de 2,0 nós e Swell de 1,5m.
As embarcações MCE e VITSERV I não foram avistadas, apesar das tentativas durante o sobrevoo. O sobrevoo finalizou às 16h59.
Dia 27/08/2025
Sobrevoo de acompanhamento do LES
No dia 27/08/2025 (D3) ocorreram dois voos em horários próximos. O primeiro teve por objetivo realizar transporte de animal oleado do navio -sonda NS-42 para o aeroporto de Oiapoque, próximo das 06h30 e logo após, ocorreu o sobrevoo do Lider de equipe de sobrevoo. A chegada ao aeroporto de todos os integrantes do segundo sobrevoo ocorreu próximo às 06h15, para a realização do checkin.
Acompanharam o sobrevoo, por parte da PETROBRAS, a líder especialista de sobrevoo (LES) Vivian Rosana, e apoio da especialista Josiane Moraes, ambas da PLANENG, e o especialista de Fauna Icaro Silva, da Mineral. Do IBAMA acompanharam o sobrevoo os analistas ambientais Ana Paula Fernandez , Thiago Aguiar Couto Costa e Alexandre Santos .
Após o checkin e briefing de segurança, a LES realizou reunião de alinhamento com os Comandantes, que ratificaram a malha informada previamente pela sala CAR, contendo doze (12) pontos para avistamento. No momento da partida não havia previsão de corte no navio-sonda. Os percursos de ida e de volta obtidos em aplicativo estão apresentados nas Figuras II.2.4.32 e II.2.4.33.
Foram disponibilizados dois rádios extras, que ficaram com a LES e com a analista do IBAMA Ana Paula Fernandez, pois já havia sido definido um protocolo de comunicação direta da LES com o observador de fauna. A LES solicitou que o piloto realizasse o contato com as embarcações, sempre que necessário, e não realizou novas tentativas com o rádio portátil. Foram utilizados os mesmos equipamentos já descritos para o primeiro sobrevoo.
O sobrevoo foi realizado em uma aeronave AW189, prefixo PR- OOX da empresa OMNI. O sobrevoo teve início às 07h02, e aproximadamente às 08h10 foi avistado o navio-sonda NS-42, seguindo sobre pontos definidos na malha de busca para possível avistamento de óleo. A LES solicitou que o piloto avisasse a embarcação MR.SIDNEY, para informar ao CAR sobre a inversão da malha de busca.
Além dos vértices sem nenhuma visualização, foram avistadas as embarcações MS.VIRGIE a bombordo, MR.SIDNEY a boreste, e CORCOVADO e C-VIKING a ré, e ILHA DAS FLECHAS e C-WARRIOR realizando dispersão mecânica com os canhões de combate a incêndio (firefighting – FiFi).
Aproximadamente às 08h30 a LES informou sobre o avistamento real de aves, próximo ao ponto oito (8), para a sala CAR através da ponte com o piloto e embarcação , e as embarcações foram orientadas pelo CAR a interromper o uso do FiFi.
Foi informado pela sala CAR para a LES ventos entre 12 e 13 nós de E/NE e corrente para NW de aproximadamente 2,5 nós, dados passados pelas embarcações.
A LES não identificou durante o sobrevoo qual embarcação estava em cada posição dentro da estratégia prevista, e não foi observado questionamentos sobre informações meteoceanográficas diretamente com as embarcações presentes. Recomenda-se que ocorra mais comunicação entre a LES e embarcações e com a sala CAR, apresentando as estratégias esperadas em campo, e treinando de fato a comunicação através das embarcações, inclusive informando a sala CAR sobre as características da mancha, no momento do avistamento.
As 09h08 ocorreu pouso na NS-42 a pedido da sala CAR. Após o pouso a LES realizou contato com a sala CAR para passar as observações.
Aproximadamente às 13h08 ocorreu a decolagem da unidade para dar prosseguimento a malha de busca e retornar ao aeroporto.
No retorno ocorreu o sobrevoo, focalizado nas seguintes embarcações:
|
Horário |
Embarcação |
Descrição das atividades |
Figura N° (SEI 24683826) |
|
15h30 |
MS. VIRGIE |
Contenção e recolhimento |
II.2.4.35 |
|
13h31 |
MR. SIDNEY |
Contenção e recolhimento |
II.2.4.36 |
|
13h34 |
CORCOVADO |
Contenção e recolhimento |
II.2.4.37 |
|
13h37 |
C-VIKING |
Contenção e recolhimento |
II.2.4.38 |
|
13h43 |
ILHA DAS FLECHAS |
Dispersão mecânica com FiFi |
II.2.4.39 |
|
13h40 |
C-WARRIOR |
Dispersão mecânica com FiFi |
II.2.4.40 |
|
14h00 |
MCE |
Monitoramento |
II.2.4.41 e II.2.4.42 |
A barreira da MR. SIDNEY estava com um pequeno estrangulamento na entrada do separador no momento do segundo sobrevoo, e não foi passada nenhuma orientação para a embarcação sobre realizar melhorias na formação.
A chegada ao aeroporto ocorreu em torno das 15h11.
Conclui-se que os sobrevoos ocorreram de forma satisfatória. Contudo, há necessidade de intensificar o treinamento da LES e da auxiliar no que tange comunicação com as embarcações, planejamento da rota a ser percorrida, com levantamento prévio das coordenadas das embarcações ou pontos importantes de observação, e elaboração do relatório de sobrevoo. O aspecto da LES e da auxiliar serem da região é positivo pois detém conhecimento local.
O observador de fauna é experiente, com habilidade para desempenhar suas funções.
II.2.5 Embarcação CRONOS – Offshore (saída do Porto de Belém – Belém/PA)
Avaliadores: Clarissa e Thamiris
A Cronos é uma embarcação de apoio offshore, com capacidade para 14 pessoas, de propriedade da Nals Navegação Ltda e operada pela Mineral Engenharia e Meio Ambiente Ltda, que também é responsável pela execução do Plano de Proteção à Fauna (PPAF). Apesar de descrita no estudo ambiental como uma embarcação com capacidade de navegar a 10-11 nós, essa velocidade só é atingida quando a navegação ocorre na mesma direção da corrente, sendo de aproximadamente 8 nós a média de velocidade alcançada no cruzeiro de monitoramento na área da atividade de perfuração.
No seu convés foi instalado contêiner climatizado contendo toda a estrutura e materiais para atendimento e estabilização de fauna atingida por óleo em caso de acidente nas operações de Perfuração Marítima no Bloco FZA-M-59, Bacia da Foz do Amazonas. Vistoriada pelo IBAMA em julho de 2025, a embarcação Cronos foi definida pela empresa como dedicada à atividade, devendo permanecer na locação durante toda a fase reservatório do poço.
Durante a Avaliação Pré-Operacional estiveram a bordo da Cronos dois médicos veterinários, um oceanógrafo e uma bióloga. Devido à limitação de vagas na embarcação, os outros dois especialistas que compõem a equipe original não embarcaram para dar lugar às analistas do IBAMA que acompanharam o exercício. De acordo com a MINERAL, esses dois especialistas seriam responsáveis pelas atividades de monitoramento de fauna. Considerando que o atendimento às ocorrências de fauna oleada a serem avaliadas durante o exercício seriam simuladas e introduzidas pela equipe do IBAMA, houve entendimento prévio entre as partes de que a ausência de tais especialistas não prejudicaria o desenvolvimento das atividades.
II.2.6 Embarcações Dedicadas Nearshore, CAF-OIA e Ações relacionadas à Fauna no Posto de Comando Avançado - Oiapoque
Avaliadores: Ana Paula Cruz, Thiago, Erica, Emerson
As ações de fauna ocorridas no município de Oiapoque/AP foram acompanhadas por um grupo de analistas que se revezou em diferentes frentes e atividades: Força-Tarefa de Manejo de Fauna em Embarcações Dedicadas Nearshore, que atuou no rio e na baía do Oiapoque, recebimento dos animais no píer do Oiapoque e acompanhamento das ações de transporte, estabilização e atendimento no CAF-OIA, e Posto de Comando Local. A análise a seguir privilegia a ordem cronológica dos fatos acompanhados, podendo essa ser alterada para manter o encadeamento das ações realizadas nas diferentes frentes.
O acionamento da estrutura do Centro de Atendimento e Reabilitação de Fauna do Oiapoque (CAF-OIA) ocorreu às 08h30 do dia 25/08/2025, cerca de 14:30 h após o início da APO. Na ocasião, a equipe técnica presente era composta por dois médicos veterinários, um assistente e dois tratadores, os quais se encontravam de prontidão para o recebimento de animais impactados. A estrutura física do CAF-OIA também estava devidamente preparada para o atendimento.
II.2.7 NS-42 e aeronaves- Estabilização Móvel
Avaliador: Clarissa Condé
Na manhã do dia 27/08/2025, foi possível acompanhar o voo até a sonda para realizar o transporte de fauna deste ponto de observação. Foi informado que a movimentação de cargas na sonda pode ocorrer em segurança em qualquer horário do dia ou da noite.
A aeronave estava preparada para o acondicionamento de fauna, com a cabine adaptada, sem bancos em sua porção central e contendo caixas de transporte para serem trocadas na sonda. As caixas foram presas por redes e ganchos fixados no chão da aeronave, de forma a mantê-las seguras e firmes, evitando deslizamento ou movimento indesejado.
II.3. Itens avaliados
II.3.1. Comunicação Transfronteiriça
Avaliadores: Juliana Peroba, Gabriel
Para a avaliação do item Comunicação Transfronteiriça, foram realizadas observações a partir do Posto de Comando no Edifício Senado e da sala CAR.
Sala CAR
A ativação das ações relativas à comunicação transfronteiriça se deu a partir do resultado da modelagem determinística. A primeira modelagem determinística foi solicitada às 18h55 de D0 (dia 24/08) pelo coordenador da CAR à consultora da TETRATECH, neste momento esta consultora ainda atuava remotamente. Desta forma, às 20h29 foi encaminhado o relatório para a modelagem de vazamento contínuo de fundo para um volume de 10.000 bbl/dia (1590 m3/dia) para a duração de 72 horas utilizando o tipo de óleo TROLL (IKU) de 27°API. Este relatório apontava em sua conclusão que:
“Após o afloramento, a mancha deriva em direção NW, no rumo aproximado de 310°, cruzando a fronteira marítima com a Guiana Francesa após 23h do início do vazamento (às 17:10 do dia 25/08/2025).”
Desta forma, desde a chegada da avaliadora do IBAMA no local, pode-se observar que foi abordada a questão transfronteiriça entre a sala CAR e o chefe da seção de Operações no Posto de Comando. Mais especificamente às 09h47, ocorreu uma reunião da equipe da sala CAR com a seção de Operações no Posto de Comando do EDISEN a respeito das tratativas para o atendimento das questões transfronteiriças. Dessa conversa foi definido que seria elaborado um plano robusto de planejamento das ações em águas internacionais contendo as devidas solicitações de autorizações necessárias e estratégias a serem implementadas. Uma vez que o resultado da modelagem apresentava previsão apenas para as 72 horas seguintes, foi definido pelo chefe de Operações que, a menos que ocorresse alguma alteração no cenário enfrentado, seria considerado o toque em costa em área internacional. Adicionalmente, foi definido também pelo chefe de Operações nesta reunião a necessidade do acionamento da OSRL.
Além deste acionamento inicial a partir da modelagem foi realizado constante monitoramento das características da mancha de óleo após seu cruzamento da linha de fronteira. Uma vez que estas características não indicavam pelo uso de técnicas de dispersão e recolhimento nem de dispersão mecânica, a atuação das estratégias da faina de emergência restringiu-se às águas jurisdicionais brasileiras (AJB).
Desta forma, entende-se como satisfatória a participação da sala CAR na ativação do plano de comunicação transfronteiriça.
Posto de Comando
A primeira ação observada no Posto de Comando referente ao tema ocorreu durante a primeira reunião de comando, realizada no dia 25/08/2025 às 8h15. Na ocasião, a Assessoria de Articulação, diante do cenário do simulado e da modelagem realizada, informou que iria iniciar a comunicação com os países que apresentavam possibilidade de toque de óleo, considerando os diferentes cenários de modelagem realizados no EIA. Foi também informado que as embarcações e aeronaves não dependeriam de autorizações prévias para adentrar águas e espaço aéreo sob jurisdição de outros países para atendimento à emergência ambiental, conforme estabelecido na OPRC 1990 (Convenção Internacional sobre Preparo, Resposta e Cooperação em Caso de Poluição por Óleo). Também fora citado o acionamento da OSRL (Oil Spill Response Limited).
Em seguida à reunião, foi verificada discussão na sala da Assessoria de Articulação sobre o conteúdo dos comunicados internacionais entre outras ações. A CGMAC Ibama recebeu por e-mail os comunicados internacionais e o ICS 214 da Assessoria de Articulação também registrou as seguintes ações no que tange ao tema neste momento:
25/08/2025 09:01 Comunicação inicial ao MRE (Ofício Petrobras 003/2025)
25/08/2025 09:10 Initial Communication to Suriname (Ofício Petrobras 005/2025)
25/08/2025 09:10 Initial Communication to France and French Guiana (Ofício Petrobras 004/2025)
25/08/2025 09:14 Initial Communication to Guyana (Ofício Petrobras 006/2025)
25/08/2025 09:20 Initial Communication to Barbados (Ofício Petrobras 007/2025)
25/08/2025 09:21 Initial Communication to Trinidad and Tobago (Ofício 008/2025)
O Ofício Petrobras 003/2025 destinado ao Ministério das Relações Exteriores apresentava os seguintes destinatários: a Secretária-Geral das Relações Exteriores; o Secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente; o Diretor do Departamento de Energia; a Chefe da Divisão de Energia e Mineração; o Secretário de Assuntos Multilaterais Políticos; o Diretor do Departamento de Assuntos Estratégicos, de Defesa e de Desarmamento; e o Chefe da Divisão do Mar, da Antártida e do Espaço.
O comunicado, resumidamente, apresentava uma descrição da atividade de perfuração e do acidente, com a indicação do provável toque de óleo em águas sob jurisdição da Guiana Francesa, então prevista para ocorrer às 17h daquele dia. Recomendava “articulação internacional imediata com autoridades da França, responsáveis pela Guiana Francesa, a fim de comunicar a ocorrência do incidente, suas características, ações já adotadas pela PETROBRAS e possíveis desdobramentos”, e comunicar
as autoridades responsáveis por Suriname, Guiana, Barbados e Trinidad e Tobago, informando as ações já adotadas e solicitando a cooperação destes países, sob o marco da Convenção Internacional sobre Preparo, Resposta e Cooperação em caso de Poluição por Óleo, de Londres (OPRC 90) e outras vigentes, para a coordenação de ações e concessão tempestiva das autorizações e permissões necessárias de ingresso de embarcações, aeronaves, bem como de técnicos e tripulação especializados, para que a Petrobras realize as ações de resposta no mar territorial destes países.
Afirmava ainda ser
imprescindível solicitar autorização especial para acesso ao mar territorial da Guiana Francesa nas próximas horas com embarcações e equipe especializada, incluindo a entrada no espaço aéreo da Guiana Francesa, a fim de permitir o sobrevoo para monitoramento aéreo da evolução do incidente.
Informava que autoridades diplomáticas e pontos focais da
França, do Suriname, da Guiana, Barbados e Trinidad e Tobago serão imediatamente informadas pela Petrobras do incidente, ações já tomadas, ações planejadas e cooperação necessária para a efetivação da resposta emergencial adequada pela Petrobras nos respectivos países.
O documento finalizava informando a comunicação da empresa junto ao GAA bem como o compromisso de manter informadas as autoridades brasileiras e estrangeiras, disponibilizando contatos telefônicos do Comando da Estrutura Organizacional. O documento fora assinado pelo Gerente Executivo de Relações Institucionais da PETROBRAS.
Como registrado no e-mail enviado à CGMac, no ICS 214 e citado no ofício ao MRE, foram também enviados ofícios da empresa a autoridades diplomáticas e pontos focais da Guiana Francesa e França, Suriname, Guiana, Barbados e Trinidad e Tobago.
Para a Guiana Francesa, o ofício Petrobras 004/2025 havia como destinatários o embaixador da França no Brasil e o “Chief of the Interministerial Staff - Focal point”.
Para o Suriname, o ofício Petrobras 005/2025 seria destinado à embaixadora do Suriname em Brasília; à CEO da Suriname Staatsolie; ao diretor da–Suriname Staatsolie; e o iretor da National Coordination Center for Disaster Relief (NCCR).
Para a Guiana, o ofício Petrobras 006/2025 apresentava como destinatários o Chargé-d'Affaires da Giuyna Brasil; e o diretor-geral da Civil Defence Commission (CDC).
Em Barbados, o ofício Petrobras 007/2025 procurou comunicar a embaixadora de Barbados no Brasil; o Diretor do Department of Emergency Management; o Deputy director do Department of Emergency Management; e o Diretor – do Environmental Protection Department.
Para Trinidad e Tobago, o ofício Petrobras 008/2025 seria destinado ao embaixador de Trinidad e Tobago no Brasil; à National Controller da National Oil Spill Contingency Plan & Permanent Secretary; ao Deputy Permanent Secretary do Ministry of Energy and Energy Industries; ao Senior Petroleum Engineer do Ministry of Energy and Energy Industries; ao Petroleum Inspector III do Ministry of Energy and Energy Industries; e à Secretaria adjunta do Ministry of Energy and Energy Industries.
Redigidos em inglês, os comunicados apresentavam um conteúdo similar ao do MRE, com a distinção da recomendação de ativação do plano de contingência local e a menção direta a necessidade de obtenção de autorizações para acesso as águas e espaço aéreo dos respectivos países pelas embarcações e aeronaves da PETROBRAS.
Especificamente para a Guiana Francesa, a comunicação apresenta a lista de embarcações envolvidas e que a autorização seria mais urgente. Informava que as embarcações não iriam aportar, permanecendo em alto mar para atendimento à emergência e que uma aeronave iria realizar sobrevoo para o monitoramento da mancha de óleo.
Após o envio dos comunicados, um observador do Ibama realizou conversa com o Assessor de Articulação para melhor entender os procedimentos adotados. O Assessor narrou os procedimentos e informou que os comunicados foram enviados por e-mail, mas que, em uma situação real, seriam também realizadas ligações. Além disso, informou que os e-mails, apesar de constar os destinatários no seu cabeçalho, foram enviados apenas à CGMac/Ibama.
Tal procedimento foi considerado inadequado pelos observadores do IBAMA, pois não permitia a verificação da efetividade da comunicação transfronteiriça. Ademais, estava em desacordo com o estabelecido na reunião de alinhamento da APO com a empresa. Nesta, fora acordado que as comunicações deveriam ser copiadas à CGMac, e não enviadas apenas para ela. Informava ainda que ligações para a realizar a comunicação transfronteiriça deveriam ser realizadas com a presença de um observador do Ibama.
Em função desta situação, foi realizada uma intervenção do IBAMA no exercício, na qual foi explanada a problemática, tendo como encaminhamento a realização de comunicação telefônica pela empresa para verificar sua capacidade de realizar efetivamente a comunicação transfronteiriça. O ICS 214 registrou o ocorrido da seguinte forma:
25/08/2025 10:15 Após conversa entre Analistas do IBAMA e o Assessor de Articulação, no Posto de Comando no Rio de Janeiro, foi solicitado formalmente que a Petrobras comprovasse a existência de REAL fluxo de comunicação e articulação internacional transfronteiriça, por meio da realização de chamadas telefônicas aos interlocutores mapeados no PEI FZA-M-59.
O encarregado de realizar a ligação foi o Gerente Executivo de Relações Institucionais da Petrobras. Previamente à ligação, o Gerente explicou aos representantes do IBAMA que ligaria para o ponto focal estabelecido no MRE e este seria responsável por contactar os embaixadores brasileiros nos respectivos países citados. Tal procedimento, segundo o Gerente, evitaria um incidente diplomático, citando como exemplo, o presidente francês tomar conhecimento do incidente antes do presidente brasileiro.
A ligação ocorreu às 12:23, em viva-voz, tendo o ponto focal do MRE atendido prontamente ao telefonema. Foi informado que se tratava de um simulado com a presença do IBAMA, descrevendo sucintamente o incidente e a previsão de toque de óleo nas águas sob jurisdição da Guiana Francesa. Foi solicitado que o MRE realizasse contato com o Palácio do Planalto e com as representações consulares brasileiras dos países citados, passando a informação sobre o incidente. Os representantes consulares brasileiros então seriam os responsáveis por articular o contato com as instâncias governamentais dos respectivos países para proceder as ações necessárias relacionadas ao incidente. Foi acordado que o ponto focal retornaria à ligação dentro de um determinado tempo, informando o sucesso ou não do contato com os representantes brasileiros nos países.
Às 13:43 foi recebida o retorno da ligação, na qual o ponto focal no MRE relatou o sucesso nas comunicações realizadas.
Às 13:53 foi realizada ligação para o Consul-Geral do Brasil em Caiena, Guiana Francesa, na qual foi confirmada a comunicação prévia e ratificada as informações do acidente simulado. O Assessor de Articulação informou as ações a serem demandas para as autoridades responsáveis na Guiana Francesa.
Após esta ligação, foi considerada suficiente as ações a serem verificadas para a comunicação transfronteiriça.
Como pode se observar, entretanto, houve uma evidente incongruência entre as comunicações por ofícios/e-mail (partindo do pressuposto que seriam de fato enviados) e as ligações, que evidenciam que, apesar de assinar os ofícios, o Gerente Executivo de Relações Institucionais não dominava o conteúdo dos mesmos. Entre os elementos que permitiram esta constatação está sua preocupação com o fluxo de comunicação no sentido de evitar um incidente diplomático. Tal preocupação não se justificaria, uma vez que os ofícios ao MRE foram enviados praticamente simultaneamente aos enviados às autoridades diplomáticas e demais pontos focais estrangeiros. Notou-se ainda que o ponto focal no MRE não constava na lista de contatos do ofício ao MRE. Consequentemente, não teria recebido qualquer conteúdo escrito, salvo possível encaminhamento interno. O mesmo ocorre em relação aos representantes diplomáticos brasileiros nos países, que não foram listados em nenhuma comunicação escrita enviada pela empresa.
Ademais, a comunicação telefônica evidenciou pouco domínio do Gerente a respeito do incidente, dos procedimentos a serem adotados e solicitações necessárias aos interlocutores. A ligação foi considerada ainda pouco objetiva e assertiva, essenciais para situações reais, como por exemplo, na confusão se comunicados escritos foram ou já haviam sido enviados.
Em relação ao acionamento da OSRL, não pôde ser verificado em que momento foi realizada a interlocução, uma vez que a entidade fora citada apenas nas duas primeiras reuniões de comando, de não ter sido observado sua citação em outros fóruns e do contato não ter sido registrado nos ICS. Entretando, a articulação com a OSRL ficou evidente na apresentação do Plano de Emergência Transfronteiriço, realizado após a última reunião de comando do dia 27/08, momento em que também esteve presente um representante da entidade. Este plano apresentou detalhes de como seria realizado o combate ao incidente em território estrangeiro, o qual previa recursos da Petrobras nas águas da Guiana Francesa e obtidos através da OSRL nos demais países possivelmente atingidos.
Apesar das falhas, oportunidades de melhoria e da necessidade de intervenção do Ibama para efetiva verificação do componente, entende-se que a Petrobras evidenciou satisfatoriamente capacidade de acionamento da comunicação transfronteiriça através das ligações e do efetivo mapeamento de interlocutores internacionais e pontos focais.
II.3.2. Carrossel de Embarcações
Avaliadores: Luisa, Zé, Juliana, Clarisse, Ana Fernandez e Iago
Para a avaliação do item Carrossel de Embarcações do PEI foram realizadas observações a partir da sonda NS-42, do setor de Operações do Posto de Comando no Edifício Senado, da sala CAR no CENPES, dos sobrevoos que saíram do aeródromo de Oiapoque e do Posto de Comando Local em Oiapoque.
Na sonda ODN II (NS-42) foi realizada a comunicação do incidente para a Central de Atendimento à Emergência (CAE) e acompanhada a ativação das embarcações que atuariam no carrossel pela conversa com a Sala CAR. Pelo radar da unidade marítima era possível localizar as embarcações Mr. Sidney, C-Warrior e Cronos, inicialmente. Posteriormente, observou-se a embarcação Ilha das Flechas no radar também.
A partir da sala CAR pôde-se observar o acionamento das embarcações envolvidas no PEI, assim como a gestão das estratégicas de combate ao vazamento de óleo no mar a ser desenvolvida por cada embarcação.
Logo após o acionamento da sala CAR pela CAE, a coordenadora da sala CAR mobiliza as duas embarcações dedicas do PEI do processo de perfuração no bloco FZA-M-59: as OSRVs C-WARRIOR (acionamento às 18h26) e MR. SIDNEY (acionamento às 18h30), neste acionamento foram realizadas orientações para uso de holofotes, radar de óleo, sensor de gás e informe imediato em caso de identificação visual de mancha de óleo ou fauna. Ambas as embarcações chegam às 19h00 nas proximidades da NS-42.
Às 19h21 do dia 24/08, antes mesmo de qualquer confirmação de vazamento de óleo no mar, foi realizada a mobilização da 3ª embarcação OSRV, a ILHA DAS FLECHAS, foi informada previsão da duração de 06h10 de navegação até o local da NS-42 (ETA 01h30 de D1). A embarcação ILHA DAS FLECHAS entra assim, como a embarcação de 12 horas do PEI.
Ainda em 24/08/25 (D0), às 21h07, foi constatado o cenário de blowout pela PETROBRAS, mesmo que ainda sem confirmação visual do afloramento de óleo, sendo assim a coordenadora da CAR orientou que as OSRVs já no local (C-WARRIOR e MR.SIDNEY) se deslocassem para a coordenada de afloramento de óleo prevista pelo primeiro relatório de modelagem determinística. Adicionalmente, às 21h24, foram acionadas as embarcações: CORCOVADO (embarcação de 36 horas do PEI), MS.VIRGIE (embarcação de 60 horas do PEI) e a C-VIKING (embarcação reserva do carrossel de embarcações do PEI).
A tancagem disponível em cada embarcação era: CORCOVADO - 1.080,2 m³, MS.VIRGIE - 1.144,7 m³, C-WARRIOR - 1050 m³, MR SIDNEY - 1.200 m³, C-VIKING - 1.163,25 m3 e ILHA DAS FLECHAS - 174m³. Sendo assim, o navio tanque Bine Olia foi mobilizado às 08h48 para transferência de resíduos das embarcações. O ETA do tanker era o dia 27/08 às 15h00.
Uma vez que havia luz de dia, foram solicitadas às embarcações o levantamento das condições meteoceanográficas para implementação da estratégia de contenção e recolhimento. Uma vez que as condições repostadas estavam favoráveis para o uso do CB6, às 06h44 a MR.SIDNEY inicia o lançamento da barreira e inicia o bombeio às 07h44, já a C-WARRIOR inicia o lançamento da barreira às 06h47 e inicia o bombeio às 07h22 do dia 25/08.
A embarcação ILHA DAS FLECHAS chega ao local do incidente às 00h57 de D0, 24/08/25. Considerando as informações de cubagem da mancha informadas após o 1º sobrevoo que decolou às 07h22 do aeródromo de Oiapoque, mancha com filme prateado e um pouco metálico, foi indicado que a ILHA DAS FLECHAS realizasse a dispersão mecânica por canhões FireFight, desta forma, esta atividade se iniciou às 10h15 de D1,25/08/25. Todas as embarcações seguiram com dispersão mecânica por canhões FireFight no período noturno de forma simulada.
A embarcação CORCOVADO chegou nas proximidades da NS-42 às 21h35, e às 23h45 chega na posição da mancha iniciando a dispersão mecânica com utilização dos canhões FireFight às 23h58.
Ainda durante este primeiro D1, 25/08/25, também ocorreu o levantamento de drone das embarcações C-WARRIOR e MR.SIDNEY. Os voos duraram cerca de 25 minutos tendo em vista o limite da bateria dos equipamentos. Foi possível acompanhar as imagens geradas na sala CAR durante todo o tempo em que os drones estavam no ar. Foram testados os comandos, o zoom e a imagem infravermelho, todos testes foram bem-sucedidos e apoiaram na visualização das embarcações atuando na faina de emergência com CB6 e canhões FireFight, demonstrando as barreiras devidamente lançadas e funcionais assim como os canhões FireFight.
Em D2, 26/08/25, uma vez que as condições meteoceanográficas continuavam favoráveis, foi realizada a contenção e recolhimento do óleo pelas embarcações OSRV CORCOVADO (início do bombeio às 08h12), C-WARRIOR (início do bombeio às 07h47) e MR.SIDNEY (início do bombeio às 07h47) e a embarcação ILHA DAS FLECHAS seguiu realizando dispersão mecânica por canhões FireFight a ré dessas embarcações.
A embarcação MS.VIRGIE chega no local em torno de 10h30 e iniciou a dispersão mecânica por canhões FireFight às 11h00 deste D2. Uma vez que sua chegada se deu após a cubagem da mancha informada pelo sobrevoo, foi definido que ela atuasse na 2ª mancha identifica nesta inspeção aérea.
Neste mesmo dia também ocorreu voo de drone pela embarcação C-WARRIOR. Às 16h40 as embarcações MR.SIDNEY, CORCOVADO e C-WARRIOR recolhem suas barreiras devido a baixa luminosidade do horário. Desta forma, elas entram na implementação da estratégia de dispersão mecânica de forma simulada durante a noite.
Uma vez iniciado o D3, 27/08/25, da APO, assim que houve a primeira luz do dia, iniciaram-se as atividades de estabelecimento de estratégia de reposta ao vazamento de óleo no mar. A embarcação C-VIKING, OSRV reserva do PEI, chegou nas proximidade da sonda às 06h20 e foi orientada a se posicionar a ré da MR.SIDNEY para lançamento da barreira. Sendo assim, foi iniciado um novo ciclo de lançamento de barreira pelas embarcações MR.SIDNEY (início do bombeio às 07h46), MS.VIRGIE (início do bombeio às 08h40), C-VIKING (início do bombeio às 12h00 pois no lançamento da manhã ocorreu problema com o recolhedor) e CORCOVADO (início do bombeio às 08h15). Já as embarcações ILHA DAS FLECHAS e C-WARRIOR ficaram responsáveis pela dispersão mecânica com FireFight.
Ainda em D3, 27/08/25, também ocorreu voo de drone da embarcação MS.VIRGIE e CORCOVADO, já a MR.SIDNEY pôde realizar o voo do balão aeróstato devido a uma redução na intensidade do vento (vento estava a 4 nós).
Adicionalmente às embarcações do PEI de FZA-M-59 as seguintes embarcações da PETROBRAS foram mobilizadas para atuar na faina de emergência deste: C-ACCLAIM, NT Pine Olia, AEGIS, BRAVANTE I, MACAÉ, NAVEGANTES PRIDE, ILHA DE SANTANA, ELIZABETH C, MAR LIMPO IV, MAR LIMPO II, VIKING SURF, C-AMBASSADOR e CMM CELERITY (a navegação destas embarcações foi realizada apenas de forma simulada).
Ao longo do exercício foram registradas avistagens de fauna reais e simuladas pelo sobrevoo e pelas embarcações. Para todos as ocorrências deu-se a devida resposta no sentido de ajuste da estratégia de emergência implementada, como exemplo, para avistamento de aves no entorno da embarcação que estava realizando a dispersão mecânica por canhões Firefight adaptou-se para dispersão mecânica por propulsores.
Considerando os tempos expostos acima, a partir do que foi analisado a partir da sala CAR, considera-se que o carrossel de embarcações do PEI de FZA-M-59 atendeu os tempos de 1ª resposta estipulados em seu plano. Além disso, foi possível acompanhar a formação das barreiras e a dispersão mecânica continuamente durante os três dias de APO, este acompanhamento foi possibilitado pelas câmeras Flir das embarcações, as imagens dos drones, do aeróstrato e através dos sobrevoos de helicópteros realizados. Ademais, identificou-se que o posicionamento das embarcações era constantemente avaliado em decorrência da modelagem e cubagem informada pelo sobrevoo. A comunicação com as embarcações deu-se também de forma satisfatória.
Em cenários de emergência, a PETROBRAS utiliza um sistema desenvolvido pela própria operadora chamado COP (Common Operating Picture). Este sistema é organizado em função das seções da EOR, conforme Figura 05 abaixo, e reúne informações georreferenciadas da emergência assim como informações relativas as ações em andamento.
Figura 05: Tela inicial do COP
Uma vez que foi imposta pelo IBAMA a premissa de acesso em tempo real e ininterrupto as localizações das embarcações envolvidas no PEI, foi fornecido acesso aos avaliadores deste órgão ao sistema COP previamente ao início da APO. Vale ressaltar que a embarcação Urano foi a única de todas as embarcações envolvidas na APO que não teve a sua localização disponibilizada, descumprindo premissa pactuada.
Desta forma, foi realizado o levantamento das posições iniciais das embarcações e seus respectivos deslocamentos ao longo da avaliação pré-operacional (das 18h05 do dia 24/08 até às 19h00 do dia 27/08). Vale ressaltar que a embarcação Urano foi a única de todas as embarcações envolvidas na APO a não ter sua localização disponibilizada, descumprindo parcialmente a premissa.
Sendo assim, são apresentadas nas Figuras 06 a 11 abaixo a movimentação das OSRVs envolvidas no carrossel de embarcações durante a APO.
A CORCOVADO levou aproximadamente 24 horas para chegar na NS-42 (Desloc.:276 Mn e Veloc. Média: 11.11 nós), ou seja, 27 horas e 25 minutos do início da APO. A embarcação não estava na posição mais crítica para 32 horas que seria 320 Mn, contudo as condições críticas da região não afetariam o desempenho da embarcação para cumprir os tempos previstos no PEI.
Para a embarcação MS.VIRGIE, a posição correta deveria estar nas áreas de fundeio do Porto de Belém que era a posição mais crítica para as 60 horas conforme informado no PEI e na apresentação da empresa para APO, porém esta se encontrava fora da foz. Ao serem alertados via e-mail acerca da questão do posicionamento incorreto da embarcação, e que deveriam se posicionar na área de fundeio do porto, a empresa justificou que a área na qual a MS.VIRGIE estava posicionada também era área de fundeio do porto de Belém.
Entretanto, ao consultar o documento “PLANO DE DESENVOLVIMENTO E ZONEAMENTO PORTUÁRIO 2024” da Companhia Docas do Pará, bem como as cartas marítimas da região (Figuras 12 e 13), obteve-se a mesma informação que é apresentada na Tabela 01.
Tabela 01: Áreas de Fundeio
Desta forma, considerando que a embarcação foi acionada às 21h35 na posição fora da foz, ela demorou aproximadamente 48 horas e 30 minutos (Desloc.:405.96 Mn e Veloc. Média: 8.45 nós) para chegar na NS-42, ou seja, 51 horas e 55 minutos do início da APO.
Entretanto, mesmo com esta discrepância na coordenada inicial do acionamento da MS.VIRGIE, considerando a embarcação no fundeio 5 (Figura 13) no início do acionamento da APO, ela conseguiria sair às 22h30 do dia 24/08 deste ponto de fundeio. Sendo assim, levaria aproximadamente 44 horas para chegar na mancha, ou seja, 48 horas e 20 minutos a partir do início da APO. Desta forma verificamos que, mesmo com as condições críticas da maré, é possível cumprir as 60 horas.
A C-VIKING ao ser acionada às 21h35 estava se dirigindo para o porto de Belém para troca de equipe simulada. Sendo assim, ela chegou na área 5 do porto de Belém às 05h10 do dia 25/08 (maré baixa) e saiu às 10h20 (maré enchendo) deste mesmo dia. A embarcação chegou na locação da mancha de óleo às 06h20 do dia 27/08 (Desloc.:440.09 Mn e Veloc. Média: 10.03 nós).
II.3.3 Fauna
Avaliadores: Clarissa, Thamiris, Ana Paula Cruz, Erica, Thiago, Emerson, Michelly e Leandro
O acompanhamento das ações da Subseção de Controle de Impactos à Fauna ocorreu em cinco frentes, que abrangeram tanto atividades gerenciais quanto de campo, conforme o Plano de Proteção à Fauna (PPAF) da atividade: (i) Força-Tarefa de Manejo de Fauna em Embarcações Dedicadas Offshore, a bordo da embarcação Cronos; (ii) Força-Tarefa de Manejo de Fauna em Embarcações Dedicadas Nearshore, CAF-OIA e Posto de Comando Local no Oiapoque; (iii) Força-Tarefa de Estabilização Móvel (NS-42 e aeronave); (iv) Posto de Comando no Rio de Janeiro e; (v) Simcell.
As figuras relativas a este item são apresentadas no Relatório Fotográfico em anexo a este parecer (SEI 24683826).
Força-Tarefa de Manejo de Fauna em Embarcações Dedicadas Offshore
Embarcação - Cronos
O acompanhamento da Força-Tarefa de Fauna em Embarcações Dedicadas Offshore se deu por meio do embarque na embarcação Cronos, definida como dedicada da atividade para a fase de reservatório do poço. Para o PPAF, foi prevista uma segunda embarcação, a Baru Gorgona, uma fast supply vessel, de propriedade e operada pela Baru Offshore Navegação Ltda, com velocidade de navegação máxima de 21 nós e capacidade para 11 pessoas, o que impossibilitou o embarque de avaliadores do IBAMA durante a realização da APO. No seu convés, foi instalado contêiner climatizado, nos mesmos moldes descritos para a embarcação Cronos. A Baru Gorgona foi definida para a atividade como “embarcação rápida” para o transporte de fauna e foi vistoriada em julho de 2025.
De acordo com o PPAF:
“durante a perfuração da fase reservatório do poço uma embarcação com velocidade média de deslocamento de 10 nós será mantida no entorno da locação da sonda. Esta embarcação estará equipada com recursos e materiais consumíveis para manejo de fauna. Será tripulada com 06 especialistas, sendo 02 deles médicos veterinários, e poderá ser designada para realizar monitoramento especializado, dissuasão/afugentamento, resgate/captura, recepção, estabilização e transporte de fauna. Estará à disposição kit com equipamento de GPS, máquina fotográfica, tablet/smartphone com rastreamento ativo por GPS, rádio portátil, equipamentos para biometria (trena, paquímetro e balança), prancheta com planilhas de registro do resgate, guarda-sol para abrigar animal vivo, caixas de transporte de aves de vários tamanhos, puçás, toalhas, colchonetes entre outros necessários para o resgate dos animais marinhos. Durante as outras fases da perfuração do poço, essa embarcação será mantida em prontidão no Porto de Belém”.
O deslocamento da Cronos até as imediações do poço Morpho durou 49 horas, tendo partido às 10h00 do dia 21/08/2025 da doca da NALS (Navegação Apoio Logístico e Serviços), localizada em Icoaraci, Belém/PA, com chegada por volta das 11h00 do dia 23 seguinte. A embarcação permaneceu nos arredores da locação até a manhã do dia 24, quando iniciou o monitoramento de fauna na área, após receber informações acerca do embarque de analista do IBAMA na sonda de perfuração, ainda que o exercício tenha sido iniciado pelo IBAMA somente às 18h10 daquele dia e o acionamento da Cronos tenha ocorrido pouco mais de duas horas depois, às 20h28. Como seu acionamento formal ocorreu no período noturno, não foram executadas ações imediatas de monitoramento na área. O monitoramento no período da Avaliação foi iniciado às 6h08 do dia 25, seguindo instruções da EOR repassadas à equipe embarcada. Foi possível observar em campo que a estratégia adotada para o monitoramento foi navegar na direção da deriva da mancha de óleo, no sentido da corrente preponderante, em direção à linha divisória do Mar Territorial Brasileiro, e retornar no sentido contrário, em direção à sonda de perfuração, parando por trinta minutos em cada um dos cinco pontos estabelecidos no trajeto para o monitoramento de fauna. Os pontos de monitoramento são apresentados na Tabela 02 abaixo, bem como a imagem do mapa com estes georreferenciados (Figura 14). Pela imagem é possível concluir que os pontos de monitoramento foram escolhidos seguindo a orientação da borda da mancha de probabilidade de vazamento contínuo de 36 horas para o período de julho a novembro.
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Ponto de Monitoramento |
Latitude |
Longitude |
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1 |
5°12'44.67"N |
49°58'28.46"W |
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2 |
5° 6'49.46"N |
50° 7'32.56"W |
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3 |
5° 7' 44.4" N |
50° 20' 14.6" W |
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4 |
5° 14' 25.8" N |
50° 34' 20.3" W |
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5 |
5° 19' 42.9" N |
50° 53' 42.7" W |
Tabela 02: Coordenadas dos pontos de monitoramento
Figura 14: Pontos de monitoramento
As avaliadoras do IBAMA foram as responsáveis pela realização de injects em campo, representados por réplicas de animais de pelúcia e infláveis, com o objetivo de avaliar as atividades de resgate, estabilização, transporte e transbordo de fauna. As réplicas foram elaboradas com flutuadores e etiquetas plásticas contendo informações sobre a espécie afetada, seu grau de contaminação e seus reflexos vitais, além da condição em que se encontravam, vivos ou mortos.
As primeiras réplicas de animais oleados foram lançadas na água às 6h11, quando a embarcação se encontrava no entorno da locação (Inject 1). Tratava-se de dois exemplares de pardelas-pretas (Procellaria aequinoctialis). A equipe da Cronos recebeu a informação pelas próprias Analistas do IBAMA às 6h13.
Os especialistas da Mineral já se encontravam paramentados desde às 5h50, quando foi registrado o check-in nas atividades do dia. Desta maneira, às 6h16, eles já estavam com os puçás de resgate e acoplados nas linhas de vida da embarcação. Às 6h20 a embarcação foi manobrada para melhor posicionamento e às 6h26 o primeiro animal foi resgatado. A ave estava viva, responsiva, com 30% do corpo coberto por óleo. Esta foi acondicionada em caixa de papelão com toalha 100% algodão para aguardar o atendimento.
Às 6h28 o segundo animal foi resgatado. A ave estava viva, responsiva, com 20% de cobertura de óleo. Esta segunda ave também foi acondicionada em caixa de papelão com toalha 100% algodão.
Às 6h30 o óleo das duas aves foi coletado com espátula de madeira, não tendo sido necessária a coleta de pena. O óleo foi acondicionado em papel laminado e identificado para posterior análise, sempre em duas amostras para cada animal, para possibilitar eventual duplicata.
O primeiro animal a ser examinado foi a ave com menor cobertura de óleo, tendo sido analisados os olhos, a traqueia e mucosas, além da avaliação de possíveis fraturas e do escore corporal. A ave foi identificada com lacre às 6h32, pesada e examinada, quando não foram constatados sangramento ou fratura. O batimento cardíaco, a frequência respiratória e a temperatura foram aferidas para posterior acondicionamento do animal em caixa de transporte forrada com uma nova toalha.
Às 6h37 foi iniciado o exame do segundo animal. A ave, com 30% do corpo oleado, apresentava óleo também na cavidade oral, que foi limpa com o uso de hastes de algodão. O animal foi identificado após o primeiro exame e coleta do óleo.
Foi constatado que o animal estava magro, mas sem lesão externa, com pulmões limpos. Foram aferidos o batimento cardíaco, a frequência respiratória e a temperatura, quando se observou que o animal apresentava hipotermia e estava levemente desidratado. O animal foi acomodado em caixa de transporte forrada com toalha às 6h44.
Durante o atendimento dos primeiros animais, pode-se verificar que o exaustor do contêiner se encontrava desligado, o que deve ser um ponto de atenção para as equipes. Destaca-se que o exaustor permite a renovação forçada do ar do ambiente, diminuindo os efeitos da volatilização do óleo tanto para equipe quanto para os animais, que se encontravam em recintos fechados e com pouca troca natural de ar.
Registra-se, ainda, que não havia gelo na embarcação para acondicionamento dos animais mortos nas caixas térmicas. Foi informado que deveria haver gelo gel artificial reutilizável, acondicionado em plástico rígido, porém não havia tais itens a bordo da Cronos, sendo esse outro ponto de atenção. Em substituição, foram usadas bolsas térmicas gel que podem ser congeladas ou aquecidas. No entanto, no decorrer do exercício, alguns animais resgatados apresentaram hipotermia, necessitando de aquecimento artificial. Quando o veterinário solicitou que fossem aquecidas bolsas térmicas para dar continuidade ao atendimento dos animais, a equipe de especialistas da Cronos percebeu que havia somente duas unidades de bolsas térmica gel a bordo, que foram remanejadas da manutenção das carcaças para garantir conforto térmico aos animais em hipotermia.
A réplica do Inject 2 representava uma tartaruga-verde (Chelonia mydas) juvenil, pesando cerca de 26 kg, viva, com 30% do corpo coberto por óleo. Esta foi lançada na água às 6h57, sendo avistada pela equipe às 6h59 e coletada com a utilização de puçá às 7h02. Assim que foi resgatada, a tartaruga foi acondicionada em caixa plástica com tapete de borracha na superfície, de forma que o óleo não tivesse contato com a caixa antes da sua coleta. Também foi colocada toalha de algodão sobre o corpo do animal.
Destaca-se que o IBAMA privilegiou réplicas de indivíduos de pequeno porte de espécies maiores, uma vez que o PPAF prevê o resgate de indivíduos de até 50 kg, em função das dificuldades de operacionalização do resgate.
Às 7h06 o animal recebeu seu primeiro atendimento, quando foi confirmado que ele estava magro, porém sem apresentar lesão e fratura externa. Foi coletada amostra de óleo com espátula de madeira e acondicionada em papel laminado com identificação. A amostra foi separada para análise. O indivíduo foi marcado e suas frequências respiratória e cardíaca, além da temperatura, foram aferidas. Durante o atendimento, o médico veterinário dispôs gaze úmida sobre os olhos do animal, de forma a acalmar o indivíduo. Às 7h12 o animal foi acondicionado em caixa identificada para estabilização.
Às 7h55 seis réplicas de batuíras-de-bando (Charadrius semipalmatus) foram lançadas ao mar para o Inject 3. Quatro aves estavam vivas, responsivas ou prostradas, com contaminação correspondente a 10%, 20%, 30% e 50% do corpo. As outras duas aves estavam mortas.
Para este resgate, o IBAMA indicou que a captura fosse realizada com a utilização do bote de resgate, com a finalidade de testar o manuseio do recurso, que foi colocado na água às 8h04. Às 8h10 a equipe de fauna responsável pelo resgate estava a bordo do bote já em funcionamento. Entre 8h12 e 8h16 todos os animais foram resgatados e o bote retornou à embarcação com todos os animais, que foram recebidos às 8h18.
Após a identificação do estágio de vida de cada animal, os mortos foram separados do lado de fora do contêiner, sendo de responsabilidade de uma dupla de atendimento de fauna. Os animais mortos foram acondicionados em caixa térmica, utilizando-se das mesmas embalagens de gelo em gel que estavam aquecendo a tartaruga do inject 2.
O atendimento dos animais vivos foi iniciado às 8h21. Às 8h23 a primeira amostra de óleo foi coletada e armazenada para análise posterior. A segunda amostra foi coletada às 8h27. Em seguida, iniciou-se o atendimento do primeiro animal, finalizado às 8h32. O médico veterinário decidiu que os quatro animais poderiam ser acomodados na mesma caixa de transporte, por se tratar de indivíduos pequenos e da mesma espécie, e enfatizou que isso não seria feito caso algum dos animais precisasse de cuidados especiais.
O segundo animal foi examinado a partir das 8h37, com coleta da amostra de óleo. O animal foi pesado e os demais procedimentos do primeiro atendimento foram realizados. Durante este atendimento foi possível notar que o exaustor ainda permanecia desligado.
Às 8h48, iniciou-se o atendimento do terceiro animal. Como somente 10% do seu corpo estava coberto por óleo, foi necessário coletar uma pena para análise do contaminante. Neste momento, o médico veterinário decidiu acondicionar os quatro animais em duas caixas, dividindo-os conforme as porcentagens de contaminação por óleo, sendo uma caixa para menos contaminados (10% e 20%) e uma segunda caixa para os que continham mais óleo em seu corpo (30% e 50%).
O terceiro animal foi identificado com lacre e o protocolo de primeiro atendimento foi realizado, sendo constatado que o animal estava magro, com as vias aéreas desobstruídas e continha ectoparasitas.
Às 9h01 o quarto animal foi atendido com desobstrução das vias aéreas. O óleo que cobria a barriga do animal foi coletado, seguindo corretamente a metodologia, para posterior análise. O animal foi identificado, tendo sua glicemia avaliada, pesado e analisado externamente. O animal estava caquético e com moderada desidratação.
Durante o atendimento aos animais do Inject 3, a equipe não priorizou o atendimento de animais menos oleados, o que garantiria maiores chances de sobrevida a estes animais, sendo esse mais um ponto de atenção.
Após o atendimento das quatro aves, foi realizada a reavaliação dos animais dos Injects 1 e 2. Na reavaliação, as caixas foram abertas para avaliar se os animais seguiam responsivos e sem sinais de desidratação ou hipotermia.
Às 10h35, um novo acompanhamento dos animais foi iniciado. O primeiro animal avaliado foi a tartaruga-verde juvenil, que se encontrava com os reflexos responsivos. As toalhas que forravam a bandeja e o animal foram trocadas e as anteriores, sujas com óleo, foram depositadas em coletor de resíduos perigosos. Foram realizados procedimentos de limpeza de mucosa e cloaca. Não foi administrado nenhum medicamento oral para que não houvesse aspiração e complicações posteriores. Foi administrado colírio para hidratação dos olhos. Novas almofadas de aquecimento foram utilizadas. Como não havia a bordo almofadas suficientes, a equipe criou bolsas aquecidas utilizando luvas cirúrgicas cheias de água morna, o que evidentemente não é o ideal.
O segundo animal avaliado foi uma pardela-preta. Para a ave foi administrado glucopan aquecido com a utilização de sonda oral. A segunda pardela-preta foi avaliada em seguida e apresentava temperatura normal e reflexos responsivos. Na sequência as batuíras-de-bando foram avaliadas. Na mais magra, foi administrada glicose por via venosa.
No intervalo entre os atendimentos foram preparadas novas bolsas de água aquecida, utilizando-se luvas cirúrgicas. Em seguida, o ventilador foi ligado de forma a manter o local de acondicionamento dos animais mais fresco, permitindo a circulação do ar. O exaustor somente foi ligado às 13h20.
Às 14h22 a equipe da Cronos foi orientada pela EOR a não parar no ponto 5 de monitoramento e seguir direto para o ponto de encontro na baía do Oiapoque para realizar o transbordo dos animais resgatados para uma das embarcações nearshore. As analistas do IBAMA repassaram a informação à Controladoria da APO e à Simcell, tendo sido definida a antecipação dos Injects 4 e 5, inicialmente previstos para serem lançados a bordo da Cronos às 15h00 e às 16h00. As consequências e implicações desses fatos serão analisados adiante neste Parecer Técnico.
Assim, às 14h45, foi lançado o Inject 4, uma tartaruga-verde (C. mydas) juvenil, responsiva, de cerca de 25 kg. O resgate do animal ocorreu às 14h54. O Inject 5, um albatroz-de-nariz-amarelo (Thalassarche chlororhynchos), responsivo, foi lançado às 14h48 e resgatado às 14h59. A imagem a seguir mostra os pontos de resgate de fauna a partir dos injects realizados, bem como os pontos de monitoramento de fauna (Figura 15).
Figura 15: Pontos de Monitoramento de Fauna
Às 15h01, o óleo que cobria o albatroz foi coletado e devidamente acondicionado e identificado para posterior análise. Seu atendimento se iniciou às 15h06, com administração de fluidoterapia, já que o animal se encontrava bastante ativo. Foi realizada limpeza da cavidade oral, olhos e mucosas. Sua temperatura foi aferida e o animal foi pesado.
Às 15h26 foi iniciado o primeiro atendimento da tartaruga-verde, que estava com o corpo 80% oleado. Foram realizadas a limpeza das mucosas e olhos, a retirada do excesso de óleo do corpo com a toalha de algodão e a coleta de óleo do animal para posterior análise. Foram observadas as nadadeiras, o plastrão e a cloaca do animal, que estava responsivo, com reflexos pupilares e não possuía lesões externas. A boca foi limpa com o auxílio de gaze e foi aplicado colírio para hidratação dos olhos. A frequência respiratória foi aferida e o animal foi acondicionando em caixa plástica forrada com tapete de borracha. A toalha foi trocada e aquela utilizada anteriormente foi descartada em coletor próprio para resíduos perigosos. Foram preparadas bolsas de água quente utilizando luvas cirúrgicas para aquecimento do animal.
A Cronos seguiu para o ponto de encontro na baía do Oiapoque às 15h18, com previsão de chegada à 1h00 do dia 26, deixando definitivamente o local do incidente ainda no período diurno. Durante o trajeto, dois dos técnicos permaneciam realizando monitoramento, enquanto outros dois acompanhavam os animais e preenchiam as fichas médicas. Foi realizado acompanhamento dos animais resgatados às 15h42 e às 18h00. No período noturno, considerado de descanso para os animais conforme o ciclo circadiano, foram feitas avaliações mais rápidas, com aferição da temperatura, medição da glicemia, observação dos reflexos e da presença de óleo em mucosas.
O monitoramento da embarcação até o dia 26/08, com deslocamento de 72,99 Mn e velocidade média de 7,67 nós pode ser observado na Figura 16 abaixo.
Figura 16: Deslocamento embarcação CRONOS
Uma vez que o Comando do Incidente autorizou o transbordo dos animais resgatados pela Cronos para embarcação de pequeno porte em período noturno, à 1h11, a embarcação Mineral IV, tripulada por um piloto, um marinheiro e dois especialistas de fauna a bordo, chegou no ponto definido e as duas tartarugas foram transferidas, em bandejas com tapete, à 1h16, seguidas pela caixa térmica que continha as carcaças. Para esta ambulancha também foram entregues todas as amostras de óleo coletadas dos animais. Foi informado à médica veterinária responsável da ambulancha o último horário de hidratação dos animais (18h00) e a última checagem dos sinais vitais, que havia ocorrido antes do transbordo. A transferência dos animais para a Mineral IV foi finalizada à 1h19 e à 1h22 a embarcação deixou o ponto de transbordo.
A segunda ambulancha, Mineral III, se aproximou da Cronos à 1h24, com um piloto e dois especialistas de fauna a bordo. Inicialmente sete fichas de atendimento médico foram entregues à tripulação da ambulancha e foi informado que quatro das aves se encontravam em duas caixas, em pares. Também foram passadas informações acerca da hidratação e exames visuais, conforme realizado para os demais animais. A primeira e segunda caixas foram transferidas para a ambulancha à 1h26, a terceira e quarta caixas à 1h27 e a última, à 1h29. À 1:30 o transbordo havia sido concluído e a ambulancha se afastou.
Após a conclusão do transbordo, a equipe da Cronos desinfetou todo o contêiner de fauna, organizando os novos materiais nas áreas de atendimento. O lixo foi descartado e os coletores foram esvaziados. Toda a área foi desinfetada com descontaminante.
Conforme detalhado no próximo item desta seção, os animais resgatados pela Cronos deram entrada no CAF-OIA às 5h50 do dia 26, totalizando 23 horas e 24 minutos desde o resgate do primeiro animal atingido, o que ocorreu às 6h26 do dia 25.
Na manhã do dia 26, as analistas do IBAMA também desembarcaram da Cronos no ponto de transbordo e se dirigiram ao Posto de Comando Local, se juntando ao restante da equipe de avaliadores do IBAMA no Oiapoque.
Por fim, embora a equipe de fauna a bordo da Cronos tenha conseguido resgatar prontamente todas as réplicas de animais oleados, entende-se importante ressaltar que as condições meteoceanográficas no dia da execução da APO estavam bastante favoráveis e permitiram a rápida e eficiente captura dos animais. Sabe-se, porém, que esta não é a realidade da região, que comumente apresenta condições climáticas e de mar mais adversas, o que pode impossibilitar a descida do bote para resgate ou comprometer a segurança operacional dos profissionais que realizam as capturas a partir da embarcação.
Força-Tarefa de Manejo de Fauna em Embarcações Dedicadas Nearshore, CAF-OIA e Posto de Comando Local no Oiapoque
Durante a avaliação da estrutura pela equipe do IBAMA foi informado haver disponibilidade imediata de imóvel alternativo para a realização de quarentena de aves capturadas, o que não havia sido comunicado ao IBAMA até então. Neste momento foi reiterada pela equipe do IBAMA a premissa de que o surto de Influenza Aviária (H5N1) deveria ser desconsiderado para fins da Avaliação. A partir dessa definição, o Ambulatório e o Centro Cirúrgico foram organizados para atendimento em separado dos grupos taxonômicos, sendo o primeiro destinado às aves e o segundo aos quelônios e mamíferos marinhos.
Com a desmobilização da estrutura de quarentena, a equipe que estava dedicada a essa ação foi redirecionada para atuação integral no CAF-OIA. Paralelamente, os equipamentos destinados ao preparo das ambulanchas foram acondicionados em veículo específico e deslocados para o píer, onde as embarcações aguardavam ser acionadas para iniciar as atividades.
Ainda na manhã do dia 25, a equipe do IBAMA se dirigiu ao Posto de Comando Local, onde acompanhou, na Seção de Operações, as discussões relacionadas à avaliação de risco para a realização da atividade de transbordo noturno dos animais que já haviam sido resgatados pela equipe da Cronos, nas proximidades do incidente. Percebeu-se clima tenso, pois parte da equipe de resposta considerava essencial que o transporte dos animais deveria ser realizado dentro do prazo de até 24 horas previsto no Manual de Boas Práticas, sendo esse um fator determinante para “aprovação da APO”. Tal prazo se tornou de difícil execução diante da impossibilidade de utilização do transporte aéreo via sonda, uma vez que o cenário acidental incluía a indisponibilidade dos guindastes da UMP, inviabilizando o transbordo dos animais resgatados pela Cronos para a plataforma, de onde seguiriam em helicóptero até o aeródromo de Oiapoque.
Verificou-se nítida divergência entre os representantes da equipe de fauna, tanto da Petrobras, quanto da Mineral Engenharia, responsável pela execução do PPAF, e outros integrantes da EOR. Enquanto a equipe de fauna se posicionou favoravelmente à execução do transbordo noturno na baía do Oiapoque, priorizando o transporte dos animais dentro do limite de 24 horas, os demais integrantes da EOR que participaram da discussão demonstraram preocupação quanto à viabilidade e segurança das operações noturnas no rio e na baía do Oiapoque.
Diante da controvérsia, foi solicitado, ao Posto de Comando, localizado no Rio de Janeiro, que realizasse uma nova avaliação de risco, considerando os pontos críticos relacionados à atividade. Cabe destacar que, ainda que o PPAF seja omisso em relação a tais operações, em documento de resposta ao Parecer Técnico 223/2024 (SEI 21314030), a Petrobras afirmou que “ações de transbordo serão realizadas em período operacional com luz natural”. Ademais, nas reuniões preparatórias para a APO, a empresa indicou a impossibilidade de realização de transbordo noturno, bem como a necessidade de navegação das embarcações de pequeno porte sempre em duplas e exclusivamente durante o período de luminosidade natural, com encerramento das atividades até às 16h00, por questões de segurança, como uma premissa a ser adotada pela empresa.
Visando a segurança das equipes envolvidas no transbordo da fauna da embarcação Cronos para as ambulanchas, a Seção de Operações no Posto de Comando de Oiapoque questionou a tripulação da Cronos se havia refletores com 360° de angulação e iluminação que garantisse visibilidade adequada durante a operação. Foi informado que os holofotes presentes na embarcação possuíam essas características, contudo, ainda que a iluminação fosse adequada, os refletores da Cronos não giravam 360°, conforme foi constatado pelas avaliadoras do IBAMA e confirmado pelo Comandante da embarcação, durante o momento do transbordo.
Após o recebimento da reavaliação de risco, foi autorizado o início do preparo para a atividade noturna, com a devidas definições operacionais. A saída do comboio do píer de Oiapoque foi programada para ser iniciado às 18h00, com destino ao Ponto de Apoio Flutuante (PAF) Uaçá, localizado no rio Oiapoque. O tempo de deslocamento entre o píer e o PAF foi estimado em aproximadamente quatro horas. A estrutura do PAF, em processo de “montagem”, seria composta por cinco embarcações de pesca e dez catraias previamente mapeadas como embarcações de oportunidade, e funcionaria como ponto de apoio logístico, oferecendo estrutura básica de segurança, cozinha e banheiro para as equipes embarcadas, além de permitir a aproximação das ambulanchas.
A partir do PAF, ainda seria necessária aproximadamente mais uma hora de navegação até a foz do rio Oiapoque, onde se encontrava o ponto previsto para o transbordo. Não havia menção ao local e à estrutura nos documentos avaliados pelo IBAMA, embora elas já estivessem evidentemente mapeadas pela empresa. No ponto de transbordo, a embarcação Cronos estaria ancorada, aguardando a chegada das ambulanchas, responsáveis pelo transporte dos animais capturados em ambiente offshore até o píer de Oiapoque, e, posteriormente, por meio terrestre, até o CAF-OIA.
Com a decisão do Comando do Incidente de realizar o transbordo noturno dos animais capturados pela equipe embarcada na Cronos - medida adotada em desacordo com os princípios estabelecidos nos documentos protocolados junto ao IBAMA e com os entendimentos firmados nas reuniões preparatórias para a APO - a equipe do IBAMA optou por acompanhar as operações em campo.
A saída do píer de Oiapoque ocorreu às 18h00, ainda sob luminosidade natural adequada. No entanto, o período de luz se encerrou durante a primeira hora de navegação do comboio que formaria a estrutura inicial do PAF. Foram destacadas para a atividade duas ambulanchas, identificadas como Mineral III e Mineral IV, cuja existência causou surpresa à equipe avaliadora, uma vez que tais embarcações não constam do PPAF consolidado e tampouco haviam sido disponibilizadas durante as vistorias realizadas nas estruturas previstas no PEI, no mês anterior à APO. Assim, acrescenta-se que, em momento algum, foi franqueada à equipe do IBAMA a realização de vistoria ou, minimamente, avaliação da capacidade de atuação de tais embarcações em cenário de emergência.
Considerando-se a limitação de capacidade das ambulanchas, restrita a quatro passageiros, foi disponibilizado o acompanhamento por dois Analistas do IBAMA em uma catraia, embarcação que permitia aproximação às embarcações destinadas ao transporte e atendimento à fauna durante o deslocamento pelo rio Oiapoque. O percurso de ida transcorreu em velocidade aparentemente compatível com as condições de segurança, apesar da ausência de qualquer tipo de iluminação ou sinalização, e da utilização de embarcações de oportunidade que não dispunham de equipamentos de segurança além de coletes flutuantes. A chegada ao local previsto para montagem do PAF ocorreu às 22h00. A estrutura, na prática, consistia em um agrupamento de embarcações amarradas entre si, que passou a ser organizada a partir daquele momento.
A equipe das ambulanchas era composta por técnicos fixos em Oiapoque e por profissionais complementares vindos de outros estados, os quais, segundo informado, chegaram à localidade às 17h00, apenas uma hora antes da saída para a atividade noturna.
A saída do PAF em direção ao ponto de transbordo na baía do Oiapoque ocorreu à 0h20 do dia 26, com chegada ao local de encontro com a embarcação Cronos à 1h10. O comboio era formado pelas ambulanchas Mineral III e IV e pela catraia com analistas do IBAMA e profissionais da Petrobras. O transbordo dos dez animais resgatados - oito aves, sendo seis vivas e duas carcaças, e duas tartarugas - foi concluído à 1h20. Na ocasião, foi informado que a última avaliação veterinária havia ocorrido às 18h00, e que, para a transferência, foi realizada nova checagem dos sinais vitais à 01h00, momento em que todos os animais foram considerados aptos a seguir viagem.
O retorno ao píer do Oiapoque teve início à 01h30. Sobre este ponto, destaca-se a opção dos especialistas de fauna em não realizar intervenção nos animais, sob o argumento de que deve ser respeitado o ciclo de atividades diurno e repouso noturno para a fauna.
Apesar da liberação da atividade noturna pela equipe de avaliação de risco, foram registrados dois acidentes e uma quase colisão durante o trajeto de retorno. O primeiro evento consistiu na necessidade de desvio rápido entre a catraia de acompanhamento e uma das ambulanchas. De acordo com representantes da Petrobras, que dispunham de equipamentos de medição adequados, a velocidade da ambulancha chegou a 17 nós. A brusca redução de velocidade da embarcação causou aproximação excessiva com a catraia, sendo necessário um desvio repentino para evitar a colisão.
O segundo incidente ocorreu às 02h10, quando a embarcação Mineral III se enroscou em uma rede de pesca. Ambas as ambulanchas atuaram conjuntamente para solucionar o problema e o percurso foi retomado às 02h25. Foram registradas as informações necessárias ao prosseguimento do processo de reembolso pelo dano aos petrechos em momento posterior.
O terceiro evento foi registrado às 03h10, quando uma das ambulanchas - não identificada devido à baixa visibilidade e à impossibilidade de aproximação - encalhou em um dos muitos bancos de areia existentes no rio e observados ao longo das quatro horas de percurso total, aproximadamente. Novamente, as embarcações atuaram em conjunto para retomar o deslocamento.
Durante o trajeto, foram realizadas duas paradas para reavaliação dos animais transportados, às 02h45 e às 04h45, com duração aproximada entre 10 e 15 minutos. Nesses momentos, as réplicas foram retiradas das caixas de transporte e, conforme observado, a partir da embarcação de acompanhamento, foram aferidos os sinais vitais e verificado o comportamento dos animais. Como não foram identificadas alterações em relação às avaliações anteriores, o transporte foi mantido.
As ambulanchas chegaram ao píer de Oiapoque às 05h28, encerrando o trajeto iniciado na madrugada. O transporte dos animais até o CAF-OIA foi realizado em dois veículos climatizados, conforme previsto nos protocolos operacionais.
Às 05h50 teve início o atendimento à fauna no CAF-OIA. A equipe se encontrava devidamente paramentada e demonstrou agilidade na recepção dos animais, com nítida divisão das tarefas entre os dois ambientes destinados ao primeiro atendimento. As seis aves vivas foram encaminhadas para um dos setores, enquanto os dois quelônios foram atendidos separadamente, em espaço específico. Os animais foram avaliados e os primeiros procedimentos clínicos executados pelos médicos veterinários presentes, como exame físico completo, coleta de amostra de sangue para realização de hematócrito, avaliação da temperatura corporal, hidratação e manutenção do conforto térmico.
Cabe destacar que, por se tratar de réplicas, os modelos utilizados estavam pintados com tinta representando o percentual de óleo indicado nas fichas individuais de cada animal. Nesse contexto, a disponibilidade de uma pessoa com atribuição exclusiva de preenchimento dos formulários clínicos contribuiu significativamente para a celeridade da atividade, além de facilitar a organização e limpeza do ambiente, prevenindo a contaminação das áreas de atendimento.
Um ponto relevante observado no atendimento foi a opção da equipe veterinária por seguir a ordem cronológica de captura dos animais ao longo do dia anterior. Embora cada réplica contasse com ficha individual contendo informações como espécie, percentual de cobertura por óleo e comportamento observado, não foram considerados aspectos como grau de comprometimento clínico, status de conservação da espécie ou avaliação da probabilidade de sobrevivência. Considerando o número reduzido de animais recebidos e a quantidade significativa de dados coletados pela equipe embarcada na Cronos, esperava-se que tais registros fossem utilizados como subsídio para a definição da ordem de atendimento no CAF-OIA, o que se caracteriza como ponto de atenção para as equipes.
No dia 26, segundo dia do exercício, em acompanhamento da reunião de comando realizada no Posto de Comando Local, foi registrado o relato das atividades ocorridas na madrugada anterior. Ao ser questionada sobre a necessidade de reavaliação do risco, em função dos acidentes ocorridos durante o trajeto de retorno das ambulanchas, a equipe local justificou não haver necessidade de nova análise. Segundo informado, a retomada da funcionalidade do guindaste na sonda permitiria que os animais capturados em ambiente offshore fossem transportados por via aérea, garantindo o cumprimento do critério objetivo de tempo máximo de 24 horas entre a captura e a recepção no CAF-OIA. Tal posicionamento evidenciou, mais uma vez, a opção da empresa por rever o risco das atividades com base exclusiva no atendimento ao critério tempo de transporte, desconsiderando os demais fatores de segurança, operacionais e ambientais envolvidos.
No final do dia, durante reunião na Seção de Operações no Posto de Comando Local, a equipe de fauna foi questionada sobre a disponibilidade de equipamentos de afugentamento a bordo das embarcações offshore e nearshore utilizadas para monitoramento. Ao contrário do indicado no PPAF consolidado, foi informado que os kits permaneciam armazenados no CAF-OIA.
No dia 27, terceiro da Avaliação Pré-Operacional, a participação dos avaliadores do IBAMA nas ações de campo se deu por meio do acompanhamento do comboio que navegava pelo rio Oiapoque, com destino ao PAF, onde permaneceria parte da equipe responsável pelas atividades de apoio à emergência. Ainda antes do amanhecer, em condições de baixa luminosidade, a catraia destinada ao transporte de dois analistas do IBAMA e três representantes da Petrobras colidiu com um fundo pedregoso, sendo necessária sua substituição. Após o incidente, o percurso seguiu com o aumento gradual da luz natural.
Por volta das 6h35, após aproximadamente uma hora de navegação e em trecho com velocidade reduzida, os analistas do IBAMA a bordo da catraia anunciaram que uma das embarcações do comboio, que navegava à frente, havia atropelado um filhote de peixe-boi, visível na superfície da água. Uma réplica foi então lançada no rio para representar o animal. As primeiras medidas adotadas pela equipe de resposta incluíram a comunicação via rádio portátil entre tripulantes das embarcações do comboio e a paralisação de uma embarcação equipada com rede de internet via satélite, utilizada para comunicação com o Centro de Defesa Ambiental (CDA). A partir da disponibilidade de sinal, o CDA foi informado sobre o acidente simulado e imagens foram encaminhadas por WhatsApp para análise.
Às 06h48 a equipe em terra retornou com as primeiras orientações, recomendando a manutenção da visualização do animal e a permanência no local até a chegada da equipe de fauna responsável pelo resgate. Comunicações adicionais foram realizadas ao longo do tempo, solicitando atualizações sobre o estado do animal.
Às 07h28 as ambulanchas Mineral I e III se aproximaram do local do acidente, e às 07h41 teve início o procedimento de captura. A operação foi conduzida com habilidade e equipamentos adequados, incluindo rede de emalhe, e os técnicos estavam devidamente equipados com EPI e cintos de segurança presos à embarcação. Após a captura, o animal foi avaliado, mantido sob toalha constantemente umedecida e abrigado até a chegada da ambulancha Mineral IV, que realizaria o transporte ao píer de Oiapoque.
Durante o atendimento, os avaliadores do IBAMA questionaram o motivo do atraso no deslocamento de retorno, considerando que o filhote se encontrava estável, embora ferido. A equipe da empresa explicou que as embarcações estavam divididas por função: Mineral I e III destinadas à captura de fauna encalhada, enquanto Mineral II e IV seriam acionadas para fauna à deriva. A situação evidenciou falhas na comunicação entre a equipe presente no local do acidente e aquela responsável pela alocação dos recursos, uma vez que, diante da disponibilidade de quatro embarcações com diferentes finalidades, deveria ter sido priorizado o acionamento da embarcação mais adequada à situação.
Às 08h28 a Mineral I iniciou o deslocamento de retorno ao PAF, permanecendo em prontidão para novos acionamentos. A equipe da Mineral III manteve o mamífero sob monitoramento e cuidados constantes. Às 08h40 a ambulancha Mineral IV chegou ao local e às 08h43 o transbordo do filhote foi concluído, com o animal devidamente seguro para prosseguir viagem até o píer.
Às 09h38 a ambulancha chegou ao píer, onde já havia um veículo climatizado aguardando para realizar o transporte até o CAF-OIA. Às 10h02 teve início o atendimento pela equipe do Centro, conduzido pela médica veterinária responsável, que explicou os procedimentos e o plano de cuidados intensivos. A equipe iniciou a organização para manter um profissional em dedicação exclusiva à avaliação e cuidados do filhote, até que este pudesse ser transferido para os tanques de reabilitação de mamíferos marinhos disponíveis na instalação.
Destaca-se o evidente preparo técnico e conhecimento dos profissionais para atendimento de casos envolvendo possíveis acidentes com sirênios na região.
Por fim, foi possível observar o andamento dos atendimentos aos animais recebidos no dia anterior, com protocolos de cuidados estabelecidos e comprometimento da equipe na execução das tarefas clínicas e operacionais.
Força-Tarefa de Estabilização Móvel (NS-42 e aeronave)
Na manhã do dia 27, foi possível acompanhar o voo até a sonda para realizar o transporte do albatroz (T. chlororhynchos) que havia sido resgatado pela equipe da Baru Gorgona às 17h05 do dia anterior. O animal passou a noite na embarcação e às 5h45 do dia 27 foi içado para a NS-42. O profissional responsável na UMP informou que a movimentação de cargas na sonda pode ocorrer em segurança em qualquer horário do dia ou da noite.
Às 6h34 a aeronave partiu do aeroporto de Oiapoque em direção à sonda, com uma médica veterinária e três integrantes da tripulação, além da analista do IBAMA. Tanto a veterinária quanto o mecânico utilizavam EPI adequado, porém não os pilotos.
A aeronave estava preparada para o acondicionamento de fauna, com a cabine adaptada, sem bancos em sua porção central e contendo caixas de transporte para serem trocadas na sonda. As caixas foram presas por redes e ganchos fixados no chão da aeronave, de forma a mantê-las seguras e firmes, evitando deslizamento ou movimento indesejado.
Às 7h46 a aeronave pousou na NS-42. A médica veterinária se encaminhou para o container de fauna e foi recebida pelos dois especialistas de fauna a bordo da unidade, devidamente paramentados com o EPI. Os técnicos entregaram à veterinária a ficha médica do animal e auxiliaram na contenção do mesmo para administração de suplemento, na metade da dose, já que o animal ainda se deslocaria na aeronave. O animal foi examinado, com aferição da temperatura, hidratação e exames para checar sua resposta, demonstrando que ele estava estável.
Em seguida, a área de atendimento foi limpa e os materiais utilizados descartados. O animal foi acondicionado na caixa identificada e levado à aeronave pelos especialistas a bordo. No helicóptero, a caixa foi acondicionada e presa ao solo por segurança. A decolagem ocorreu às 8h16, com pouso no aeródromo do Oiapoque às 9h26. A caixa de transporte foi retirada da aeronave e acondicionada no carro para transporte até o CAF-OIA, com saída do aeroporto às 9h30.
Após a retirada do animal, a parte interna da aeronave foi descontaminada, assim como os EPI, que posteriormente foram ensacados para descarte.
O transporte terrestre e recebimento do animal no CAF-OIA não foram acompanhados, uma vez que tais ações já haviam sido avaliadas no dia anterior.
Posto de Comando no Rio de Janeiro
Entre os dias 25 e 27 de agosto de 2025, a Sala de Comando do Rio de Janeiro conduziu as operações de resposta à fauna, com destaque para a agilidade no recebimento dos injects, repassados praticamente em tempo real, o que garantiu rapidez na análise das informações e no acionamento das respostas. As tomadas de decisão foram conduzidas pela Seção de Planejamento em conjunto com a Subseção de Controle de Impactos à Fauna da Seção de Operações (Petrobras e Mineral), além de equipes de suporte, como as responsáveis pela análise de riscos, o que assegurou maior robustez às definições estratégicas.
Na execução, verificou-se que, em alguns momentos, a equipe de fauna induziu respostas para garantir o atendimento ao prazo de até 24 horas para que os animais resgatados fossem atendidos no CAF-OIA, como observado na reunião para análise prévia de riscos para o transbordo noturno, em que algumas premissas não refletiam integralmente a realidade operacional.
As informações sobre monitoramento, captura, estabilização e transporte foram consolidadas em relatórios diários, registrando todas as etapas do processo. A mobilização da embarcação Baru Gorgona ocorreu às 20h35 do dia 24, com chegada na locação no final do dia 25, e foi estruturado um transecto para o monitoramento de fauna, com embarcações posicionadas conforme disponibilidade. Além dela, foram utilizadas a Urano, que já estava em operação na área com equipe especializada em monitoramento de fauna, embora com comunicação limitada com a sala de comando, e a MCE, acionada desde o início da emergência, preparada para monitoramento e captura, não sendo considerada apenas de oportunidade, mas efetivamente escalada para a APO.
As decisões relacionadas às capturas foram conduzidas em coordenação entre fauna, operações e análise de riscos, sem maiores problemas, enquanto as deliberações sobre transporte envolveram discussões sobre embarcações, horários e segurança, destacando-se que o transbordo noturno não representava o principal desafio, mas sim a limitação imposta por essa atividade. Apesar das premissas da empresa quanto aos limites de transbordo e navegação, na prática, a prioridade foi o cumprimento do prazo de 24 horas, em detrimento de outras ações e tomadas de decisões. Pouco se discutiu sobre a avaliação do estado clínico dos animais, justificativas para cumprimento além das 24 horas e outros. Foram discutidas propostas, como o uso de um navio sísmico da TGS em operação nas proximidades, o que foi descartado por restrições operacionais, e a definição de múltiplos pontos para transbordo, além de análise prévia de riscos que, em alguns casos, apresentavam respostas pouco condizentes com a realidade para viabilizar a operação noturna.
No período, foram mobilizadas forças-tarefas para monitoramento aéreo, manejo de fauna offshore e estabilização de ocorrências, com uso de helicópteros, embarcações offshore (Cronos, Baru, MCE e Urano), nearshore (VitServ I e Santa Maria II) e quatro ambulanchas da Mineral (I a IV), integrando médicos-veterinários, especialistas em fauna e assistentes de campo.
Os resgates de fauna, distribuídos em sete ocorrências, assim como a estabilização em campo, a prontidão operacional e o registro de transbordos, apresentaram resposta rápida, com tempos médios inferiores a duas horas entre acionamento e início das ações. Em Oiapoque, foram resgatados 20 indivíduos de diferentes grupos taxonômicos, incluindo 17 aves (9 batuíra-de-bando, 4 rabo-de-palha-de-bico-amarelo, 2 pardela-preta e 2 albatroz-de-nariz-amarelo), duas tartarugas-verdes e um peixe-boi, sendo esse o único que não estava oleado. Do total, 15 estavam vivos e cinco mortos, sendo todos os casos atendidos, refletindo efetividade na resposta.
Em conclusão, as ações observadas na sala de comando do Rio de janeiro demonstraram boa capacidade de mobilização, integração entre equipes e efetividade no atendimento, mas revelaram pontos de atenção, como a indução de respostas durante as análises de risco, a priorização do prazo de 24 horas em detrimento da avaliação de outras ações e a falta de protocolos mais claros para transbordo noturno. A utilização de protocolos diferentes do previamente aprovado em situações simuladas pode gerar riscos operacionais, regulatórios e de conformidade, como inconsistência na resposta, falta de integração com órgão ambiental, comprometimento da segurança e descumprimento de diretrizes já aprovadas, sendo fundamental alinhar procedimentos para que estejam aptos a serem acionados de forma imediata e eficaz em um cenário real.
Simcell
De maneira geral, a Simcell é responsável pela introdução dos injects que provocarão as respostas que devem ser acompanhadas ao longo da Avaliação. No caso da fauna, optou-se pela utilização de réplicas dos animais em campo, que deveriam ser efetivamente resgatadas pelas equipes de fauna embarcadas. Dessa forma, esses injects ficaram a cargo dos próprios avaliadores que acompanharam as ações realizadas a bordo da embarcação offshore Cronos e das embarcações nearshore.
No entanto, como resultado da dinâmica da Avaliação no dia 25 e as estratégias adotadas pela empresa para o atendimento à fauna, no dia 26 não havia avaliadores do IBAMA acompanhando as atividades de monitoramento, resgate e estabilização de fauna offshore, tendo ficado a cargo da Simcell os injects realizados nesse dia. A embarcação dedicada à fauna no dia 26 era a Baru Gorgona, que contava com um médico veterinário e um especialista de fauna a bordo. Devido à limitação de vagas, não foi possível o embarque de analistas do IBAMA para acompanhamento das atividades na embarcação. Destaca-se que, também no dia 26, os guindastes da UMP voltaram a operar, o que será abordado adiante neste Parecer Técnico.
Assim, os injects foram disparados pela equipe do IBAMA diretamente para as equipes de resposta offshore, de forma que fossem simuladas as ações de resgate e estabilização, uma vez que não havia réplicas. Já o transporte até o CAF-OIA deveria ser realizado normalmente, conforme estratégia adotada pela EOR.
Às 8h46 do dia 26, um analista do IBAMA fez contato via ligação por aplicativo de mensagens instantâneas com o Líder da Força-Tarefa de Manejo de Fauna Offshore 2, a bordo da Baru Gorgona, e após se identificar e informar que se tratava de uma ação simulada, descreveu a ocorrência de três batuíra-de-bando (C. semipalmatus), com 50% do corpo oleado, sendo duas vivas e responsivas, e uma morta. Solicitou, então, ao Líder da FT, que procedesse com as ações e encaminhamentos pertinentes.
De acordo com os registros das ações disponibilizados durante a resposta, o resgate das aves foi concluído às 09h50, quando se iniciou a estabilização.
Em seguida, às 10h05, a FT recebeu orientação da EOR para se deslocar para a região nearshore, onde seria realizado o transbordo das aves para a embarcação Santa Maria. Conforme apurado no Posto de Comando, a estratégia consistia em realizar o transbordo ao final do dia, uma vez que o horário estimado de chegada da Baru na região nearshore era 16h00. As aves passariam o período noturno na Santa Maria e seriam novamente transbordadas para uma das ambulanchas na manhã do dia seguinte, 27, quando seguiriam para o píer do Oiapoque e de lá para o CAF-OIA.
Três questões devem ser destacadas e serão analisadas em específico adiante neste Parecer Técnico: (i) a exemplo do dia 25, com a Cronos, quando a Baru deixou o local do incidente às 10h05, nenhum recurso especializado para resgate e estabilização de fauna estaria disponível para eventuais novas ocorrências de fauna oleada; (ii) a estratégia planejada não envolvia mais operações noturnas na baía e no rio Oiapoque, indicando a possível inadequação das atividades realizadas na madrugada anterior; e (iii) considerando os tempos de deslocamento registrados durante os transportes acompanhados no rio Oiapoque, é bastante provável que o prazo de 24 horas até a chegada das aves ao CAF-OIA não seria atendido.
No entanto, às 11h45, a Simcell mudou o cenário em um novo inject dando conta do retorno à operação de todos os guindastes da NS-42, viabilizando o transbordo dos animais capturados para posterior transporte aéreo até o Oiapoque. Com isso, às 12h10, foi efetivada a alteração da estratégia desenhada para o transporte das aves resgatadas pela equipe da Baru, que rumou em direção à sonda para realizar o transbordo dos animais utilizando o guindaste.
Às 14h03 foi realizado novo inject de fauna contaminada, dessa vez comunicado ao Gerente de Meio Ambiente da NS-42. Novamente em ligação via aplicativo de mensagens instantâneas, um Analista do Ibama informou que um dos monitores de fauna da UMP identificou um grupo de aves rabo-de-palha-de-bico-laranja (Phaeton lepturus), sendo duas mortas e duas vivas, cerca de 20% oleadas, a cerca de 300 a 500 m a boreste da proa da plataforma. Solicitou, ainda, que fosse dado o devido encaminhamento da informação, seguindo a cadeia de comando da EOR.
Novamente, de acordo com os registros disponibilizados das ações realizadas, o resgate das aves foi concluído pela equipe da Baru às 15h21, após ter realizado o transbordo das ocorrências anteriores para a sonda, o que foi finalizado às 14h47. O transbordo das rabo-de-palha foi concluído às 16h09.
Após o transbordo dos animais da embarcação Baru Gorgona para a NS-42, estes foram acomodados no contêiner de fauna da sonda e posteriormente levados para a cabine do helicóptero para o transporte. Após o pouso da aeronave em Oiapoque, às 18h00, foi possível acompanhar, in loco, a acomodação dos animais nos veículos de transporte terrestre. Os animais foram separados de acordo com seu estado físico e urgência no atendimento, conforme relatou a médica veterinária responsável. Animais mortos foram acondicionados em caixas térmicas, uma contendo dois animais e a outra apenas um animal. A necrópsia seria realizada no mesmo dia. Todas as fichas acompanhavam as caixas identificadas.
Por fim, às 16h41, foi feito novo contato por ligação via aplicativo de mensagens instantâneas com o Líder da FT a bordo da Baru Gorgona para informar a ocorrência de um albatroz-de-nariz-amarelo (T. chlororhynchos), 70% oleado, responsivo, avistado pela equipe. Foi informado que deveria ser dado o encaminhamento necessário para o atendimento da ocorrência.
O animal foi resgatado às 17h05, sendo encaminhado para estabilização. Como não haveria mais tempo hábil para o transporte aéreo até o Oiapoque, decidiu-se que a ave passaria a noite na embarcação e seria transportada no dia seguinte. O transbordo para a sonda ocorreu às 05h16 do dia 27 e as demais ações foram descritas no item relativo à FT de Estabilização Móvel deste Parecer Técnico.
O deslocamento da embarcação Baru Gorgona, desde sua saída do Porto de Belém às 21h:35 do dia 24/08 e a chegada na locação às 21h:00 do dia 25/08, com deslocamento de 442.55 Mn e Velocidade média de 18.97 nós, pode ser observado na Figura 17.
Figura 17: Deslocamento da embarcação BARU GORGONA
Análise geral referente às ações de atendimento à fauna
Conforme se verifica no presente processo de licenciamento ambiental, o Plano de Proteção à Fauna (PPAF) proposto para a atividade foi reiteradamente considerado insuficiente, estando no centro das sucessivas recomendações técnicas de negativa da Licença Ambiental e arquivamento do Processo. Recentemente, em entendimento diverso, o IBAMA aprovou conceitualmente o Plano e indicou a necessidade de execução da Avaliação Pré-Operacional, na qual poderia ser avaliada, na prática, a adequação das estratégias e recursos previstos no PPAF. Diante disso, a análise a seguir se baseia em duas premissas: (i) um dos objetivos da APO é verificar a adequação do PPAF conforme elaborado e conceitualmente aprovado; e (ii) diferentemente de um evento real ou exercício simulado, que ocorrem durante a operação dos empreendimentos, a APO deve resultar em resposta definitiva acerca do Plano, indicando se a empresa foi ou não capaz de executar as estratégias elaboradas utilizando os recursos previstos e atendendo aos requisitos técnicos e normativos.
Dentre as diversas questões expostas pela equipe técnica para justificar a inadequação do PPAF proposto, a principal delas se refere ao entendimento de que os recursos e estratégias adotados não seriam suficientes para cumprir os tempos de atendimento à fauna contaminada, conforme previstos no Manual de Boas Práticas.
Especificamente, o Manual prevê que “O tempo de deslocamento do local de recepção até a admissão no centro ou instalação fixa, deverá ser o mínimo possível, sendo de no máximo seis horas” e que “quando se tratar de ambientes offshore que também envolva tempos de deslocamento superiores a seis horas, a estabilização deverá ser iniciada excepcionalmente no próprio meio de transporte”. Ainda segundo o Manual, “caso a recepção dos animais ocorra em instalação móvel, esses devem ser transferidos no prazo máximo de 24 horas do recebimento para centros ou instalações, independentemente da quantidade de animais”. Tais trechos indicam, conforme já afirmado em diversos Pareceres Técnicos, que o PPAF proposto para a atividade já opera no âmbito da excepcionalidade, devendo prever recursos que garantam não apenas o previsto no Manual, mas principalmente, o bem-estar dos animais.
Como se observa no presente Parecer Técnico, para atender o prazo de 24 horas estabelecido, tendo em vista a ausência de outra embarcação apta a realizar o transporte dos animais naquele momento da resposta, a Cronos foi orientada a deixar a área da locação às 14h22 do dia 25. Devido à necessidade de resgate dos animais referentes aos injects 4 e 5, a embarcação deixou efetivamente o local às 15h18.
Embora se trate aqui de análise objetiva dos eventos observados durante a APO, diante de tal fato é inevitável ponderar acerca de outros cenários que poderiam ter se desenrolado. Caso demais injects fossem realizados para o local do incidente em horários ainda durante a luz do dia e após a decisão de saída da Cronos, não haveria embarcação com equipe e recursos para efetivar o resgate, atendimento e estabilização dos animais oleados, uma vez que a Cronos teria deixado a região às 14h22.
Conforme estabelecido no PPAF, durante a fase reservatório do poço, a embarcação com velocidade média de deslocamento de 10 nós (no caso, a Cronos) deveria permanecer no entorno da locação da sonda para execução das atividades de monitoramento, resgate e estabilização de fauna offshore. A estratégia prevê, ainda, que “a embarcação dedicada rápida offshore atuará prioritariamente no transporte de fauna resgatada, enquanto a segunda embarcação dedicada offshore pode permanecer na região, a fim de garantir a capacidade de monitoramento e manejo de fauna no local do incidente” (grifo nosso). Na estratégia executada, a embarcação rápida é a Baru Gorgona e a segunda embarcação é a Cronos.
A versão consolidada do PPAF ainda prevê que “Com ambas as embarcações offshore, mantém-se a capacidade contínua de manejo de fauna no local, com transporte da fauna resgatada até um dos pontos de entrega mencionados anteriormente, viabilizando, dessa forma, a permanência da FT Manejo de Fauna em Embarcações Dedicadas Offshore de forma contínua na região do incidente" (grifo nosso).
Portanto, ao deslocar a Cronos para o ponto de transbordo ainda durante o período diurno e antes da chegada da embarcação dedicada rápida (Baru Gorgona), entende-se que houve descontinuidade da capacidade de monitoramento, resgate e estabilização de fauna offshore, descumprindo a estratégia prevista no Plano.
Registra-se que uma terceira embarcação (Urano), com especialistas em monitoramento de fauna a bordo, oportunamente se encontrava nas proximidades da locação durante a APO e foi acionada para auxiliar no monitoramento de fauna. Esta embarcação, vinculada ao Projeto de Monitoramento Integrado Dedicado (PMID), executado pela própria Petrobras no âmbito do presente Processo de licenciamento ambiental, não está descrita no PPAF e tampouco foi disponibilizada para vistoria técnica pelas equipes do IBAMA. De todo modo, considerando os objetivos do PMID, é factível afirmar que, embora os especialistas a bordo da Urano possam estar aptos a realizar o monitoramento de fauna durante um incidente de vazamento de óleo, não há estrutura e equipamentos a bordo para realizar o resgate e estabilização de fauna oleada, ainda que os profissionais estejam também capacitados para tal, o que não pôde ser verificado. Durante o exercício, também não foi possível acompanhar os registros desta embarcação, o que representa descumprimento da premissa adotada pela empresa de fornecer a localização das embarcações envolvidas na APO em tempo real.
Assim, a presença da Urano durante a APO, além de eventual e oportunística, logo, questionável, não atende a estratégia apresentada no PPAF e tampouco teria como atender para efeitos da APO, uma vez que não está prevista no Plano.
Ainda sobre essa estratégia, que prioriza o transporte rápido pela embarcação Baru Gorgona, enquanto a Cronos permanece na região a fim de garantir a capacidade de monitoramento e manejo de fauna no local do incidente e, diante das informações apresentadas no Processo e durante reuniões realizadas entre o IBAMA e a Petrobras, presumiu-se que, para a viabilidade dessa estratégia, os animais eventualmente resgatados pela Cronos seriam transbordados para a Baru Gorgona, que realizaria o transporte de todos os animais resgatados, preferencialmente ao final do período de luz natural, quando não são viáveis ações de monitoramento e resgate de animais em segurança e somente o transporte offshore era esperado. Porém, durante o acompanhamento do exercício, foi informado ao IBAMA que o transbordo de animais entre as embarcações não é viável, uma vez que a Baru Gorgona possui costado de alumínio de altura elevada, característica que colocaria a operação em risco na região offshore. Como consequência, ambas embarcações deveriam realizar o transporte dos animais resgatados pelas respectivas equipes até um dos pontos de entrega previstos. Tal fato reforça que a estratégia apresentada no PPAF não é factível com os recursos previstos, dada a impossibilidade de atender, na prática, as duas premissas acima detalhadas: (i) a de manutenção de uma embarcação dedicada na locação durante a fase reservatório, a fim de garantir a capacidade de monitoramento e manejo de fauna no local do incidente e; (ii) o transporte rápido dos animais para o centro de atendimento à fauna mais próximo (CAF-OIA ou CAF-BEL), uma vez que não há horário oportuno para o aparecimento de fauna com necessidade de resgate na área do incidente.
No dia 26, quando somente a embarcação Baru Gorgona se encontrava no local do incidente com capacidade para resgate e estabilização de fauna, novamente a estratégia adotada pela EOR foi de retirar o recurso do local para viabilizar o transporte dos animais até o CAF-OIA dentro do prazo de 24 horas previsto no Manual. Nesse caso, a saída da embarcação ocorreu às 10h05, sendo que a chegada da Cronos no local do incidente estava prevista para as 12h00. Contudo, além de novamente descumprir o previsto no PPAF, houve mudança na estratégia geral de transporte planejada em relação ao dia anterior, o que será abordado a seguir. Ademais, com base nos tempos registrados durante a execução da APO, é bastante provável que o prazo de 24 horas não seria cumprido, uma vez que os animais foram resgatados às 9h40 do dia 26 e o transbordo para possibilitar o transporte no rio Oiapoque estava previsto para ocorrer somente no amanhecer do dia 27, por volta das 6h00, quando ainda restariam cerca de 4:30h de deslocamento fluvial e terrestre. No entanto, com o retorno da operação dos guindastes da NS-42, a EOR alterou a estratégia para transbordo para a sonda, não se concretizando este provável cenário.
No que tange às operações realizadas em período noturno, especialmente aquelas de transbordo de animais e transporte fluvial, em resposta ao Parecer Técnico 223/2024 (SEI 20656454), a Petrobras afirma que “os animais recém resgatados durante o período operacional (diurno) serão acomodados em local tranquilo, visando sua estabilização, e sua liberação para transporte só ocorrerá com o aval do médico veterinário, desta maneira pode-se programar os transbordos para o período diurno, considerado mais seguro para equipe e animais. Entre os anos de 2014 e 2024, os integrantes da equipe Tier 1 da Mineral participaram de diversos simulados, operações e emergências reais, no Brasil e exterior, e em nenhuma delas houve o transbordo noturno de animais, seja de embarcação para embarcação, aeronave para embarcação ou embarcação para aeronave. Ressalta-se que as ações noturnas realizadas se restringiram ao transporte terrestre, visto que os animais já se encontravam no continente, estabilizados e aptos para este transporte. Assim, a navegação noturna offshore e fora das barras dos rios poderá ocorrer para transporte dos animais, entretanto as ações de transbordo serão realizadas em período operacional com luz natural. Os animais estarão acompanhados, recebendo todo o cuidado necessário no que tange suas necessidades medicamentosas, fisiológicas e nutricionais nas embarcações, garantindo seu bem-estar e as chances de sucesso no processo da reabilitação. (...) Finalmente, embora as atividades noturnas possam, em caráter excepcional e somente mediante condições que garantam a segurança das equipes envolvidas, ter sua adoção avaliada pela EOR, a Petrobras opina que o foco desta discussão não é a probabilidade de atendimento aos tempos previstos no Manual, uma vez que este já preconiza condições diferenciadas para atuação em áreas remotas, mas sim que haja garantia de que os animais estejam devida e adequadamente estabilizados e assistidos por equipe veterinária.”
No entanto, o que se viu na APO foi o oposto do afirmado pela empresa, que através da EOR, empregou todos os esforços para cumprir o prazo de 24 horas estabelecido no Manual. As operações noturnas acompanhadas evidenciaram fragilidades operacionais e divergências entre os procedimentos adotados e as premissas estabelecidas no PPAF. A decisão de realizar a atividade, embora respaldada por nova avaliação de risco, contrariou diretrizes previamente pactuadas e expôs a necessidade de maior rigor na gestão das operações de resposta à fauna. Os incidentes registrados durante o deslocamento no rio Oiapoque reforçam a importância da priorização dos critérios de segurança, o que costuma ser a norma nas operações da indústria do petróleo e gás.
A inadequação das operações noturnas realizadas encontra indícios fortes de reconhecimento pela própria empresa quando, na manhã seguinte às ações, diante de cenário semelhante ao do dia anterior, no qual estava em risco o atendimento ao prazo de 24 horas estabelecido no Manual, a EOR optou por novamente descumprir a continuidade das ações de resgate e estabilização de fauna offshore, porém descartou a realização das operações noturnas na baía e no rio Oiapoque, tendo previsto o transbordo e transporte na região somente para a manhã do dia 27.
Portanto, considerando a precariedade das estruturas de apoio disponibilizadas para as operações, a exemplo do PAF, e as próprias características de navegabilidade do rio Oiapoque, que apresenta bancos de areia, fundos pedregosos e baixa profundidade, de modo geral, ainda que tal avaliação seja prerrogativa da empresa, entende-se que as atividades previstas e executadas no rio Oiapoque destoam do padrão de segurança comumente exigido pela indústria, ensejando dúvidas acerca de sua efetiva realização em eventual cenário real de acidente com vazamento de óleo.
Outras questões reveladas durante a APO merecem destaque. A oportunidade de acompanhar a rotina e os protocolos de monitoramento, resgate e atendimento dos animais a bordo da embarcação Cronos, que conta com o trabalho de seis especialistas de fauna, torna difícil conceber que os mesmos protocolos possam ser executados com o mesmo nível de qualidade na embarcação Baru Gorgona, que conta com o trabalho de somente dois profissionais especializados, sendo apenas um médico veterinário. Há de se considerar a dificuldade de manuseio destes animais em dias de mar mais agitado, a completa imprevisibilidade quanto ao número de indivíduos que podem necessitar de resgate e atendimento e o volume de trabalho que a atividade demanda para o dimensionamento adequado do número de especialistas a bordo. A experiência de observação em campo dos trabalhos executados na Cronos evidenciou que apenas dois profissionais não são capazes de executar as funções de forma adequada.
Ainda sobre as equipes e recursos, foram apontados nesse Parecer alguns pontos de atenção, como a ausência de materiais adequados e em quantidade suficiente para garantir o conforto térmico dos animais e conservação das carcaças a bordo da Cronos, além de alguns procedimentos e práticas que devem ser alvo de treinamento contínuo das equipes.
Especificamente sobre o transporte aéreo a partir da UMP dos animais contaminados, embora seja o meio de transporte que garante o menor tempo de deslocamento total, há muitas incertezas acerca da real viabilidade de sua utilização, conforme também reiteradamente abordado em Pareceres Técnicos anteriores. Durante a APO, pode ser observado que não havia isolamento adequado para os pilotos da aeronave, que não utilizavam os EPI recomendados. Em uma emergência real, animais contaminados com óleo volatizam substâncias que são extremamente tóxicas e podem causar diversos efeitos deletérios, caso não sejam adotadas medidas adequadas de proteção. No caso da APO, os pilotos poderiam sofrer efeitos neurotóxicos durante o voo, o que poderia causar acidentes de elevada gravidade.
Ademais, as adequações necessárias nas aeronaves para viabilizar o transporte da fauna de forma segura, no interior da cabine, requerem autorizações especiais, que jamais foram evidenciadas pela Petrobras. Soma-se a isso o histórico observado em Projetos executados pela empresa e em exercícios simulados de outros empreendimentos, que indica não ser prática da empresa a utilização de transporte aéreo de animais, especialmente contaminados.
Há, ainda, dúvidas quanto aos impactos negativos dos elevados ruídos gerados no interior da cabine pelos rotores e hélices da aeronave, que ofendem a sensibilidade auditiva humana, tornando necessário o uso de protetores auriculares durante o voo. Em princípio, não há razões para considerar que aves e quelônios marinhos não seriam impactados por tais ruídos durante o voo, sendo que não há métodos comprovados para evitar ou atenuar os efeitos negativos para esses grupos.
Verificou-se também a mobilização de diversos recursos não previstos no PPAF e sequer informados ao IBAMA, mesmo durante as reuniões preparatórias para a APO. O já mencionado Ponto de Apoio Fluvial (PAF), que parece fundamental para garantir a execução das estratégias nearshore, ainda que possua estrutura precária e padrão de segurança questionável, somente é viabilizado a partir da mobilização de diversas embarcações que não constam do PPAF ou do PEI. Pode se argumentar que se trata de embarcações de oportunidade, porém uma estrutura que necessariamente irá operar em caso de acionamento do PPAF não pode depender de recursos de oportunidade, devendo estar previstos no Plano.
Outras estruturas e recursos não previstos já se encontravam mobilizados, o que é mais grave. A estrutura do quarentenário para aves devido à emergência sanitária de influenza aviária não foi informada e tampouco disponibilizada para vistoria pelo IBAMA, porém estava mobilizada com recursos e profissionais já no início da APO. A estrutura foi desmobilizada, uma vez que foi estabelecida, como premissa da Avaliação, que a emergência não seria considerada para fins do exercício.
Com relação às embarcações, além do grande número de voadeiras de oportunidade que se encontravam à disposição já no primeiro dia da APO, a presença de três embarcações chamou especialmente a atenção. Durante as vistorias realizadas em julho passado, foram apresentadas à equipe do Ibama as ambulanchas Mineral I e II, correspondentes às duas embarcações do tipo voadeira apresentadas como dedicadas no PPAF. Porém, durante a APO, foram utilizadas também as ambulanchas Mineral III e IV, cuja existência jamais foi informada ao IBAMA. A exemplo do PAF, essas duas embarcações adicionais cumpriram papel fundamental na APO, porém, até então, sequer existiam e não deveriam ter sido utilizadas.
Cabe destacar que, havendo o entendimento de que as ambulanchas devem navegar em pares, e diante da real disponibilidade de quatro embarcações dedicadas e com funções distintas, observou-se que a estratégia de navegação por duplas, compostas por embarcações com utilidades complementares — uma equipada para captura em manguezais e outra para atuação em águas calmas — ocasionou grande tempo de espera para resgate e a realização de transbordo desnecessário em locais remotos e de difícil comunicação.
Contudo, o recurso mais surpreendente da APO foi a embarcação MCE. Contrariando frontalmente as estratégias do PPAF e todo o processo de análise realizado até aqui, esta embarcação, disponível no píer Lunay, em Oiapoque, e acionado nas primeiras horas do exercício, atua na região offshore e, conforme revelado durante a APO, pode executar ações de monitoramento, resgate, estabilização e transporte de fauna, contando, durante a Avaliação, com cinco especialistas a bordo. Talvez a principal limitação do PPAF proposto é que as embarcações que atuam offshore não possuem calado para navegar na baía e, principalmente, no rio Oiapoque, o que não se mostrou verdadeiro com a mobilização da MCE durante a APO. Ainda que não tenha exercido papel fundamental na Avaliação, a presença desta embarcação, por si só, coloca em xeque a própria pertinência das estratégias apresentadas no PPAF até aqui, visto que eram baseadas em uma limitação que, aparentemente, não existe. Porém, uma vez que a estrutura da embarcação é totalmente desconhecida, visto que não está prevista no PPAF e não foi disponibilizada para vistoria, não é possível avaliar a pertinência de utilização do recurso.
Por fim, é importante destacar que o uso, durante a APO, de todos esses recursos não previstos no PPAF e sequer informados ao IBAMA, indica que, de fato, o Plano conforme proposto não é suficiente para proteger a fauna de forma adequada em cenários de Tier 1, caso contrário, a empresa não precisaria utilizar recursos adicionais e de oportunidade durante a Avaliação.
Por outro lado, verificou-se a ausência de recursos para dissuasão e afugentamento de fauna previstos nas embarcações dedicadas offshore. Ainda que o PPAF consolidado apresente informações contraditórias em relação à localização e utilização desses recursos, em um dos trechos sobre a embarcação de 10 nós, a Cronos, o Plano afirma que a embarcação “estará equipada com recursos e materiais consumíveis para manejo de fauna (...) e poderá ser designada para realizar monitoramento especializado, dissuasão/afugentamento, resgate/captura, recepção, estabilização e transporte de fauna” (grifo nosso). Considerando os longos tempos de deslocamento e a possibilidade de realização de ações de afugentamento sem necessidade de autorização prévia do ICMBio em situações prementes para proteção da fauna marinha, a ausência de tais recursos nas embarcações dedicadas offshore pode acarretar contaminação de animais que poderia ser evitada a partir de técnicas de dissuasão e afugentamento da fauna.
Assim, considerando que houve descumprimento do PPAF devido à descontinuidade da capacidade de resgate e estabilização de fauna offshore;
Considerando que somente descumprindo o PPAF e forçando limites de segurança com a realização de operações noturnas no rio Oiapoque foi possível atender o prazo máximo de 24 horas entre o resgate dos animais e a recepção no CAF-OIA, conforme estabelecido no Manual de Boas Práticas, e que ainda assim todo o processo foi realizado em 23 horas e 24 minutos (das 6h26 do dia 25 até 5h50 do dia 26), em condições favoráveis de navegação; e
Considerando que foram usadas embarcações e estruturas adicionais e de oportunidade, com previsão de acionamento em até 48 horas, que, contudo, já se encontravam disponíveis desde as primeiras horas após o acionamento do cenário, e que parte delas sequer estava prevista no PPAF, mas se mostraram fundamentais para a execução das estratégias do Plano.
Entende-se que durante a Avaliação Pré Operacional realizada a empresa não foi capaz de executar satisfatoriamente o PPAF proposto e que os recursos e estratégias previstos no Plano não são suficientes para atender o Manual de Boas Práticas. Restou provado, na prática, o que vinha sendo afirmado nas análises técnicas referentes ao PPAF, que o Plano proposto não é capaz de garantir ações adequadas ao atendimento dos animais que vierem a ser contaminados em um eventual acidente com vazamento de óleo, o que poderá resultar em perda maciça de biodiversidade, levando estes animais à morte.
Assim, com base na presente análise, principalmente no que se refere às estratégias e recursos para atendimento à fauna oleada, a empresa deverá apresentar uma nova versão do PPAF, que deverá demonstrar, inequivocamente, capacidade de atendimento aos animais eventualmente contaminados em caso de incidente com vazamento de óleo e atender as premissas do Manual de Boas Práticas.
Entende-se que o conteúdo do Plano deverá considerar os recursos e estratégias que demonstrem, minimamente: (i) a manutenção de embarcação dedicada de atendimento à fauna na locação durante a fase de reservatório do poço e; (ii) o atendimento ao prazo máximo previsto no referido Manual.
III. Controladoria do Exercício
Responsável: Cintia Levita
A Controladoria exerce função essencial na condução de exercícios simulados, garantindo que a execução transcorra em estrita conformidade com as premissas previamente estabelecidas pelo grupo de planejamento. Compete à Controladoria assegurar que as atividades sejam conduzidas de forma fiel ao planejamento aprovado, sem a introdução de variáveis, recursos adicionais ou complicadores não previstos, que possam comprometer a validade do exercício ou distorcer a avaliação de desempenho.
Ao acompanhar de forma isenta e sistemática a execução, a Controladoria verifica se os objetivos traçados estão sendo contemplados, conferindo rigor técnico e metodológico ao processo. Atua, assim, como guardiã da integridade do exercício, resguardando a equivalência entre o cenário proposto e a resposta mobilizada, o que possibilita mensurar de forma fidedigna a prontidão da estrutura avaliada.
Importa destacar que a Controladoria não se confunde com a operação nem com a gestão direta das ações. Seu papel é de fiscalização e registro, garantindo transparência, imparcialidade e aderência às diretrizes estabelecidas. Essa atuação constitui elemento central para a credibilidade da avaliação, além de subsidiar a identificação de oportunidades de aprimoramento a partir dos resultados obtidos.
Na Avaliação Pré-Operacional (APO) do Bloco FZA-M-59, a Controladoria foi responsável por consolidar a timeline dos injects a serem utilizados, acompanhar sua execução e dirimir dúvidas da equipe de avaliadores e da empresa operadora quanto ao andamento do exercício. A Timeline utilizada consta como anexo a este Parecer sob o número 24694156.
Verificou-se adequada adesão ao cenário proposto pelo Ibama, não havendo disgressões capazes de comprometer o entendimento das questões relacionadas ao acidente simulado. As premissas da APO foram estabelecidas pela equipe técnica por meio do Ofício nº 217/2025/Coexp/CGMac/Dilic (24359379).
Entretanto, registra-se o não cumprimento da premissa 2.6, que determinava a viabilização, à equipe de avaliadores, do acompanhamento independente e em tempo real da localização das embarcações envolvidas na resposta, tanto antes do acionamento quanto durante a APO.
No tocante aos injects previamente definidos pelo grupo de planejamento, observou-se completa aderência ao cenário. Destaca-se, contudo, que a simulação de quebra dos guindastes foi revertida no D2, após já ter sido considerado cumprido o objetivo de verificação da estratégia de transporte marítimo da fauna oleada. Houve, neste ponto, concordância da equipe de avaliadores quanto à possibilidade de avaliação alternativa da estratégia de transporte aéreo.
Após a análise dos registros e resultados obtidos, conclui-se que todos os objetivos mapeados pela equipe de avaliadores foram integralmente alcançados. Ressalta-se, ainda, que não houve pendências relativas à documentação solicitada à empresa, a qual atendeu de forma tempestiva e satisfatória às demandas apresentadas.
Diante do exposto, considera-se o exercício validado para fins de cumprimento processual, atendendo plenamente às premissas estabelecidas e aos critérios definidos no planejamento da avaliação.
IV. Considerações Finais
A execução da resposta à Avaliação Pré Operacional demonstrou a necessidade de adequações nos planos apresentados previamente no estudo ambiental e suas complementações. Ao longo do documento foram elencados pontos de atenção e de melhoria, havendo a demanda de treinamento.
Todavia, alguns tópicos específicos carecem ser melhor detalhados.
O plano de comunicação do impacto transfronteiriço, a ação executada difere do apresentado nas complementações ao estudo ambiental. Solicita-se que empresa avalie a melhor estratégia para a execução e reapresente, elencando todas as etapas e contatos necessários para a correta comunicação do impacto transfronteiriço.
O posicionamento das embarcações para a realização da APO foi diferente do apresentado no estudo. Antes do início do exercício a empresa foi questionada e informou que os barcos estariam dentro do limite da área do fundeio do porto de Belém. Contudo, ao averiguar nos mapas de fundeio da Marinha do Brasil, observou-se que eram áreas distintas. Solicitam-se esclarecimentos e determinação correta dos pontos de fundeio para esta atividade.
A equipe de líderes de sobrevoos é da região de Oiapoque, detém conhecimento da área. Contudo, carecem de intensificação de treinamento com equipes mais experientes e precisam executar todas as atividades esperadas da função.
A estratégia e os recursos utilizados para o atendimento à fauna durante a APO divergem do proposto no PPAF, conforme detalhado na análise.
Entende-se que o PPAF deverá ser revisado e apresentado considerando a incorporação das observações constantes neste Parecer. Após análise, essa nova revisão deverá ser objeto de simulação, que deverá ocorrer durante a fase de reservatório do poço, tendo como foco o monitoramento, resgate, atendimento e transporte de fauna, sob acompanhamento do IBAMA
V. Conclusão
Levando em consideração as observações registradas pela equipe de avaliadores, a robustez da estrutura apresentada, bem como o caráter inédito da atividade executada — marcada por desafios logísticos relevantes, pela dimensão da estrutura acionada e pela amplitude das vertentes de análise — considera-se a Avaliação Pré-Operacional do Bloco FZA-59 aprovada.
Recomenda-se, entretanto, que a empresa incorpore as questões e observações apontadas neste Parecer na revisão de seus planos, de modo a contribuir para o processo de melhoria contínua da estrutura de resposta, garantindo sua adequação e alinhamento aos requisitos da região.
Destaca-se, por fim, que um novo exercício de fauna deverá ser executado, sem prejuízo da continuidade do processo de licenciamento em curso.
Atenciosamente,
| | Documento assinado eletronicamente por CINTIA LEVITA LINS DO BONFIM, Analista Ambiental, em 17/09/2025, às 18:04, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015. |
| | Documento assinado eletronicamente por THAMIRIS DA SILVA SOARES, Analista Ambiental, em 17/09/2025, às 18:04, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015. |
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| | Documento assinado eletronicamente por RAQUEL PINHAO DA SILVEIRA, Analista Ambiental, em 17/09/2025, às 18:45, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015. |
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| | Documento assinado eletronicamente por ANA PAULA PINTO FERNANDEZ, Analista Ambiental, em 17/09/2025, às 19:45, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015. |
| | Documento assinado eletronicamente por CLARISSE RINALDI MEYER, Analista Ambiental, em 17/09/2025, às 21:07, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015. |
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