Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
DIRETORIA DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL
COORDENAÇÃO-GERAL DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL DE EMPREENDIMENTOS MARINHOS E COSTEIROS
COORDENAÇÃO DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO E GÁS OFFSHORE
Relatório de Vistoria nº 17/2025-Coexp/CGMac/Dilic
Número do Processo: 02022.000336/2014-53
Interessado: PETRÓLEO BRASILEIRO S.A PETROBRAS
Rio de Janeiro/RJ, na data da assinatura digital.
I - INTRODUÇÃO
Tendo em vista os encaminhamentos contidos no Despacho Decisório nº 33/2025/Gabin (SEI 23390586), de que a Diretoria de Licenciamento Ambiental iniciasse “as ações necessárias para planejamento e realização da Avaliação Pré-Operacional, como realização de vistorias à base de atendimento a fauna em Oiapoque-AP, vistoria das embarcações de resposta a emergência e demais medidas pertinentes”, foram programadas as vistorias das embarcações de atendimento à fauna e dos Centros de Reabilitação e Despetrolização determinados para a Atividade de Perfuração Marítima no Bloco FZA-M-59.
Os dois centros de reabilitação e despetrolização, no processo nomeados posteriormente como Centro de Atendimento à Fauna, se localizam no Oiapoque (CAF-OIA), no Amapá, e em Belém (CAF- BEL), no Estado do Pará. Assim como as embarcações nearshore de atendimento à fauna, eles foram apresentados na Rev 06 do PPAF, considerado como conceitualmente aprovado na Manifestação Técnica nº 2/2025-CGMac/Dilic (SEI 23384369).
Em Oiapoque, foram vistoriados o CAF-OIA, no dia 09/04/2025, e as quatro embarcações nearshore, no dia 10.07.2025. Em Belém, em 12.07.2025, foram vistoriados o CAF-BEL e a área de quarentenário, localizada no Centro de Defesa Ambiental Belém, de propriedade da Petrobras.
As duas embarcações offshore de atendimento à fauna foram vistoriadas em Belém, em 11.07.2025, pela esquipe responsável por vistoriar as embarcações de emergência, após deliberação interna em função de disponibilidade de equipe e tempo de deslocamento.
II – VISTORIAS
CENTRO DE ATENDIMENTO À FAUNA CAF-OIA:
Da localização:
O CAF-OIA está adequadamente localizado do ponto de vista logístico, instalado em região próxima aos locais onde os animais poderão ser recepcionados ao chegarem por meio das embarcações nearshore, no caso de uma eventual emergência ou por meio da execução do PMAVE. O acesso possibilita a passagem de veículos de grande porte. Encontra-se a um tempo médio de 12 a 18 horas de navegação do Bloco FZA-M-59 e de 3 a 4 horas por via aérea, partindo da locação da atividade de perfuração até o aeródromo de Oiapoque.
O CAF-OIA é operado pela empresa Mineral.
Da estrutura local para funcionamento:
O CAF-OIA possui dois sistemas de tratamento de efluentes, um biodigestor, uma ETE/percolação (o município não dispõe de rede de esgoto) e uma caixa SAO para separação de óleo e água, que, depois de limpa, segue para ETE. O fornecimento de água se dá por meio do tratamento de água de poço. A energia elétrica é obtida pela concessionária local além de dispor de um gerador elétrico que mantém o funcionamento da sua parte crítica em caso de falta de energia. Para descarte do resíduo o centro dispõe de contrato com a empresa de coleta especializada Transamazon, e sua destinação final ocorre em Macapá. Todo o CAF conta com extintores de incêndio e rotas de sinalização de emergência.
Da estrutura para realização de necropsia:
Está disponível uma sala equipada com mesa de aço inoxidável para procedimentos, pia de inox, ar-condicionado, sistema de coleta de efluentes destinados a ETE e duas saídas para exaustão de ar. Dispõe de coletores de resíduos, armários de equipamentos e EPIs. Possui galão de nitrogênio líquido e recipientes para armazenamento de amostras. Anexa à sala da necropsia, há uma sala de paramentação e banheiro para equipe de necropsia.
A área externa traseira do CAF conta com sala dotada de freezer para acondicionamento de carcaças. Carcaças da reabilitação ou monitoramento entram pelos fundos da Unidade, evitando o mesmo acesso dos animais vivos. As carcaças entram diretamente para Sala de necropsia.
Da estrutura de Reabilitação:
Todos os ambientes, a não ser o almoxarifado, contam com climatização, calha de escoamento, paredes e piso laváveis e sistemas de exaustão.
A estrutura possui espaço coberto que permite sua expansão. Contando com os equipamentos já disponíveis, o CAF possui capacidade para atender entre 60 e 120 animais de pequeno porte (até 120 aves), até 60 de grande porte, 10 a 12 tartarugas, ou um ou dois de grande porte, podendo ser expandido para mais dois de médio porte.
Os animais vivos são recebidos a partir do portão frontal principal, com acesso direto para o setor veterinário.
O Ambulatório e a Sala de Triagem são equipados com balança até 50 kg e outra até 200 kg, equipamento para micro hematócrito, mini frigobar para acondicionamento de amostras e medicamentos, centrífuga para aferição de proteínas totais e brancos, doppler, laringoscópio e nebulizador, mesa de procedimentos com coleta de resíduos, caixas de contenção e armário de medicamentos, bolsas térmicas e cobertores, medicamentos, leitor de microchip, pesola (balança para animais de pequeno porte), sondas e equipos, e insumos veterinários de rotina.
A sala de cirurgia conta com aparelho para anestesia inalatória, concentrador de oxigênio, ultrassom, raio x portátil, monitor paramétrico e bisturi elétrico, temperatura controlada, sala de paramentação externa e sala de pós-operatório interconectadas para monitorização do animal. Todos os ambientes são climatizados e possuem piso e paredes laváveis. No pós-operatório, os animais permanecem isolados uns dos outros.
A sala de esterilização do material cirúrgico conta com autoclave e interligação com o laboratório. Dispõe de equipamentos para avaliação dos parâmetros bioquímicos, microscópio e freezer horizontal para amostras, pia e autoclave.
A Enfermaria é equipada com unidade de tratamento animal UTA com temperatura e umidade controlados, inclusive para filhotes com monitoramento (funcionando como um incubadora), sendo utilizada para monitoramento de animais em estado crítico. Os animais em estado menos crítico são encaminhados para a Estabilização. Caso haja alguma alteração clínica, o animal é mantido na enfermaria e monitorado nas primeiras horas do dia, obedecendo o ciclo circadiano. A Enfermaria conta ainda com caixas de contenção de vários tamanhos, berços expansíveis, para que os animais possam se locomover, piso e paredes laváveis, calha de escoamento e sistemas de exaustão de ar nas salas. Há um termômetro instalado para monitorar a temperatura ambiente e, caso algum animal precise de aquecimento, há a disponibilidade de cobertores, aquecedores portáteis, colchões térmicos e bolsas de água quente, além das lâmpadas aquecedoras.
A Sala de Estabilização recebe os animais que aguardam, em bercinhos, que seus parâmetros clínicos se estabilizem para a etapa do banho. Conta com nove instalações de aquecimento suspensas e caixas de contenção. O escoamento é ligado a caixa SAO para limpeza e separação água óleo. A exaustão do ar é realizada por meio de duas saídas. A sala é climatizada e possui armário com insumos, além de aquecedores portáteis e secadores pet. Caso os animais precisem de restrição de espaço, eles ficam acondicionados em caixas kennel.
A Sala de Lavagem possui exaustão de ar, por meio de duas saídas. São duas estações de limpeza e duas de enxágue, sendo possível tratar até quatro animais simultaneamente. Dois aquecedores a gás se interligam a dois sistemas de mangueiras pressurizados e água aquecida, mantendo a temperatura entre 38 e 42 graus. A sala possui calha no piso para captação da água e óleo, sistema de pia e bancada de inox e piso e paredes laváveis.
Depois do enxágue, o animal segue para a Sala de Secagem, conectada com a de lavagem. A sala é equipada com três secadores pet e três lâmpadas suspensas de aquecimento e uma caixa de contenção. Na sala, a temperatura é controlada e conta com exaustão de ar. Secadores pet são usados inicialmente, somente para tirar o excesso de água do animal. A sequência da secagem é feita com a utilização de mantas ou aquecedor portátil. São feitas avaliações para conferência da eficiência da lavagem e posterior encaminhamento aos recintos de reabilitação na área externa.
Para as atividades de rotina da equipe a Unidade conta com Sala de Reunião, Sala de Administração, Cozinha/Copa para humanos, galpão livre para ampliação de estruturas provisórias, Almoxarifado e Área de Serviço.
A Área técnica / Lavanderia é equipada com máquina de lavar e insumos de limpeza, adequados para as tarefas de rotina, no entanto, outras lavanderias foram mapeadas na região, caso haja necessidade em função do aumento da demanda.
O Almoxarifado possui 14 kits resgate, kits prontos para montagem de Unidades de Recepção de Fauna (URF), caixas de transporte, ventiladores, puçás, tapetes higiênicos, EPIs, fitas e diversas outras facilidades para o resgate, dissuasão, afugentamento e reabilitação e soltura de fauna. Todo material se encontra devidamente armazenado e identificado de forma a facilitar sua localização.
A Sala de Manutenção possui depósito de EPIs, caixas de contenção, pás, lixeiras salva-vidas, baldes, capacetes e outros equipamentos para uso em atividades diversas.
Na área anexa, encontram-se depositados 19 kits de mochilas de campo para monitoramento embarcado nearshore com telefone digital, GPS, câmera fotográfica, binóculos, laser para aferimento de distância, tablets etc. Há ainda kits para afugentar aves e mamíferos marinhos com equipamentos sonoros, como tubos oikomi e canhão para afugentamento de aves, e visuais, como laser autônomo.
A área de reabilitação externa é situada em uma grande edificação anexa. Conta com três recintos de aves, telados com sombrite e piscinas de 5.000 litros, com seixos e grama sintética. Toda esta estrutura é duplicada e, juntas, formam cinco recintos de aves mais um recinto que pode ser usado para aves ou até duas tartarugas marinhas, em piscina redonda de 5.000 litros.
Dois recintos para aves do PMAVE possuem corredor de voo para fisioterapia.
Os recintos para mamíferos contam com três tanques, sendo cada um com 100 m³, 47 m³ e 6 m³. Possuem cobertura parcial com telhas trapezoidais pintadas com tinta epoxi, trazendo conforto térmico, recobrindo parte dos recintos, e duas talhadeiras para içamento de animais de grande porte que atendem as piscinas maiores.
Os recintos para tartarugas são distribuídos em cinco caixas d'água com 500 litros e duas de 1000 litros. Possuem telhado metálico de telha trapezoidal.
O Sistema de Suporte à Vida (SSV) possui duas caixas de 15000 litros cada e sistema de bombas, dutos e filtros que interligam todas as piscinas do CAF, que podem recircular a água, após tratamento em caixa de areia e filtro UV, ou fazer a troca completa de água.
A cozinha para preparo dos alimentos dos animais possui pia de 2 cubas, geladeira, freezer horizontal, micro-ondas, equipamentos diversos, ventilador e janela.
A área técnica conta com equipamentos sobressalentes de bombas, sal para piscinas e equipamentos diversos.
Em conclusão, o CAF-OIA vistoriado detém adequada estrutura montada e todos os recintos, requisitos, fármacos, equipamentos e materiais requeridos para a finalidade a que se destina. De maneira geral, os recintos estão em tamanho adequado, possuem boa iluminação, exaustão de ar, temperatura controlada, ventilação, disponibilidade de água, energia e sistema de tratamento de efluentes compatível com o município. A equipe da Mineral que acompanhou a vistoria demonstrou conhecimento de métodos e estratégias de trabalho para atuação em cenários operacionais normais ou em emergências. As instalações e equipamentos são novos e em perfeito estado de conservação, prontos para uso.
Na reunião de fechamento da vistoria, a equipe do IBAMA ponderou tratar-se provavelmente da melhor estrutura de atendimento à fauna aquática disponível no Estado do Amapá, sendo altamente recomendável que haja meios para viabilizar a entrada e o atendimento a animais aquáticos durante o período de vigência do contrato entre Petrobras e Mineral, mesmo na ausência de emergências ambientais com comprometimento de fauna, visando o seu pleno funcionamento e capacitação continuada das equipes em atividade.
Considerando que, no PPAF da Petrobras para a atividade no FZA-M-59, animais acima de 50 kg não serão resgatados em nenhuma hipótese, e que a estrutura do CAF-OIA dispõe de instalações para atendimento a animais de grande porte, muito provavelmente estas instalações ficarão ociosas, podendo ser reorientadas como medida compensatória para atendimento da fauna aquática local, em um Estado onde tais estruturas são precárias ou inexistentes. Salienta-se que a entrada de animais de grande porte não comprometerá a capacidade de atuação da Unidade em um cenário de emergência, conforme previsão na estratégia definida pela Petrobras.
Entendemos que a chegada da indústria do petróleo na região da Foz do Amazonas deverá equilibrar os impactos não mitigáveis dos empreendimentos às prioridades de atendimento à fauna aquática regional, maximizando benefícios socioambientais com o pleno aproveitamento de instalações já construídas e que, salvo a ocorrência de uma fatalidade nas operações, poderão ficar sem qualquer utilidade durante vários anos, beirando o contrassenso e o desperdício de recursos viabilizados por meio de processos públicos de licenciamento ambiental.
Por todo exposto, sugerimos que haja tratativas para formalização de Acordo de Cooperação Técnica entre Petrobras, Mineral e IEPA/Amapá, visando a disponibilização das instalações do CAF-OIA para finalização do processo de reabilitação de três peixes-boi que se encontram hoje no Bioparque de Macapá, sem perspectivas para mudança para tanques mais adequados ao porte atual dos animais e posterior soltura na natureza.
Finalmente, o ingresso imediato de animais no CAF-OIA agrega o benefício de capacitar continuamente as equipes da Mineral com fauna aquática regional e sua complexidade inerente, maximizando a qualificação técnica para atuação em desafiadores cenários emergenciais reais. Outrossim, coloca em teste a estrutura e equipamentos disponíveis na unidade, sinalizando eventuais necessidades de ajustes na rotina sob condições normais, melhorando o planejamento e a operação em eventuais cenários emergenciais.
CENTRO DE ATENDIMENTO À FAUNA CAF-BEL:
A vistoria foi realizada em 12.7.2025. Inicialmente, destacamos que, devido às questões logísticas, observadas somente durante a semana da vistoria, foi solicitada, à Petrobras, a antecipação da disponibilidade do CAF-BEL para avaliação pela equipe do IBAMA, durante o período da tarde do dia 11.7.2025. Contudo, a informação recebida foi de que a instalação não estaria disponível, em função da ausência da equipe da Ambipar para o acompanhamento da vistoria. Mesmo considerando que o CAF-BEL deve estar de prontidão e operacional em 23 horas após seu acionamento, ressaltamos que, devido às dificuldades de deslocamento para a equipe da Ambipar, localizada no Rio de Janeiro, ambas empresas poderiam prever a ampliação do número de técnicos instalados na capital paraense com vistas a acelerar o processo de recepção dos animais.
Da localização:
O CAF-BEL está adequadamente localizado do ponto de vista logístico (1°19'47.9"S 48°28'51.1"W), instalado em região próxima ao Porto de Belém. O acesso possibilita a passagem de veículos de grande porte. Encontra-se a um tempo médio de 48 horas de navegação do Bloco FZA-M-59 e de 4 a 6 horas por via aérea, partindo da locação da atividade de perfuração até o aeroporto de Belém.
O CAF-BEL foi construído pela Mineral, mas atualmente encontra-se sob responsabilidade de operação da Ambipar, com equipe composta por dois veterinários e dois tratadores (em rodízio), um auxiliar de serviços gerais e um biólogo, atuando em esquema de acionamento e prontidão.
Da estrutura local para funcionamento:
O CAF-BEL possui uma ETE para tratamento dos efluentes, que seguem depois pela de rede de esgoto pública, além de caixa SAO para separação de óleo e água, seguido de coleta por empresa especializada contratada. O fornecimento de água se dá pelo tratamento de água de poço. A energia elétrica é obtida da concessionária local, além de dispor de um gerador elétrico que mantém o funcionamento da sua parte crítica em caso de falta de energia.
Para descarte do resíduo contaminado o centro dispõe de contrato com a empresa de coleta especializada Recicle. Todo o CAF conta com extintores de incêndio e rotas de sinalização de emergência. Destaca-se que, no momento da vistoria, foi constatada a mistura de materiais com necessidade de destinos diversos, como recicláveis e latas de tintas. Desta forma, a empresa deve atentar para a questão, evitando novos erros. E deve ainda comprovar, por meio do envio de registro fotográfico, a correta segregação dos resíduos.
O CAF conta com Licença de Operação (LO), emitida pelo Governo do Estado do Pará, e Autorização de Manejo Precária da Fauna Silvestre, emitida pelo IBAMA. A LO n° 15655/2025 (SEI 24189911 – anexa a este relatório), emitida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (SEMAS/PA), autorizou o funcionamento do CAF-BEL, estabelecendo condicionantes específicas para sua operação. Destacam-se as seguintes condicionantes, que apresentam interface direta com a fauna marinha, às quais este relatório atesta conformidade.
“11. Apresentar a esta SEMAS o cronograma de execução dos cursos Formação Continuada, bem como, as metodologias que serão aplicadas e os temas ministrados acerca dos fluxos realizados no CRD, constando as parcerias com entidades de pesquisa local, fomento e/ou conservação;
12. Apresentar através de documentos a comprovação de contratação de profissionais da região amazônica com formação em instituições do estado do Pará com experiência em espécies do bioma amazônico, os quais deverão compor no mínimo 60% da equipe técnica principal;
13. Realizar estudo de mapeamento dos manguezais em escala que permita a identificação de áreas degradadas ou em processo de degradação nos cinco setores (Marajó Oriental, Marajó Ocidental, Continental Estuarino, Flúvio-Marítimo e Zona Atlântica Paraense) da zona costeira do Estado do Pará. O arquivo deverá ser entregue em formato Shapefile (shp), assim como deverá ser produzido um atlas interativo digital consolidando todas a informaşões do estudo em escala 1:50.000;
14. Executar estudo de quantificação e qualificação da capacidade de estoque de carbono do manguezal na extensão da zona costeira do Estado do Pará, incluindo o Arquipélago do Marajó, com metodologia cientificamente válida/comprovada;
16. Apresentar um plano descritivo para o resgate e aceite de recebimento de mamíferos aquáticos e quelônios amazônicos, para realização de reabilitação, destinação e soltura desses animais, quando for o caso;
18. Fomentar a pesquisa científica através de parceria com instituições de ensino superior do Estado: recebendo estágios, PIBIC, residentes, projetos de TCC, teses e / ou dissertações;”
Da estrutura para realização de Necropsia:
Na área externa do CAF, está localizada a Sala de Necropsia, com acesso independente, estruturada a partir de contêineres, com vestiário para paramentação e desparamentação. A Sala de Necropsia dispõe de armários com insumos para coleta de amostras de óleo, paquímetro, fichas de necropsia, pia com bancada, ar-condicionado, exaustão de ar, três janelas, dois ralos pequenos para coleta de efluentes, equipamentos de corte, balanças, inclusive de gancho, galão de nitrogênio líquido, uma mesa de necropsia com pia anexa, com caimento em um pequeno balde, que parece ser insuficiente para recolhimento de líquidos. O espaço suporta atividades para animais com até 3 metros de comprimento, dispõe de bancos de apoio para os técnicos, e recipientes para coleta de resíduos devidamente identificados.
Os resíduos biológicos e hospitalares são separados e acondicionados e ficam armazenados em espaço próprio, com revestimento lavável e calha, até que a empresa contratada os recolha. Demais resíduos são separados e coletados pela prefeitura.
Da estrutura de Reabilitação:
Considerando que esta instalação já havia sido vistoriada anteriormente, foi simulada uma dinâmica de recebimento de uma ave oleada e já negativada para os sintomas de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) para o atendimento completo pela equipe do CAF, passando pelas diferentes etapas desde o acesso até o treinamento de vôo pré-soltura.
O acesso principal se dá a partir da garagem, com o animal sendo transportado em caixa de contenção e sendo recebido por equipe técnica de duas pessoas (um veterinário e um tratador) e entrada diretamente pela sala de Admissão/Ambulatório.
No ambulatório, o veterinário fez uma avaliação inicial e recolheu informações básicas sobre o animal oleado, utilizando balanças para aferição de peso. Na mesa de procedimentos, com tapete aquecido, aferiu parâmetros vitais como: reflexos, frequência cardíaca, sintomatologia respiratória, análise da porcentagem oleada, temperatura, e avaliação das mucosas. Realizou limpeza de área críticas como olhos, narinas e bico com auxílio de cotonete, óleo mineral e compressa de gaze. A equipe contou com uma veterinária de apoio para o registro dos parâmetros em ficha padronizada, indicados pelo médico veterinário. Destaca-se que, devido ao sistema de revezamento de escala, tal função seria realizada por um tratador.
O ambulatório possui caixas de contenção, armário de medicamentos, pia com bancada, temperatura controlada, calha de escoamento central, equipamentos de monitoramento cardíaco, bomba de infusão contínua para fármacos, aquecedor, concentrador de oxigênio, bisturi elétrico, aparelho de anestesia inalatória para anestesias local e geral, centrífuga, microscópio, refratômetro, nebulizador e frigobar. Ainda no ambulatório foi realizada a coleta de penas oleadas para a análise de fingerprint, cortando e acondicionando as amostras em potes de vidro identificado com o número de registro do animal.
Este CAF mantém estocados, na Sala de Admissão/Ambulatório, os equipamentos para hematócrito, anestésicos e fármacos em geral com controle de validade e controle de estoque.
Posteriormente, o animal passou para a sala seguinte, de Quarentena. Nesta sala, permanecem animais em estado mais crítico após o ingresso. A sala dispõe de caixas de contenção, UTA (unidade de tratamento animal), uma lâmpada suspensa para aquecimento em trilhos adaptáveis. Caso seja necessária a realização de exames laboratoriais, há um contrato com as clínicas VetLab e Cora para os exames de imagem e demais análises. Neste CAF, são realizados hematócrito e outros exames de menor complexidade que possibilitam a avaliação contínua do estado de saúde os animais. A sala de Quarentena contém pia, bancada, mesa de procedimentos, armários de EPIs e outro com bolsas térmicas para aquecimento.
Animais em estado menos crítico são admitidos na Sala de Estabilização, dotada com seis lâmpadas suspensas e caixas de contenção de diferentes tamanhos, uma saída de exaustão de ar e janela para ventilação.
Após avaliação do animal, em que ele esteja hidratado, mantendo adequadamente a temperatura corporal e responsivo, é encaminhado à Sala de Despetrolização. O espaço conta com pia e bancada de inox, bacias de lavagem de dois tamanhos disponíveis, sistema de exaustão de ar, dois ventiladores de parede e três saídas de ar split, seis estações de lavagem, três sistemas de água aquecida e pressurizada, armário com EPIs, botas, toalhas, termômetros, lâmpadas infravermelhas de aquecimento, máscaras de proteção e jarras plásticas.
Após a paramentação dos técnicos, foi utilizado detergente neutro e escovas para lavar o simulacro de ave, utilizando água em temperatura média de 40 graus. A limpeza com água e detergente é realizada em uma bacia e repetida em outra bacia com água limpa. Durante a lavagem é observado se o animal apresenta algum desconforto. A lavagem é realizada até que todo o óleo seja retirado, mesmo que sejam necessárias etapas de lavagem em repetição. Caso o animal apresente algum problema durante a lavagem o animal pode retornar à estabilização, para que, posteriormente, passe novamente pela lavagem quando estiver estabilizado. Os animais são fotografados em diversos ângulos antes e após a lavagem. A sala conta com grelha central coletora de efluentes conectada à caixa SAO.
No mesmo ambiente, separada por biombo de lona, está a Área de Secagem, equipada com dois secadores pet deveras ruidosos, três caixas de contenção e duas lâmpadas infravermelhas suspensas, para aquecimento dos animais. Após a secagem, é realizada avaliação para destinação aos recintos externos de reabilitação ou retorno para a Sala de Estabilização.
Após a secagem, os animais passam a ser alimentados com alimento sólido e preparados para os testes de impermeabilidade das penas. O animal é, então, transportado para a área externa dentro da caixa de transporte e levado até as piscinas para os testes. Os recintos podem sem enriquecidos ambientalmente conforme a espécie a ser reabilitada. Nos testes, são observados comportamentos de limpeza das penas, capacidade de nado e flutuação.
Interligando a Sala de Admissão/Ambulatório, a Quarentena, a Sala de Estabilização e a Sala de Despetrolização, há um grande espaço onde são guardados materiais para captura e contenção de fauna (puçás) e 15 caixas padrão IATA para contenção, mais caixas de papelão desmontadas e outros equipamentos diversos. Este local pode ser adaptado para outras finalidades em caso de necessidade.
Este CAF não dispõe de sala ou equipamentos para cirurgia. Se for necessária a realização de cirurgia ou outros procedimentos complexos faz-se o transporte do animal para a clínica Cora, sub-contratada, localizada a cerca de 40 minutos de distância.
A Área de Reabilitação Externa (ARE) conta com cinco recintos independentes para aves, telados e cobertos parcialmente com sombrite. Os recintos contam com piscinas (quatro piscinas de 7.450 litros e uma de 13.000 litros) e área seca com seixos, grama sintética, estrados plásticos, barreiras visuais de lona para contato visual e enriquecimento ambiental de acordo com a espécie.
O Sistema de Suporte à Vida (SSV) da Área de Reabilitação é composto por um sistema de captação e armazenamento de água de poço artesiano, bombas, filtros e tubulação diferenciada em duas cores, sendo vermelho para descarte e azul para abastecimento. Há dois tanques do SSV com capacidade de 10.000 litros cada, abastecidos com água de poço. O sistema de filtragem dispõe de caixa de areia e filtro UV. A água recircula entre os recintos em fluxo contínuo. O descarte de água é feito via ETE local. A salinização é mecânica. O sistema não possui backup, mas no caso de não funcionalidade, os equipamentos podem ser trocados ou realizada manutenção.
A Área de Reabilitação de Mamíferos conta com uma piscina retangular de 107.000 litros, outros dois tanques redondos de 48.000 litros e 8.480 litros, de estrutura de lona reforçada, apoiados por uma talhadeira fixa para içamento de animais de médio ou grande porte.
A Área maior (retangular) pode ser adaptada para diversas finalidades, inclusive recebimento de pinípedes, pois possui área de cambiamento. No entanto, faltam rampas de acesso do animal à piscina, que poderá ser mobilizada se necessário. Esta piscina retangular possui bordas e quinas anguladas que podem machucar os animais em reabilitação, sendo recomendável atenção e providências tecnicamente adequadas se houver necessidade de uso da estrutura, visto que a ocorrência de pinípedes na região é pouco frequente.
Os recintos de tartarugas são estruturados a partir de caixas d'água de PVC, sendo três de 500 litros, três de 1000 litros e uma de 8000 litros, contando com sistema independente de abastecimento de água. Não há espaçamento ou barreira física para separação de animais com e sem fibropapilomas, devendo ser viabilizado, se necessário.
Na ARE, há mais dois recintos vazios para uso adaptável. Conta ainda com corredor de voo para treinamento e fisioterapia, visando o desenvolvimento da musculatura peitoral de aves em estágio pré-soltura. Nesta etapa, são realizados exercícios por alguns minutos, uma a duas vezes ao dia, de forma a estimular a musculatura peitoral até que o animal consiga alçar voo. O animal é manipulado manualmente, para que seja estimulado a bater as asas, ou é utilizado um poleiro para os animais maiores.
A ARE conta ainda com cozinha para preparo de alimentos para os animais, dotada de pia, freezer horizontal, bancada de inox e equipamentos, como: balança, micro-ondas, liquidificadores, utensílios gerais e uma geladeira para suporte à comida de peixe boi. A cozinha é arejada com janelas teladas e ventilador de parede.
A área contém Sala de Armazenamento de Amostras Biológicas com freezer horizontal, e depósito para resíduos hospitalares.
O CAF conta ainda com Área Administrativa, com sala de reuniões, sala da equipe técnica, copa/cozinha, vestiários e almoxarifado.
Em suma, o CAF-BEL, estruturado pela Mineral e atualmente gerido pela Ambipar, está bem equipado para o recebimento, manejo e reabilitação de fauna aquática. A unidade conta com equipamentos e insumos para o recebimento de animais e apoio aos trabalhos de monitoramento e contenção em campo. A equipe da Ambipar demonstrou desenvoltura para atuação na simulação de recebimento de uma ave oleada. A unidade encontrava-se limpa e organizada durante a vistoria, e todos os equipamentos testados estavam em pleno funcionamento.
Como pontos de atenção, os quais deverão ser ajustados somente se houver demanda/necessidade, destacamos a ausência de separação entre os tanques de reabilitação de tartarugas com e sem fibropapilomas e as adaptações no tanque de pinípedes, pois as bordas e quinas anguladas da piscina podem ferir o animal, além da ausência de rampa de acesso.
Novamente aqui observa-se uma estrutura de grande porte e alto nível, dotada de equipamentos, recursos, insumos e equipe técnica de prontidão, com elevada probabilidade de permanecer ociosa se for mantida exclusivamente para uso em casos de emergências de vazamento de óleo.
O Estado do Pará se encontra, atualmente, com uma situação crítica de carência estrutural adequada para a manutenção de cerca de 60 peixes-boi resgatados encalhados.
O ingresso de mamíferos aquáticos no CAF-BEL não compromete a capacidade da instalação para operações de emergência, sendo altamente indicado que Petrobras e Ambipar busquem articulação com entidades locais envolvidas na reabilitação de sirênios para o estabelecimento de parcerias e acordos de cooperação técnica com objetivo da utilização desta unidade em apoio ao Programa de Conservação de Peixes-boi no Estado do Pará, desenvolvido pela Superintendência do IBAMA neste Estado.
O ingresso de peixes-boi nestas instalações traz a vantagem adicional de promover a capacitação prática da equipe da Ambipar com a fauna aquática nativa da região norte, além de revelar desafios de infraestrutura que trarão oportunidades de reanálise e aprimoramentos, induzidos por situações reais, mais desafiadoras que simulações controladas as quais o CAF foi testado até então.
A empresa de aquisição de dados sísmicos TGS está colaborando também no atendimento a condicionantes do Licenciamento Ambiental Federal, ao apoiar a construção de uma estrutura de reabilitação de peixes-boi em Belém (UFPA Castanhal) e um semi-cativeiro de aclimatação pré-soltura de peixes-boi em Soure, na Ilha do Marajó.
Oportuniza-se, portanto, que a indústria de petróleo e seu movimento de expansão para uma região de nova fronteira exploratória, absolutamente carente em estruturas voltadas ao manejo de animais aquáticos, atue em sinergia, apoie e fortaleça iniciativas locais de alto valor para a conservação dos animais aquáticos enquanto como medidas compensatórias aos impactos não mitigáveis dos empreendimentos licenciados.
Acima de tudo, promover instalações aderidas às necessidades dos Estados que recebem as atividades petrolíferas em seus territórios, amplia os impactos positivos dos empreendimentos, com desdobramentos importantes para a imagem e aceitação das empresas no local. Adicionalmente, fortalece o instrumento "licenciamento ambiental", enquanto indutor de políticas públicas de alto valor no contexto das ações regionais de manejo, conservação, pesquisa, reabilitação, formação de recursos humanos e atendimento emergencial de espécies sob ameaça de extinção.
QUARENTENÁRIO BELÉM:
O Quarentenário para recebimento de até 15 aves é de responsabilidade da Ambipar e se localiza no pátio da estrutura física do CDA Belém, situado na Rod. Arthur Bernardes, 7861-7757 - Tapanã, Belém – PA (1°19'47.9"S 48°28'51.1"W). Seu horário de funcionamento é das 8:00h às 18:00h em dias de semana e 8:00h às 17:00h nos finais de semana.
Em função da epidemia global da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP), e devida restrição de acesso de aves assintomáticas em instalações com plantel, foi estruturado, no CDA da Petrobras em Belém, um Quarentenário para recebimento e quarentena de todas as aves, anteriormente ao ingresso no CAF. Estas instalações estão localizadas a cerca de 25 minutos de distância em veículo motorizado. A estrutura do Quarentenário não consta no PPAF.
O Quarentenário foi mobilizado no conceito de tenda, com cobertura de lona estilo "barracão iglu", piso e colunas dos banheiros em alvenaria. Contém escritório e banheiro para uso da equipe técnica e conta com uma equipe dedicada composta por uma veterinária e uma bióloga. O revezamento da equipe é realizado com os demais integrantes do CAF-BEL. A água utilizada no quarentenário é proveniente de poço, com uma caixa d’água disposta no CDA. O efluente é coletado no sumidouro e passa pelo biodigestor. Caso a água seja contaminada por óleo, o registro para o biodigestor é fechado e o resíduo é separado para coleta especializada.
O ingresso da ave assintomática se dá a partir de porta principal de acesso na "área suja", uma Sala de Triagem. O espaço conta com balanças, caixas de contenção, armário de insumos, mesa de procedimentos, dois ventiladores de teto, aparelho de ar-condicionado do tipo split, pia para higienização das mãos, lâmpada de aquecimento, lixeiras para infectantes e resíduos, dentre outros. O animal é recebido pela equipe paramentada e uma ficha de internação é aberta para cada animal. A desparamentação é realizada a cada troca de sala, com eventual descarte dos EPIs sujos e luvas em cada etapa.
Após a triagem, o animal ingressa na Sala de Estabilização, com capacidade de cerca de 15 aves, onde se estabelece, de fato, a quarentena de 14 dias requerida para IAAP. A cada novo ingresso de uma ave no quarentenário, reinicia-se a contagem e repete-se o ciclo de 14 dias de quarentena. Foi ponderado que, caso haja esta situação a empresa deverá contratar análises em laboratórios especializados para avaliação de contaminação pelo vírus da IAAP, podendo antecipar o envio do animal não-contaminado ao CAF-BEL, conforme procedimento utilizado pelas equipes dos PMPs. Outra proposta é o estabelecimento de barreiras físicas internas separando aves com diferentes datas de ingresso na quarentena, associado à adoção de rigoroso protocolo de acesso da equipe técnica paramentada e utilização de todos os instrumentos e insumos sem que haja o intercâmbio entre os diferentes recintos isolados.
A Sala de Estabilização contém caixas de contenção, material para atendimento e coleta de sangue, sondas, lâmpadas de aquecimento, dois ventiladores de teto, ar-condicionado, pia e janelas na lona que permitem a ventilação local e a entrada de luz solar. Os animais ficam separados individualmente nos recintos.
A Área de Nutrição, destinada ao preparo do alimento das aves, conta com pia e bancada de inox, geladeira, freezer, ar-condicionado, equipamentos diversos e coletores de resíduos. Nesta etapa, todo o EPI sujo é descartado.
A Tenda dispõe de um só acesso para os animais, fazendo com que não haja um fluxo unidirecional desde o ingresso até a saída do paciente na tenda. Tal disposição causa uma necessidade indesejável de passagem do animal da estabilização novamente pela sala de triagem, a qual é considerada "área suja" e, portanto, facilitando a contaminação cruzada. Como sugestão para evitar esse problema, foi solicitado que seja feita a adaptação na estrutura, abrindo outro acesso exclusivo na porção traseira da tenda, para a saída dos animais após a conclusão da quarentena, diretamente a partir da Sala de Estabilização para o meio externo, sem a necessidade de reingresso do animal na sala de triagem. Deve-se ainda atentar para a desparamentação dos EPIs da equipe em áreas que reduzam riscos de dispersão viral para animais saudáveis.
Outro ponto de atenção debatido durante a vistoria foi o papel da equipe da Ambipar no resgate e transporte para reabilitação de aves sintomáticas para IAAP no Quarentenário, conforme orientação do SVO local (relatado pela equipe da Ambipar). Ressaltamos que aves detectadas em campo com sintomas de IAAP não deverão ser encaminhadas para quarentena ou reabilitação nas estruturas disponíveis para atendimento dos projetos da Petrobras. O atendimento deverá ser feito em campo, com a devida orientação, paramentação adequada e em estrito alinhamento com o SVO local e demais autoridades sanitárias e de saúde. Eventualmente, se houver casos sucessivos de animais sintomáticos ou positivados para IAAP em campo, a Ambipar poderá apoiar o trabalho do SVO mobilizando estruturas móveis temporárias para o devido descarte das carcaças e eutanásia dos exemplares doentes.
Ratificamos que não há previsão de reabilitação de aves com IAAP nas estruturas fixas da Petrobras, bem como em nenhuma outra acompanhada pelo IBAMA. Sugerimos que a Ambipar acompanhe o processo administrativo Ibama SEI 02001.014405/2023-45, onde estão consolidadas as orientações nacionais para o trabalho com animais sujeitos a contaminação por IAAP, e busque alinhar novamente com o SVO os procedimentos para aves sintomáticas.
O Quarentenário vistoriado, portanto, só está autorizado a receber e atender aves assintomáticas para IAAP, antes do ingresso destas no CAF Belém.
Em suma, o estabelecimento do Quarentenário no CDA, isolado do CAF, representa uma proposta complementar para a atuação da equipe técnica em cenário de epidemia da IAAP. São solicitados ajustes ao funcionamento da tenda para redução do risco de contaminação cruzada e o realinhamento com o SVO, de modo a garantir que não haja recolhimento de carcaças ou animais sintomáticos em campo e ingresso destes nas estruturas da Petrobras.
EMBARCAÇÕES MINERAL I e MINERAL II (AMBULANCHAS):
As vistorias nas embarcações nearshore de atendimento à fauna foram realizadas em 9.7.2025, com partida a partir do píer em frente à Marinha do Brasil, no Rio Oiapoque.
As embarcações Mineral I e Mineral II são lanchas rápidas e pequenas, aptas a realizar monitoramento, captura e breve estabilização de fauna. A capacidade indicada para as embarcações é de 10 a 12 animais de pequeno porte simultaneamente. Possuem lona retrátil para sombreamento do deck, kits para primeiro atendimento, com estetoscópio, medicamentos, hidratação, toalhas, lençóis, dentre outros equipamentos e insumos. Ambas recebem os animais trazidos pelas embarcações nearshore e se deslocam para o píer, para transbordo dos animais para a terra e seu encaminhamento ao CAF-OIA. Ambas podem ser tripuladas com um piloto, um veterinário e um auxiliar.
A popa dispõe de espaço para posicionar as caixas de transporte dos animais que provenham de outras embarcações. Foi indicado que o transbordo das caixas pode ser realizado tanto manualmente quanto por meio de bag adaptado com o auxílio de guindaste, disponível nas embarcações nearshore.
A embarcação Mineral I pode “encalhar” na lama e conta com colchões náuticos, que permitem que os técnicos caminhem sobre eles, quando dispostos sobre a lama, durante atendimento aos animais.
EMBARCAÇÃO VITSERV 1:
A tripulação de atendimento à fauna da embarcação é composta por seis técnicos, sendo, pelo menos, dois veterinários e quatro assistentes em esquema de revezamento.
A embarcação navega com velocidade de 6 a 7 nós e não possui separador de óleo. Caso haja mistura oleosa, o resíduo é coletado em bombona e retirado via empresa especializada. O lixo gerado é pequeno e contém separação de materiais recicláveis. Pela capacidade da embarcação, o barco não conta com ETE, mas possui permissão para descarte de resíduos clorados a partir de 12 milhas da costa. Há ainda disponibilidade de uma caixa para armazenamento de água exclusivamente para utilização pelo container de estabilização.
A embarcação conta com telefone satelital com rede starlink, AIS, tijupá com cobertura de lona para monitoramento de fauna, guincho e bote inflável. É equipada para atividades de monitoramento, resgate e estabilização. Foi demonstrado pela equipe que após a captura do animal, utilizando um puçá com extensor, a partir da própria embarcação ou utilizando o bote inflável, o animal é levado para estabilização, localizada em container no deck da embarcação. A embarcação, com capacidade de atendimento de até 15 animais simultaneamente, então, navega e transborda os animais para as ambulanchas, que levam os animais ao píer. Após sua chegada, eles são levados ao CAF-OIA em veículos climatizados. Em seguida ao transbordo para as ambulanchas, a embarcação VITSERV 1 retorna à área nearshore, na Baía do Oiapoque, para retomar o monitoramento e resgate de fauna.
No exercício realizado a bordo da embarcação, a equipe dispôs o bote inflável na água, de modo a simular a necessidade de captura de um animal por meio da navegação no bote. Após a captura, o animal é conduzido, em caixa de transporte, para o container de estabilização. O container é equipado com duas mesas de procedimento, caixas de contenção, recipientes para resíduos perigosos e lixo comum. Nesta etapa, é realizada avaliação do quadro clínico e a equipe conta com todo o equipamento para hidratação e eventualmente outros procedimentos (dor, suplementação vitamínica) de até 15 animais. Todos os animais são acondicionados nas caixas de transporte, que ficam amarradas de forma a evitar seu deslizamento durante a navegação. O container de estabilização conta com chaleiras térmicas e colchas para acondicionamento, EPIs para a equipe, ar-condicionado, exaustor, frigobar, pia para lavagem de mãos, equipamentos de resgate e acomodação dos animais. Todos os equipamentos ficam amarrados por cordas elásticas, de modo a evitar seu deslocamento e geração de ruídos durante a navegação. Há uma lona de separação entre os animais que já se encontram estabilizados, instalados em suas caixas de transporte, e a mesa de procedimentos. A barreira visual possibilita estabelecer algum conforto durante o período de transporte.
No caso de transbordo de animais maiores, que demandem contenção em caixas de transporte, a equipe utiliza uma bag de lona, que acondiciona a caixa de transporte, amarrada na sua parte superior. A bag é, então, içada pelo guincho, para transbordo para as ambulanchas.
EMBARCAÇÃO SANTA MARIA:
A embarcação Santa Maria é tripulada, para o atendimento à fauna, com seis técnicos, sendo, pelo menos, dois veterinários e quatro assistentes em esquema de revezamento. Navega com velocidade de 5 a 10 nós. Possui autonomia nearshore de 3 a 10 dias.
No deck estão dispostos dois containers, sendo um adaptado para dormitório da equipe de fauna. O container de estabilização de fauna é semelhante, inclusive na disposição dos equipamentos, ao container da embarcação Vit Serv 1. Possui dimensões maiores, e igualmente acondiciona até 15 animais simultaneamente. No container, são dispostos todos os insumos para resgate, transporte e estabilização de fauna, nos mesmos moldes da primeira embarcação. A embarcação conta com uma caixa d'água com capacidade de 500 litros, para uso exclusivo na unidade de estabilização.
A coleta de óleo é realizada em bombonas e retirada por empresa de coleta de resíduos, em terra. O lixo gerado vai pra Macapá, já que o município de Oiapoque não é contemplado com aterro sanitário. A Mineral utiliza o mesmo contrato do CAF-OIA para destinação dos resíduos gerados em suas embarcações.
III – CONCLUSÃO
Este Relatório apresentou o resumo das avaliações técnicas realizadas em vistorias presenciais pela equipe do IBAMA ao CAF-OIA, CAF-BEL, ao Quarentenário de aves de Belém, a 2 embarcações nearshore (Vit Serv 1 e Santa Maria) e a 2 ambulanchas (Mineral I e Mineral II).
De maneira geral, as estruturas estão bem equipadas e dispõem de equipamentos adequados para as finalidades a que se destinam.
Os ajustes pontuais em determinados recintos apresentados ao longo do documento deverão ser considerados, especificamente aqueles relacionados às piscinas de mamíferos do CAF-BEL, com instalação de rampas de acesso para o animal, e providências tecnicamente adequadas em relação às quinas da piscina, de modo que não causem ferimentos nos animais em reabilitação. Adicionalmente, deverá ser providenciada a separação, por barreira física, dos recintos destinados às tartarugas com e sem fibropapilomas, em ambos os CAFs. Tais ajustes poderão ser viabilizados somente se necessário, pois são de solução relativamente rápida e se justificam especificamente se houver casos reais de pinípedes ou tartarugas com fibripapilomas, raros na região.
No Quarentenário de Belém, mobilizado em função da pandemia de IAAP, foi destacada a necessidade de ajustes que evitem que as aves recirculem entre áreas possivelmente contaminadas e áreas "limpas", criando fluxos independentes para ingresso e egresso das aves e equipes técnicas. Deve-se, ainda, buscar o realinhamento com o SVO local, para que não haja a participação da Petrobras e suas subcontratadas no resgate, manipulação e transporte de aves sintomáticas para IAAP para o interior das instalações sob responsabilidade da empresa, cabendo, no entanto, o apoio técnico qualificado e o estabelecimento de procedimentos em campo para a contenção e destinação destas aves, sob orientação das autoridades sanitárias e ambientais locais.
A empresa deve se atentar para a correta segregação dos resíduos, com comprovação por meio do envio de registro fotográfico.
O Relatório destaca ainda a pertinência da utilização das instalações de reabilitação do CAF-OIA e CAF-BEL mediante celebração de Acordos de Cooperação Técnica entre Petrobras, Mineral, Ambipar e instituições locais, buscando ampliar a capacidade dos estados do AP e PA nas atividades relacionadas ao resgate, reabilitação e soltura de animais aquáticos, parte destes sob ameaça de extinção. A utilização das instalações dos CAF com fauna atualmente depositada em recintos superlotados ou inadequados nesses estados não compromete a capacidade de resposta às emergências das unidades, conforme previsão do PPAF, e promove a capacitação continuada das equipes técnicas prestadoras de serviço para a Petrobras para atuação com a fauna aquática típica da região. A Petrobras deverá se manifestar objetivamente quanto ao atendimento deste item.
As estruturas dos CAF-OIA, CAF-BEL, Quarentenário e embarcações nearshore de atendimento à fauna atenderam as necessidades e especificações estabelecidas no Manual de Boas Práticas para o atendimento do Projeto de Monitoramento de Impactos de Embarcações sobre a Avifauna (PMAVE) e do Plano de Proteção à Fauna (PPAF) da Petrobras para a atividade de perfuração marítima no Bloco FZA-M-59, devendo ser ajustadas as solicitações apresentadas ao longo deste documento, que devem ser encaminhadas ao IBAMA em até 5 dias após a conclusão dos ajustes.
A empresa deverá apresentar as atualizações propostas no PPAF em relação às informações constantes da Revisão 06, aprovada no Despacho Decisório nº 33/2025/Gabin (SEI 23390586).
Por fim, é importante ressaltar que, embora as estruturas e equipes de atendimento tenham sido consideradas adequadas por este Relatório, a efetiva execução do PPAF será avaliada com base nos resultados da Avaliação Pré-Operacional (APO) da atividade solicitada.
Atenciosamente,
| | Documento assinado eletronicamente por CLARISSA CUNHA MENEZES CONDE, Analista Ambiental, em 06/08/2025, às 08:32, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015. |
| | Documento assinado eletronicamente por ANDRE FAVARETTO BARBOSA, Analista Ambiental, em 06/08/2025, às 08:46, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015. |
| | Documento assinado eletronicamente por CINTIA LEVITA LINS DO BONFIM, Analista Ambiental, em 06/08/2025, às 08:52, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015. |
| | Documento assinado eletronicamente por ANA PAULA CAVALCANTE DA CRUZ, Analista Ambiental, em 06/08/2025, às 09:30, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015. |
| | A autenticidade deste documento pode ser conferida no site https://sei.ibama.gov.br/autenticidade, informando o código verificador 24187670 e o código CRC 4B2F7F59. |
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