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INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS

COORDENAÇÃO DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL DE MINERAÇÃO E PESQUISA SÍSMICA TERRESTRE

SCEN Trecho 2 - Ed. Sede do IBAMA - Bloco B - Sub-Solo, - Brasília - CEP 70818-900

 

 

Parecer Técnico nº 135/2025-Comip/CGTef/Dilic

 

Número do Processo: 02001.013862/2025-84

Empreendimento: Projeto Santa Quitéria (PSQ)

Interessado: INB INDÚSTRIAS NUCLEARES DO BRASIL S.A.

Assunto/Resumo: Licenciamento ambiental do Projeto Santa Quitéria (PSQ) - Análise do EIA/Rima.

INTRODUÇÃO

Este parecer apresenta a análise de impactos e de viabilidade socioambiental do Projeto Santa Quitéria (PSQ) – Complexo mínero-industrial na Jazida de Itataia, localizado no município de Santa Quitéria, na região centro-norte do estado do Ceará, onde o fosfato e o urânio são encontrados de forma associada no minério denominado colofanito.

Segundo a FCA nº 148705/2020 de 19/06/2020 (SEI nº 7823729) o empreendimento será constituído por uma mina, duas unidades industriais (Unidade de Fosfato e Unidade de Urânio), uma pilha de estéril, uma pilha de cal e fosfogesso (um subproduto da indústria do fertilizante), além de estruturas de apoio.

O objetivo do PSQ é extrair e beneficiar o minério fosfatado, obtendo-se o ácido fosfórico, usado na produção de fertilizantes e ração animal. Como o minério contém radionuclídeos das séries do urânio (U) e tório (Th), será também instalada uma unidade de purificação para remoção dos elementos radioativos e produção de concentrado de urânio.

A lavra e beneficiamento do minério visam à produção de derivados fosfatados (fertilizantes e produtos para alimentação animal). Como os derivados fosfatados devem estar próprios para comercialização, o PSQ contará também com unidades para remoção de impurezas (urânio, tório, dentre outras) e para produção de concentrado de urânio. A área do projeto alcança os municípios de Santa Quitéria e Itataia/CE.

Dessa forma, este Parecer Técnico tem por objeto a análise do EIA/RIMA, elaborado com base no Termo de Referência Definitivo (SEI nº 10653318; 9375138) e nos apontamentos do Parecer Técnico n.º 148/2022-Comip/CGTef/Dilic (SEI n.º 14359621 e 14372547), bem como nos demais documentos constantes no processo administrativo 02001.014391/2020-17:

Volume I (SEI nº 17842400)

Volume II - A (SEI nº 17842800)

Volume II - B (SEI nº 17842885)

Volume III (SEI nº 17842975)

Volume IV (SEI nº 17843043)

Volume V - I (SEI nº 17843138)

Volume V II - A (SEI nº 17845264)

Volume V II - B (SEI nº 17845915)

Volume V II - C (SEI 17846087)

Rima (SEI n.º 17845558)

Importa registrar que a presente análise se refere às informações e aos dados constantes do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e demais documentos técnicos apresentados no âmbito do processo de licenciamento ambiental em tela, presumindo-se a boa-fé do empreendedor e a responsabilidade da empresa de consultoria que elaborou o referido estudo ambiental, nos termos do que dispõe o artigo 69-A da Lei nº 9.605/1998 e o artigo 82 do Decreto nº 6.514/2008.

Ressalta-se ainda que o processo de análise também inclui considerações advindas das Audiências Públicas realizadas nos dias 11 e 13 de março de 2025, respectivamente no Município de Santa Quitéria/CE e no Distrito de Lagoa do Mato (Itatira/CE).

Esse processo de análise demonstrou a necessidade de complementações ao estudo apresentado, sendo realizada uma breve explanação do problema identificado no item do estudo seguido da solicitação de complementação a ser apresentada.

 

CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO

2.1. FASE DE PLANEJAMENTO 

Estudos Geológico-geotécnicos e Topográficos - Neste item foi feita uma breve descrição da pesquisa mineral realizada até se definir a reserva mineral da Fazenda Itataia (110,9 milhões de toneladas de minério com um teor médio de 7,38% de P2O5). Foi feita a caracterização do material rochoso destinado à pilha de estéril, que não apresenta sulfetos e não apresenta potencial de geração de águas ácidas. Também foram realizados ensaios e análises para determinação da solubilidade dos radionuclídeos em amostras de estéril e rejeito de fosfogesso. Em todos os casos, os extratos lixiviados e solubilizados apresentaram concentrações inferiores ao limite de quantificação laboratorial de modo que não é esperada a liberação dos radionuclídeos para o meio ambiente nas pilhas de estéril e rejeito do PSQ. A pilha de fosfogesso e cal foi classificada como área supervisionada pela CNEN, o que impõe necessidade de monitoramento ao local. Esse monitoramento também permitirá definir tratamentos adicionais, caso sejam necessários.

Estudos Geológico-geotécnicos complementares - Os estudos geológico-geotécnicos complementares envolveram a avaliação da capacidade de suporte dos terrenos previstos para locação das estruturas industriais do beneficiamento, pilha de estéril e pilha de fosfogesso e cal, frente a possíveis presenças de cavidades subsuperficiais ou no seu entorno.

Os estudos também abordam a estabilidade geotécnica dos taludes da cava e dos taludes das pilhas de estéril e de fosfogesso e cal, tanto submetidas a cargas estáticas, quanto a cargas dinâmicas (sismos). A avaliação se deu por Método de Equilíbrio Limite, com fatores de segurança calculados pelos métodos de Spencer e de Morgenstern-Price, tanto no caso de cargas estáticas, quanto para as cargas dinâmicas (método pseudo-estático). Os fatores de segurança foram calculados com utilização do Software Slide2 da Rocscience, sobre seções transversais da cava e das pilhas de estéril e de fosfogesso, sendo apresentados valores satisfatórios quando comparados aos exigidos pelas normas técnicas ou literatura de referência. Ressalta-se que se trata de estudo conceitual, com parâmetros de resistência dos materiais (solo, rocha, fosfogesso, estéril) estimados.

No caso da avaliação da capacidade dos terrenos para suportar as fundações das áreas do empreendimento, foi realizado um estudo conceitual, apontando que as tensões máximas solicitadas são inferiores às tensões resistentes. Porém o estudo considera o meio homogêneo (solo ou rocha), o que desconsidera a eventual presença de cavidades subsuperficiais, bem como a heterogeneidade observada em subsuperfície. Para esses casos, o EIA afirma que a presença de cavidades será avaliada quando da elaboração do projeto básico/executivo, não sendo essa presença um fator limitante, frente à possibilidade de execução de tratamento das feições cársticas com métodos de preenchimento: injeção de calda de cimento e/ou injeção de calda de cimento com bentonita.

Estudos geofísicos realizados no ano de 2016 indicaram a presença de possíveis cavidades naturais oclusas em parte da área prevista para a instalação industrial. Novos estudos geofísicos, realizados no ano de 2021, refinaram os dados obtidos no ano de 2016 e permitiram demonstrar que as anomalias registradas no ano de 2016 são, na verdade, descontinuidades litológicas e estruturas associadas a falhamentos locais, ou descontinuidades regionais, tais como zonas de cisalhamento, de modo que o tratamento proposto deverá ser suficiente para a estabilização do terreno. Caso seja exposta alguma cavidade oclusa durante a implantação das fundações da instalação industrial, as obras deverão ser paralisadas até que seja realizado uma avaliação da cavidade e do seu grau de relevância.

Também há consideração sobre o sistema de impermeabilização da pilha de fosfogesso e cal, ressaltando que será composto de uma camada tripla de proteção e um dispositivo para detecção de vazamentos. A 1ª camada impermeabilizante, constituída por um geocomposto bentonítico (bentonita sódica), possui uma permeabilidade cerca de 100 vezes menor a de uma camada de solo compactado em condições ótimas; a 2ª e 3ª camada são compostas por geomembranas PEAD (Polietileno de Alta Densidade), tendo entre elas um geocomposto drenante para detecção de vazamentos. Deve-se ressaltar que esse sistema estará sob a pilha de fosfogesso e cal, submetido a tensões elevadas que podem comprometer a sua eficácia. Além disso, a pouca espessura desses elementos pode ser fator de fragilidade quanto a deformações e rupturas se submetidos a imperfeições no terreno e/ou recalques diferenciais da pilha. Necessário reavaliar o sistema de impermeabilização esclarecendo a sua eficácia, robustez e durabilidade, considerando os aspectos de tensão elevada, recalques diferenciais e imperfeições no terreno, bem como considerando a necessidade de adicionar uma camada espessa de solo compactado (com coeficiente de permeabilidade adequado), de modo a garantir regularidade no terreno e impermeabilização mais segura e durável.

 

2.2. FASE DE IMPLANTAÇÃO 

Os dados contidos no EIA para os dezesseis itens são claramente apresentados e compatíveis com a etapa de instalação de grandes obras e complexos industriais diversos. Considerando a localização em área totalmente afastada de centros urbanos, as instalações exigem maior grau de complexidade contemplando estruturas como pontos de abastecimento de combustível, alojamentos para os trabalhadores, estação de tratamento de efluentes temporária, gerenciamento de resíduos, entre outros processos apresentados no Estudo.

Foi informado que, durante a implantação do empreendimento, o fornecimento de energia será feito por meio da rede da concessionária de energia elétrica local, utilizando uma Linha de Transmissão de 13,8kV existente, complementada por meio da locação temporária de geradores. Considerando que o uso de geradores implica na queima de combustíveis fósseis, esta equipe técnica solicita que seja verificada a possibilidade de que todo o abastecimento de energia elétrica ao canteiro de obras seja realizado por meio da linha de transmissão já existente.

Chama a atenção o grande volume de água, 1.017 m3/dia, que deverá ser transportado, por meio de caminhões-pipa, para a obra. Conforme o estudo, serão necessárias 51 viagens diárias para suprir toda a demanda. O EIA estimou que cerca de 26 caminhões-pipa farão o trajeto duas vezes ao dia (Página 327, Volume 1, EIA).

Durante a fase de implantação (dois anos e 10 meses), a rota a ser utilizada pelos caminhões será, desde o açude Edson Queiroz, pela rodovia CE 257, CE-168 e CE-366 até o empreendimento (Página 248, Volume 4, EIA). Conforme ilustra o mapa na página 26 do Volume 3 do EIA (reproduzido abaixo), a rodovia CE-168 possui 40 km de estrada não pavimentada, já a CE-366 aproximadamente 20 km.

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Com essas informações, deduz-se que cada caminhão percorrerá um trajeto de aproximadamente 140 km (dos quais 60 km de estrada não pavimentada) quatro vezes por dia (ida e volta, duas vezes). Considerando que um veículo de passeio gasta quase três horas para percorrer esses 140 km, estima-se que cada caminhão levará, só em locomoção, cerca de 12 horas.

Como será discutido de forma mais detalhada ao longo do texto, esta equipe técnica considera inviável o abastecimento de água por caminhões-pipa e, secundariamente por água subterrânea, durante a fase de instalação do Projeto Santa Quitéria, devendo o empreendedor apresentar outra forma para o abastecimento da água.

 

2.3. FASE DE OPERAÇÃO - OPERAÇÕES PRINCIPAIS

2.3.1. INSTALAÇÃO MÍNERO-INDUSTRIAL 

Foi informado que a Lavra do minério será realizada a céu aberto e em cava. A extração será conduzida através de bancadas de até 10 m de altura. A água armazenada na cava será utilizada para sistema de umectação dos arruamentos e das pilhas de minério. A atividade de extração será por meio de escavação mecânica (material classe 3) ou com o uso de explosivos (materiais classe 1 e 2). As operações de lavra se iniciarão com o decapeamento da jazida, através de escavação mecânica, com o estéril sendo encaminhado para a disposição em pilha em forma de bancadas.

A Pilha de Estéril será vizinha à cava, ao norte desta, em área de divisor de águas. O estéril será constituído essencialmente por material rochoso. Para a pilha de estéril também será encaminhado o excedente de terraplanagem a ser gerado durante a fase de implantação do empreendimento. A pilha terá cerca de 130m de altura máxima e ocupará uma área de 56ha. A formação da pilha de estéril será feita em camadas ascendentes, finalizadas com passadas do próprio equipamento de transporte.

Questiona-se se o material oriundo do decapeamento da mina (solo orgânico/topsoil) será encaminhado à pilha de estéril, tendo em vista se tratar de um material nobre e com usos múltiplos, principalmente em projetos de recuperação ambiental.

A Estabilidade da Pilha de Estéril é mencionada apenas como uma relação entre o ângulo de atrito (estimado) e a o ângulo da face para os taludes individuais (ruptura local) e entre o ângulo de atrito (estimado) e o ângulo médio global (ruptura global).

Considerando que há no EIA uma avaliação mais adequada da estabilidade geotécnica não só da pilha de estéril, mas também da cava e da pilha de fosfogesso e cal, esse parece um item descontextualizado.

Foi informado que ainda são necessários estudos complementares para a definição da drenagem interna da pilha de estéril, tais como estudos geotécnicos, estudos hidrogeológicos e sondagens. A drenagem superficial da pilha de estéril será realizada pelas bermas. As drenagens naturais que afluem à área da pilha de estéril serão desviadas. A pilha de estéril será monitorada através de observação visual e por instrumentação geotécnica para identificação de movimento que possa ocorrer.

Está prevista a construção de dois Diques de Contenção de Sedimentos. Um dos diques será construído no talvegue do lado NW da pilha, que se junta com o riacho da Gangorra, e outro no lado SE. Estes diques serão projetados para interceptar o talvegue natural, armazenando provisoriamente as águas pluviais precipitadas na superfície da pilha após escoamento superficial ou após percolação das águas infiltradas, evitando que estas atinjam os cursos d’água locais. A água armazenada nos diques será bombeada para a cava e será consumida na umectação da pilha de estéril, cava e área de britagem. Está prevista a manutenção periódica dos reservatórios, com o material retirado sendo encaminhado à pilha de estéril.

Planta de Beneficiamento Mineral - De forma resumida, foi informado que a rota para o processo de concentração do minério será constituída pelas etapas de britagem, pátio de homogeneização, calcinação e hidratação, e classificação da cal.

Será implantado um sistema de britagem primário e secundário, com os produtos alimentando uma correia transportadora de média distância (aproximadamente 700 m) que ligará a britagem ao pátio de homogeneização. Para minimizar a emissão de particulados, será instalado um sistema de despoeiramento, com filtro de mangas e a umectação da área da britagem.

O minério britado será homogeneizado em duas pilhas, que também constituirão um estoque-pulmão para alimentar a calcinação. Está prevista umectação da pilha e de seus acessos.

Segundo o EIA, uma das fases do beneficiamento do minério será a calcinação, através da qual será feita a descarbonatação do minério através da decomposição térmica do CaCO3 em CaO e CO2. O aquecimento dos calcinadores será feito pela combustão de coque moído gaseificado. Os gases da calcinação passarão por sistema de despoeiramento (ciclones e filtro de mangas) e lavador de gases para controle da emissão de particulados.

A hidratação da cal converterá o CaO em hidróxido de cal pela adição de água, o que possibilitará a separação do cálcio contido no material calcinado. A separação será feita na etapa de classificação em hidrociclones, baseada na diferença granulométrica das partículas. O underflow do último hidrociclone, rico em apatita, será moído e alimentará a Planta de Ácido Fosfórico. O overflow de todos os hidrociclones, contendo cal hidratada, será direcionado para tanque com agitador e alimentará nova classificação em hidrociclones, de forma a obter uma corrente limpa de Ca(OH)2 para ser utilizada na produção de DCP fosfato bicálcico.

Planta de Ácido Sulfúrico - Foi informado que o ácido sulfúrico é um insumo do PSQ utilizado na reação de solubilização do concentrado fosfático para a geração do ácido fosfórico e sulfato de cal hidratado.

O enxofre sólido será recebido por via rodoviária, e armazenado em pilhas. Como ações de controle está prevista a cobertura da carga a granel e a adoção das recomendações descritas na Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos – FISPQ. O pátio sob a pilha de enxofre contará com piso de concreto armado, nivelado, e com o seu fundo direcionado a uma caixa separadora de sólidos. Para minimizar a emissão de particulados na atmosfera, está previsto sistema de umectação da pilha de enxofre, com a água coletada sendo enviada para a Lagoa 2. Não foi informada a destinação do material oriundo da caixa separadora de sólidos, devendo este ponto ser esclarecido pelo empreendedor.

O enxofre será encaminhado ao tanque de fusão onde será fundido e filtrado. Após a filtração, o enxofre será bombeado e armazenado no tanque de enxofre filtrado. Deste tanque, o enxofre líquido será bombeado para o forno de combustão da Unidade de Ácido Sulfúrico e Cogeração. O resíduo da filtração, chamado de borra de enxofre, será ensacado e posteriormente moído e consumido na Unidade de Granulação.

Segundo o EIA, a produção de ácido sulfúrico compreenderá as seguintes etapas:

Esse é um processo exotérmico, com geração de energia. O vapor produzido pela caldeira de recuperação de H2SO4 será superaquecido pela reação de conversão de SO2 a SO3 e alimentará um turbo gerador. O documento estima a geração de 33 MWh de energia elétrica nas Instalações do PSQ.

O ácido sulfúrico produzido será estocado em tanques de 2.500 m3 cada. A área de estocagem e carregamento estará toda contida em dique de contenção com piso impermeabilizado. Eventuais vazamentos ou drenagens de linhas para manutenção serão direcionados para um sump e depois para a neutralização. Após neutralização, o efluente será encaminhamento para a Lagoa 2.

Planta de Ácido Fosfórico - O EIA explica que o ácido fosfórico será um produto intermediário e será utilizado na produção de fertilizantes e fosfato bicálcico. A produção de ácido fosfórico se dá pela solubilização do concentrado fosfático com ácido misto (fosfórico e sulfúrico) gerando-se ácido fosfórico e sulfato de cálcio hidratado, que pode se precipitar na forma di-hidrato ou hemi-hidrato. Foi informado que a rota definida para o projeto será a hemi-hidrato, que tem como vantagens a geração de sulfato de cálcio capaz de imobilizar radionuclídeos e menor consumo de água. O gesso hemi-hidratado irá absorver água durante a estocagem, ficando então emblocado.

Há três etapas básicas no processo de produção de ácido fosfórico:

Para o consumo na Unidade de Acidulação de Fosfato Bicálcico, o ácido passará ainda por uma etapa de desfluorização e dessulfatação antes da concentração.

O ácido fosfórico produzido e o ácido fluossilícico utilizado na produção do ácido fosfórico serão estocados em tanques de 2.500m3. Todos os tanques de ácido fosfórico estarão contidos em um dique de contenção. O piso será impermeabilizado e potenciais vazamentos ou drenagens de linhas para manutenção serão acumulados em um sump e bombeados de volta para o sistema de reação da Planta de Ácido Fosfórico. Mesmo a água de chuva poderá ser reaproveitada no processo, porém, eventuais excedentes de água de chuva serão direcionados para a lagoa 2, para reuso no processo. Não foram apresentadas as medidas de contenção para o tanque de ácido fluossilícico ou se este estará em local já contemplado por alguma outra medida de contenção.

O EIA informa que o fosfogesso será misturado à cal hidratada, aos finos do despoeiramento da britagem da rocha e com a torta de impurezas do ácido fosfórico e será encaminhado à área destinada à Pilha de Fosfogesso por meio de correias transportadoras. A disposição na pilha será feita por meio de caminhões e tratores de esteira.

Foi dito que a mistura de fosfogesso hemi-hidratado e cal com 30% de umidade dá origem a um material insolúvel, empedrado, não havendo potencial de erodibilidade, fato favorecido pela cimentação química que ocorre na superfície do fosfogesso. Ressalta-se que todo material tem potencial de erodibilidade, sendo este maior ou menor, a depender do tipo de material, do agente de intemperismo e do tempo.

Embora não tenha sido explicitado no EIA, presume-se que a escolha da cal hidratada para ser misturada ao fosfogesso hemidratado seja tanto para fornecimento de água para o fosfogesso, como também por suas características aglomerantes, uma vez que o seu endurecimento se dá pela absorção do gás carbônico presente no ar que transforma a cal hidratada de volta em carbonato de cálcio (https://pt.wikipedia.org/wiki/Cal).

Com base no exposto, depreende-se que o material resultante será uma mistura entre fosfogesso dihidratado (CaSO4.2H2O) e carbonato de cálcio (CaCO3), dois materiais com dureza baixa (2 e 3 respectivamente). Deste modo, questiona-se a informação apresentada de que o material encaminhado à pilha de fosfogesso não apresenta potencial de erodibilidade.

Questiona-se, também, se a reação entre o fosfogesso hemi-hidratado e a cal hidratada provocará expansão ou contração do material. Considerando a informação apresentada no EIA de que o endurecimento do material ocorrerá de forma rápida, sendo, inclusive, aventada a hipótese do uso de retardantes, se houver expansão ou contração do material durante o seu endurecimento, pode haver a formação de fraturas, que se tornam locais preferenciais para a entrada de água na pilha, favorecendo a sua erosão ou mesmo o intemperismo do material.

Considerando que a disposição do material na pilha será feita por, entre outros equipamentos, tratores de esteira, e considerando que a dureza dos compostos que compõem o material disposto na pilha (fosfogesso e carbonato de cálcio) é baixa, presume-se que o vai e vem dos tratores de esteira possa danificar a porção superior das camadas, o que por sua vez pode levar a dispersão de material pela ação do vento ou mesmo a chuva. Solicita-se manifestação do empreendedor quanto a esta possibilidade e quais medidas de controle podem ser adotadas.

Foi informado que a pilha de estocagem de fosfogesso e cal será construída de forma ascendente, da mesma forma que a pilha de estéril. O material será espalhado em camadas, para formar os bancos com altura individual de 10 m. A geometria da pilha será controlada com levantamentos topográficos, garantindo a inclinação dos taludes projetada. Considerando que a pilha de fosfogesso e cal foi dimensionada para toda a vida útil do empreendimento, questiona-se se as camadas basais da pilha de fosfogesso suportarão toda a carga das pilhas superiores ao longo do tempo, não havendo a possibilidade de fraturamento ou mesmo o colapso destas.

Planta de Fertilizantes - Nesta planta serão produzidos os fertilizantes Superfosfato Triplo (TSP) pó e o fertilizante granulado.

A Planta de Fertilizantes contará com uma Unidade de Recepção e Estocagem de Rocha Fosfática livre de radionuclídeos, necessária para a fabricação do fertilizante, e do filler (calcário ultrafino) a ser utilizado na granulação. Esta unidade também contará com um moinho de bolas, onde a rocha fosfática sem radionuclídeos será moída para uso posterior.

A produção do fertilizante Superfosfato Triplo (TSP) será pelo processo Run of Pile, na qual a rocha fosfática moída com 36% de P2O5 e ácido fosfórico concentrado a 50% de P2O5 reagem em um reator tipo Kuhlmann, dotado de misturador e correia de reação. Após saída do reator, o material será encaminhado para armazém de cura e posteriormente será encaminhado para beneficiamento na planta de granulação ou carregamento para expedição. Os gases gerados nesse processo serão lavados com recuperação do flúor e particulados.

A Unidade de Granulação granulará superfosfato triplo pó, com a adição de micronutrientes como Zinco, Cobre, Boro e Manganês, além de filler. As matérias primas serão alimentadas no granulador rotativo por meio de moegas de dosagem, juntamente com ácido fosfórico concentrado a 50% P2O5. Posteriormente o granulado será seco e transferido para um resfriador, para então ser encaminhado para estocagem em silos de carregamento. Os gases produzidos serão encaminhados para um lavador de gases tipo venturi, com a água de lavagem sendo reciclada no granulador.

Planta de Fosfato BicálcicoO fosfato bicálcico é uma fonte de fósforo inorgânico, proveniente da reação de ácido fosfórico e fonte de cálcio. No PSQ, a produção do fosfato bicálcico será feita através da reação de cal hidratada + ácido fosfórico com geração de fosfato bicálcico e água, de modo a se utilizar a cal hidratada gerada na planta de beneficiamento mineral.

Segundo o EIA, a reação entre a polpa de cal hidratada e o ácido fosfórico desfluorizado será realizada em um reator tipo Khullman. A polpa que sairá do reator será descarregada em uma correia de reação. No final da correia, será encaminhado para um secador rotativo e colocado um equipamento degrumador rotativo para desagregar. O produto seco alimentará unidade de moagem e classificação. Foi informado que a granulação do produto moído será realizada em um equipamento “eirich mixer”. Após a granulação, o material será enviado para um circuito de secagem e peneiramento.

O fosfato bicálcico pó será estocado em big bags num armazém. Um segundo armazém estocará o aditivo utilizado na granulação do bicálcico, as embalagens de big bag e o sulfato de amônio.

Efluentes e Resíduos da Instalação Mínero – Industrial - As fontes de efluentes e resíduos gerados no instalação mínero-Industrial foram apresentadas no item 9.5.2.8. Descreve-se as efluentes líquidas, as emissões atmosféricas e os tipos de resíduos associados ao processo, bem como os métodos que serão utilizados para controle e tratamento.

Compõe as correntes líquidas: purgas das torres de resfriamento da produção de ácido sulfúrico, cogeração e produção de ácido fosfórico juntamente com as drenagens pluviais. Todas serão encaminhadas às lagoas do sistema fechado de efluentes líquidos, para recirculação.

Os materiais e finos que formam as emissões atmosféricas serão tratados em equipamentos apropriados, de acordo com o ponto de geração: filtros de manga, ciclones, torres de absorção e lavadores de gases. A destinação será dada conforme a natureza de cada corrente: sólidos, retornarão ao processo e líquidos: serão encaminhados para as lagoas que compõem o sistema fechado de efluentes e recirculação.

Os resíduos sólidos, decorrentes do processo produtivo foram listados no quadro 9.5-8: estéril, cal hidratada, finos da britagem, fosfogesso, precipitado de impurezas e sílica. Para cada um dos materiais foi apresentado a destinação final, sendo basicamente a pilha de fosfogesso e a pilha de estéril.

Os conceitos para tratamento e destinação de efluentes e resíduos seguem a metodologia aplicável à processos industriais. Técnicas de recirculação de correntes e tratamento de efluentes líquidos em sistema fechado contribuem para um melhor aproveitamento dos recursos naturais e evitar destinação final no meio ambiente. No entanto, é importante lembrar que tal método exige controle rígido das diversas de etapas do processo. Assim sendo, os programas ambientais a serem implantados para operação da planta devem prever indicadores que evidenciem o atendimento aos parâmetros legais aplicáveis.

 

2.3.2. INSTALAÇÃO DE URÂNIO

Foi informado que a Instalação de Urânio compreende os seguintes processos de produção do concentrado de urânio:

  • Unidade de Extração de Urânio;

  • Unidade de Precipitação de Urânio;

  • Unidade de Preparação de Reagentes;

  • Unidade de Descontaminação de Urânio em Águas Ácidas.

Também foi informado que nesta instalação será realizada a remoção do urânio contido no ácido fosfórico, oriundo da Instalação Mínero-industrial, através do processo de extração por solvente, além da precipitação, secagem e calcinação do urânio, na forma de óxido de urânio.

O EIA traz, então, uma descrição dos estudos que levaram à definição da tecnologia para a extração do Urânio, bem como uma descrição detalhada das etapas de extração do urânio.

Geração de Efluentes Líquidos e Gasosos e Resíduos na Instalação de Urânio - A planta de remoção de urânio, como qualquer processo industrial de purificação, terá efluentes líquidos, originadas na etapa de extração por solvente; resíduos sólidos na forma de itens contaminados e não contaminados e emissões atmosféricas na forma de gases com CO2 e NH3, associadas ao processo de descomplexação e precipitação de urânio.

As características das duas correntes líquidas: solução de ácido oxálico e água ácida, foram apresentadas no quadro 9.5-15. Lista-se 24 elementos que, em alguma medida, espera-se presentes. Sendo o maior componente o Fe (1048,68 ppm), seguido de Al (164,13ppm), Mo(11,68ppm) e Zr (17,7ppm) presentes na solução de ácido oxálico, cuja vazão de 19,0m3/h terá como destino a reutilizado na planta de ácido fosfórico.

Quanto às águas ácidas, que contém Fe (18,61 ppm), Al (75,53 ppm) e SO4 (5,91ppm) serão encaminhadas para Unidade de Descontaminação de Urânio em Águas Ácidas, juntamente com as águas servidas, provenientes dos diversos usos dentro da instalação. Informa-se que após tratamento esse efluente será utilizado na preparação de reagentes ou encaminhado à lagoa 3. Dessa forma pretende-se reutilizar todo o efluente líquido na própria instalação de beneficiamento de Urânio.

Embora o quadro 9.5-15 liste 24 elementos, apenas cinco foram indicadas com presentes na solução de ácido oxálico e três na corrente de água ácida. Solicita-se que seja confirmado que os demais elementos não foram detectados pelos métodos de análise aplicáveis, ainda que presentes em traços, e que tal situação não compromete a destinação pretendida.

A metodologia proposta para o gerenciamento dos resíduos sólidos associados à instalação de Urânio parte da segregação dos materiais em itens contaminados e não contaminados. Em princípio, todos os equipamentos e acessórios utilizados na unidade estão contaminados, porém após um processo de descontaminação poderão ser reclassificados. Informa-se que destinação final de tais itens estará sujeito à prévia avaliação e autorização da CNEN.

Os efluentes gasosos são originados em dois pontos do processo: etapa de descomplexação e precipitação de urânio, arrastado junto com os gases CO2 e NH3 e no processo final de secagem e embalagem do peróxido de urânio. A corrente gasosa será tratada por meio da lavagem dos gases, arrastando-se o urânio para a fase líquida que será recirculada. O controle da etapa de secagem utilizará ciclones, filtros de mangas e filtro absoluto. O EIA informa que tais equipamentos serão dimensionados para garantir eficiência de coleta superior a 99,9% para partículas maiores que 0,1 μm.

Por fim, informa-se que foi encaminhado à CNEN, em junho/ documento contendo uma modelagem empregada para a avaliação dos possíveis impactos radiológicos relativos aos efluentes atmosféricos que serão gerados pela Instalação de Urânio do PSQ. Este documento encontra-se atualmente sob avaliação da CNEN.

As métodos e técnicas selecionados para o controle das emissões atmosféricas são comuns à tipo de processo produtivo, no caso em tela existe o agravante, representado pela presença de elementos radioativos. Cabe à CNEN avaliar a ocorrência de impactos radiológicos, porém, independente de tal análise, é fundamental que o programa ambiental que trata do monitoramento da qualidade do ar ateste, com dados de ensaios de campo, que a qualidade do ar nas comunidades do entorno, fora da área da fazenda Itataia, não serão comprometidas.

Tendo em vista que o licenciamento da Instalação Nuclear é de competência da CNEN, não foi feita aqui a análise aprofundada deste item, ainda mais considerando que a CNEN já aprovou a rota tecnológica de extração do urânio por meio da Nota Técnica nº 13/2022/CGRC/DRS (página 208 – Volume V – Anexo I – SEI 17843138) e emitiu a autorização para “Posse, Uso e Armazenamento de Minérios, Matérias-Primas e demais Materiais contendo Radionuclídeos das Séries Naturais do Urânio e/ou Tório em Instalações Mínero-Industriais”.

 

2.3.3. OPERAÇÕES AUXILIARES DA FASE DE OPERAÇÃO

Neste item, o EIA traz informações sobre as estruturas de apoio necessárias ao funcionamento do processo produtivo. Informa que algumas estruturas implantadas durante a fase de instalação, deverão ser aproveitadas, tais como portarias, balança, atendimento a motoristas, escritório central, ambulatório médico, vestiário, oficina, almoxarifado, refeitório, laboratórios e o estacionamento. Em seguida, o EIA traz uma descrição suscinta das estruturas de apoio a serem utilizadas durante a fase de operação do empreendimento.

Dentro deste item, foi informado que os resíduos contaminados por óleos e graxas oriundos das oficinas e do posto de combustível serão armazenados em tambores de 200L e encaminhados para aterros Classe I existentes na região. Solicita-se que sejam listados os aterros Classe I existentes na região e qual a sua distância para o empreendimento.

 

2.3.4. TRANSPORTE DE INSUMOS E PRODUTOS NA FASE DE OPERAÇÃO

Os itens Logística do Transporte de Insumos e Produtos no PSQ e Transporte de Insumos tratam da logística e transporte de insumos para o PSQ e de produtos do PSQ para o consumidor final. Nesses itens foram informadas as principais rotas de transporte, os volumes dos produtos a serem transportados e que o empreendedor otimizará as demandas de transporte de insumos e produtos através de operações casadas (um caminhão levando um insumo para o PSQ volta com produto), reduzindo o trânsito de caminhões vazios. Segundo o informado, somente 9% do frete será descasado. Porém, a maior parte dos insumos não é compatível com a logística de produtos produzidos no PSQ, dadas as características de produtos perigosos e os tipos de veículos próprios de cada produto. Esse percentual foi superestimado ao somar na contagem a logística de produtos agrícolas, como pode ser observado nas rotas apresentadas na figura 9.6-3 (página 462 – Volume I) que não fazem parte nem dos insumos nem dos produtos produzidos pelo PSQ.

O quadro 9.6-2 (página 463 – Volume I) traz a previsão do volume de insumos a ser consumido por ano, sua origem, o tipo de transporte, capacidade média do transporte e o número de caminhões/ano necessários para o seu transporte. Observa-se que não consta nesse quadro o transporte de explosivos, que demanda 96 caminhões de explosivos bombeados por ano com escolta armada. No território nacional a normatização e controle de explosivos, incluindo o transporte, são atribuições do Exército Brasileiro, por meio do Departamento de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC), portanto caberá a esse órgão emitir as devidas autorizações mediante análise de documentos específicos do projeto.

O mapa 9.6-1 (página 467 – volume I) deve ser reapresentado em escala adequada, uma vez que o mapa presente no EIA não permite a visualizar se há previsão de uso de estradas carroçais do entorno do empreendimento.

Ressalta-se que não foi discutida a qualidade das rodovias de acesso ao PSQ. Destaca-se a necessidade de compatibilização da qualidade da malha viária com as demandas do transporte de insumos do empreendimento, devendo este ponto ser apresentado pelo empreendedor.

Distribuição de Produtos do PSQ - Neste item o EIA informa a quantidade de produtos finais a serem produzidos pelo PSQ. Também informa que a expedição destes produtos será realizada totalmente por via rodoviária. Para os fertilizantes granulados, a expedição será a granel em caminhões de 40 ou 60 toneladas, conforme a demanda do cliente. O fosfato bicálcico será expedido em big bags de 500kg ou 1t e despachados por meio de caminhões. O urânio será acondicionado em contêineres e encaminhado para o Porto do Pecém e depois enviado para o processamento do concentrado de urânio no exterior.

O quadro 9.6-3 (página 467 – Volume I) traz a previsão do volume dos produtos a serem produzidos por ano, o tipo de transporte, capacidade média do transporte e o número de caminhões/ano necessários para o seu transporte.

Comparando-se o quadro 9.6-2, referente aos insumos, com o quadro 9.6-3, referente aos produtos finais, questiona-se a afirmação apresentada no item Transporte de Insumos, de que “a maioria das operações de transportes seria casada”, uma vez que o meio utilizado no transporte dos produtos (basicamente caminhões graneleiros e carreta porta container) difere significativamente do meio utilizado no transporte dos insumos (caminhão toco, caminhão trucado, caminhão basculante e caminhão tanque), devendo este ponto ser esclarecido pelo empreendedor.

Outrossim, constata-se disparidade entre a Logística do Transporte de Insumos e Produtos do PSQ apresentado na Figura 9.6-3 (página 762 – Volume I) e o mapa da página 468 (Volume I), que trata do mesmo assunto. Enquanto na figura 9.6-3 tem-se até a utilização de navegação de cabotagem no litoral do Nordeste e interior do estado do Pará e distribuição dos produtos para o interior do estado do Pará e norte do estado do Mato Grosso, com os insumos sendo provenientes exclusivamente da região Nordeste; o mapa da página 468 restringe o transporte ao meio rodoviário, não havendo transporte de produtos para o interior do Pará e norte de Mato Grosso e parte dos insumos seria proveniente da região Sudeste, em especial o estado de São Paulo. Este ponto deve ser esclarecido pelo empreendedor.

Transporte de Urânio - Este item traz inicialmente as normativas que regulam as operações de transporte de materiais nucleares no Brasil, e informa sobre a existência de planos de resposta a eventos de segurança nuclear que envolvem diversos órgãos de segurança pública.

Em seguida, é apresentado, de forma resumida, o acondicionamento do urânio em tambores e contêineres; o monitoramento desses contêineres de modo a verificar os níveis de radiação; o transporte até o Porto do Pecém, com a provável rota a ser utilizada; a equipe de segurança associada, constituída por representantes da INB, órgãos de segurança pública do estado do Ceará, Polícia Rodoviária Federal, entre outros; e a equipe responsável pela segurança da carga no interior do Porto do Pecém. Por fim, informa que planos específicos visando o transporte do material radioativo serão apresentados para aprovação e autorização dos órgãos reguladores, no caso o Ibama e a CNEN.

Ressalta-se a necessidade de elaboração de um Plano de Transporte para o transporte rodoviário do material radioativo e que este deverá ser objeto de aprovação futura por parte da CNEN quanto ao seu caráter radiológico e do Ibama para avaliação/aprovação das questões ambientais associadas.

 

2.3.5. OPERAÇÕES DE CONTROLE DA QUALIDADE AMBIENTAL NA FASE DE OPERAÇÃO

O controle da qualidade ambiental para a fase de operação, englobando toda a unidade foi detalhado no item 9.7. Descreve-se o manejo e destinação de resíduos sólidos, controle de emissões atmosféricas, vibrações e ruídos, drenagens e controle de sedimentos, sistema de combate a incêndios e insumos utilizados na fase de operação.

Circuito de recirculação de águas e efluentes - O Item 9.7.1 descreve o circuito de recirculação de águas e efluentes do complexo mínero-industrial, informa-se que o tratamento de efluentes líquidos tem como conceito basilar o lançamento zero, ou seja, as correntes líquidas caracterizadas como “efluentes” geradas em todas as fases do processo serão tratadas e, conforme a qualidade final e os limites técnicos e normativos, serão reutilizadas no próprio processo produtivo ou na umectação de vias e outros usos menos nobres.

Os efluentes líquidos são originários de purga das torres de resfriamento da planta de sulfúrico, cogeração e fosfórico; purgas dos sistemas de tratamento de água e desmineralização. Tais correntes e as drenagens pluviais com potencial de contaminação, serão direcionados para quatro lagoas (1, 2, 3 e 5) que compõem o circuito fechado. As vazões de contribuição e as origens e destinos foram apresentadas no Quadro 9.7-2 (vol.I, p.480).

Foram descritas cada uma das seis lagoas que compõem o sistema fechado de efluentes, acompanhado de um fluxograma ilustrando de todo o circuito (Figura 9.7.1) é possível inferir que as entradas e saídas de cada uma das lagoas foi selecionada de modo a direcionar o reuso conforme as características químicas de cada corrente, dando o melhor destino possível. Tal arranjo possibilita maximizar o reuso e consequentemente, reduzir a demanda por água tratada para o processo. Com a constante recirculação entre as unidades de processo e as lagoas do sistema de reuso, espera-se que a estação de tratamento de efluentes industriais opere com carga reduzida ou sob condições específicas, a exemplo de períodos de estiagem.

Concluindo a apresentação das estruturas que compõem o sistema de tratamento de efluentes líquidos foi descrito o sistema de separação água-óleo (CSAO), para onde serão direcionadas as correntes líquidas geradas nas áreas de manutenção mecânica, lavagem de máquinas, equipamentos e veículos, descarregamento, armazenamento e abastecimento de combustível e manuseio de óleo lubrificante. O efluente tratado nas caixas separadoras água-óleo serão integradas ao sistema de recirculação interna por meio da lagoa 2. Por outro lado, a borra oleosa, classificada como resíduo sólido perigoso, será acondicionada em tambores e encaminhada ao depósito intermediário de resíduos.

Os efluentes líquidos sanitários serão tratados em Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) por método biológico e quando especificado, integraram o circuito de recirculação para reaproveitado na Planta de Fertilizantes e/ou Fosfórico, via lagoa 3.

Em uma planta industrial são instalados diversos equipamentos que por sua natureza, estão sujeitos a vazamentos. No caso do complexo em questão tem-se sistemas de lavagem de gases, reatores do ácido fosfórico, tancagens produtos químicos. Nesse sentido, como proteção específica, está prevista a instalação de bacias de contenção dotados de sistema de bombeamento que possibilitará a transferência e recolhimento de material em caso de vazamentos, prevenido a contaminação ambiental.

Manejo e destinação de resíduos sólidos - Os resíduos sólidos associados à etapa de operação do complexo mineiro-industrial são decorrentes da lavra do minério: pilha de estéril e os gerados no processo de beneficiamento: fosfogesso e cal, os quais foram caraterizados no item 9.7.4.1.

Além destes, são esperados diversos outros resíduos, comuns a todos os processos industriais, a exemplo de matéria orgânica, plásticos, metais, vidros, madeira, lâmpadas, óleo lubrificantes, cabos e fios elétricos etc. A lista completa dos materiais foi apresentada no quadro 9.7.3, com as devidas classificações e proposta de destinação final.

Para o gerenciamento e destinação informa-se que serão instalados Depósito Intermediário de Resíduos (DIR) em todas as áreas do complexo industrial e uma Central de Materiais Descartáveis (CMD) de onde serão formados lotes para destinação final. A metodologia de gerenciamento de resíduos bem como os métodos de controle é detalhada no Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.

Registra-se que os materiais decorrentes da instalação de urânio, serão segregados em depósitos específicos dentro da área controlada e direcionados aos depósitos intermediários, submetidos a descontaminação e controle da CNEN, para destinação final.

A metodologia proposta para o gerenciamento dos resíduos é usual e compatível com o tipo de instalação além de ser objeto de programa específico a ser aprovado nas fases subsequentes do processo de licenciamento ambiental. No que se refere aos resíduos gerados e manuseados na área de concentração de urânio, deve-se atender ao determinado pelo CNEN, conforme preconiza a legislação aplicável ao caso.

Controle de Ruídos e Vibrações - Os ruídos e vibrações indicados para a fase de operação são de natureza semelhante aos descritos para a fase de instalação, detonações por explosivos, movimentação de máquinas e veículos e operação dos equipamentos.

Informa-se que as ações de controle têm como alvo as populações residentes em áreas vizinhas ao empreendimento, uma vez que o controle voltado ao trabalhador é estabelecido no âmbito da segurança do trabalho. As ações de controle propostas para os dois casos são definidas conforme a regulamentação do tema.

No caso de vibrações cita-se a Norma Regulamentadora de Mineração NRM 16, publicada pelo Ministério das Minas e Energia (MME) que determina o limite máximo de vibração no solo decorrente de detonações nas obras civis e arredores. Assim sendo, com o objetivo de cumprir tais exigências o Estudo declara que a execução das detonações será realizada por empresa especializada e habilitada pelo Exército Brasileiro, para tal fim.

A principal ação para controle de ruído é, sempre que possível, a redução e isolamento das fontes. Com vistas a atender à regulamentação sobre o tema, informa-se que as medidas de controle são iniciadas no momento de contratações ou aquisições de equipamentos, optando-se por máquinas e sistema que tenham uma menor emissores de ruídos.

A premissa adotada de redução e isolamento das fontes de ruído é compatível com o que preconiza a boa prática da higiene ocupacional e corretamente aplicável no âmbito d segurança do trabalho. Porém, no que se refere às populações do entorno o que deve ser evidenciado é a manutenção dos níveis de ruído o mais próximo possível da condição de antes da implantação do empreendimento, respeitando os limites estabelecido pela regulamentação vigente. Assim sendo, sugere-se que seja monitoradas os aglomerados populacionais localizados no entorno do empreendimento de modo a evidenciar e tornar público as condições reais de ruído nas localidades durante a operação do empreendimento.

Controle de Emissões atmosféricas - As emissões atmosféricas geradas no complexo mínero-industrial têm duas naturezas. O primeiro grupo representado por compostos químicos gerado nas etapas do processo, a exemplo de fluoretos, CO2, óxidos de enxofre e material particulado. Um segundo grupo formado por emissões fugitivas e partículas geradas pela lavra, pela circulação de veículos, pelo transporte de material em correias transportadoras, nos pontos de transferência de material, na estrutura de britagem, as pilhas de estoque em geral e na pilha de estéril. O quadro 9.7-5 descreve tais correntes seus locais de origem e os equipamentos que serão utilizados para controle. A figura 9.7-10 apresenta a localização das fontes fixas das emissões citadas.

O controle de tais emissões é realizado por meio de equipamentos apropriados e dimensionados para tal fim, a exemplo de lavadores de gases e filtros manga e ciclones, os quais foram descritos com parte do processo industrial.

Informa-se que os controles e acompanhamentos do sistema terão como referência a Resolução CONAMA nº 382/2006.

Em plantas mínero-industriais, o controle das emissões atmosféricas é uma etapa essencial para garantir a conformidade legal, proteger a saúde dos trabalhadores e mitigar os impactos ambientais. Dentre os poluentes gerados, destacam-se partículas sólidas em suspensão (material particulado), gases ácidos e compostos voláteis oriundos tanto do processo industrial quanto das etapas de extração do minério. Para o controle eficaz desses poluentes, são empregados diversos equipamentos de controle de emissões, com destaque para os lavadores de gases, os filtros de manga e os ciclones.

Os ciclones são separadores centrífugos utilizados como primeira etapa de controle de material particulado grosso. Seu princípio de funcionamento baseia-se na força centrífuga, que promove a separação das partículas mais pesadas do fluxo gasoso. Estas partículas são coletadas por inércia e decantam no fundo do equipamento, enquanto o ar limpo é direcionado para a próxima etapa de tratamento. Os ciclones apresentam boa eficiência para partículas acima de 10 micrômetros e possuem a vantagem de baixa manutenção e operação contínua em ambientes industriais severos.

Os filtros de manga são equipamentos de alta eficiência na retenção de partículas finas, podendo atingir taxas de remoção superiores a 99%. O sistema opera com a passagem dos gases por mangas filtrantes, geralmente feitas de tecido sintético, onde o material particulado é retido na superfície das mangas. Periodicamente, um sistema de limpeza por jato reverso de ar comprimido remove as partículas acumuladas, que são então encaminhadas para descarte ou reaproveitamento. Os filtros de manga são amplamente aplicados em processos secos, como nas operações de moagem e transporte de minerais pulverizados, entre outros.

Já os lavadores de gases, conhecidos também como scrubbers, são utilizados para o controle de poluentes gasosos e, em alguns casos, também para partículas finas. O processo envolve a passagem do fluxo de gases por uma corrente de líquido, geralmente água ou soluções reagentes, promovendo a absorção ou neutralização dos contaminantes. Esses equipamentos são particularmente indicados para processos que envolvem gases ácidos, como dióxido de enxofre (SO₂), fluoretos e cloretos.

A aplicação integrada de ciclones, filtros de manga e lavadores de gases constitui uma solução amplamente utilizada para o controle das emissões atmosféricas em plantas mínero-industriais. Para garantir a eficácia do sistema integrado são fundamentais a escolha e o dimensionamento adequados dos equipamentos, a execução de bom plano de manutenção e monitoramento contínuo das emissões, por meio de um programa de acompanhamento da qualidade do ar.

Drenagens - O Estudo descreve os sistemas de drenagem que serão instalados tanto nas áreas abertas quanto na própria planta nero-industrial. Dentre as estruturas apresentadas, destacam-se valas, canaletas, caixas de passagens, travessias com bueiros e descidas d’água.

Foram descritos os destinos das correntes de drenagem especialmente aquelas geradas no perímetro da área industrial, que, por ser classificada com corrente contaminada, serão destinadas ao sistema fechado de tratamento de efluentes, permitindo seu reuso.

A drenagem em uma planta de mineração é fundamental para garantir a segurança operacional, a estabilidade geotécnica e o controle ambiental. Os sistemas de drenagem são projetados para coletar, conduzir e, quando necessário, tratar as águas pluviais, minimizando riscos de erosão, contaminação e alagamento.

O texto apresentado descreve em linhas gerais o conceito que será aplicado para detalhar os sistemas de drenagens para as próximas fases do empreendimento, incluindo as áreas edificadas das Instalações nero-industrial e de urânio, vias de acesso, áreas de atividades ao ar livre (áreas de estoque), pilha de fosfogesso e cal (canal periférico) e pilha de estéril (drenagem superficial e de fundo), assim como a área da cava (instalada de acordo com a evolução da atividade de extração).

O Estudo não esclarece como será a drenagem das águas oriundas do rebaixamento do lençol freático, no momento em que houver a interceptação do nível d’água pela evolução do nível de exploração na cava. Considerando que se trata potencialmente de vazões elevadas; considerando características da água quanto à presença de elementos radioativos; e considerando que essas águas não podem ser lançadas nos corpos hídricos naturais, faz-se necessário esclarecer o seguinte: forma como se dará o rebaixamento do lençol freático (sistema de bombeamento); cálculo da máxima vazão explotada; destinação das águas explotadas, compatível com os valores da vazão, caráter contínuo do bombeamento e volumes gerados; tratamento das águas sob aspectos de qualidade.

Sistema de Combate a Incêndios - Conforme é praxe em todas as instalações industriais, está prevista a implantação de sistema de combate a incêndios para toda a planta. A aprovação de tal sistema é de responsabilidade do Corpo de Bombeiros do Estado do Ceará.

Insumos para a fase de operação - Foram listados todos os insumos necessários para o funcionamento do processo, incluindo quantidades, tipo de modal de transporte e número de caminhões por ano que serão necessários para suprir a planta.

Chama atenção o grande número de viagens de caminhão que serão necessárias para suprir a demanda do complexo mínero-industrial. Considerando apenas os quatro insumos mais significativos (quadro 9.6-2, (Vol.I,pg.465), coque de petróleo e enxofre, rocha fosfática e filler tem-se um total de 24.699 viagens de caminhão por ano, para atender ao processo. Tal situação configura-se enorme pressão sobre o sistema viário da região, além de impacto sobre a qualidade do ar. Desta forma deve-se solicitar apresentação de esclarecimentos e proposta de medidas para minimizar tal impacto.

 

2.3.6. INSUMOS PARA A FASE DE OPERAÇÃO

Neste item, o EIA traz uma lista dos insumos necessários para a operação do empreendimento, tais como água, combustíveis, explosivos, energia elétrica, solventes orgânicos, peróxido de hidrogênio, ácido oxálico, entre outros.

Dos insumos previstos, o mais crítico é a Água, uma vez que o empreendimento se localiza em região semi-árida.

O EIA informa que o abastecimento de água será feito por meio de um Sistema de Adução a ser implantado pela Secretaria de Recursos Hídricos do Estado do Ceará, com aproximadamente 65km de extensão, interligando o açude Edson Queiroz ao PSQ e as comunidades Riacho das Pedras, Morrinhos e Queimadas. A água será encaminhada para o reservatório de água bruta (Lagoa 6) do PSQ e de lá distribuído internamente por meio de uma rede interna de distribuição.

Informa, também, que a demanda possui Outorga de Direito de Uso de Água Federal Nº 100712/2022, emitida pela SRH para o PSQ em 30/05/2022, com validade até 30/5/2032, para a captação de água no açude Edson Queiroz e que a adutora possui a Licença de Instalação – LI nº 112/2022, emitida pela Secretaria de Recursos Hídricos em 21/10/2022, com validade até 20/10/2027. Por fim, reitera informação apresentada em Memorando de Entendimentos assinado entre o Governo do Estado do Ceará e o Consórcio Santa Quitéria de que o Estado envidará esforços de disponibilizar em tempo hábil a infraestrutura de abastecimento de água para o empreendimento. No documento, nada se fala sobre abastecimento de água para as comunidades.

Embora o estudo informe que a LI nº 112/2022 fora emitida em 21/10/2022 (Página 3.607, SEI 17843138), o sistema adutor ainda não foi construído, causando incertezas quanto ao fornecimento de água ao empreendimento. Outrossim, o objeto desta LI expressamente diz que a adutora seria para abastecimento de água somente para as comunidades de Queimadas, Morrinhos e Riacho das Pedras. Inclusive, para este objetivo (satisfação das necessidades de pequenos núcleos populacionais, distribuídos no meio rural) independe de outorga (art. 12, §1º, inciso I da Lei nº 9.433/97 - PNRH).

Não há qualquer menção ao Projeto Santa Quitéria na LI. A Licença ainda menciona em sua condicionante número 4: “A manifestação favorável da presente licença não obsta a SEMACE de posteriores restrições ou indeferimento do projeto apresentado, considerando suas peculiaridades e seu desatendimento à legislação pertinente”.

Considerando que em Audiências Públicas foram suscitados questionamentos sobre eventual existência de competência da Agência Nacional de Águas - ANA, para concessão da outorga para o empreendimento, é pertinente observar que aquela agência delegou ao Estado do Ceará competência para outorga preventiva e de direito de uso, contemplando, inclusive (Art. 12, Inciso I da Lei Federal nº 9.433/1997), captações de água para insumo de processo produtivo. A delegação ocorreu por meio da Resolução ANA N° 1.047/2014, sucedida pela Resolução ANA N° 210/2024.

Adicionalmente, com relação à exigência do Decreto 4.024/2001, quanto à necessidade de Certificado de Avaliação da Sustentabilidade da Obra Hídrica para obras de infraestruturas hídricas a serem implantadas ou financiadas, no todo ou em parte, com recursos financeiros da União, observa-se que, em consulta ao sítio eletrônico da Agência Nacional de Águas – ANA (https://www.gov.br/ana/pt-br/assuntos/seguranca-hidrica/certoh, realizada em 11/06/2025), foi identificado registro de emissão do referido Certificado para o empreendimento denominado Adutora de Santa Quitéria ou Adutora Itataia”.

Cabe salientar que o órgão gestor de recursos hídricos não realiza avaliação de impacto ambiental. O instrumento da outorga confere o direito de uso do recurso hídrico, porém sempre condicionado a disponibilidade da água e respeitando os usos prioritários. A outorga também não se confunde com alienação parcial da água, dada sua inalienabilidade. Portanto o outorgado não é proprietário do recurso.

Foi apresentado um balanço do consumo de água pelo PSQ durante a sua operação. Segundo o documento, o consumo médio de água será de 855,2m3/h para operação plena. A água, oriunda do açude Edson Queiroz, será armazenada na Lagoa 6, com capacidade para 300.000m3.

A água bruta será distribuída para a ETA, para a planta de beneficiamento mineral e planta de fertilizantes. A água tratada, armazenada em reservatório enterrado, alimentará as plantas de ácido sulfúrico, ácido fosfórico, fosfato bicálcico, instalação de urânio, sistema de água desmineralizada, sistema potabilização e sistema de combate de incêndio das Instalações Mínero-industrial e de Urânio. As transferências dos reservatórios (Lagoas 6 e reservatório de água tratada) serão feitas por bomba e/ou gravidade.

As Lagoas 1 a 5 estão previstas para receberem efluentes e drenagens pluviais contaminadas, de modo que não seja lançado nenhum efluente nos cursos d’água naturais. Além disso, a água das chuvas armazenadas nessas lagoas será utilizada no processo, reduzindo o consumo de água bruta, principalmente no período de chuvas. Segundo o EIA, a redução no consumo de água nova pode chegar a 252m3/h ou cerca de 30%. Além da água da chuva, poderão ser reaproveitados as purgas das torres de resfriamento e estações de tratamento de água e desmineralização.

O Quadro 9.8-1 (página 509 – Volume I), replicado abaixo, mostra as ações a serem adotadas pelo empreendimento nos casos de contingência (redução no fornecimento de água) ou emergência (suspensão do fornecimento de água).

Tabela

Descrição gerada automaticamente

Segundo o EIA, o reservatório de água bruta (Lagoa 6), com capacidade de armazenamento de 300,000m3 permitiria a continuidade da operação do empreendimento, em plena capacidade de produção, por um período de 14 dias, ou mais, se for acionado o plano de contingência. Por fim, o EIA informa que está sendo estudado o potencial de explotação da água subterrânea dentro da Fazenda Itataia, de modo a suprir parte da demanda de água do PSQ. Caso seja constatada viabilidade, será solicitada outorga aos órgãos envolvidos. Ressalta-se que, no item sobre a água subterrânea, não foi apresentado nenhum estudo visando o uso desta para suprir parte da demanda de água do PSQ em caso de contingência e/ou emergência. Considerando o que foi exposto neste item e, principalmente, considerando que se trata de empreendimento localizado em região semi-árida, o empreendedor deverá esclarecer se realmente existe a possibilidade de uso da água subterrânea para abastecimento do projeto, seja na implantação, seja na operação, seja para abastecimento normal ou para casos de contingência e/ou emergência e, em caso afirmativo, apresentar todos os estudos relacionados, principalmente aqueles referentes ao rebaixamento dos aquíferos locais, influência em nascentes, vazão dos rios e influência futura na qualidade da água presente na região. Esses estudos deverão ser realizados levando-se em consideração as mudanças climáticas previstas para a região.

Quanto ao insumo Enxofre, foi informado que, de modo a minimizar a emissão de particulados, será feita a aspersão da pilha com água. A água de aspersão e a água da chuva serão encaminhadas para uma caixa separadora de sólidos, e então interligada à rede de drenagem. Não foi informada a destinação final dos sólidos (retorno para a pilha de enxofre?) ou da água (se será reutilizada na aspersão ou encaminhada para alguma lagoa).

Para o óleo vegetal, faz-se necessário informar a destinação da borra oleosa e da água oriunda da caixa separadora de água e óleo.

 

2.3.7. EQUIPAMENTOS PARA A FASE DE OPERAÇÃO

No Quadro 9.9-1 (página 526 – Volume I) foi apresentada a lista dos equipamentos necessários para a operação do empreendimento, individualizada por unidade (planta de beneficiamento mineral, planta de ácido sulfúrico, etc.).

Ressalta-se que não foi apresentada uma estimativa para a quantidade de equipamentos necessários, nem uma estimativa das máquinas (caminhões, escavadeiras, tratores de esteira, etc.) e suas quantidades, necessárias para a operação. Ressalta-se, também, que quando da apresentação da lista de máquinas/equipamentos necessários para a operação do empreendimento, não foi incorporada a fase de lavra, parte fundamental do processo. Este ponto deverá ser esclarecido pelo empreendedor.

 

2.3.8. FASE DE DESATIVAÇÃO

O EIA menciona que as atividades de desativação são fortemente influenciadas pelo uso futuro da área, sendo indicado o Programa de Recuperação de Áreas Degradadas como norteador da fase de desativação – PRAD. São apresentadas informações referentes às diferentes estruturas que compõem o empreendimento, conforme apresentado a seguir.

A pilha de estéril deverá ser composta, prioritariamente, por fragmentos de rocha visto o delgado depósito laterítico que foi mapeado na área. É mencionado que poderão ser adotados rebatimentos e revegetação dos taludes tão logo se alcance a elevação de projeto dos bancos nessa estrutura, bem como implantação de dispositivos de drenagem superficial, de forma que o processo de descomissionamento de pilhas seguiria concomitante ao processo de lançamento de material. É pertinente observar que o Plano de Descomissionamento levantou a possibilidade de utilização da pilha de estéril para fechamento da cava, no entanto, assim como indicado na análise daquele plano, não há discussão sobre os critérios (tampouco escolha) para a tomada de decisão quanto à manutenção da pilha de estéril ou disposição de seu material na cava.

Com relação à pilha de fosfogesso e cal, não é prevista utilização de vegetação que, segundo indicado, poderia contribuir para incremento de processos erosivos. É previsto que a pilha mantenha seu desenvolvimento com substrato emblocado exposto, favorecendo o monitoramento visual. O prazo para que esta pilha possa ser considerada descomissionada e as medidas eventualmente necessárias para a sua estabilização física, química e radiológica dependerão do monitoramento a ser realizado. Sendo previsto monitoramento de 5 anos, tanto do substrato quanto da água por este escoa, que poderá motivar outras intervenções a serem incorporadas ao PRAD para a manutenção da estabilidade biológica, física e química da área.

Para a área da cava, não foi prevista a implementação de medidas de revegetação. Há indicação de que haverá direcionamento das atividades minerárias para configuração esperada no cenário de fechamento da mina com cinco anos de antecedência do encerramento das atividades e sua recuperação será definida após avaliado alguns parâmetros relacionados à natureza litológica dos taludes expostos. Conforme abordado na análise do Plano de Descomissionamento, entende-se que deverá haver detalhamento da concepção final da área da cava ou dos diferentes cenários para sua configuração final.

Diques e sumps de contenção de sedimentos devem ser descaracterizados após comprovação de estabelecimento de vegetação. Os diques de contenção de finos poderão ser descomissionados, mediante a comprovação da estabilização da taxa de geração de sedimento e para os sumps, é esperado que os reservatórios destas estruturas sejam naturalmente preenchidos de sedimentos e vegetação, visto que não será mais necessário realizar desassoreamento, caso não haja suspeita de contaminação dos sedimentos.

O Estudo indica que para as Instalações Industriais e Infraestrutura de Apoio são previstas atividades de levantamento e avaliação das estruturas e instalações, investigação de áreas com potencial de contaminação, desmobilização de equipamentos, demolição e remoção de resíduos; escarificação de acessos internos (permanecendo apenas os acessos necessários), adequação pontual da drenagem superficial, revegetação da área.

Como etapa preliminar do Descomissionamento da Instalação Mínero-Industrial é prevista avaliação preliminar de passivo ambiental. Posteriormente, é prevista parada na seguinte sequência: pilha de homogeneização (consumida até esgotamento); unidade de calcinação (parada até esgotamento da pilha de homogeneização e cálculo de minimização da sobra de coque); unidade de hidratação e classificação da cal (operada até esgotamento do minério calcinado); planta de ácido sulfúrico (redução de operação até parada e execução de manobras de limpeza antes da desmontagem); planta de ácido fosfórico (operada até esgotamento do concentrado e adoção de procedimentos específicos); Unidade de Precipitação de Impurezas (operada até esgotamento do ácido fosfórico e posterior adoção de procedimentos específicos), unidade de evaporação (operada até parada da planta de ácido sulfúrico e com posterior adoção de procedimentos específicos); planta de fertilizantes (operada até esgotamento do ácido fosfórico e sobras de rocha fosfática serão transportadas para outra fábrica); planta de fosfato bicálcico (operada até esgotamento do ácido fosfórico, com sobras de fosfato bicálcico ensacados e transportados); armazéns de produtos (após expedição dos produtos, servirão como guarda de equipamentos desmontados até posterior desmobilização).

O Descomissionamento da instalação de urânio prevê a seguinte ordem de atividades: identificação da classificação radiológica da área a ser descomissionada; catalogação de equipamentos e itens de infraestrutura desta área; monitoração radiológica em conformidade com instruções operacionais; desmontagem, cortes e outras atividades pertinentes; encaminhamento de materiais para descontaminação, quando apresentarem contaminação residual; deposição ou liberação conforme requisitos dos procedimentos aprovados pelo órgão regulador; realização dos devidos registros em todas as suas etapas. São apresentados detalhes do descomissionamento, a serem avaliados pela CNEN.

Quanto aos recursos financeiros, há indicação de que estarão disponíveis quando necessários. Conforme indicado na análise do plano de descomissionamento abordado em item específico deste parecer, com as informações apresentadas, não foi possível inferir se os recursos previstos serão suficientes para a execução de todas as atividades previstas para a fase de desativação.

Há menção de que será estabelecido um setor específico para o gerenciamento e implementação do descomissionamento. O encerramento do descomissionamento é previsto após submissão à CNEN/ANSN de Relatório Final de Descomissionamento, sendo mantidos controles radiológicos e administrativos, no caso a instalação não possa ser liberada sem restrições de uso.

É prevista avaliação quanto à estabilidade geotécnica, com prévio monitoramento da cava, pilha de estéril, pilha de fosfogesso e cal e dique de contenção de finos. Intervenções serão registradas em plantas e após atestada a estabilidade geotécnica e implantação do sistema pluvial definitivo é prevista recuperação de áreas degradadas contemplado em análise de programa específico neste parecer.

As áreas de natureza industrial serão objeto do PRAD na fase de desativação quando as áreas edificadas serão demolidas, removidas e os ensaios ou pesquisas relativas à contaminação do seu substrato tiverem sido concluídas.

Em função do rebaixamento do aquífero para a lavra, haverá alteração da disponibilidade hídrica regional durante a operação. O excedente do volume total bombeado deverá ser destinado aos cursos d’água naturais, próximos à cava, conforme eventual necessidade de reposição. Portanto, no cenário de desativação, além do acompanhamento do nível freático na cava, é necessário também o acompanhamento da dinâmica hidrológica da região no entorno da mina em termos de vazão, até a constatação do retorno às condições anteriores à operação. Esse aspecto é importante visando não mascarar a disponibilidade hídrica regional, visto que, após o encerramento da operação e do rebaixamento na cava não ocorrerá mais o aporte de águas subterrâneas aos cursos d´água.

É justificado que, dado o dinamismo das atividades minerárias, seria prematura a indicação de ações específicas de descomissionamento em etapas muito preliminares, pois, para este tipo de análise, deve-se incorporar no estudo todo o histórico de eventos, informações e mudanças de projeto que venham a ocorrer. No entanto, entende-se que, assim como abordado na análise do plano de descomissionamento, os critérios que deverão nortear as decisões relacionadas à fase de desativação deverão estar previamente estabelecidos, em especial no que se refere à configuração final do empreendimento e do uso futuro da área.

 

2.3.9. INFRAESTRUTURA PARA O PSQ – PROJETOS CORRELATOS

INFRAESTRUTURA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA 

Neste item, o EIA apresenta somente um “Resumo do Projeto do Sistema Adutor”. Explica ainda que o projeto seria executado pela Secretaria de Recursos Hídricos do Estado do Ceará - SRH e que seria alternativa (e única) para o abastecimento de água do PSQ.

Segundo o estudo, o Projeto do Sistema Adutor de Itataia (PSAI) viria atender também o abastecimento público da “população residente na área de influência do empreendimento” (Página 576, Volume 1, EIA).

A informação é exagerada e imprecisa, tendo em vista que apenas três comunidades seriam beneficiadas com o PSAI. Provoca também o falso entendimento de que as comunidades serão os principais usuários do recurso hídrico.

Nesse ponto, o EIA afirma que “a população residente nas comunidades na zona rural na região não conta com abastecimento de água sendo que tal infraestrutura ocorre apenas nas áreas urbanas, isso contradiz o que o próprio estudo indicou no diagnóstico da área da área de influência. Afirma também que “o abastecimento das comunidades de Riacho das Pedras, Morrinhos e Queimadas é feito por meio de mananciais de superfície e subterrâneos, e que não possuem sistema de controle e/ou tratamento.”

No diagnóstico da área de estudo local, o estudo informou que:

Em seguida, o EIA mostra um mapa elaborado pela SRH, onde consta o traçado futuro da adutora, saindo do açude Edson Queiroz e terminando no Açude Quixaba. Nota-se que o mapa (reproduzido abaixo) está fora dos padrões cartográficos oficiais ao colocar a posição Norte de maneira equivocada (inclinada em 45º para a esquerda).

O açude Edson Queiroz está localizado na bacia hidrográfica do Acaraú e foi construído pelo barramento do Rio Groaíras.

Gráfico

Descrição gerada automaticamente

O mapa também não mostra que o açude Quixaba está localizado dentro da Fazenda Itataia (de propriedade da INB), adjacente ao empreendimento.

 

A denominação de “Açude Quixaba” neste mapa não corresponde ao nome dado pela consultoria no EIA/RIMA em outros mapas. No estudo, aparece em várias passagens como “Açude Riacho Caramutim”.

Tem-se, portanto, um sistema adutor que liga um açude de uso público (Edson Queiroz) a um açude localizado em uma propriedade particular.

O projeto executivo do PSAI foi elaborado pela primeira vez em 2006 pela empresa COBA (Consultores para Obras, Barragens e Planejamento Ltda) por solicitação da SRH. Desde a sua concepção, o projeto enfrentou algumas alterações, todavia nunca foi implantado.

No ano de 2022, após sucessivas tentativas de licenciamento do PSQ, o Parecer Técnico 148 (14359621), que havia analisado o último EIA, afirmou que “não identificou novidades em relação ao projeto da adutora comparativamente ao projeto anterior”, mesmo possuindo na época uma Licença de Instalação (LI nº 82/2013 - SEMACE).

Como citado em outras partes deste Parecer, há uma (outra) Licença de Instalação (LI nº 112/22), porém sem menção ao PSAI. Até o presente momento, não foi implantado.

Há indícios de que o projeto só terá êxito caso o PSQ tenha a licença ambiental concedida. Mostrando-se, assim, a interdependência dos empreendimentos (PSQ + PSAI).

Não foram encontradas, na base de dados de sites do poder público estadual, informações sobre o atual estado do PSAI citado pelo EIA como alternativa para abastecimento de água.

Na página 579 do Volume 1, há o Quadro 9.13-1: Ficha Técnica do Sistema Adutor elaborado pela Tetra Mais (consultoria) em 2023. Dele, é possível extrair os seguintes dados:

  • Extensão da adutora principal/: 64,92 km

  • Prazo de execução: 12 meses

  • Vazão do projeto: 287,78 L/s

  • Vazão de água para a comunidade de Riacho das Pedras: 2,78 L/s

  • Vazão de água para a comunidade Morrinho: 2,78 L/s

Portanto a vazão de água para o empreendimento seria de 282,22 L/s, totalizando 98,06% da água captada do açude Edson Queiroz.

No que diz respeito a disponibilidade hídrica da região (página 583, Volume 1, EIA), o estudo informa que os volumes disponíveis para abastecimento público são alocados anualmente, “de maneira descentralizada e participativa por meio de Comitês que estão estruturados em instâncias participativas, onde são negociados e definidos os múltiplos usos dos recursos hídricos”.

O processo de alocação negociada da água é realizado anualmente sempre após a estação chuvosa do Ceará (entre fevereiro e maio), pois só após esse período é possível definir a disponibilidade hídrica de cada açude, em função da recarga de água armazenada. São realizados seminários nos quais é apresentado a situação atual e a simulação de esvaziamento dos açudes, avaliada a demanda, definida a vazão a ser liberada, e formada uma comissão de usuários de água para o acompanhamento da operação. As deliberações das reuniões são registradas em atas assinadas por seus participantes, constituindo um documento de referência oficial para a operação dos açudes (Nota Técnica nº 1/2021 - SRH, SEI 17846016, página 743).

A Nota Técnica nº 1/2021 - SRH (SEI 17846016, página 743) esclarece ainda que a partir de junho até dezembro a pluviometria não é expressiva a ponto de possibilitar recarga aos reservatórios monitorados.

Como dito, o volume de água é alocado anualmente com planejamentos semestrais de gestão. No primeiro semestre (período mais chuvoso) os reservatórios são operados de forma a garantir o atendimento complementar dos múltiplos usos, principalmente, durante os veranicos (período de estiagem dentro da quadra chuvosa). “Neste momento a meta é economizar ao máximo o uso dos reservatórios a fim de ter o maior ganho no seu aporte (recarga)”.

No segundo semestre, na época de seca, como não há recarga nos reservatórios, os volumes são alocados pelos Comitês de Bacia no processo denominado Alocação Negociada de Água.

De acordo com o EIA, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Acaraú foi criado pelo Decreto Estadual nº 27.647/2004 e instalado em 18 de fevereiro de 2005.

É importante ressaltar que, mesmo concedida a outorga de uso, cabe ao Comitê de Bacia Hidrográfica do Acaraú em plenária anual de alocação de água, definir quais usos serão atendidos pelos açudes que compõe o Vale do Acaraú (Paulo Sarassate, Taquara – Aires de Sousa e Edson Queiroz). Dentre esses açudes do Vale, encontra-se o Edson Queiroz, açude do município de Santa Quitéria previsto para atender o Projeto Santa Quitéria. Para a tomada de decisão, o Comitê de Bacia avalia a disponibilidade de água, conforme dados do monitoramento apresentados pela COGERH, bem como as demandas de água levantadas (demandas outorgadas ou não), e fazem avaliação e decidem a partir de cenários que são montados pela COGERH (Secretaria Executiva dos Comitês de Bacia). Essa informação pode ser verificada no Ofício nº 275/2022/ASESP – COGERH assinado em 25 de abril de 2022.

O documento também lista os povos indígenas e remanescentes de quilombo que estão na Bacia do Acaraú. Cabe ressaltar que esses povos e comunidades tradicionais integram o fórum de discussão por serem abastecidos pelas águas desses mananciais.

O Quadro 9.13-7 mostra a demanda atual e projetada (futura) do açude Edson Queiroz. Reproduz-se abaixo:

Tabela

Descrição gerada automaticamente

Considerou-se:

Portanto, para o estudo da demanda futura/projetada, foi considerado dois projetos que atendem a finalidades diferentes: Projeto Malha d’Água e Projeto Santa Quitéria.

Apesar de ambos os projetos serem elaborados pela SRH do Ceará, o Projeto Malha d’Água, diferentemente do Projeto do Sistema Adutor Itataia/Santa Quitéria, encontra-se detalhado no site oficial do órgão. O objetivo geral do Projeto Malha d’Água é ampliar a segurança hídrica do Estado, garantindo condições qualitativas e quantitativas de fornecimento de água para o abastecimento dos núcleos urbanos e complementarmente de comunidades rurais situadas ao longo dos sistemas adutores a serem implantados.

A criação do projeto veio atender a crise hídrica ocorrida no Estado do Ceará durante a seca no quinquênio 2012-2016. Esta “trouxe consequências para o sistema, levando os principais reservatórios a exaustão de suas potencialidades e evidenciando a vulnerabilidade das captações de alguns sistemas adutores, situadas a fio d´água nos rios perenizados pelos reservatórios”.

Tais captações necessitam, por parte dos reservatórios, da liberação de vazões muito superiores às demandas dos núcleos urbanos atendidos, tendo em vista as perdas em trânsito e o consumo dos demais usos ao longo da perenização, como a irrigação. Em períodos de secas prolongadas, a captação a fio d`água fica muito restrita e até suspensa, o que compromete o funcionamento das adutoras existentes, além de gerar sérios conflitos de uso (https://www.srh.ce.gov.br/projeto-malha-dagua/. Acesso em 09/05/2025).

Dito isso, a demanda projetada para abastecimento humano, portanto, leva em consideração o Projeto Malha d’Água, não tendo qualquer vínculo com o PSQ. Entretanto não há previsão para a execução do Projeto Malha d’Água, muito menos para construção do Sistema Edson Queiroz-Alto Acaraú que abasteceria o município de Santa Quitéria e sua comunidade rural (incluindo as que seriam atendidas pelo Projeto Sistema Adutor de Itataia).

Já a demanda futura/projetada da indústria leva em consideração somente a operação do PSQ.

No quadro reproduzido acima, levou-se em consideração o êxito e a efetiva operação dos dois projetos que serão executados de maneira diversa, por empreendedores distintos e em momentos diferentes.

Entretanto, se levarmos em consideração a assincronia desses projetos, pode-se concluir que, caso o PSQ obtenha a licença ambiental e enquanto não instalado o Sistema Edson Queiroz-Alto Acaraú (por meio do Projeto Malha d’Água), tem-se o seguinte quadro:

Finalidade

Demanda atual

%

Demanda projetada

%

Abastecimento Humano

86,0

18,53

86

11,8

Indústria

2,0

0,43

265,8

36,5

Irrigação

76,0

16,38

76,0

10,4

Usos difusos

300,0

64,66

300,0

41,2

TOTAL

464,0

100

727,8

100

 

Sendo assim, até a execução do Projeto Malha d’Água (Sistema Edson Queiroz-Alto Acaraú), o uso da água para fins industriais aumentará de 0,43% para 36,5% do total da demanda projetada, enquanto para abastecimento humano irá decrescer de 18,53% para 11,8%.

Além do Projeto Malha d’Água, há outras duas ações estruturantes previstas para o município de Santa Quitéria para ampliação da oferta hídrica, são elas: Barragem Pedregulho (capacidade máxima de armazenamento de 91,7 hm³) e Barragem Poço Comprido (capacidade máxima de armazenamento de 329,59 hm³).

Ao final da Nota Técnica nº 1/2021 - SRH, em suas considerações finais, a Secretaria de Recursos Hídricos informa que o açude Edson Queiroz apresenta possibilidades de atender às demandas do PSQ, “estando à disponibilidade hídrica condicionada ao processo de alocação de águas negociada” (Página 594, Volume 1, EIA).

Ademais, a Nota condiciona a alocação negociada da água a um Seminário de Alocação Negociada das Águas com a participação do Comitê de Bacia. Por fim, o documento considera a disponibilidade de água para o PSQ tendo em vista a conclusão das “ações estruturantes” realizadas pelo Estado do Ceará.

“Assim, ressalta-se que o açude Edson Queiroz apresenta possibilidades de atendimento da demanda da região, incluindo a demanda do Projeto Santa Quitéria, sobretudo após a construção das Barragens Pedregulho e Poço Comprido.” (Página 595, Volume 1, EIA) (grifou-se)

 

INFRAESTRUTURA DE ACESSO RODOVIÁRIO

Neste item é feita uma descrição das principais vias de acesso ao Projeto Santa Quitéria; são reapresentadas informações contidas no Memorando de Entendimentos assinado entre o governo do Estado do Ceará e o Consórcio Santa Quitéria visando a melhoria da infraestrutura viária e qual a infraestrutura viária será construída pelo projeto (interligação da CE-366 com a portaria do empreendimento e implantação das vias internas).

Ressalta-se que ao longo do presente parecer foram apresentadas as dificuldades observadas quanto a infraestrutura viária atualmente presente na região, o que exige uma proposta de melhorias e adequações para suportar o aumento de tráfego que virá já com a implantação do empreendimento. Entende-se que este ponto deverá receber especial atenção por parte do empreendedor, para que a infraestrutura viária esteja adequada quando do possível início das obras, de modo a não inviabilizar a implantação do empreendimento.

 

INFRAESTRUTURA DE ENERGIA ELÉTRICA

O abastecimento de energia elétrica durante a operação do Projeto Santa Quitéria será feito por meio de uma Linha de Distribuição de Alta Tensão a ser construída entre a Subestação Santa Quitéria e a Subestação do PSQ, em um percurso de aproximadamente 69km. A implantação desta linha de distribuição será financiada por meio do Programa de Investimentos Especiais do Estado do Ceará, através do Convênio CD n/ 048/98-DEJUR.

 

2.3.10. CRONOGRAMA DE IMPLANTAÇÃO DOS PROJETOS CORRELATOS DE INFRAESTRUTURA

No item 9.13.4 (página 603 – Volume I) foi apresentado o cronograma de implantação dos projetos correlatos de infraestrutura. O projeto de implantação da linha de transmissão e as melhorias nas obras viárias seriam executados ao longo de 12 meses enquanto a adutora seria construída ao longo de 18 meses. Todos esses empreendimentos têm seu início previsto para imediatamente após a obtenção da Licença Prévia para o Projeto Santa Quitéria.

Embora a implantação dos projetos correlatos de infraestrutura seja de fundamental importância para a viabilidade do PSQ, não apenas para a sua operação, mas, também, para a sua implantação, questiona-se a viabilidade de início imediato dessas obras após a emissão da Licença Prévia por parte do Ibama, devendo este ponto ser esclarecido pelo empreendedor. Em que pese o fado da Adutora já contar com Licença de Instalação emitida pela SEMMA-CE, o início da sua implantação demandará alguns meses de mobilização, com definição/licitação da empresa construtora, compra de insumos, contratação da mão-de-obra, entre outros. Quanto à Linha de Distribuição de Alta Tensão, em nenhum momento do EIA traz informações quanto ao seu processo de licenciamento, havendo somente informações sobre a existência de um convênio entre o governo do Estado do Ceará e a Concessionária de Energia Elétrica (ENEL) e a existência do projeto da linha de transmissão. Por fim, só foi informado que existe um Memorando de Entendimentos assinado entre o Governo do Estado do Ceará e o Consórcio Santa Quitéria visando a melhoria da malha rodoviária; entretanto, este Memorando de Entendimentos não engloba o DNIT, órgão responsável pela manutenção da BR-020, via fundamental que interliga a região de Santa Quitéria ao Porto do Pecém.

 

AUDIÊNCIAS PÚBLICAS

Seguindo o rito estabelecido pelo Ibama, o Edital nº 20/2024, publicado no DOU nº 199, Seção 3, em 14/10/2024 (SEI 20818646), divulgou a disponibilização do Rima do Projeto Santa Quitéria em endereço eletrônico e em 80 (oitenta) locais, abrindo prazo de 45 (quarenta e cinco) dias para solicitação de realização de Audiências Públicas (AP), atendendo à Resolução CONAMA nº 009, de 03 de dezembro de 1987. O Edital nº 27/2024, publicado no DOU nº 220, Seção 3, em 13/11/2024 (SEI 21142494), divulgou a prorrogação desse prazo em 20 (vinte) dias. As solicitações recebidas foram tratadas na Informação Técnica nº 5/2024-Comip/CGTef/Dilic (SEI 21563098).

A Carta CE-GEFIS.P/SUNOV.P-379/24 (SEI 21056663) apresentou publicação (SEI 21036453) do Requerimento de Licença Prévia (SEI 21036451) no Diário Oficial da União (DOU) em 04/11/2024, bem como nos jornais O Otimista e O Povo, em 01/11/24. A Carta CE-GEFIS.P-418/24 (SEI 21314363) apresentou em seus anexos Relatório de evidências de Entrega do Rima (SEI 21314365) nos endereços listados em edital e comprovação da publicação do Edital nº 27/2024 nos jornais O Otimista e O Povo, em 19/11/24.

O Parecer Técnico nº 35/2025-Comip/CGTef/Dilic (SEI 22217572) aprovou o Plano de Comunicação Prévia às Audiências Públicas do Projeto Santa Quitéria (SEI nº 22149815). O Plano previu formulário on-line aberto para questionamentos durante as AP e rotas de transporte da população interessada até os locais estabelecidos, com possibilidade de transporte adicional caso demandado.

Por meio do Edital nº 4/2025- DILIC, publicado no DOU nº 33, Seção 3, em 17/02/2025 (SEI 22330012), o Ibama divulgou a realização de duas Audiências Públicas para apresentação dos resultados do novo EIA elaborado para o Projeto Santa Quitéria, com instalação de dois pontos de apoio e transmissão simultânea em distritos de referência para a população, além de transmissão em plataforma virtual. As AP foram realizadas no dia 11/03/2025 na sede do município de Santa Quitéria, com ponto de transmissão no distrito de Riacho das Pedras, e no dia 13/03/2025 no distrito de Lagoa do Mato, em Itatira, com transmissão no distrito de Saco do Belém.

Conforme Atas Sucintas SEI 22682020 e SEI 22713420, houve os seguintes registros de participação nas Audiências realizadas:

  • - 11/03/25, em Santa Quitéria: 550 presentes em Santa Quitéria, 132 no Ponto de Controle em Riacho das Pedras e 304 acessos simultâneos em ambiente virtual.

  • - 13/03/25, em Lagoa do Mato: 785 presentes em Lagoa do Mato, 120 no Ponto de Controle em Saco do Belém e 252 acessos simultâneos em ambiente virtual.

Durante as Audiências Públicas e 30 (trinta) dias corridos após sua realização o Ibama recebeu contribuições sobre o Projeto Santa Quitéria e seus estudos, listadas a seguir:

  • - Informação Técnica nº 1/2025/Segat - CR - NE-II/DIT - CR-NE-II/CR-NE-II-Funai, acompanhada de dois mapas de localização (croquis) de terra e comunidades indígenas em relação ao empreendimento (páginas 67 a 105, 183 e 184 do SEI 22765611);

  • - Protocolo de Consulta Livre, Prévia e Informada do Movimento Indígena Potigatapuia (páginas 1 a 52 do SEI 22765611);

  • - Moção 001/2025 do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente - COMDEMA de Santa Quitéria (páginas 105 a 114 do SEI 22765611);

  • - Protocolo de Consulta e Consentimento Prévio, Livre e Informado do Povo Anacé da Terra Tradicional (páginas 53 a 66 do SEI 22765611);

  • - Abaixo-Assinado contrário ao Consórcio Santa Quitéria responsável pelo projeto de exploração da jazida de urânio e fosfato, com 1531 assinaturas da população de Madalena (páginas 115 a 181 do SEI 22765611);

  • - Inventário dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matrizes Africanas do Ceará (SEI 22744639);

  • - Tenda Ogum General de Brigada, Tranca Rua: Resgate Histórico Participativo, um olhar para além da religiosidade (SEI 22744639);

  • - Antropologia das encruzilhadas: um fazer antropológico de possibilidades afro-indígenas (SEI 22744639);

  • - Lei nº 19.033 do Governo do Estado do Ceará, de 11/09/2024 (SEI 22744639);

  • - E-mail da Associação Abreca com links para Decreto nº 36.036 do Governo do Estado do Ceará, de 27/05/2024 e reportagem sobre direitos humanos (SEI 22747481);

  • - Apresentação Universidade Federal do Ceará: Parecer Técnico-Científico (SEI 22890938);

  • - E-mail do Sr. Carlos Henrique Silva Seixas Seixas, Presidente da NUCLEP e da ABEN, com manifestação de apoio ao projeto (SEI 22945327);

  • - E-mail com Carta da Seção Latino-Americana da American Nuclear Society – LAS/ANS, com manifestação de apoio ao projeto (SEI 22982090);

  • - E-mail do Ministério Público do Trabalho encaminhando Parecer Técnico nº 10/2025 - Projeto Santa Quitéria (SEI 22982427);

  • - E-mail do Sr. Paulo Ruberto com contribuições (SEI 22987479);

  • - E-mail do Sr. Matheus Alves encaminhando Estudo e Parecer Técnico Crítico — Radônio no PSQ (SEI 22996861);

  • - E-mail com Carta da Deputada Federal Laura Carneiro manifestando apoio ao projeto (SEI 22998145);

  • - E-mail do Sr. José Alberto Sales com manifestação de apoio ao projeto (SEI 22998320);

  • - E-mail com Carta do Deputado Federal Max Lemos manifestando apoio ao projeto (SEI 22998145);

  • - E-mail com Carta do Deputado Federal Marcelo Crivella manifestando apoio ao projeto (SEI 23009729);

  • - E-mail com Carta do Deputado Federal Domingos Neto manifestando apoio ao projeto (SEI 23009956);

  • - E-mail com Carta do Deputado Federal Júlio Lopes manifestando apoio ao projeto (SEI 23010195);

  • - E-mail com Carta do Deputado Federal Otto Alencar Filho manifestando apoio ao projeto (SEI 23026926);

  • - E-mail com Carta do Deputado Federal Reimont Luiz Otoni manifestando apoio ao projeto (SEI 23027683);

  • - Parecer Técnico-científico: Análise do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto Santa Quitéria de Mineração de Urânio e Fosfato da jazida de Itataia, Ceará, 2025 (SEI 23048289);

  • - Parecer Técnico-científico: Análise do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto Santa Quitéria de Mineração de Urânio e Fosfato da jazida de Itataia, Ceará, 2025 - VF (SEI 23048801);

  • - E-mail do Ministério Público Federal encaminhando Despacho nº 7439/2025, Ofício nº 1982/2025 - MPF/NTC/CE - GAB/AMM, Laudo técnico nº 310/2025 – ANPMA/CNP, Laudo técnico nº 160/2023 – SUPA/ANPA/CNP/SPPEA, Ofício nº 275/2022/ASESP (COGERH) e o ofício nº 342/2025/DPDS/FUNAI (SEI 22982427).

Registra-se ainda que, em atenção à solicitação apresentada por representantes da Universidade Federal do Ceará nas Audiências Públicas e no Ofício 129/2025/GR/REITORIA (SEI 22651664), foi concedido, por decisão dos presidentes das mesas diretoras das duas audiências tempo de apresentação ao Sr. Rafael Dias de Melo para exposição do parecer técnico-científico "Análise do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto Santa Quitéria de Mineração de Urânio e Fosfato da jazida de Itataia, Ceará, 2025".

Com relação às contribuições recebidas durante e após as audiências públicas, entende-se que parte delas contam com questionamentos que devem ser submetidos ao empreendedor para esclarecimentos ou complementações, de forma a fornecer subsídios à decisão do Ibama quanto à viabilidade do projeto. É pertinente observar que o empreendedor protocolou junto ao processo de licenciamento a Carta CE-GEFIS.P/SUNOV.P-210/25 (23183266) em resposta parcial ao Parecer Técnico-Científico emitido pela Universidade Federal do Ceará.

Nesse contexto, entende-se que o empreendedor deverá se manifestar quanto aos questionamentos e inconsistências indicadas nos seguintes documentos: SEI 22982427, enviado pelo Ministério Público do Trabalho; SEI 23131501, enviado pela Universidade Federal do Ceará e SEI 23062575, enviado Ministério Público Federal.

A manifestação do empreendedor deverá apresentar uma tabela índice com indicação de cada um dos questionamentos ou inconsistências apresentadas nos referidos documentos e o local (página) onde são apresentados os esclarecimentos necessários ou menção de que não cabem esclarecimentos (nos casos em que os questionamentos forem direcionados ao Ibama, CNEN ou outras situações em que não se aplique manifestação do empreendedor ou consultoria).

Esclarece-se que as contribuições recebidas foram consideradas na análise exposta neste Parecer, ainda que não tenham sido referidas de forma explícita no texto.

 

RELATÓRIO DE DIVULGAÇÃO DAS AUDIÊNCIAS PÚBLICAS – MARÇO/2025 (SEI 23041578)

A divulgação das Audiências Públicas referentes ao licenciamento do Projeto Santa Quitéria foi aprovada mediante a execução do Plano de Comunicação Prévia às Audiências Públicas (SEI 22149815), com as recomendações comunicadas no Parecer Técnico nº 35/2025-Comip/CGTef/Dilic (SEI 22217572). Destaca-se que atividades de mobilização junto à população já vinham sendo desenvolvidas, sendo adaptadas a cada versão do plano. O Relatório de Divulgação das Audiências Públicas foi apresentado por meio da Carta CE-GEFIS.P/SUNOV.P-184/25 (SEI 23041577 e anexo 23041578).

Como evidência da realização de reuniões prévias, foram apresentadas atas, listas de presença e fotografias das atividades realizadas em 13 comunidades com maior população, no período de 14/01 a 13/02: Morrinhos, Queimadas, Cantina, Umarizeira, Poço de Pedra, Saco do Belém, São Cosme, São Damião, Riacho das Pedras, Macaoca, Sabonete, Fazenda Paraíso e Lagoa do Mato. Após a definição de datas foi realizada panfletagem divulgando a informação nessas comunidades. O documento informa que não houve solicitação adicional para realização de reunião prévia.

Entre 19 e 27 de fevereiro, outras comunidades receberam visitas de menor duração com explicação sobre a realização das AP, pontos de transmissão e transporte, além da distribuição de material informativo (Barriguinha, Fazenda Porteira, Fazenda Tapera, Quixaba, Barro Vermelho, Boa Vista, Bola de Ouro, Fazenda Oriente e Novo Oriente, Machadinho, Mourão, Raposa, Santana, São Joaquim, Santa Margarida, Pajeú, além das já visitadas Sabonete, Umarizeira e Poço da Pedra), totalizando 27 comunidades da área de estudo prioritária adotada no EIA e 68 comunidades da área de estudo (tabela 21, página 106).

Ação de panfletagem e divulgação rápida também foi realizada nas sedes dos municípios de Itatira, Santa Quitéria, Madalena e Canindé, delimitados como Área de Influência Indireta. Constam registros de reuniões com instituições nos municípios Itatira, Santa Quitéria e Canindé, sendo informado que não houve disponibilidade por parte do poder executivo de Madalena e Canindé, bem como do Instituto Federal de Canindé, para agendamento de reunião anterior à data das audiências.

A divulgação em rádios foi ampliada para além dos quatro municípios da Área de Influência Indireta. Dentre as 17 rádios, 8 apresentam abrangência regional, incluindo rádios de Sobral, Crateús, Boa Viagem, Caucaia, Monsenhor Tabosa, região metropolitana de Fortaleza, além de um programa semanal da Rede ANC com distribuição para 50 rádios em diversas regiões do Ceará. A solicitação de mínimo de 6 spots diários foi implementada a partir de 19/02, com reforço para 12 inserções em rádio de Santa Quitéria e Sobral de abrangência regional. O texto divulgado incluiu informações sobre as datas, locais, pontos de transmissão, transmissão pelo Youtube, disponibilização de transporte, telefones para informações e página na internet sobre as audiências.

Além da página na internet https://projetosantaquiteria.com.br/audiencias/, foram publicados avisos em jornais físicos, portais digitais e mídias sociais com alcance municipal, estadual e regional, apresentando como comprovação contratos e imagens das publicações. Foram afixadas cerca de 60 faixas no trajeto para as localidades e nas sedes municipais da AII e colocados cartazes em edifícios públicos, sedes de entidades, comércios, casas e outros pontos de encontro da região. Foram utilizadas também estratégias de painel de led, banner em ônibus, caminhão com painel de led. Já os carros de som focaram nas sedes municipais e em 27 comunidades prioritárias, sendo apresentadas rotas e datas, atendendo à solicitação do Parecer Técnico nº 22/2025-Comip/CGTef/Dilic (SEI 21974985). Igualmente atendendo ao parecer, no recurso mala direta foram incluídas prefeituras e secretarias de meio ambiente dos municípios de Fortaleza, Sobral, Caucaia, São Gonçalo do Amarante, Baturité, Monsenhor Tabosa, Tamboril, Catunda, Capistrano, gestores públicos estaduais, órgãos intervenientes, além de instituições que solicitaram audiências. Mediante autorização, foram encaminhados convites por meio de contato utilizando o aplicativo WhatsApp, alcançando moradores, lideranças, escolas, institutos associações, sindicatos, faculdades, alcançando 48 envios até o dia 28/02 (tabela 35, páginas 384 e 385).

As audiências foram realizadas nos dias 11/03/2025 na sede do município de Santa Quitéria, com ponto de transmissão no distrito de Riacho das Pedras, e no dia 13/03/2025 no distrito de Lagoa do Mato, em Itatira, com estrutura em conformidade com o descrito no plano apresentado. A transmissão foi realizada por meio dos endereços https://www.youtube.com/watch?v=RklSorhPjYk (Santa Quitéria - 6.092 visualizações em 30/04/2025) e https://www.youtube.com/watch?v=LHMvK1IVbeA (Lagoa do Mato/Itatira - 5.535 visualizações em 30/04/2025), que seguem acessíveis por meio da página https://projetosantaquiteria.com.br/audiencias/ . Por se tratar de gravação que comprova a realização das APs, os dois endereços devem permanecer ativos e abertos ao público, como parte do processo de licenciamento ambiental.

Quanto ao transporte para as audiências, foi atendida solicitação do Parecer Técnico nº 22/2025 para inclusão de ofertas de rota atendendo às comunidades de Gangorra, Mata Fresca, São Damião dos Casimiros, Sipaúba, Projeto de Assentamento (PA) Juá e PA Alegre Tatajuba. Foram disponibilizadas 13 rotas, atendendo a 33 comunidades, além das sedes municipais de Madalena, Canindé e Itatira (figura 273, página 431). Finalizado o período para solicitação de transporte, as rotas foram adequadas aos pedidos recebidos, resultando em 3 rotas para cada audiência, com 61 pedidos, sendo 37 para a AP de Santa Quitéria e 24 para a AP de Lagoa do Mato.

No documento foram apresentadas cópias da lista de presença (item 5.3.1.1, página 465), registro fotográfico (item 5.3.1.2, página 485), solicitações de cópia do RIMA (item 5.3.1.3, página 488), formulários online e presenciais de perguntas e inscrições para manifestação oral (item 5.3.1.4, página 500) para a AP de Santa Quitéria. Destaca-se que além da distribuição de 38 unidades do RIMA durante o evento, ainda restaram 80 solicitações cujo atendimento foi viabilizado com o envio de versão digital. A mesma documentação foi apresentada para o ponto de transmissão disponibilizado no distrito de Riacho das Pedras (itens 5.4.1.1 a 5.4.1.4, páginas 599 a 614), com entrega de mais 56 RIMA. No total, estiveram presentes 682 pessoas nos dois locais ofertados, com um total de 100 fichas de inscrição, sendo 22 manifestações escritas, 62 manifestações orais (16 participantes ausentes) e 16 questionamentos recebidos na modalidade virtual, com encerramento do evento às 00 horas e 38 minutos do dia 12 de março. A transcrição literal da AP de Santa Quitéria foi apresentada no Anexo I do documento (página 641).

Referente à AP realizada em Lagoa do Mato, também foram apresentadas lista de presença (item 5.3.2.1, página 528), registro fotográfico (item 5.3.2.2, página 554), solicitações de cópia do RIMA (item 5.3.2.3, página 556), formulários online e presenciais de perguntas e inscrições para manifestação oral (item 5.3.2.4, página 572). Foram distribuídas 52 cópias do RIMA durante o evento, com 68 solicitações extras, atendidas com envio digital. A documentação apresentada sobre o ponto de transmissão disponibilizado no distrito de Saco do Belém é apresentada nos itens 5.4.2.1 a 5.4.2.4 (páginas 618 a 633), com entrega de mais 43 RIMA, totalizando a distribuição 337 (virtuais e físicos devido à alta demanda). No total, estiveram presentes nos dois espaços 905 pessoas, com um total de 85 fichas de inscrição, sendo 13 manifestações escritas, 41 manifestações orais (9 participantes ausentes) e 31 questionamentos enviados pelos canais virtual, encerrando-se o evento às 23 horas e 27 minutos. A transcrição literal desta AP foi apresentada no Anexo II do documento (página 821).

Registra-se que a equipe do Ibama acompanhou e conduziu as duas Audiências Públicas, que contaram com manifestações de diversos grupos contrários ao empreendimento, sendo mencionado no relatório a presença de representantes da CUT, Movimento Anti-Nuclear, Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), Movimento sem Terra (MST), povos indígenas (Anacés, Potiguara), Cáritas, Colônia de Pescadores de Cratéus, Universidade Federal do Ceará, Associação Beneficente, Cultural e Religiosa Afro-Brasileira. Infelizmente, a mídia local e o relatório apontaram a ocorrência de pichações na sede do PSQ em Santa Quitéria. Os pontos de transmissão também foram visitados e os testes de conexão foram acompanhados por parte da equipe.

 

ANÁLISE TÉCNICA

4.1. IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDIMENTO E DA EMPRESA CONSULTORA

Neste item foi apresentada a listagem com a equipe técnica responsável pela elaboração e revisão do EIA. Esta listagem constou com informações como: nome, formação, função/área; número no CTF Ibama; número no órgão de classe e assinatura. As cópias das ARTs e CTFs foram anexadas no arquivo denominado Volume_V_Anexo_I_capítulos_iniciais (SEI 17843138).

Foi feita uma checagem da documentação apresentada no Volume_V_Anexo_I_capítulos_iniciais (SEI 17843138) e constatou-se que:

  • Não foram apresentados os certificados de regularidade junto ao CTF da INB, TETRA+, e sub-contratadas que elaboraram o EIA;

  • Não foram apresentados os certificados de regularidade junto ao CTF dos técnicos que elaboraram o EIA;

  • Não foram apresentadas as ART’s dos profissionais:

Katiuscia de Sousa Silva

Matheus Tribst Rico

Felipe Jardelino Elói

Jayme Aysla Mendonça Brito

Isabella Laís Chalegre

Raone Beltrão Mendes

Patrício Adriano da Rocha

Telton Pedro Andelson Ramos

Diogo Loretto

  • Embora os Ecólogos ainda não possuam conselho de classe, não foi apresentada Declaração de Participação e Responsabilidade Técnica do profissional Bruno Ferreira, como foi feito para o sociólogo Charles Pierre Parreiras, que também não possui conselho de classe.

  • Foi apresentada a ART do profissional Marcos Portela referente ao trabalho realizado por ele no ano de 2021, devendo ser apresentada a ART referente ao trabalho realizado por ele no ano de 2023.

  • Foi apresentado somente o rascunho da ART do profissional Robson Caldeira Cruz, devendo ser apresentada a ART válida.

  • Foram apresentadas duas ART’s de profissionais que não constam do quadro 2.3-2 (folha 32, Volume I do EIA – SEI 17842400) – Martinês Vicente da Silva Júnior (ART CREA-SP 28027230231902798) e Augusto Salerno Auler – ART CREA-MG MG20210672856 – devendo ser esclarecido se esses dois profissionais fizeram ou não parte da Equipe Técnica que elaborou o EIA ora em análise.

Nos itens 2 – Objetivos e Justificativas; 4 – Legislação Aplicada; 5 – Licenciamento do Projeto Santa Quitéria e 6 – Histórico do Empreendimento, o texto apresentado no EIA-RIMA traz um apanhado dos assuntos tratados, não tendo sido identificados inconsistências nas informações apresentadas ou questionamentos a serem respondidos pelo empreendedor.

 

4.2. ALTERNATIVAS TECNOLÓGICAS

Método de Lavra - Neste item foi feita a descrição do método de lavra a ser utilizado no empreendimento. O texto cita a existência de explotação ex-situ. Questiona-se o que seria a explotação ex-situ.

Beneficiamento do Minério - O EIA informa que a rota tecnológica de beneficiamento do ácido fosfórico vem sendo estudada pelo Consórcio Santa Quitéria. Este refinamento teve por objetivo principal atender à exigência do Ofício nº 153/2017- CGRC/CNEN, de 27/07/17, que solicitou a remoção do tório do ácido fosfórico sem urânio. Embora haja a citação desse ofício à página 198 – Volume I – SEI 17842400, cópia do mesmo não foi apresentada no Volume V – Anexo I - SEI 17843138, devendo ser apresentado.

Por fim, foi informado que a rota tecnológica de todo o Projeto Santa Quitéria foi aprovada pela CNEN, conforme item 1e) da Nota Técnica nº 13/2022/CGRC/DRS (página 208 – Volume V – Anexo I – SEI 17843138).

Purificação do Ácido Fosfórico - Neste item o EIA traz um histórico da evolução da rota tecnológica visando o beneficiamento do ácido fosfórico, principalmente quanto a extração do U e do Th, e em atendimento ao Ofício nº 153/2017- CGRC/CNEN, de 27/07/17 (página 198 – Volume I – SEI 17842400). A rota tecnológica do Projeto Santa Quitéria foi aprovada pela CNEN, conforme item 1e da Nota Técnica nº 13/2022/CGRC/DRS (página 198 – Volume I – SEI 17842400).

Este processo dá origem a uma lama com elevadas concentrações de Fe, Al e Mg; baixas concentrações de P2O5, e era eficiente na remoção de lantanídeos e actinídeos, incluindo o Th. Solicita-se ao empreendedor que seja estudada a viabilidade de comercialização da lama gerada, uma vez que esta é enriquecida em Terras Raras (lantanídeos).

Atendimento à Demanda de Água - Para a implantação e operação do projeto, foram avaliadas diferentes formas de abastecimento de água, que consideraram o uso de água superficial (que foi considerada inviável uma vez que os cursos d’água na região são intermitentes); água subterrânea (pouco promissor mas pode ser viável durante a implantação do empreendimento); Reservatórios sob Gestão da SRH/COGERH (insuficientes para a fase de implantação); Sistema adutor desenvolvido pela Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH) (seria responsável pelo abastecimento principalmente durante a operação do empreendimento); Açudes particulares (em estudo, uma vez que a maioria dos reservatórios é irregular).

Ao final deste item, o EIA apresenta um resumo das principais alternativas para o fornecimento de água para o empreendimento:

Fase de Instalação – captação diretamente no açude Edson Queiroz com o uso de caminhões pipa. A rota utilizada seria, a partir do açude, a rodovia CE-257, CE-168 e CE-366 até o empreendimento (aproximadamente 150 km ida e volta). Estimou-se 26 (vinte e seis) caminhões pipa fazendo esse trajeto duas vezes por dia durante 34 (trinta e quatro) meses. De forma secundária seriam utilizados açudes particulares localizados próximo ao projeto. Não foi definida qual será realmente a forma secundária de abastecimento de água pois ao longo de texto ora se fala em água subterrânea, ora se fala em açudes particulares, devendo este ponto ser esclarecido.

Dados os problemas de escassez de água na região, e a necessidade de um elevado fluxo de caminhões para o Açude Edson Queiroz para o abastecimento do complexo durante as obras, por estradas não asfaltadas e em condições precárias de manutenção, esta equipe entende que as opções apresentadas visando o abastecimento de água durante a implantação do empreendimento não são viáveis, tendo em vista que os impacto gerados não foram avaliados dentro do projeto e não são mitigáveis.

Alternativas de Transporte de Insumos e Produtos - A alternativa de transporte rodoviário foi considerada a solução mais viável para o transporte de insumos e produtos para o empreendimento. As obras necessárias visando a melhoria da infraestrutura rodoviária já existente estão previstas no Memorando de Entendimentos assinado entre o Governo do Estado do Ceará e o Consórcio Santa Quitéria (Volume de Anexos - Anexo 3.2-1 – SEI 17843138). As obras necessárias visando a ligação da CE-366 e a portaria do PSQ, bem como as vias internas do empreendimento serão de responsabilidade do Consórcio Santa Quitéria.

É pertinente observar que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT, realizou levantamento das Obras de Arte Especiais (disponível em https://www.gov.br/dnit/pt-br/rodovias/mapa-de-gerenciamento/mapas-de-obras-de-arte-especiais-marco-2023/), atualizado em 04/04/2023, em que podem ser identificadas diversas estruturas (pontes, pontilhões, viadutos), no trajeto a ser utilizado pelo empreendimento, classificadas como em situação ruim, inclusive com algumas em situação crítica. Nesse contexto, solicita-se que seja apresentada avaliação da capacidade da malha viária, com destaque para a Rodovia BR-020 (mas não exclusivamente), para receber o incremento de viagens e cargas previstas para o empreendimento.

Especificamente quanto ao transporte do material radioativo (U), foi informado que será elaborado plano específico de transporte rodoviário e que este será objeto de aprovação futura por parte da CNEN. Ressalta-se que o Plano de Transporte também deverá ser apresentado ao Ibama para avaliação das questões ambientais relacionadas ao mesmo.

 

4.3. ALTERNATIVAS LOCACIONAIS

Segundo o EIA, na proposta apresentada como alternativa locacional, a área diretamente afetada de todo o projeto chega a 379,75 hectares, dos quais 360ha representam a necessidade de remoção de cobertura vegetal nativa, a supressão de quatro cavidades de relevância baixa e média, com utilização de 6,5% da Fazenda Itataia, de propriedade da INB.

Ainda segundo as informações apresentadas, a área selecionada foi submetida à CNEN para pleito da Autorização para Posse, Uso e Armazenamento de Minérios, Matérias-Primas e demais Materiais contendo Radionuclídeos das Séries Naturais do Urânio e/ou Tório em Instalações Mínero-Industriais nas quais sejam lavrados, beneficiados, incluindo locais de armazenamento inicial de escórias e resíduos radioativos, em observância à Norma CNEN NN 4.01 vigente, que trata dos “ Requisitos de Segurança e Proteção Radiológica para Instalações Mínero-Industriais”. A Concessão dessa autorização foi feita através da Resolução n. 314, de 08 de setembro de 2023, publicado no Diário Oficial da União.

O Mapa 7.1-1 (página 192 – Volume I – SEI 17842400) mostra um comparativo entre as alternativas locacionais propostas para o ano de 2014, 2021 e 2023. Embora as diferentes alternativas locacionais tenham sido apresentadas em mapa, não houve uma discussão sobre os pontos positivos e pontos negativos das alternativas locacionais apresentadas e uma comparação entre elas, justificando a escolha da alternativa, o que está em desacordo com o Termo de Referência, devendo este ponto ser apresentado como complementações.

Embora tenham sido apresentadas as premissas utilizadas para justificar a adequação da alternativa locacional sugerida, estas se referem basicamente aos meios físico e biótico, não tendo sido apresentada nenhuma premissa relacionada ao meio socioeconômico, o que também está em desacordo com o solicitado no Termo de Referência do empreendimento, devendo este ponto ser corrigido pelo empreendedor.

Quanto à disposição do estéril e do fosfogesso, estudar a viabilidade de disposição parcial destes no interior da cava a partir do segundo ou terceiro ano de operação; verificar a possibilidade de dar outra destinação à lama enriquecida de Th e lantanídeos (terras raras) que não seja a pilha de fosfogesso (comercialização?); verificar a possibilidade de comercialização do fosfogesso (total ou parte deste) como insumo agrícola ou outros usos, tais como condicionador de solos, construção civil, indústria cimenteira e como fonte de sulfato em aplicações industriais. São sugestões que visam reduzir o impacto ambiental do empreendimento, considerando que se trata de sugestão que minimizam a geração de rejeito ou dão outra destinação a este.

 

DEFINIÇÃO DAS ÁREAS DE INFLUÊNCIA

Na página 602 do Volume 1, o EIA afirma que somente a Área Diretamente Afetada (ADA) e a Área de Influência Direta (AID) serão alvos de ações de controle e mitigação. Desta maneira, o estudo indica que não considerou a Área de Influência Indireta (AII) para avaliar e propor medidas de compensação pelos impactos ambientais causados pelo empreendimento (art. 5º e 6º da Resolução Conama nº 01/86).

Questiona-se ainda a delimitação da Área Diretamente Afetada, pois não engloba toda a área da Fazenda Itataia, onde está localizado o empreendimento. Cabe lembrar que a INB é proprietária do terreno e, por isso, tem certa liberdade de intervenção no imóvel para além da ADA informada no EIA, o que afastaria qualquer ação de mitigação caso ocorra algum impacto.

A delimitação das áreas de influência do meio socioeconômico foi definida após a elaboração de Diagnóstico Socioambiental, baseado em conceitos de Área de Estudo Regional e Local (Volume 3) e Avaliação de Impactos (Volume 4).

 

5.1. ÁREA DIRETAMENTE AFETADA (ADA)

Segundo o EIA, a ADA definida para o PSQ contempla a área de implantação e operação do projeto composta principalmente pelos seguintes elementos: (i) área da mina; (ii) pilha de estéril e pilha de fosfogesso e cal; (iii) área de estocagem de minério; (iv) área industrial; (v) infraestruturas de apoio; vi) lagoas, diques e sumps e vii) acessos internos entre as estruturas que compõem o empreendimento. Ressalta-se que os limites da ADA contemplam uma área de segurança (“buffer” de até 50 metros a partir das projeções das estruturas), o que possibilita pequenas modificações em suas dimensões na etapa de projeto executivo, sem incorrer em aumento de ADA.

Entretanto, conforme informado no Parecer Técnico nº 99/2025-Comip/CGTef/Dilic (SEI 23204211), a ADA do empreendimento foi estabelecida sem a realização do estudo da área de vida da espécie ameaçada de quiróptero Furipterus horrens. Ainda segundo o parecer, o monitoramento desta espécie, com o devido estabelecimento da sua área de vida, pode levar a mudanças na delimitação da ADA, o que por sua vez pode levar a alterações nos procedimentos de licenciamento e atrasos na realização do projeto. Considerando que o atual parecer está evoluindo para a solicitação de complementações ao empreendedor, solicita-se que, juntamente com as complementações ao estudo, seja apresentado o monitoramento da espécie Furipterus horrens, com a definição da sua área de vida, e verificação de necessidade ou não de ajustes na ADA do empreendimento. Em caso afirmativo, que sejam realizados os ajustes necessários na ADA e as devidas correções no EIA do empreendimento.

 

5.2. ÁREA DE INFLUÊNCIA DIRETA (AID) DOS MEIOS FÍSICO E BIÓTICO

Para os Meios Físico e Biótico, a AID foi definida considerando-se elementos fisiográficos naturais, tais como: bacias hidrográficas e serras e outras características relevantes, como a direção dos ventos. A AID considerou as áreas onde se espera que ocorram os impactos relacionados aos componentes dos meios físico e biótico, tais como solo, água superficial, água subterrânea, fauna, flora, qualidade do ar, ruído, entre outros.

Assim, a AID corresponde à região compreendida pela sub-bacia do riacho do Mulungu, afluente do rio Groaíras pela sua margem direita. Esta sub-bacia tem como limite, a norte, a crista da Serra do Céu; a leste, a Serra das Laranjeiras e a Serra do Quati; a sul, as Serras de São João e da Negra; a sul-sudoeste, a serra Arapuá. Por fim, a noroeste, localiza-se a serra do Gavião, onde nascem os riachos do Bitu e da Gangorra, formadores do riacho Cunha Moti, que é afluente pela margem direita do riacho do Mulungu. 

Nesta área está contida a totalidade da Fazenda Itataia, onde está localizada a ADA do futuro empreendimento.

No Parecer Técnico Nº 148 (14372547) em sua página 354 (conforme citado abaixo) foi abordado a questão da importância da delimitação da área de vida do morcego ameaçado de extinção Furipterus horrens para a correta definição dos limites da AID para o meio biótico e da ADA. O presente EIA tinha por objetivo atender as solicitações do TR e do Parecer Técnico Nº 148 em relação as pendências identificadas. Em se tratando da definição dos limites da AID e da ADA considera-se a realização da definição da área de vida do Furipterus horrens fundamental para a correta definição destas áreas. E, portanto, a ausência dessa informação no EIA ora analisado é uma deficiência grave que já deveria ter sido sanada. Portanto, entende-se que essa informação deve ser apresentada antes da decisão sobre a viabilidade ambiental.

“No que se refere ao meio biótico, a AID foi definida sem dados suficientes sobre a área de vida da espécie ameaçada de extinção de morcego Furipterus horrens de ocorrência nas cavidades próximas do empreendimento. Desse modo, em caso de aumento de raio de influência dessas cavidades, após estudo detalhado dessa espécie, os limites da AID e da ADA do empreendimento poderão ser alterados.” (pg.354 do Parecer Técnico Nº 148)

 

5.3. ÁREA DE INFLUÊNCIA INDIRETA (AII) DOS MEIOS FÍSICO E BIÓTICO

Para a AII dos Meios Físico e Biótico foi definida a região que abrange o trecho da bacia do rio Groaíras que compreende desde suas nascentes, na divisa dos municípios de Santa Quitéria e Monsenhor Tabosa, até o trecho imediatamente a jusante da confluência com o riacho das Pintas com o rio Groaíras. Portanto, inclui também outras sub-bacias, como as do riacho do Mulungu, riacho Arapuã, riacho dos Porcos e riacho do Desterro.

 

5.4. ÁREAS DE INFLUÊNCIA DO MEIO SOCIOECONÔMICO

Área de Influência Indireta (AII): população dos municípios de Santa Quitéria, Itatira, Canindé e Madalena.

Área de Influência Direta (AID): o estudo enumera as seguintes localidades:

  • Projeto de Assentamento Queimadas

  • Comunidade de Cantina

  • Projeto de Assentamento Morrinhos

  • Comunidade Barriguinha

  • Comunidade Quixabá

  • Comunidade Fazenda Tapera

  • Comunidade Pajeú

  • Comunidade Fazenda Ponteira

  • Fazenda Oriente/Novo Oriente

  • Raposa 

  • Mourão

  • Lagoa do Mato

  • São Joaquim

  • Projeto de Assentamento Umarizeira

  • Boa Vista

  • Bola de Ouro

  • Poço de Pedra

  • Machadinho

  • Barro Vermelho

  • Santana

  • Sabonete

  • Macaoca

  • Sede urbana do município de Santa Quitéria

  • Sede urbana do município de Itatira

  • Sede distrital de Lagoa do Mato

  • Sede distrital de Riacho das Pedras

  • Projeto de Assentamento Saco de Belém.

Desconsiderou-se o trajeto dos caminhões durante a fase de instalação.

O EIA considerou, portanto, as localidades (pontos) como AID, caracterizando um erro metodológico, pois como o próprio nome indica a “Área” deve ser considerada em duas dimensões.

Quando uma área é definida como ponto, exclui-se na análise ambiental a interação comunidade-ambiente que a envolve, desconsiderando, por exemplo, o modo de vida local e a utilização dos recursos naturais pelas comunidades. Ao mesmo tempo, o método acaba considerando como AII um impacto ambiental que ocorre próximo a uma comunidade.

Lembra-se que, conforme analisado acima, o EIA não considerou a AII para elaboração de ações de controle e mitigação.

O mapa da página 607 do Volume 1 (Definição das Áreas de Influência do Meio Socioeconômico) não apresentou elementos fundamentais para o processo, como os recursos hídricos (localização dos açudes, rios, córregos e outras massas d’água) e estradas vicinais. Salienta-se que a região apresenta características de clima semiárido com alta sensibilidade hídrica, o que aumenta o grau de vulnerabilidade social e climática da população afetada.

A Área de Influência Indireta desconsidera o próprio recorte da área de influência definida para alcance dos impactos dos meios físico e biótico, cujo recorte inclui uma área do município de Catunda. Desconsidera também as relações regionais do município de Santa Quitéria com o município de Sobral, como centro regional importante de serviços como saúde da população local.

Considerando o exposto ao longo deste item, as áreas de influência direta e indireta do meio socioeconômico deverão ser redefinidas por meio de novo diagnóstico socioambiental participativo (DSAP), que definirá novas áreas de estudo.

 

ANÁLISE DO DIAGNÓSTICO DO MEIO FÍSICO

6.1. CLIMA E METEOROLOGIA

Clima e Meteorologia são abordados no item 11.1.1 do EIA (Vol. II-A), sendo realizada caracterização nas escalas local e regional, utilizando dados secundários.

O Estudo utiliza dados de diferentes estações e postos pluviométricos, mas não indica o motivo para não utilização de períodos contínuos de tais dados. É possível imaginar que existam lacunas de dados, tal informação deve ser explicitada. Adicionalmente, é pertinente observar que o Estudo foi apresentado em 2023 e dados mais recentes (pelo menos até 2022) poderiam ter sido incorporados.

A Figura 11.1-4 (p. 46, Vol.II-A) apresentou a distribuição da precipitação das estações e postos pluviométricos analisados, sendo possível identificar os maiores índices pluviométricos nos meses de março e abril, atribuídos a ocorrência de sistemas atmosféricos, com destaque para a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). A Figura 11.1-4 (p. 47, Vol.II-A) apresenta a distribuição do número de dias sem chuvas na estação Quixeramobim, que o estudo aponta como um indicador importante sobre a irregularidade das chuvas durante o ano hidrológico, sendo considerado dia sem precipitação os que apresentam precipitação inferior a 1 mm. Na figura e texto há indicação de que os meses de setembro a novembro são os que registram maior número de dias sem precipitação, superando os 30 dias. Março e abril são os meses que apresentam menor número de dias sem precipitação, entre 18 e 19 dias.

O Estudo apresenta rosa dos ventos (fig. 11.1-21) a partir dos dados obtidos da Estação Itataia, onde é possível visualizar, frequência, direção e velocidade dos ventos. Considerando que não é utilizada a mesma rosa dos ventos (fig. 11.1-21) e mesmos dados do diagnóstico no Estudo de Dispersão Atmosférica, entende-se que deverão ser apresentados esclarecimentos relacionados, justificando qual rosa dos ventos seria a mais adequada para a caracterização esperada.

A questão de eventos extremos e mudanças climáticas foi abordada em tópico específico do Estudo, sendo indicado que as projeções do IPCC sinalizam um aumento das temperaturas máximas anuais extremas no Nordeste brasileiro entre 2°C e 2,5°C, dependendo do cenário de aquecimento global, o que pode agravar ainda mais a variabilidade e escassez hídrica da região, que já é bastante severa.

 

6.2. QUALIDADE DO AR

O Estudo adota os padrões de qualidade do ar previstos na Resolução Conama n° 491/2018, vigente na época de protocolo do Estudo. É pertinente observar que, em 09/07/2024, foi Publicada a Resolução Conama n° 506/2024, revogou parcialmente a Resolução Conama n° 491/2018, estabelecendo padrões nacionais de qualidade do ar e fornecendo diretrizes para sua aplicação. O dispositivo atual prevê a adoção de padrões de qualidade do ar a serem cumpridos em etapas, sendo que a primeira etapa (PI-1) vigoraria até 31/12/2024, a segunda (PI-2) entrou em vigor em 01/01/2025, a terceira (PI-3) entrará em vigor em 01/01/2033, a quarta em 2044 (com possibilidade de antecipação ou prorrogação) e os padrões de qualidade do ar finais entrarão em vigor em data a ser definida por resolução do Conama.

Especificamente com relação aos poluentes Monóxido de Carbono - CO, Partículas Totais em Suspensão - PTS e Chumbo – Pb, a Resolução Conama n° 506/2024 prevê que será adotado o padrão de qualidade do ar fina já a partir da data de sua publicação (09/07/2024).

Entende-se como pendências do diagnóstico de qualidade do ar a ausência de discussão e justificativa sobre a escolha dos pontos de medição; e de discussão de resultados referentes ao material particulado (MP2,5, MP10, PTS) e monóxido de carbono (CO). Adicionalmente, por ocasião da apresentação das informações solicitadas, entende-se que deverão ser apresentadas as adequações relacionadas à alteração na legislação, considerando a Resolução Conama n° 506/2024 estabeleceu novos padrões de qualidade do ar.

 

6.3. RUÍDO E VIBRAÇÃO

Os resultados de medição de ruído foram apresentados no Quadro 11.1.3-5 contemplando os pontos 12 amostrados, em períodos diurno e noturno, e a indicação das fontes sonoras predominantes. É pertinente destacar a predominância de ruídos de fauna e do vento na vegetação, sendo identificado em pontos isolados sons de tráfego de veículos (P-11 e P-12), vozes (P-09) e animais domésticos (P-02). No período noturno a principal fonte sonora identificada foram os sons de fauna, com identificação pontual de sons de tráfego de veículos nos pontos P-03, P-08 e P-12. O ponto com maior nível de ruído amostrado foi o P-12, localizado no distrito de Lagoa do Mato (único em área urbanizada), cujas fontes sonoras registradas foram sons de fauna, vento na vegetação e tráfego de veículos.

Quanto à vibração, foi indicada a ocorrência de picos perceptíveis em todos os pontos avaliados, mas em níveis sem potencial de danos à saúde ou às edificações, conforme Quadro 11.1.3-6. O Estudo indica que os picos de vibração aferidos, assim como para os ruídos, teriam origem natural, justificando a inexistência de atividade humana nos locais de medição, como tráfego pesado de veículos ou atividades industriais. No entanto, considerando que os valores aferidos parecem extrapolar valores de vibração natural, inclusive adentrando a níveis de potenciais incômodos à população (aspecto não abordado no estudo), entende-se que a afirmação de que os valores aferidos são de origem natural e estão corretos deverá subsidiada por bibliografia relacionada, cabendo detalhamento das possíveis causas de vibrações elevadas ou eventualmente confirmação por realização de nova campanha de vibrações.

 

6.4. GEOMORFOLOGIA

A caracterização foi apresentada com base na compilação e análise de dados bibliográficos e cartográficos preexistentes, estudos ambientais anteriores, levantamento topográfico georreferenciado atualizado em 2021 e inspeções técnicas realizadas pela consultoria Tetra Mais em novembro de 2020 e junho de 2021. As pendências identificadas na caracterização são apresentadas a seguir.

O Mapa 11.1-4, denominado “Domínio Morfoestrutural dos Cinturões Móveis”, contempla as principais unidades geomorfológicas que ocorrem na região de estudo. Ainda que seja possível interpretá-lo com as informações apresentadas em texto e demais mapas dispostos no Estudo, é pertinente registrar que o referido mapa apresenta problema em sua legenda, não sendo indicados os significados das cores de fundo e de delimitações apresentadas (áreas de influência, cursos e acúmulos d’água, serras, domínio morfoestrutural, limites municipais). Entende-se que o mapa deve ser reapresentado, com a legenda corrigida.

A Figura 11.1-46, apresenta três perfis topográficos cujas localizações estariam dispostas no Mapa Geomorfológico da AID e ADA (Mapa 11.1-7), no entanto, observa-se que os perfis diferem das localizações indicadas no referido mapa e estão em consonância com as localizações apresentadas na Figura 11.1-47.

 

6.5. PEDOLOGIA

Foi informado que, no âmbito da AII do empreendimento predominam cinco ordens principais de solo, a saber: Luvissolos Crômicos, Planossolos Háplico, Neossolos Litólicos, Argissolos Vermelho e Chernossolo Rêndzico. Em seguida é apresentada uma descrição geral de cada classe de solo, seu local de ocorrência na AII e o percentual da área que este engloba.

Em termos locais (ADA e AID), o estudo informa que os baixos índices pluviométricos favorecem o intemperismo físico sobre o químico, de modo que os solos não apresentam uma evolução pedogenética significativa, e mostram grande correlação com a geologia local. Deste modo, o arcabouço pedológico tende a ser homogêneo, com predominância dos Neossolos Litólicos, subordinadamente Flúvicos, com ocorrências conjuntas de Chernossolo Rêndzicos e Cambissolos Vermelhos, além de áreas com afloramentos rochosos.

Foi apresentada, então, uma breve descrição dos tipos de solo identificados na ADA e AID e feita a correlação com a litologia associada.

O estudo informa que foram realizadas Sondagens a Trado, que indicaram que a formação Alcantil apresenta maior porcentagem de sedimentos finos (reflexo da presença de rochas químicas e pelíticas), enquanto a formação Barrigas mostra maiores concentrações de sedimentos arenosos e pedregosos, resultado da alteração dos paragnaisses que a constituem.

Também foi informado da realização de Ensaios de Rebaixamento d’Água no Solo, visando verificar a condutividade hidráulica nas diferentes classes pedológicas presentes na AID. Foram realizados dois ensaios de rebaixamento: um no ano de 2021, e outro no ano de 2023.

Questiona-se se os dados obtidos no ano de 2021 podem ser comparados com os dados obtidos no ano de 2023 uma vez que se constatou diferença metodológica entre os dois ensaios: No ensaio realizado no ano de 2021 todas as sondagens apresentavam profundidade em torno de 0,50m; enquanto em 2023, as sondagens não apresentam uma profundidade uniforme, variando de 0,40 a 1,55m, não tendo sido apresentada nenhuma justificativa para a variação observada nos furos (tentativa de se atingir sempre o mesmo horizonte do solo?). No ensaio realizado no ano de 2021 foi informada a quantidade de água utilizada no ensaio de rebaixamento da água (Quadro 11.1.5-3 – página 156 – Volume IIA), enquanto esta informação não consta no ensaio realizado no ano de 2023 (Quadro 11.1.5-4 – página 158 – Volume IIA). Por fim, os gráficos Rebaixamento (m) x Tempo (s) dos ensaios realizados no ano de 2021 se iniciam com Tempo (s) = 0s, enquanto nos gráficos dos ensaios realizados no ano de 2023 se iniciam com Tempo (s) = 600s (folhas 163 a 169 do Volume IIA).

Segundo o EIA, os resultados obtidos indicam uma condutividade hidráulica da ordem de 10-04cm/s, que estariam de acordo com a condutividade média se solos contendo silte, areia fina e argila.

Foi informado sobre a realização da Caracterização Química dos Valores de Base para os Solos da ADA, com a coleta e análise de 32 amostras de solo. Essas amostras foram analisadas visando a caracterização dos radionuclídeos antes da operação do empreendimento. Os resultados mostraram que o Tório foi identificado em todas as amostras, enquanto o Urânio natural foi constatado acima da atividade mínima detectável em 30 das 32 amostras coletadas.

Também foram coletadas amostras de solo visando determinar o nível de contaminação do local, com determinação dos parâmetros previstos na Resolução CONAMA 420/2009. A escolha dos pontos de amostragem do solo foi orientada de forma a realizar ao menos uma coleta em cada tipo de solo e em diferentes tipos de domínios geomorfológicos.

Ressalta-se que nem no mapa 11.1-11 (página 147 – Volume IIA), nem no mapa 11.1-12 (página 155 – Volume IIA) estão dispostos os pontos que foram utilizados para amostragem do solo. Somente foram ilustrados os pontos onde foram realizados os testes de condutividade hidráulica, e mesmo assim com problemas, uma vez que no mapa 11.1-11 nem todos estes pontos foram identificados no mapa. Deste modo, esta equipe não pode avaliar se a malha amostral utilizada no estudo foi adequada ou não. Deverá ser apresentado novo mapa com a localização de todos os pontos de amostragem de solo, obtidos nas campanhas de 2011, 2021 e 2023, juntamente com uma descrição desses pontos em termos de pedologia e geomorfologia, de modo a permitir avaliar se a distribuição está adequada e se realmente houve uma coleta em cada tipo de solo e em diferentes tipos de domínios geomorfológicos.

Ainda com relação aos mapas 11.1-11 e 11.1-12, os mesmos apresentam informações que não constam da legenda do mapa (por exemplo, o que seriam AF, NF, NL1 e NLS?); existe um excesso de informação geográfica que “contamina” o mapa (por exemplo, precisa mesmo nomear tantas drenagens, tantos acidentes geográficos?) e, principalmente no mapa 11.1-12, foram apresentadas várias informações no mesmo mapa (relevo, pedologia, localização dos pontos de execução dos testes de permeabilidade, ADA, AID, limite municipal, limite da Fazenda Itataia e drenagens) dificultando a individualização da informação de interesse. Solicita-se que sejam apresentados mapas mais simples, com menor número de informações, para melhor visualização da informação que se quer apresentar, mesmo que isto resulte em um maior número de mapas a ser elaborado.

O EIA, à página 172, volume IIA, traz então a descrição de ao menos três métodos de amostragem e a utilização de dois laboratórios nas análises, o que causou confusão na equipe técnica:

No primeiro parágrafo da página 172, foi informado que: “As sondagens foram realizadas de acordo com a norma ABNT/NBR 15.492/2007 – Sondagem de reconhecimento para fins de qualidade ambiental, com descrição dos tipos de solos segundo a ABNT NBR 6502/1995 - Rochas e Solos; A Coleta de amostras de solo foi realizada de acordo com as normas ABNT/NBR 16.434/2015 Amostragem de resíduos sólidos, solos e sedimentos — e ABNT/NBR 16.435/2015; Controle qualidade na amostragem para áreas contaminadas; com acondicionamento, refrigeração e elaboração das cadeias de custódia. Após a coleta e acondicionamento adequado, todas as amostras foram enviadas ao laboratório analítico (Bioagri Laboratórios Ltda.), visando a determinação dos parâmetros previstos na Resolução CONAMA nº 420/2009”

No segundo parágrafo da página 172 foi informado que: “As amostras de 2011 (ARCADIS LOGOS, 2014), de 2021 (Tetra Mais/BTB Explores) e de 2023 (Tetra Mais/BTB Explores) foram coletadas através de pequenas escavações com 1 m x 1 m e 20 cm de profundidade”.

Enquanto no último parágrafo da página 172 foi informado que: “com o levantamento dos ensaios de rebaixamento d’água no solo supracitados no item anterior, foram coletadas amostras do solo e enviadas para o laboratório Mérieux NutriSciences, para análise por cromatografia VOC, seguindo os parâmetros da Resolução CONAMA nº 420/2009. As amostras foram coletadas no ponto mais fundo das sondagens”.

Deste modo, a equipe não sabe se todas as amostras foram coletadas segundo as normas da ABNT; se foram coletadas através de pequenas escavações; se as amostras coletadas em 2023 foram coletadas em pequenas escavações e em profundidade, através de sondagem e se depois foram quarteadas para homogeneização. Este ponto deve ser esclarecido pelo empreendedor.

A mesma dúvida surge quanto ao laboratório de análise: não se sabe se todas as análises foram realizadas pelo laboratório Bioagri com as amostras coletadas no ano de 2023 também sendo analisadas pelo laboratório Mérieux. Para sanar as dúvidas quanto ao laboratório utilizado, procurou-se as fichas de análise disponibilizadas no Volume V – Anexo IIA, o que só aumentou as dúvidas; pois pelas fichas de análise, somente as amostras coletadas no ano de 2011 foram analisadas pelo laboratório Bioagri, com as demais sendo analisadas pelo laboratório Mérieux. Este ponto deve ser esclarecido pelo empreendedor.

Através da análise das fichas de análise disponibilizadas no Volume V – Anexo IIA, surgiu outra dúvida: qual a real profundidade da amostra coletada para análise. Como mostrado no item c) acima, as amostras teriam sido coletadas no ponto mais fundo das sondagens. Entretanto, segundo as fichas de análise, as amostras teriam sido coletadas a uma profundidade entre 30cm e 1,0m. Não foi apresentada justificativa para a mudança na metodologia de coleta das amostras (nos anos de 2011 e 2021 foi feita a coleta de amostras superficiais enquanto no ano de 2023 foram feitas coletas de amostras sub-superficiais); não foi apresentada justificativa para a variação na profundidade da coleta das amostras no ano de 2023; qual impacto dessas duas variáveis (alteração da metodologia de coleta e variação na profundidade das coletas) nos resultados obtidos; e se os dados obtidos no ano de 2023 ainda podem ser comparados com os resultados obtidos nos anos de 2011 e 2021.

Quando da apresentação dos resultados das análises de solo, o Quadro 11.1.5-8 (página 175 – Volume IIA) apresentou somente os dados coletados no ano de 2023 e dos elementos químicos que ultrapassaram o limite de quantificação. Segundo as informações apresentadas, apenas Cd, Ag e Se não foram detectados. Estranhou-se o fato de não terem sido dispostos, para comparação, os dados obtidos nas campanhas realizadas nos anos de 2011 e 2021, principalmente se considerarmos que esses valores foram utilizados em comparativos ao longo do texto, devendo este ponto ser corrigido pelo empreendedor (após justificar o que foi solicitado no parágrafo anterior).

Segundo o EIA, foram constatadas concentrações acima dos valores de prevenção (VPs) para As (amostra P-11C, ST09), Ba (amostras P- 11C, P-1, ST09, ST10 e ST11, ST15 e ST17), Ni (amostra P-1 e ST02), Sb (ST05, ST07, ST09, ST10, ST13 e ST14), e Cr (ST05); bem como Hg nas amostras ST05, ST10, ST14 e ST15, porém todos abaixo do valor de 0,5 mg/kg. Foi informado que esses valores se encontram espalhados pela AID, sendo considerados como naturais do solo da região.

Os hidrocarbonetos aromáticos e policíclicos aromáticos, compostos organoclorados, fenóis não clorados e ésteres ftálicos e pesticidas organoclorados estão todos em concentrações abaixo dos valores de prevenção (VPs) da Resolução CONAMA nº 420/2009. Os PCBs não foram quantificados em nenhuma das amostras. O estudo ressaltou que os limites de quantificação do método analítico para os PCBs estão acima dos VPs, mas abaixo de todos os Valores de Investigação (VIs) da Resolução CONAMA nº 420/2009.

No Estudo de Fragilidade à Erosão foi elaborado mapa de fragilidade a erosão, com a classificação quanto a fragilidade a erosão variando de muito baixa a muito alta. Segundo o EIA, a fragilidade à erosão da AID está condicionada, principalmente, pelo fator relevo, uma vez que os valores de erodibilidade dos diferentes tipos de solos presentes na área de influência, Erosividade da chuva e ocupação do solo se mostraram aproximadamente constantes.

Foi dito que a maior parte da AID e praticamente toda a ADA possui muito baixa a baixa fragilidade à erosão, uma vez que coincide com as áreas de relevo mais suave. As áreas de afloramento rochoso também apresentam muito baixa fragilidade à erosão, uma vez que nestas áreas não predominam processos erosivos, mas sim instabilidade de blocos. As áreas de fragilidade média a alta estão localizadas onde predominam as formas de relevo mais acidentadas, como a Serra do Céu, uma vez que nessas regiões se tem alta declividade, significativo comprimento de rampa e presença de Neossolos Litólicos e Cambissolos.

 

6.6. GEOTECNIA

Para desenvolvimento da caracterização geotécnica, o EIA apresenta relação das amostras de solo e os diversos ensaios realizados ao longo de diferentes períodos (2005, 2011, 2022), contemplando na sua maioria pontos na ADA e alguns na AID, nas Formações Alcantil e Barrigas. As amostras deformadas e indeformadas foram submetidas aos ensaios de granulometria, limites de Atterberg, Índice de Atividade das argilas, análise por difração de raios-X, compactação por Proctor Normal, Índice de Suporte Califórnia, Parâmetros Físico-Químicos, Condutividade Hidráulica (Infiltrômetro de Parede Dupla). Destaca-se que em 2022 foram realizados 126 furos de sondagem SPT (Standard Penetration Test) concentradas principalmente na área da ADA. O Anexo 11.1.7-1 (Vol. V Anexo IIA, pg. 366-567) apresenta os perfis de sondagens e análises realizadas nos anos de 2011, 2021 e 2022.

O EIA aponta que durante a fase de implementação do empreendimento e construção das estruturas, está previsto a realização de sondagens mistas (percussivas e rotativas) para avançar nos conhecimentos geológicos-geotécnicos. Os estudos têm como objetivo principal a avaliação de presença de cavidades subsuperficiais, bem como a determinação em nível executivo do perfil do solo/rocha (modelo geológico-geotécnico), de modo a se avaliar as influências para o suporte de tensões do terreno. A incerteza quanto ao perfil do solo/rocha e quanto à existência ou não de cavidades subsupeficiais geram igual incerteza quanto à capacidade de resistência dos terrenos onde se assentarão as estruturas da planta industrial e principalmente as pilhas de estéril e de fosfogesso e cal. Nesse momento, não é possível afastar totalmente a eventual necessidade de alteração de local e/ou geometria dessas pilhas, caso medidas de tratamento das cavidades não se mostrem viáveis técnica ou economicamente. Dessa forma, é necessário proceder a realização das sondagens mistas, para avaliação da viabilidade locacional das estruturas do empreendimento.

Em relação à suscetibilidade à movimentação de massa, estão apresentadas quatro unidades geotécnicas, classificadas da seguinte forma: Muito Baixa Suscetibilidade à Movimentação de Massa; Baixa Suscetibilidade à Movimentação de Massa; Média Suscetibilidade à Movimentação de Massa, Média a Alta Suscetibilidade à Movimentação de Massa. Nesse item, há dois mapas com a classificação dos terrenos, sendo um ilustrando a AID e outro a ADA. De modo geral, a AID apresenta, predominantemente, uma suscetibilidade à movimentação de massa muito baixa a baixa, associada a uma muito baixa fragilidade à erosão. As áreas mais críticas a instabilidades se referem às encostas da Serra do Céu, ao norte da AID, as quais são caracterizadas por média a alta suscetibilidade a movimentos de massa, associada à média fragilidade à erosão. Em áreas de afloramentos rochosos associadas a regiões com declives, predominam média a alta suscetibilidade a movimentos de massa, essencialmente representadas por queda, tombamento e rolamento de blocos. Localmente, ocorrem pontos de média a alta suscetibilidade a problemas geotécnicos associados a terrenos cársticos. Quanto à área da jazida/cava, as superfícies sujeitas a escorregamentos são representadas pelas descontinuidades associadas às foliações, que combinadas com fraturas subverticais podem dar origem a rupturas planares ou em cunha.

O EIA também apresenta estudo de sismicidades, considerando que o empreendimento se localiza em uma das áreas mais sismicamente ativas do país, com eventos que ultrapassam magnitude 5 na escala Richter. Os coeficientes de sismos horizontal e vertical - utilizados para cálculo das forças adicionais (análise pseudo-estática) àquelas consideradas no Método de Equilíbrio Limite para determinação dos fatores de segurança de estabilidade dos taludes - foram determinados com procedimento que abordou valores de aceleração de pico de tereno (PGA) obtidos em estudo técnico disponível na literatura; ajuste do tempo de retorno para 1.000 anos para a cava e para a pilha de estéril e para 10.000 anos para a pilha de fosfogesso e cal, com utilização da equação de EUROCODE 8; e finalmente o cálculo do coeficiente sísmico horizontal pela equação de Duncan e Wright (coeficiente sísmico vertical foi adotado como sendo 2/3 do coeficiente sísmico horizontal).

A estabilidade da jazida (cava) foi analisada com base na orientação espacial das descontinuidades identificadas durante o levantamento de campo, que foram tratadas estatisticamente por meio de projeções estereográficas, possibilitando a definição das principais famílias estruturais. A partir da análise do diagrama obtido, foi realizada uma análise da estabilidade geométrica de futuros taludes de cortes, com identificação das descontinuidades planares e cunhas biplanares e triplanares. Para a fase operacional da mina, a caracterização geotécnica considerou a análise geométrica da cava projetada. Em 2023, os estudos sobre a estabilidade dos taludes da cava, bem como das pilhas de estéril e de fosfogesso e cal, foram atualizados com base nos parâmetros geomecânicos estimados (critérios de resistência de Hoek Brown e de Mohr-Coulomb) nas geometrias previstas dessas estruturas, realizando a análise por Método de Equilíbrio Limite, com cálculo do Fator de Segurança pelos métodos de Spencer e Morgenstern-Price, incluindo também análises pseudo-estáticas para consideração de sismos.

Em relação à capacidade de suporte dos terrenos de fundação para as pilhas de estéril e fosfogesso e cal, o EIA afirma que as tensões não devem exceder os 2 MPa, chegando a no máximo 500 kPa a 2000 metros, enquanto as rochas gnáissicas da região têm como resistência próxima a 150 MPa, enquanto as rochas metacarbonáticas chegam a variar entre 40 e 20 Mpa, conforme seu grau de alteração. Porém, como ressaltado anteriormente, persistem incertezas sobre a existência de feições cársticas subsuperficiais na área, bem como sobre o perfil geológico-geotécnico em nível de projeto executivo.

O Anexo 9.3-5 traz a íntegra dos Estudos Geológicos, Geotécnico e Geofísicos, de autoria da Potamos Engenharia, elaborado na forma de estudos geológico-geotécnicos complementares.

 

6.7. GEOLOGIA

ÁREA DE INFLUÊNCIA INDIRETA - AII 

A descrição da Área de Influência Indireta o EIA se inicia com a caracterização da Província Borborema, que seria resultado da colisão dos crátons São Luís-Oeste Africano e São Francisco-Congo durante o Brasiliano. Segundo o EIA, a área em estudo está localizada na Província Borborema Setentrional, domínio Ceará Central. Especificamente na região em estudo afloram o Complexo Tamboril-Santa Quitéria e o Complexo Ceará, separados pela Falha do Rio Groaíras.

O Complexo Ceará, de idade paleo a mesoproterozóica, recobre toda a porção oeste da região de estudo. É composto por rochas metassedimentares e dividido em duas Unidades principais: Quixeramobim e Independência. Na região de estudo ocorre apenas a Unidade Independência onde predominam paragnaisses e micaxistos parcialmente migmatíticos, além de fácies facoidais e miloníticas. Estas litologias envolvem corpos de biotita gnaisses graníticos de cor cinza, rochas carbonáticas, quartzíticas, calcissilicáticas e até anfibolíticas.

O Complexo Tamboril – Santa Quitéria, de idade neoproterozóica, recobre a porção oeste da região em estudo. É caracterizado pela intensa migmatização associada à presença de grande volume de granitos de anatexia. Na área de estudo, apresenta quatro unidades: os Metatexitos (migmatitos estromáticos); Diatexitos (rochas quartzo-feldspáticas, de coloração rosada, com composição variando de granítica a granodiorítica); Granitóides Santa Quitéria (sienogranitos, monzogranito, quartzo sienitos e quartzo monzonitos) e Granitóides Serrote Gado Bravo (que variam de sienogranito a monzogranito).

Foi apresentado o estado da arte sobre a Neotectônica da região do empreendimento. Segundo o EIA, o Estado do Ceará apresenta uma sismicidade contínua e expressiva, o que foi interpretado como produto da superposição de esforços regionais (gerados principalmente por forças de empurrão na dorsal meso-oceânica e forças de colisão nas demais bordas da Placa Sulamericana) e esforços locais gerados pela transição estrutural continente-oceano.

Foi informado que na região de interesse ocorrem duas zonas sismogênicas: a Zona Sismogênica de Sobral e a Zona Sismogênica de Pacajus. Segundo o EIA, foi realizado um levantamento dos sismos ocorridos no Estado do Ceará entre 1814 e 2023, não havendo registros de sismos ocorridos dentro da AII. O tremor mais próximo já registrado foi no município de Itataia, a 7,5 km ao sul da região mais meridional da AII, no dia 01/10/1983, de magnitude 2,7 mb.

 

- ÁREA DE INFLUÊNCIA DIRETA (AID) E ÁREA DIRETAMENTE AFETADA (ADA)

Este capítulo se inicia com a descrição da obtenção de Dados Geofísicos na região da ADA. Foi informado que foram realizados três levantamentos geofísicos: um levantamento eletromagnético e sondagens elétricas de resistividade realizados em 2002 e dois levantamentos de perfis de eletrorresistividades realizados nos anos de 2016 e 2021.

O método eletromagnético foi utilizado, por Alcântara e Silva (2002) na área da cava, pilha de estéril e do dique de contenção de finos e foi voltado basicamente para a Caracterização Hidrogeológica da Jazida de Itataia. Segundo o EIA, esses estudos mostraram que os principais eixos condutores de eletricidades são controlados por fraturamentos e falhamentos normais, típicos do modelo horst e gráben. A figura 11.1-113 (página 293 – Volume IIA), que mostra os resultados obtidos pelo método eletromagnético, se encontra praticamente ilegível, devendo ser reapresentada. Não foram apresentados os resultados obtidos pelo autor através do método de Sondagem Geofísica (eletrorresistividade) com o arranjo do dispositivo do tipo Schlumberger, devendo este ponto ser corrigido pelo empreendedor. Também deverão ser apresentados os dados/resultados obtidos pelo autor quanto ao processo de carstificação e mineralização da jazida de Itataia e discussão quanto a possíveis implicações quanto a espeleologia.

O estudo informa que os levantamentos realizados no ano de 2016 se concentraram na porção central da ADA, abrangendo parte da área prevista para a instalação industrial, e que o principal objetivo foi a detecção e delimitação de anomalias geofísicas possivelmente relacionadas com a presença de cavidades subterrâneas. Os resultados obtidos indicaram a ocorrência de mármores na porção norte, próximo à área de acesso a mina e gnaisses ou mármores alterados na porção sul da área, na porção noroeste da futura unidade industrial. Com relação à detecção de cavidades, foram apontadas zonas anômalas que poderiam estar ressaltando cavidades ou mudanças nas características da rocha. Foi realizada a perfuração de um poço de monitoramento sobre a linha de resistividade 7, que demonstrou que as anomalias identificadas se referem basicamente a porções de rocha alterada em profundidade e não à presença de cavidades naturais.

O EIA então discorre sobre os pontos onde houve sobreposição entre os levantamentos realizados nos anos de 2016 e 2021, onde os resultados mostram que houve boa correlação entre os levantamentos, seguidos da apresentação dos resultados obtidos pelo levantamento realizado no ano de 2021. Segundo o EIA, o levantamento geofísico realizado no ano de 2021 se concentrou na área onde estão previstas a implantação da Pilha de Fosfogesso e Cal e da Usina de Beneficiamento, e tiveram como principal objetivo a obtenção de subsídios para estudos hidrogeológicos. Os dados indicaram a presença de três zonas: (1) zonas úmidas e rochas alteradas; (2) rochas pouco fraturadas; e (3) rochas do embasamento sãs, o que permitiu identificar descontinuidades litológicas, estruturas verticalizadas associadas a falhamentos, possíveis zonas de cisalhamento subverticais. As feições estruturais subverticais identificadas durante o levantamento representam caminhos referenciais para migração de água subterrânea e contaminantes. O trabalho realizado no ano de 2021 não cita a possibilidade de presença de cavidades naturais na região estudada. Em acordo com os dados vetoriais disponibilizados pelo empreendedor, as linhas sísmicas do levantamento realizado no ano de 2021 estão localizadas sobre mármores, alguns dos quais com cavidades naturais identificadas. Questiona-se se algumas das anomalias identificadas nos perfis de resistividade poderiam estar relacionadas a possíveis cavidades naturais, com este ponto devendo ser esclarecido pelo empreendedor.

Quanto as Sondagens de Reconhecimento, o EIA informa que foram realizadas duas campanhas, uma em fevereiro de 2011 com dados compilados dos estudos disponibilizados (ARCADIS LOGOS, 2014) e a segunda, realizada pela Geohidro no ano de 2022. Foi informado que o objetivo principal das sondagens foi a instalação de poços de monitoramento para a coleta de água subterrânea e a identificação do substrato geológico, totalizando 29 pontos, cuja localização pode ser observada na figura 11.1-122 (página 303 – Volume IIA).

Foi informado que 18 das 29 sondagens e o poço de abastecimento INB foram perfurados na unidade hidrogeológica MS1, constituída por rochas representadas por Gnaisses da Formação Barrigas. As demais sondagens foram perfuradas na unidade hidrogeológica MC1, formada de rochas metacarbonáticas e Calcissilicáticas da Formação Alcantil do Grupo Itataia.

Por fim, foi informado que uma das sondagens, denominada de PC-9, foi realizada em local onde, no levantamento geofísico realizado no ano de 2016, foram identificadas anomalias que sugeriam a presença de possíveis cavidades naturais. A sondagem de reconhecimento no ponto PC-9 mostrou que, na realidade, as anomalias estão associadas a regiões de rocha alterada em profundidade devido a presença de fraturas e descontinuidade. O estudo informa que novas sondagens serão realizadas durante a instalação do empreendimento de modo a identificar melhor as áreas de alteração e pesquisar sobre a presença de possíveis cavidades no local.

O item Geologia Local informa que a principal estrutura presente na região (AII) é a Falha do Groaíras, que separa o Complexo Tamboril Santa Quitéria a oeste do Complexo Ceará a leste.

O Complexo Ceará também é conhecido por Grupo Itataia e Grupo/Unidade Independência. O Grupo/Unidade Independência, que aflora na maior parte da AID e ADA, foi subdividido nas Subunidades São José dos Guerras (base), Lázaro, Guia e Itatira (topo); o Grupo Itataia foi dividido nas formações Serra do Céu (base), Laranjeiras, Barrigas e Alcantil (topo).

O mapeamento geológico de detalhe demonstrou que na área do futuro complexo industrial ocorrem rochas pertencentes às Formações Barrigas, Alcantil, Serra do Céu e Laranjeiras, e na área da pista de pouso e seu entorno, apenas a Formação Barrigas. Ressalta-se que a legenda do Mapa 11.1-19 (página 321 – Volume IIA do EIA) se encontra incompleta, pois não mostra quais as cores correspondentes aos diferentes tipos de rocha identificados em campo; e embora tenha sido informado sobre a litologia presente na área da pista de pouso, esta não foi identificada no mapa. Face ao exposto, o mapa geológico de detalhe deverá ser reapresentado.

A Formação Barrigas é formada principalmente por Paragnaisses aluminosos, Anfibolitos e Pegmatóides; enquanto a Formação Alcantil é constituída por Mármores, Mármores Dolomíticos, Mármores Impuros e Calcissilicáticas. Ambas as formações estão presentes na ADA.

A Formação Laranjeiras é representada por Quartzitos e Muscovita Quartzitos, enquanto a Formação Serra do Céu é composta por Migmatito, Metatexitos e Gnaisses Migmatizados. Nenhuma das duas ocorre na ADA, somente na AID do empreendimento.

Ocorrem também na região Sedimentos Cenozoicos, que estão concentrados na região sudoeste, próximo aos rios e vales.

O EIA traz então uma descrição simplificada dos principais tipos litológicos identificados na ADA, entre os quais o Tufo Calcário e o Colofanito. O Quadro 11.1.7-8 (página 324 – Volume IIA) esclarece que o colofanito possui idade cambriana/ordoviciana e as tufas calcárias são resultado do processo de carstificação ocorrido durante o Cenozóico. Por fim, são apresentadas fotos das principais litologias de cada unidade mapeada.

Na Geologia da Área da Jazida são apresentados os mapas e perfis geológicos elaborados pela INB entre os anos de 1979 e 2002. As informações obtidas pela INB foram complementadas com informações obtidas pela empresa de consultoria, principalmente quanto as cargas hidráulicas, e pelas informações obtidas por Alcantara e Silva (2003).

O mapa da figura 11.1-127 deve ser reapresentado, uma vez que a legenda se encontra ilegível, não permitindo se identificar as feições presentes. Nesse mapa também não foi possível localizar os perfis geológicos. Não foram apresentadas as legendas para as figuras 11.1-128 a 11.1-132. Aparentemente trata-se da mesma legenda que se encontra ilegível no mapa da figura 11.1-127. De modo a facilitar a leitura dos perfis, solicita-se que cada perfil apresente a sua própria legenda.

De modo geral, as rochas das formações Alcantil e Barrigas se encontram interdigitadas na região da jazida. O colofanito pode ocorrer de forma maciça ou dissipado em rocha. No primeiro caso, está geralmente associado a rochas da Formação Alcantil, está associado a zonas de falhas normais, tende a ser lenticular e apresentar direções semelhantes às da rocha hospedeira. No segundo caso, tende a se localizar próximo à superfície ou do minério maciço e não possui geometria definida.

Segundo o EIA, foram realizados estudos de caracterização mineralógica das rochas que compõem o estéril da mina, com vistas à identificação de sulfetos, o que poderia levar à formação de lixiviação ácida. O estudo realizado não registrou a presença de sulfetos, tais como pirita e/ou calcopirita.

Também foram realizados estudos para a determinação da solubilidade dos radionuclídeos em amostras de estéril e resíduos sólidos. Os resultados obtidos sugerem que não há uma liberação substancial de radionuclídeos a partir dos resíduos sólidos durante a lixiviação, de modo que não se espera a liberação significativa de radionuclídeos para o meio ambiente a partir das pilhas de estéril, e fosfogesso e cal.

São apresentados então os Litotipos presentes da região. O EIA informa que a ADA e AID do empreendimento se encontram quase que integralmente inseridas no Grupo Itataia, que é constituído, da base para o topo, pelas formações Serra do Céu, Laranjeiras, Barrigas e Alcantil. É feita então uma descrição de cada uma dessas formações.

Também é feito um breve apanhado sobre os estudos espeleológicos, que, segundo as informações apresentadas, serão discutidos de forma mais detalhada em capítulo específico. Entretanto, solicita-se a reapresentação da figura 11.1-146, em escala adequada para a visualização, uma vez que o modo como esta está representada não permite a identificação/diferenciação adequada dos seus diferentes elementos.

É apresentado, então, uma discussão sobre a formação da mineralização de colofanito. Foi informado que o colofanito ocorre principalmente associado aos mármores da Formação Alcantil, rochas calcissilicáticas e, mais raramente, aos gnaisses da Formação Barrigas. Consiste em uma rocha maciça, às vezes vesicular, formada por material fosfático com textura fanerítica muito fina a afanítica, e coloração castanho-avermelhada ou alaranjada. Localmente é encontrado na forma de brechas compostas por fragmentos angulosos centimétricos a decimétricos.

Os estudos não indicaram a presença de pirita no colofanito presente na jazida, nem de sulfetos que possam produzir lixiviação ácida, de modo que o potencial de geração de lixiviação ácida na área da cava ou na pilha de estéril é baixo.

A presença de colofanito em fraturas, foliações e preenchendo interstícios de antigas cavidades evidencia a existência de uma fase pretérita de carstificação, totalmente dissociada da fase responsável pela formação das cavidades atualmente presentes na região.

Em termos Estruturais, a ADA e a AID apresentam evolução tectônica complexa, com diferentes estruturas de caráter dúctil e rúptil. O contato basal das sequencias supracrustais é geralmente marcado por rochas miloníticas de fácies anfibolito baixo, indicando retrometamorfismo nas fases finais dos cavalgamentos de empurrão. A foliação regional é normalmente paralela aos contatos litológicos. Regionalmente, as foliações apresentam predominância de baixos ângulos de mergulho e rumo predominante para sul e sudeste. Além da foliação, existem três famílias de falhas e fraturas com direções médias NW, E-W e NE.

Além das estruturas rúpteis, as rochas apresentam inúmeras estruturas dúcteis, representadas por dobras anticlinais, recumbentes e sinformes, além de dobras migmatíticas. As deformações da orogenia Brasiliano-Pan Africano são responsáveis pelo metamorfismo de alto grau (anfibolito) das rochas metassedimentares e pelo evento progressivo de deformação dúctil, interpretado como um episódio de compressão regional que resultou em dobras isoclinais estreitas com um plano axial de baixo ângulo. Essas dobras apresentam trend para sul e são relacionadas a falhas de empurrão que localmente evoluíram para falhas transcorrentes. Neste cenário, os quartzitos da Formação Laranjeiras passaram por processos de cavalgamento sobre paragnaisses da Formação Barrigas, levando à intercalação tectônica de gnaisses e quartzitos, enquanto o contato entre a Formação Barrigas e os mármores da Formação Alcantil é gradacional, marcado pela ocorrência de mármores impuros e rochas calcissilicáticas.

 

6.8. HIDROLOGIA

Este item do EIA apresenta em sua maior parte informações acerca dos corpos hídricos superficiais (rios e riachos) localizados nas AII, AID e ADA, contendo dados fisiográficos, pluviométricos e de caracterização de nascentes e vazões. Esse item é complementado pelo Anexo 11.1.8-1 (Relatório de Caracterização das Nascentes e suas Respectivas Vazões).

No contexto regional, a AII está inserida na sub-bacia do Rio Groaíras, delimitada a partir de ponto localizado após a confluência desse rio com o Riacho do Papagaio, integrando a Bacia Hidrográfica do Rio Acaraú. O rio Groaíras percorre uma extensão de aproximadamente 85 km desde as cabeceiras até sua confluência com rio Acaraú, totalizando uma bacia de drenagem da ordem de 2.700 km2. Nessa área estão presentes, além de Santa Quitéria e Catunda, os municípios de Forquilha e de Groaíras.

O Rio Groaíras possui escoamento preferencial no sentido leste-oeste, recebendo, pela margem direita, os riachos Cacimbas (e seu afluente Arapuã), Desterro (e seu contribuinte Fundo), além de outros tributários de menor porte provenientes do município de Santa Quitéria. Também pela margem direita, destaca-se o Riacho das Guaribas, cuja nascente está localizada na divisa entre os municípios de Santa Quitéria e Itatira, desaguando no Riacho Cunha-Moti, nas proximidades da área prevista para instalação da cava e pilha de estéril do Projeto Santa Quitéria (PSQ).

O riacho Cunha-Moti, por sua vez, recebe contribuição direta do açude Quixaba, formado pelo represamento dos riachos Caramutim e Lúcio. Na margem esquerda do Rio Groaíras, destacam-se como principais afluentes os riachos Carcará e Logradouro. O principal reservatório regional, o açude Edson Queiroz, situa-se no leito do Rio Groaíras, após a confluência com os riachos dos Bois e Jandaíra.

Segundo o EIA, a área da bacia apresenta duas zonas climáticas principais (Classificação de Köppen): Aw' com clima tropical chuvoso, com estação de inverno ausente e estação chuvosa concentrada no outono; ocorre na porção norte da bacia, com precipitações variando de 1.000 a mais de 1.600 mm anuais; e Bsw'h' com clima quente e semiárido, com estação chuvosa no outono, ocorre na porção sul da bacia, abrangendo a AII, onde as precipitações oscilam entre 700 mm e 1.000 mm.

O estudo considera informações oriundas de diversas estações pluviométricas, sendo que apenas duas estão localizadas na área de estudo: uma estação localizada na AII (Boa Vista) e outra na AID (Itataia). Ressalta-se a existência de lacunas na série histórica de dados da estação Itataia, com ausência de registros nos anos de 2006, 2007, 2013, 2014 e 2015. De modo geral, as precipitações anuais indicadas são inferiores a 800 mm, com maior concentração nos meses de janeiro a junho, observando-se, entretanto, variações entre os diferentes períodos analisados.

No que se refere à Área de Influência Direta (AID) e à Área Diretamente Afetada (ADA), o EIA descreve a sub-bacia do Riacho Cunha-Moti, cujo escoamento dirige-se ao oeste, desaguando na margem direita do Rio Groaíras, a montante da confluência com os riachos Ingá e Salobro. Este ponto marca o limite da AID.

A ADA contempla tributários de menor porte do riacho Cunha-Moti, incluindo os riachos Lúcio, Guaribas, Alcantil e Mulungu. Na AID, destaca-se ainda o açude Quixaba, construído em 1983 com capacidade de armazenamento de 2.300.000 m³, com o objetivo de atender parcialmente às demandas operacionais do PSQ. Esse açude recebe águas provenientes dos riachos Caramutim e Lúcio.

Segundo o arranjo geral do empreendimento atualmente proposto, no riacho das Guaribas, na sua margem direita, estão previstas a cava e a pilha de estéril, abrangendo a região da micro-bacia do riacho Alcantil. Na micro-bacia do riacho Lúcio estão projetadas a área industrial do PSQ e a pilha de fosfogesso e cal. Esse riacho deságua no açude do riacho Caramutim (popularmente conhecido como açude Quixaba), o qual represa ainda as águas que fluem pelo leito dos riachos Curimatã e Mata Fome.

A topografia desfavorável e o clima semiárido da região do projeto, associados ao rápido escoamento superficial, intensa evaporação, pequena infiltração e grande variabilidade de deflúvios, são fatores que limitam o fluxo dos recursos hídricos superficiais, caracterizando os rios como de fluxo intermitente.

A caracterização de nascentes e vazões é apresentada com base em estudo realizado no ano de 2012, sendo inspecionadas 25 nascentes. O regime pluviométrico adverso, associado as características dos solos pouco profundos e com baixa permeabilidade, reflete no comportamento sazonal bastante acentuado no regime de vazões, com ocorrência de fortes cheias no período chuvoso e recessão acentuada e ausência de vazões durante a estiagem. Naquela ocasião foi ressaltado que não havia registro de água nas nascentes, apesar de encontrar regiões úmidas e com boa cobertura vegetal.

 

6.9. QUALIDADE DOS CORPOS D’ÁGUA 

A caracterização da qualidade dos cursos d’água foi apresentada no item 11.1.9 (Volume II-A pg.412-509), discute-se o diagnóstico das Áreas de Influência Indireta (AII), Direta (AID) e Diretamente Afetada (ADA).

Primeiramente, de forma mais ampla, aborda-se a Área de Influência Indireta (AII). O diagnostico preliminar foi amparada em dados do Programa Nacional de Avaliação da Qualidade das Águas (COGERH e Agência Nacional de Águas – ANA). Registra-se que as águas dos rios Acaraú e Guaíras são classificadas como Classe 2, até que se defina o seu enquadramento de acordo com os usos e qualidade dos mananciais, conforme disposto na Resolução CONAMA nº 357/05. Quanto aos reservatórios, informa-se que apresentam alto grau de eutrofização, provavelmente decorrente de fontes de poluição de origem difusa.

A partir do item 9.11.3 discute-se a AID e a ADA, agora com maior aprofundamento e mediante a análise dos dados primários. Informa-se que o padrão observado nestas duas áreas, tanto no que se refere à classificação dos cursos d'água quanto às fontes poluidoras, são semelhantes ao descritos para AII: rios intermitentes e fontes de poluição de origem difusa. Destaca-se que no entorno dos assentamentos rurais (Morrinhos e Queimadas) foi observado a disposição de lixo a céu aberto e a existência de fossas rudimentares, fatores que podem contribuir para a contaminação das águas superficiais e de cacimbas, muito comuns na região.

No que se refere aos reservatórios existentes nas três áreas, discute-se sobre a origem das diversas fontes de poluição, visto que os açudes apresentam alto grau de eutrofização. Tal cenário é atribuída ao padrão sazonal de vazões, que contribui para o acúmulo de dejetos no leito seco dos rios no período de estiagem, os quais são carreados, nas primeiras chuvas, para os reservatórios. Uma outra fonte de poluição citada está relacionada à precária infraestrutura de saneamento das comunidades.

Especificamente sobre o açude Edson Queiroz, ressalta-se que foram detectadas elevadas concentrações de nutrientes (Fósforo e Nitrogênio), atingindo valores bem superiores aos padrões da Resolução CONAMA nº 357/05 para água doce-classe 2. A figura 11.1.9.1 apresenta uma representação gráfica de tal cenário, acompanhado do quadro 11.1.9-1 que sintetiza os resultados dos parâmetros analisados para o período de 2016 a 2021. Sendo possível constatar que as determinações de Clorofila, Fósforo Total e Nitrogênio não atendem ao padrão estabelecido na legislação.

O Estudo apresentada em detalhes toda a concepção da rede de amostragem (Quadro 11.1.9-2), a qual foi elaborado para os primeiros levantamentos, sendo efetuada para o presente diagnóstico, apenas uma campanha complementar na estação chuvosa em 2023. Justifica-se que em alguns casos, devido à ausência de escoamento superficial nos cursos d’água, não foi possível realizar todos os ensaios previsto no plano de amostragem. A localização e a descrição dos pontos de amostragem de qualidade da água e de sedimentos efetuados em novembro/2020 (1ªC) a abril/2023 (3ªC) foram apresentadas no Mapa 11.1-23 e no Quadro 11.1.9-3. Os registros fotográficos das coletas, equipamentos utilizados dentre outras atividades realizadas durante as amostragens estão contidos nas páginas 428-434.

Concluída a apresentação do plano de amostragem, passa-se a descrição das variáveis selecionadas, tanto para a caracterização das águas superficiais quanto para os sedimentos. Justifica-se tais escolhas tendo como base a listagem de parâmetros definida pela Resolução CONAMA nº 357/05, para águas superficiais e Resolução CONAMA nº 454/2012 e o Canadian Council of Ministers of the Environment (CCME, 2001) para sedimentos. Os quadros 11.1.9-4 e 11.1.9-6 apresentam a listagem de todos os parâmetros analisados, com a respectiva unidade, Limite de Quantificação (L.Q.) e a metodologia analítica adotada.

Os resultados das análises de laboratório e das medições em campo dos parâmetros de qualidade das águas obtidos nas três campanhas efetuadas entre novembro/2020 e abril/2023, forma apresentados nos quadros 11.1.9-7 e 11.1.9-8 (pg.446-457).

O Estudo discute os resultados das principais variáveis analisada para os parâmetros físico-químicos, biológicos e bacteriológicos, metais e semimetais e compostos orgânicos.

A questão da eutrofização dos corpos d’água foi abordada tendo como referência à metologia aplicada pela CETESB-SP que estima o Índice de Estado Trófico (IET) levando em consideração os dados de clorofila-a e fósforo total. Sendo possível classificar os corpos d'água em diferentes graus de trofia e apontar o nível de enriquecimento das águas com nutrientes.

Os resultados da qualidade dos sedimentos foram apresentados nos Quadro 11.1.9-13 e Quadro 11.1.9-14 e Mapa 11.1-23. Foram comentados os valores obtidos para Carbono Orgânico Total – COT e Nutrientes, Metais e semimetais, Cobre, Cromo, Níquel, Pesticidas Organoclorados, Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (PAHs) e Bifenilas Policloradas (PCB’s) e Granulometria.

As avaliações qualitativas sustentadas pelas análises de campo foram bem completas sendo possível caracterizar a qualidade das águas superficiais e os sedimentos nas áreas de influência do empreendimento. Embora tenha sido realizada apenas uma campanha para o presente estudo, em abril/2023, os dados obtidos seguem a mesma tendência das determinações anteriores, efetuadas em novembro/20, fevereiro/21.

Merece atenção a questão da eutrofização dos reservatórios, uma vez que se trata de recurso fundamental, não só para o projeto, mas, sobretudo, para abastecimento das populações.

O diagnóstico atende ao propósito de caracterizar as águas superficiais e os sedimentos das áreas de influência do empreendimento. Considerando que foi realizada apenas uma campanha para este novo Estudo, sugere-se discutir a possibilidade de continuar com as avaliações, desta feita selecionando-se os parâmetros que apresentaram alterações.

 

6.10. USOS DAS ÁGUAS SUPERFICIAIS E/OU SUBTERRÂNEAS

Em relação à captação e uso dos recursos hídricos na Área de Influência do Empreendimento (AII), foram identificadas 67 outorgas de captação de recursos hídricos nos municípios que compõem a Área de Influência Indireta (AII), sendo oito localizadas em Catunda e 59 em Santa Quitéria. A finalidade predominante das captações é a irrigação, com 30 outorgas, representando 63,12% do volume total de água outorgado, distribuídas em cinco poços, quatro açudes e 21 corpos hídricos superficiais (rios e riachos).

O abastecimento humano corresponde à segunda principal finalidade, com 16 outorgas que representam apenas 3,47% do volume outorgado, abrangendo oito poços, um açude e seis captações superficiais. Em seguida, destaca-se o uso industrial, com seis outorgas (três poços e três açudes), totalizando aproximadamente 31,44% do volume concedido, o que equivale a 8.731.384 m³.

Observa-se que tanto a irrigação quanto a atividade industrial concentram os maiores volumes outorgados em açudes, destacando-se o Açude do Distrito de Irrigação do Perímetro Irrigado Araras Norte, responsável por aproximadamente 61,6% de todo o volume outorgado nos dois municípios analisados.

No âmbito da AII, apenas os açudes Caraúba e Caramutim (este último pertencente à INB) possuem outorgas regulares. No entanto, durante as atividades de campo realizadas pelo empreendedor foram identificados outros 12 açudes de uso privado sem registros de outorga.

Segundo dados da COGERH (2022), a Bacia do Acaraú possui um total de 4.152 pontos de captação de água subterrânea, sendo 3.965 poços tubulares, 180 poços tipo amazonas e sete fontes naturais.

O município de Santa Quitéria concentra 502 dessas captações, o que o torna o município com maior número de captações da bacia (12,09%), seguido por Sobral, com 421 pontos (10,14%).

As captações subterrâneas distribuem-se nos seguintes aquíferos: Fissurais (76,04%); Porosos (15,78%); Aluviais (8,02%) e Cársticos (0,17%).

Dentro da AII, foram identificadas cinco outorgas vigentes para captação subterrânea, das quais quatro são destinadas à dessedentação animal e uma ao abastecimento humano.

Em relação às outorgas e usos nas Áreas de Influência Direta (AID) e Área Diretamente Afetada (ADA), têm-se que a população residente nessas áreas é majoritariamente rural, resultando em usos difusos e descentralizados da água, voltados às atividades de abastecimento doméstico, dessedentação animal, recreação, aquicultura e irrigação.

Foi registrada uma outorga expirada em 03/03/2019, pertencente à Associação Comunitária Nossa Senhora Aparecida, para captação subterrânea destinada ao abastecimento humano. Essa captação corresponde ao Poço SQ-03, identificado nos estudos do PMRA-PO. O mesmo estudo também identificou três outros poços em operação sem registros oficiais de outorga.

De acordo com os dados da COGERH, observa-se uma tendência crescente na busca por captação de águas subterrâneas em toda a Bacia do Acaraú, com aumento significativo na construção de poços, especialmente em anos de estiagem. Todavia, mesmo em períodos sem eventos críticos de seca, a procura por novas captações permanece em ascensão. Segundo o EIA, essa dinâmica está possivelmente relacionada aos efeitos das mudanças climáticas, que intensificam o processo de desertificação no semiárido brasileiro.

 

6.11. HIDROGEOLOGIA

Segundo o EIA, na AII a água subterrânea está condicionada basicamente aos meios fissural e cárstico, não sendo observado acúmulo significativo de água no meio poroso, o que foi atribuído aos baixos índices pluviométricos associados a longos períodos de estiagem, típicos do clima semiárido da região. O meio poroso atua principalmente como zona de condução para os aquíferos localizados abaixo.

Segundo o EIA, existem quatro unidades hidrogeológicas na AII do empreendimento:

  • IM1 – Unidade de rochas ígneas e metamórficas do Complexo Tamboril Santa Quitéria, sendo constituída por aquíferos descontínuos, localizados, de pequenas dimensões, vazões baixas e de águas salinas.

  • MS1 – Unidade de rochas metassedimentares representadas por Gnaisses da Formação Barrigas. Apresenta intercalações das unidades MS2 e MC1.

  • MS2 – Unidade de rochas metassedimentares representadas por quartzitos e micaxistos da Unidade Independência do Complexo Ceará e

  • MC1 – Unidade de rochas metacarbonáticas da Formação Alcantil. Por se tratar de rochas metacarbonáticas, as rochas da Unidade MC1 podem apresentar importante porosidade secundária, o que aumenta a sua relevância e favorece o acúmulo de água. Entretanto, devido as suas características anisotrópicas, esses reservatórios tendem a ser heterogêneos, além de apresentarem risco de solapamento do solo, devido a formação de vazios em rocha devido a retirada da água.

O EIA informa que as unidades MS2 e MC1 apresentam maior favorabilidade hidrogeológica devido a presença de fraturas, falhas e foliações, que favorecem o armazenamento e a transmissividade das águas subterrâneas.

A consulta de dados de poços cadastrados na Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (COGERH) e Sistema de Águas Subterrâneas (SIAGAS – CPRM) demonstrou que nos municípios de Santa Quitéria e Catunda, existem 58 poços cadastrados pela COGERH e 558 pelo SIAGAS. Considerando somente a AII do empreendimento, que engloba porções dos municípios de Santa Quitéria e Catunda, foram identificados 6 poços cadastrados no COGERH, todos no município de Santa Quitéria, e 34 poços cadastrados no SIAGAS, sendo 29 em Santa Quitéria e 5 em Catunda.

Segundo o EIA, na AID do empreendimento ocorrem as mesmas unidades aquíferas presentes na AII, quais sejam: IM1, MC1, MS1 e MS2; enquanto na ADA foram identificadas somente as unidades MC1 e a MS1.

Para a obtenção de dados primários sobre os aquíferos existentes na ADA, foi informado que foram instalados 29 Poços de Monitoramento distribuídos na ADA do empreendimento, sendo 10 no ano de 2011 e outros 19 no ano de 2022. Destes, 12 poços foram instalados sobre a Unidade Aquífera MC1 (formação Alcantil) e 17 na Unidade Aquífera MS1 (formação Barrigas). Dos poços instalados na Unidade Aquífera MS1, quatro não atingiram o aquífero.

As principais características observadas durante as perfurações foram apresentadas no Quadros 11.1.11-3 e 11.1.11-4 (páginas 552 a 555 – Volume IIA). No Quadro 11.1.11-5 (página 555 – Volume IIA) foram apresentadas as informações sobre a espessura do manto de alteração (solos), profundidade de penetração na rocha, além do grau de fraturamento e entradas de água.

Segundo o EIA, para a caracterização da Condutividade Hidráulica (K), foram realizados ensaios de permeabilidade do tipo slug test em 14 poços de monitoramento; bem como testes de bombeamento com recuperação nos 21 poços da rede de monitoramento.

No ano de 2011, o poço PM-06 foi o único a ser submetido a ensaios de permeabilidade na zona saturada das rochas Gnáissicas da Formação Barrigas. Foi registrado nesse poço a menor condutividade hidráulica dentre os poços ensaiados, com valor na ordem de 9,62 x 10-9 m/s. Para o ano de 2022, os poços PMs – 01, 03, 06, 13, 14, 17, 19, 20, 21 e 22 foram instalados sobre as rochas dessa mesma formação, apresentando valores de condutividade média, variando, a depender do método, de 10-5 (Warren & Root, Moench e Cooper & Jacob) a 10-7 (Hvorslev e Bouwer & Rice), sendo o valor mais baixo registrado no PM-12 (antigo PM-05 de 2011), com condutividade de 8,98x10-9 pelo método de Bouwer-Rice, seguido do PM-20 com (K) de 3,51x10-8, pelo mesmo método.

Com relação às unidades MC1, os três poços de 2011, apresentaram valores de (K) na ordem de 10-8, com exceção do PM-10 (com valores próximos ao do PM-06 de 2011) 3,11E-09. No caso dos poços de 2022, destaca-se o poço PM-11, que apresentou o maior valor de condutividade hidráulica pelo método de Hvorslev, com valor (K) na ordem de 3,18x10-9. Os demais poços avaliados nessa campanha apresentaram valores na faixa de 10-7. Isto é, ambas as unidades apresentaram valores semelhantes de condutividade hidráulica (K).

Com relação à Transmissividade (T), nos ensaios de 2011 o poço PM-10 apresentou o menor valor dentre os 4 poços avaliados, seguido pelo PM-06, com ordens de grandeza, respectivamente, de 10-9 e 10-8 m2/s. Os poços PM-07 e PM-09 também apresentaram valores maiores, com ordem de grandeza de 10-7 m2/s. Já para os ensaios de 2022 a transmissividade apresentou valores médios de 10-5 m²/s nas rochas MS1 e 10-4 m²/s nas rochas MC1. O poço que apresentou o maior valor foi o PM-22 pelo método de Cooper/Jacob de 1,98x10-4.

Foi dito que foram realizados Ensaios de Perda de Água em poços de monitoramento na zona vadosa da Unidade MS1. Com base nos dados obtidos nos ensaios de Perda de Água em Poços, obteve-se valores de condutividade hidráulica de 6,81E-11(poço PM-1); 1,02E-10(poço PM-02) e 1,51E-09(poço PM04(A)), todos localizados na Unidade MS1.

Segundo o EIA, foram realizadas medições do nível estático dos poços ao longo de um ciclo hidrológico completo (ano de 2011), além de medições nas estações seca de 2020, chuvosa de 2021 e medições complementares nos poços de monitoramento instalados no ano de 2022 de modo a identificar as Variações Sazonais no Nível da Água Subterrânea. De forma geral os poços pertencentes a unidade MC1 apresentaram pouca variação durante os períodos chuvosos e de seca; houve processo de recarga dos aquíferos, tanto MC1 quanto MS1, nos meses de dezembro de 2022 e dezembro de 2023. Considerando que todos os poços estão localizados próximos a áreas de drenagem, fraturamento e/ou contatos geológicos, o estudo indicou que esses locais são possíveis áreas de recarga aquífera.

Foi elaborado o Mapa Potenciométrico da AII. As principais condicionantes para o escoamento do fluxo da água subterrânea são as estruturas geológicas (falhas e fraturas) e a forma do relevo, de modo que a direção de fluxo da água subterrânea é similar ao fluxo da água superficial, o que caracteriza uma direção de fluxo predominante de NE para SW, de forma encaixada entre planos de fraquezas da zona de cisalhamento da Falha do Riacho Guaribas. Seguindo este fluxo NE para SW da zona de cisalhamento do Riacho Guaribas, as águas superficiais e subterrâneas do domínio geomorfológico A.2.2, tendem a desaguar no domínio geomorfológico A.1.1; que recebe os incrementos hídricos de montante da bacia hidrográfica, e ainda, no entroncamento entre as falhas Guaribas e Groaíras, as duas principais zonas de cisalhamento da AII condicionantes da condução e acumulação de águas subterrâneas.

Na ADA, se mantém o fluxo observado regionalmente, seguindo de NE para SW, além de secundariamente seguir o relevo da região. De forma geral há poucas variações das cargas hidráulicas em toda área, ocorrendo localmente em alguns topos de morro próximo a entrada da mina, onde ocorrem algumas cavidades mapeadas. Essas áreas são mais susceptíveis a recarga do aquífero. Outra região com mudanças é o vale do riacho Guaribas, onde há predominâncias de áreas planas e lineamentos estruturais que tornam a região passível para ocorrência de recarga do aquífero.

O EIA informa que a análise integrada de dados geológicos, espeleológicos, pedológicos, geomorfológicos, geotécnicos e hidrográficos permitiram estabelecer as áreas mais propensas à Recarga dos aquíferos. Com base nessa análise integrada, identificou-se que as zonas de recargas principais dos aquíferos subterrâneos na AID/ADA são dependentes do aporte superficial através do escoamento e infiltração ao longo das estruturas geológicas, cavidades e, principalmente, nas drenagens intermitentes, quase que restritas às áreas de baixa declividade, face à favorabilidade ao escoamento superficial de promover uma menor taxa de infiltração em encostas com maiores declividades.

Na figura 11.1-29 estão apresentados vários mapas temáticos que foram utilizados na elaboração do mapa do potencial de recarga da AII do empreendimento. Os mapas foram apresentados em escala inadequada, não permitindo a visualização de detalhes e a distinção entre as diferentes feições apresentadas, devendo ser reapresentados. Mesmo que na figura 11.1-30 esteja apresentada a ADA em maior detalhe, este mapa também foi apresentado em escala inadequada, devendo ser reapresentado em escala maior, que permita uma melhor visualização das feições apresentadas.

Como o fluxo do aquífero segue preferencialmente os canais de drenagens e estruturas geológicas, segundo o EIA, os principais pontos de Descarga ocorrem principalmente na região de deságue do Riacho Mulungu com o Rio Groaíras, no extremo oeste da AID.

Segundo o EIA, a Análise da Vulnerabilidade dos Aquíferos foi realizada utilizando-se a metodologia GOD, que estabelece um índice de vulnerabilidade natural do aquífero, o qual se baseia na mensuração de três fatores, que resultam em um índice de vulnerabilidade: Índice G (ground water occurrence): Identifica o tipo e grau de confinamento hidráulico da água subterrânea; Índice O (overall litology of aquifer): Caracteriza a geologia da zona não saturada, quanto ao grau de consolidação e tipo de litologia; Índice D (depth of water): Se refere a profundidade do nível da água. O índice de vulnerabilidade é determinado multiplicando-se os valores obtidos em cada fator com o fluxograma de análise do índice GOD. Todos os parâmetros possuem o mesmo nível de importância.

O mapa da figura 11.1-31 (página 596 – volume IIA) traz o Mapa de Vulnerabilidade do Aquífero na AID do empreendimento, enquanto o mapa da figura 11.1-32 (página 597 – volume IIB) traz o Mapa de Vulnerabilidade do Aquífero na ADA do empreendimento. Faz-se aqui as mesmas observações feitas para as figuras 11.1-29 e 11.1-30: na figura 11.1-31 estão apresentados vários mapas, que representam os diferentes graus de vulnerabilidade do aquífero e que foram utilizados na elaboração do mapa de vulnerabilidade do aquífero na AII do empreendimento. Os mapas foram apresentados em escala inadequada, não permitindo a visualização de detalhe. O mesmo ocorre com o mapa consolidado que, embora maior, não permite uma boa visualização das diferentes feições apresentadas e identificação do que foi descrito na legenda, devendo ser reapresentados. Mesmo que na figura 11.1-32 esteja apresentada a ADA em maior detalhe, este mapa também foi apresentado em escala inadequada, devendo ser reapresentado em escala maior, que permita uma melhor visualização das feições apresentadas. Em ambos os mapas se tem uma linha, aparentemente em azul, que não foi descrita na legenda, não permitindo a sua identificação.

Os estudos indicam uma condição de vulnerabilidade extrema para a Unidade Aquífera MC1 (Formação Alcantil) e vulnerabilidade média a alta para Unidade Aquífera MS1 (Formação Barrigas) e o meio poroso nas áreas com baixa declividade. Vulnerabilidade extrema significa que o aquífero é vulnerável à maioria dos contaminantes, com impacto rápido. Já a vulnerabilidade média a alta significa que o aquífero e o meio poroso são vulneráveis a alguns contaminantes quando continuamente lançados ou lixiviados.

O estudo ressalta que na área da jazida as Unidades MS1 e MC1 (Formações e Barrigas Alcantil) estão interdigitadas, com mergulhos de até 30 graus e espessuras que variam de cerca de 20 m a até maiores que 100 m, de modo que a vulnerabilidade foi considerada como extrema, assim como para a Formação Alcantil.

Foi informado que o Modelo Hidrogeológico Conceitual da ADA (MHC-ADA) foi elaborado a partir da análise integrada das informações apresentadas nos capítulos de Clima, Geomorfologia, Pedologia, Geotecnia, Geologia e Espeleologia.

É então apresentado um quadro-resumo do Modelo Hidrogeológico conceitual, bem como sua representação em bloco diagrama (figura 11.1-270 – página 615). Embora esta figura tenha atendido a item específico do Parecer 148/2022, ressalta-se que esta se encontra em escala inadequada, apresentando várias informações que “poluem” a figura e confundem o leitor, tais como a representação gráfica dos furos de sonda, apresentação de perfis diversos e fotos de afloramentos. Sugere-se que a figura seja simplificada, apresentando somente o bloco diagrama e que as informações complementares sejam apresentadas em figuras separadas. Por fim, foram identificadas feições no bloco diagrama que não estão listadas na legenda e confusão entre símbolos utilizados (por exemplo, a simbologia utilizada para a localização das seções geológicas/estruturais e das linhas de resistividade se confunde com a simbologia utilizada na identificação dos poços de monitoramento).

Por fim, este item apresenta um estudo inicial sobre a direção de fluxo de partículas nos pontos de interesse da ADA, que visa a elaboração de um modelo matemático que compreenda melhor a direção e o comportamento do fluxo do aquífero.

 

6.12. QUALIDADE DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS 

A caracterização das águas subterrâneas foi discutida no Item 11.1.12. A análise da Área de Influência Indireta (AII) utilizou dados secundários disponíveis no Diagnóstico da Região Hidrográfica do Acaraú (COGERH, 2022). Para as Área de Influência (AID) e Área Diretamente Afetada (ADA) foram apresentados os resultados de campanhas anteriores com amostras coletados em poços de monitoramento instalados pela CAGEO e pela INB.

A caracterização hidroquímica e microbiológica da AID/ADA foi realizada por meio de análises laboratoriais conforme parâmetros estabelecidos pela Resolução CONAMA n°396/2008, que dispõe sobre a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento das águas subterrâneas. Os parâmetros avaliados nas campanhas (2011 a 2021) para o poço da INB foram apresentados em quatro quadros: 11.1.12-1 Parâmetros Inorgânicos, 11.1.12-2 Parâmetros Orgânicos, 11.1.12-3 Parâmetros Agrotóxicos e 11.1.12-4 Parâmetros Microrganismos. Para os demais poços os parâmetros foram apresentados nos quadros 11.1.12-5: Parâmetros Inorgânicos, Quadro 11.1.12-6: Parâmetros Orgânicos, Quadro 11.1.12-7: Parâmetros Agrotóxicos, Quadro 11.1.12-8: Parâmetros Microrganismos.

Os dados mais recentes, de campanhas realizadas entre 2022 e 2023 pela empresa Consultoria, Planejamento e Estudos Ambientais (CPEA), no contexto do Programa de Monitoração Radiológica Ambiental Pré-Operacional (PMRA-PO), encontram-se no Quadro 11.1.12-9: Parâmetros analisados nas três campanhas (2022 a 2023). Em complementação foram utilizados os dados da campanha conduzida em 2023 pela empresa Tetra Mais: Quadro 11.1.12-10: Parâmetros Inorgânicos, Quadro 11.1.12-11: Parâmetros Orgânicos, Quadro 11.1.12-12: Parâmetros Agrotóxicos. A localização dos pontos de coleta foi apresentada na Figura 11.1-273: Pontos de coleta de amostras de água subterrânea (poços INB, PM, PC e SQ). O Estudo discorre sobre as técnicas de amostragem aplicáveis à coleta das amostras e, no quadro 11.1.12-14, descreve os métodos adotadas nas análises de 2020, 2021, 2022 e 2023.

No item 11.1.12.2 é apresentada breve discussão sobre captações existentes na AII e as interferências antrópicas mais comuns relacionadas aos esgotos domésticos, disposição inadequada de resíduos sólidos e criação de animais, destacando-se que tal cenário pode contribuir para contaminação dos aquíferos.

Após debate quanto a metodologia de amostragem e dos parâmetros avaliados, em conformidade com a Resolução CONAMA n°396/2008, foi apresentada extensa discussão sobre os resultados obtidos nas campanhas, destacando-se cada um dois parâmetro que apresentaram resultados em desacordo com os padrões estabelecido para águas subterrâneas. Neste item apresenta-se larga argumentação frente a cada parâmetro avaliado e análise crítica dos resultados das campanhas.

O diagnostico contido no Estudo é bem completo, foram avaliados todos os parâmetros previstos na Resolução CONAMA n°396/2008. Porém ao final das 138 páginas do item, a despeito de extensa análise de resultados para cada parâmetro isoladamente, não foram apresentadas as considerações finais, abordando uma análise global dos resultados de modo a esclarecer em que patamar se encontra a qualidade das águas subterrâneas e qual a linha base a ser seguida em um futuro monitoramento. Assim sendo, sugere-se solicitar tal avaliação e uma proposta de acompanhamento para as fases subsequentes do processo de licenciamento.

 

6.13. PATRIMÔNIO ESPELEOLÓGICO

O item Patrimônio Espeleológico foi avaliado por meio do Parecer Técnico nº 99/2025-Comip/CGTef/Dilic (SEI 23204211). Deste modo, neste item serão apresentados somente outros questionamentos suscitados pela presente equipe técnica quando da análise do Relatório Espeleológico apresentado no Anexo 11.1.13-1 (Volume V – Anexo IIB).

No item Caminhamento Espeleológico (página 1049 – Volume V - IIB) solicita-se que seja refeito o caminhamento, na densidade de caminhamento adequada, na região de muito alto potencial espeleológico localizada próximo à pilha de fosfogesso. Embora se trate de local fora da ADA do empreendimento, trata-se de região definida pela empresa de consultoria como apresentando muito alto potencial espeleológico e cuja prospecção espeleológica no local não foi realizada em acordo com a densidade de caminhamento proposta para este grau de potencial espeleológico.

Quanto a Inserção (página 1086 – Volume V-IIB), segundo o relatório, as cavidades estudadas estão inseridas na Unidade Espeleológica – EU Grupo Ceará, mais especificamente nas rochas carbonáticas da Formação Itataia e em gnaisses das formações Independência e Arneiroz. Para compor a escala regional, foram incluídas oito cavidades localizadas no estado do Ceará e no Grupo Ceará: Gruta da Moça, Abismo do Frade, Sino, Veado Campeiros I, Veado Campeiros II, Veado Campeiros III, Gruta do Túnel e Cantagalo. Foi informado que, quanto as cavernas em gnaisse, a amostra se limita as cavidades identificadas no Projeto Santa Quitéria devido à ausência de cadastro de outras cavernas nessa litologia na região.

Embora a amostra de cavidades utilizada para compor a escala regional seja da mesma Unidade Espeleológica (Grupo Ceará), não foi informado se elas estão localizadas em mármores da Formação Itataia, devendo este ponto ser esclarecido pelo empreendedor. Ressalta-se que as cavidades da amostra regional só podem ser utilizadas se também estiverem localizadas na Formação Itataia. Caso as cavidades utilizadas para compor a escala regional estiverem localizadas em outras formações do Grupo Ceará, elas deverão ser desconsideradas, uma vez que não corresponderão à mesma Unidade Espeleológica, pois terão sido formadas em litologias semelhantes (calcário) mas depositadas em ambientes diferentes e/ou submetidas a processos metamórficos e deformacionais distintos.

No item Hidrologia (página 1104 – Volume V-IIB) o estudo informa que as visitas às cavidades foram realizadas tanto no período seco quanto no período chuvoso. As atividades hidrológicas ativas foram constatadas em 39 cavernas do estudo, principalmente aquelas visitadas em dias chuvosos (grifo nosso). Tendo em vista que o empreendimento está localizado em região semi-árida, caracterizada por déficit hídrico e elevadas temperaturas médias, e que as atividades hidrológicas das cavidades estudadas foram constatadas principalmente naquelas visitadas em dias chuvosos, questiona-se se a época de visitação das cavidades influenciou na avaliação do item hidrologia, com as cavidades visitadas no período seco sendo subestimadas quanto às suas características hidrológicas locais. Ressalta-se que o próprio relatório informa que a ausência de feições hidrológicas não permite descartar por completo eventuais atividades hídricas temporárias. Este ponto deverá ser esclarecido pelo empreendedor.

Na Tabela 18 (página 1169 – Volume V – IIB) é apresentada tabela com a classificação final do grau de relevância de todas as 124 cavidades identificadas durante os trabalhos espeleológicos realizados na região do empreendimento. Como resultado da análise, 20 cavidades (16%) foram classificadas com grau máximo de relevância, por se enquadrarem em três atributos: “dimensões notáveis em extensão, área ou volume”, “espeleotemas únicos” e “abrigo essencial para a preservação de populações geneticamente viáveis de espécies animais em risco de extinção, constantes de listas oficiais”. Outras 55 cavernas (44%) atingiram grau alto, 14 (11%), médio, e 35 (28%), baixo. Esta equipe está em acordo com o grau de relevância apresentado para as cavidades estudadas.

 

6.14. RECURSOS MINERÁRIOS

Foram identificadas 20 (vinte) ocorrências minerais registradas pela CPRM, dos quais 8 na AII, 9 na AID e 3 na ADA. A maior parte dos registros se refere à ocorrência de calcário, que está associado às rochas metacarbonáticas da Formação Alcantil. A esta unidade também estão associados os depósitos de mármore, calcário e urânio, e calcário, fósforo e urânio.

A consulta junto ao Sistema de Informações Geográficas sobre Mineração (SIGMINE) da ANM demonstrou a existência de 73 títulos minerários nos limites da AII do empreendimento, com requerimentos diversos: cobre, calcário, fosfato, mármore, ferro, granito, argila e urânio. O mapa 11.1-36 (página 800 – Volume IIA) mostra a distribuição dos títulos minerários ao longo da ADA, AID e AII, bem como as substâncias de interesse, cujos dados foram sumarizados no Quadro 11.1.14-2.

Dentre os 73 títulos minerários da área de estudo, 36 (49%) se encontram em fase de autorização de pesquisa, 21 (29%) em fase de requerimento de pesquisa, nove (12%) em regime de disponibilidade, dois (3%) em fase de concessão de lavra, dois (3%) em fase de direito de requerer a lavra e três (4%) em fase de requerimento de lavra.

ESTUDO DE DISPERSÃO ATMOSFÉRICA (EDA)

Com o objetivo de avaliação do impacto de alteração da qualidade do ar, foi apresentado no Anexo 13.2.3 (SEI 17845264) Estudo de Dispersão Atmosférica (EDA), com data de outubro de 2023, que revisou EDA anterior, do ano de 2021, incluindo novas fontes de emissão, especificamente relacionadas ao tráfego de veículos na área da instalação industrial.

Para a realização do Estudo, foram considerados os poluentes: material particulado total (MPT), material particulado com diâmetro inferior a 10 μm (MP10), material particulado com diâmetro inferior a 2,5 μm (MP2.5), dióxido de enxofre (SO2), óxidos de nitrogênio (NOx), fluoretos (F) e amônia (NH3) que serão provenientes das chaminés. Também foram estimadas as emissões fugitivas de MP, SO2 e NOx provenientes das operações de extração de rocha fosfática e de veículos automotores.

Foi mencionado que, para avaliar as influências do empreendimento nas áreas urbanas circundantes, 13 pontos específicos, denominados como receptores discretos, foram selecionados dentro da área de estudo delimitada para analisar a dispersão dos poluentes atmosféricos simulados. Também é mencionado que o estudo não considerou as concentrações “background” de PTS, MP10, MP2.5, SO2, NO2 e CO, obtidas por meio do monitoramento de qualidade do ar executado em quatro localidades situadas nas proximidades da ADA do projeto. Segundo informado, as concentrações foram determinadas através de um período de medição relativamente curto, aproximadamente uma semana em cada sazonalidade (período seco e chuvoso), o que poderia resultar em dados não representativos. E menciona que não é uma exigência dos termos de referência consultados. Entende-se que, ao desconsiderar o background, o estudo pode subestimar a concentração real de poluentes nos locais avaliados.

Quanto aos dados meteorológicos, foi informado que a região em estudo não conta com estação meteorológica de superfície que atenda aos requisitos para gerar dados para o modelo de dispersão AERMOD, o que motivou a utilização dos dados meteorológicos de superfície direção e velocidade dos ventos, temperatura ambiente em dois níveis, radiação solar, umidade relativa do ar, pressão atmosférica, precipitação e altura de mistura utilizados no estudo de dispersão fornecidos pela empresa Lakes Environmental Software, gerados através de modelo de prognóstico meteorológico Weather Research and Forecasting (WRF), utilizando protocolo US EPA Mesoscale Model Interface Program (MMIF) com resolução de malha de 3,0 x 3,0 km. Entende-se que a metodologia empregada é válida tecnicamente, mas pode aumentar as incertezas em face da não utilização de dados meteorológicos coletados no local.

Foram apresentados Quadros 3.2.1 e 3.2.2, mostrando amostra de dados brutos do dia 01/01/2017 que foram processados pelo software AermetView para o período de 24 horas, bem como rosas dos ventos geradas pelos modelos WRF, utilizando média anual, no período de 2017 a 2021 (figura 3.2.1 e 3.2.3). Apesar de apresentadas duas rosas dos ventos (Funceme e prognóstico WRF), não é apresentada discussão sobre suas diferenças.

Com relação às opções de modelagem, é informada a utilização das seguintes opções: USEPA, Área Urbana, Efeito Down-Wash dos Prédios, dados topográficos no formato SRTM1 (Nasa) com resolução de 30 metros, resultados Primeira Máxima, poluentes MPT, MP10, MP2.5, SO2, NO2, Fluoretos e Amônia. As concentrações de NO2 foram determinadas utilizando a opção “Tier 2” método ARM2 (Ambient Ratio Method) que consiste na aplicação de algoritmo para conversão de NOx para NO2, modo “default”.

Entende-se que a utilização de Área Urbana nas opções do modelo, considerando as características do entorno da fonte de emissão – fazenda Itataia, pode, eventualmente, gerar concentrações mais baixas e subestimar os impactos, por considerar o aumento da dispersão horizontal e vertical em razão de ocorrência de maior turbulência em áreas urbanas e maior altura da camada limite (boundary layer) por maior rugosidade, maior convecção térmica etc. Nesse contexto, sugere-se que não seja utilizada a configuração de área urbana, ou, mediante as explicações que se fizerem necessárias, que seja também apresentada modelagem com área rural, que, entende-se, tende a apresentar resultados mais conservadores e mais próximos à realidade local.

Os resultados da modelagem foram apresentados nos quadros 6.1 a 6.3, contemplando os poluentes material particulado (MPT, MP10 e MP2.5), dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio, fluoretos e amônia, sendo possível observar as contribuições máximas (anual e em 24h) fora da unidade (Quadro 6.1), as contribuições máximas (anual e em 24h) nos receptores discretos previamente estabelecidos (Quadro 6.2) e contribuições máximas (em 24 h, para os anos de 2017 a 2021) fora da unidade (Quadro 6.3).

São apresentados no item Impactos as informações em texto, com comparação percentual em relação aos padrões de qualidade do ar estabelecidos na Resolução Conama n° 491/2018, apresentadas no item resultados. Entende-se que cabe destaque de que, na modelagem, todas as projeções estariam dentro dos padrões estabelecidos na legislação, que o Assentamento Cantina seria o receptor discreto mais suscetível às alterações da qualidade do ar.

Entende-se que o fato de o Estudo de Dispersão Atmosférica não ter contemplado o background de concentrações de poluentes, a utilização de dados meteorológicos também modelados (em vez de dados de estações meteorológicas) e, nas opções de modelagem, a utilização de Área Urbana nas configurações do modelo adotado, os resultados apresentados podem estar subdimensionados, cabendo reapresentação do estudo com as adequações aqui mencionadas.

 

ANÁLISE DO DIAGNÓSTICO DO MEIO BIÓTICO

Os estudos do meio biótico contemplam o levantamento de flora e fauna por meio de dados primários e secundários realizados nas áreas de influência do empreendimento.

No diagnóstico da flora foram realizadas duas campanhas em 36 parcelas nas AID e na ADA sendo a primeira entre os dias 29 de outubro e 03 de novembro de 2020 e a segunda entre 02 e 07 de fevereiro de 2021.

O diagnóstico da flora foi realizado caracterizando a vegetação por meio de levantamentos fitofisionômico, florístico e fitossociológico e determinação do estágio sucessional via sensoriamento remoto utilizando-se uma classificação de tipologias de Caatinga, na qual as características morfoestruturais da vegetação são utilizadas como parâmetro para a separação de cada tipo de vegetação e de sua classe de estágio sucessional.

Foi realizada ainda a análise da paisagem (estrutural e funcional) com uso de métricas (diversidade, fragmentação, efeito de borda e conectividade) analisadas para toda a Área de Influência Direta (AID) e Área Diretamente Afetada (ADA) do Projeto Santa Quitéria, de forma a dar subsídio à compreensão dos efeitos da supressão da vegetação para instalação do empreendimento sobre a fragmentação matriz de vegetação encontrada.

A partir do mapeamento do uso e ocupação do solo da Área de Influência Direta, foi realizada uma análise estrutural da paisagem sem a presença do empreendimento. Posteriormente, os mesmos cálculos foram realizados considerando o cenário futuro com a implantação do empreendimento. .

Foi avaliada a correlação entre as variáveis estruturais da flora, sua riqueza e as variáveis microclimáticas. Deste modo foram analisados a existência de relações estatísticas significativas entre a presença ou riqueza da fauna e as variáveis independentes do ambiente.

No diagnóstico da fauna, para cada grupo são apresentados os resultados dos levantamentos, incluindo lista de espécies geral, sempre que possível, com denominação taxonômica em nível específico, espécies ameaçadas, de interesse econômico, endêmicas, raras, de interesse para a saúde pública e bioindicadoras.

Foram realizadas três campanhas de levantamento de dados primários, sendo a primeira entre os dias 15 e 22 de novembro de 2020, a segunda entre os dias 8 e 15 de fevereiro de 2021, que deveria estar sob o regime de chuvas, mas o clima estava tão seco quanto na anterior. Isto fez com que fosse necessária a realização de uma terceira campanha para completar a sazonalidade durante a estação de chuvas, entre 23 de abril e 10 de maio de 2023.

 

7.1. ECOSSISTEMAS TERRESTRES

7.1.1. FAUNA

O interior do Ceará apresenta formações peculiares inseridas no domínio morfoclimático das Caatingas. Nessa região, como formações vegetacionais mais conspícuas, ocorrem fitofisionomias de aspecto xérico na forma de savanas estépicas e campos rupestres.

Para a fauna do estado do Ceará, estão descritas 102 espécies de peixes, 57 espécies de anfíbios, 133 espécies de répteis, 558 espécies de aves, 62 espécies de mamíferos. Há ainda a diversa variedade de invertebrados, que incluem 148 espécies de abelhas, 98 espécies de borboletas e 216 espécies de formigas.

As atividades de mineração são frequentemente associadas aos diversos impactos de origem antrópica, destacando-se alterações na paisagem, supressão de vegetação nativa e poluição de solo e água (MECHI; SANCHES, 2010). O impacto mais direto e evidente para a fauna terrestre é a perda do hábitat. Os impactos indiretos são causados pela emissão de resíduos, sejam gases, líquidos ou sólidos, ou mesmo de ruído sonoro, que podem ter uma influência para além dos limites do empreendimento em si, afetando, principalmente, a região circunvizinha. .

A ação em médio e longo prazos desses potenciais efeitos sobre as comunidades da fauna ainda não são totalmente conhecidos.

A seguir são apresentados os resultados obtidos ao longo das três campanhas de inventário da fauna, visando subsidiar com informações o processo de licenciamento da instalação do Projeto Santa Quitéria, localizado no município de Santa Quitéria, Ceará.

7.1.1.1. ÁREA DE ESTUDO E UNIDADES AMOSTRAIS

A área de estudo se insere no Bioma Caatinga e se localiza na Fazenda Itataia e em seu entorno, onde prevalece a fisionomia de Savana-estépica (ou Caatinga) arborizada, com áreas de Savana Estépica Florestada nas maiores declividades.

Foram estabelecidos 14 pontos de amostragem para o levantamento de dados primários de vertebrados. Sendo que treze desses pontos foram distribuídos na ADA e na AID e um ponto controle fora da AID. Todos os pontos foram alocados em Savana Estépica Arborizada ou Florestada.

No caso da amostragem de invertebrados foram estabelecidos 7 pontos amostrais, sendo que 6 pontos foram distribuídos na ADA e na AID e um ponto controle foi localizado fora da AID. Todos os pontos foram alocados em Savana Estépica Arborizada ou Florestada.

Na amostragem de insetos vetores foram estabelecidos 12 pontos amostrais, sendo que 10 pontos foram distribuídos na ADA e na AID e 2 pontos controles foram localizados fora da AID. Todos os pontos foram alocados em Savana Estépica Arborizada ou Florestada.

Foram apresentadas as coordenadas de cada ponto de amostragem, mapas com a localização dos pontos e fotos dos locais em que foram alocados os pontos nas três campanhas realizadas. Nestas fotos ficou claro como foi importante a realização da terceira campanha de levantamento de dados. Pois fica claro pelas fotos que devido à ausência de chuvas na segunda campanha a fisionomia da vegetação dos pontos amostrais na primeira e na segunda campanha era muito semelhante, deixando claro que a sazonalidade foi muito prejudicada. Com a realização da terceira campanha esse aspecto foi sanado e trouxe mais confiança aos dados obtidos.

7.1.1.2. STATUS DE CONSERVAÇÃO

O grau de ameaça das espécies listadas foi verificado em nível estadual, utilizando a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da Fauna do Ceará (Portaria n° 145/2022; SEMACE, 2022), em nível nacional, com base na Lista Oficial de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção (ICMBIO, 2023; MMA, 2022), e em nível internacional, de acordo com “The IUCN Red List of Threatened Species” (IUCN, 2022). As espécies também foram classificadas de acordo com os Apêndices I, II e III da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES, 2023).

HERPETOFAUNA

A herpetofauna da Caatinga vem se mostrando diversa e com alto grau de endemismos (ARAUJO et al., 2005; RODRIGUES, 2005). Atualmente são descritas cerca de 324 espécies para herpetofauna do bioma, sendo 98 anfíbios e 226 répteis (79 lagartos, 20 anfisbenídeos, 114 serpentes, 10 quelônios, três crocodilianos) (RODRIGUES, 2003; GARDA et al., 2017; MARQUES et al., 2017; MESQUITA et al., 2017).

Entre as espécies da herpetofauna da Caatinga, 22 espécies são consideradas ameaçadas (MMA, 2022). Sendo uma de anfíbio e 21 de répteis. Tais espécies são em sua grande maioria endêmicas e de distribuição bastante restrita ou ocorrendo em habitats específicos. Na lista estadual são listados três anuros e 2 lagartos como ameaçados (SEMACE, 2022). Os anuros Rhinella casconi (sapo-de-cascon), Adelophryne maranguapensis (rã-de-maranguape), Proceratophrys ararype Mângia (sapo-do-araripe) são classificados como criticamente ameaçados. Os Gymnophthalmideos Leposoma baturitensis (calango-de-baturité) e Placosoma limaverdorum (calango limaverde), por sua vez, são considerados em perigo.

No Apêndice II da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção - CITES (CITES, 2021), três espécies do bioma são citadas como ameaçadas.

O levantamento dos dados secundários referentes à herpetofauna na área de influência do Projeto Santa Quitéria foi realizado por meio de consulta à bibliografia especializada, publicada em artigos científicos e livros, tendo por referência estudos realizados no estado do Ceará. O estudo apresenta uma lista de publicações consultadas que inclui o estudo o de Impacto Ambiental previamente realizado na área do projeto (ARCADIS LOGOS, 2014). A partir dessas publicações foi elaborada uma lista de espécies de potencial ocorrência para a área do projeto.

Foram realizadas 3 campanhas de campo sendo a primeira entre os dias 7 e 17 de novembro de 2020; a segunda entre 31 de janeiro e 11 de fevereiro de 2021 e a terceira entre os dias e 10 de maio de 2023. Foram feitos levantamentos utilizando os métodos de busca visual e auditiva ativa e pela utilização de armadilhas de interceptação e queda.

Foram realizadas amostragens em 14 pontos distribuídos na ADA, AID e ponto controle. Nestes pontos amostrais foram utilizados 10 baldes de 60 litros, dispostos em linha, enterrados com a boca ao nível do solo, com distância média de 10 metros entre eles e interligados por uma cerca-guia. As armadilhas eram vistoriadas diariamente. O esforço amostral foi de 140 baldes/dia, totalizando 1.400 baldes/dia por campanha (10 baldes x 10 dias x 14 pontos), perfazendo 4.200 baldes/dia no total (3 campanhas).

A busca ativa ocorreu no período diurno e noturno com registro acústico, fotográfico e captura para identificação dos espécimes. As buscas foram realizadas através de transectos aleatórios em cada ponto amostral, investigando possíveis micro hábitats. Nos transectos de cada um dos 14 pontos amostrais foram dispendidas um total de duas horas de esforço amostral no período diurno e duas horas no período noturno, por três pesquisadores, resultando em um esforço amostral igual a 168 horas de buscas através desse método (04 horas por homem por ponto por campanha). Ao final das três campanhas, um total de 504 horas foram empregadas em buscas ativas (14 pontos x 04 horas x 03 pesquisadores x 03 campanhas).

Os dados colhidos em campo foram analisados e foram obtidos o Indice de Shannon-Winner (H´), índice da Equidade de Pielou (J`), curvas de acumulações de espécies, Eficiência amostral, índice de similaridade de Jaccard.

Os resultados das três campanhas foram os seguintes: Na primeira campanha foram registrados 493 indivíduos de 22 espécies, sendo 3 de anfíbios e 19 de répteis. Na segunda campanha foram registrados 541 indivíduos de 21 espécies, sendo 3 de anfíbios e 18 de répteis. Na terceira campanha foram registrados 2893 indivíduos de 41 espécies, sendo 19 de anfíbios e 22 de répteis.

Considerando os resultados compilados das três campanhas, foram registrados 3927 indivíduos de 47 espécies, sendo 19 de anfíbios e 28 de répteis (14 de lagartos, 13 de serpentes e 1 de anfisbena).

As espécies de anfíbios mais abundantes foram Proceratophrys cristiceps (N=771), Physalaemus cuvieri (N=630) e Leptodactylus troglodytes (N=570), e para os répteis as espécies mais abundantes foram os lagartos Tropidurus hispidus (N=613) e Ameivula ocellifera (N=488). Entre as espécies de única ocorrência no levantamento foram citadas Boana crepitans, Corythomantis greeningi, Dermatonotus muelleri entre os anfíbios e Oxyrhopus trigeminus (falsa coral), Philodryas nattereri (cobra-cipó-verde), Oxybelis aeneus (bicuda), Corallus hortulanus (suaçuboia) e Crotalus durissus (cascavel) entre os répteis.

NA ADA foram registradas 26 espécies e na AID 39 espécies. Uma espécie de anfíbios (Dermatonotus muelleri) e três espécies de serpentes (Coralus hortulanus, Philodryas natteri e Philodryas patagoniensis) foram registradas exclusivamente na ADA. No entanto 11 espécies foram registradas apenas na AID. Porém todas essas espécies possuem ampla distribuição e são relativamente comuns em inventários para a herpetofauna da Caatinga.

Em relação a eficiência amostral os dados mostraram que a curva de acumulação não atingiu a assíntota, sendo provável a adição de mais espécies se o esforço amostral for maior. Após o uso de estimadores de riqueza estimou-se que as 47 espécies observadas nas 3 campanhas representam entre 75 e 78% da riqueza estimada (entre 60 e 62 espécies).

Segundo o estudo não foram observadas espécies da herpetofauna registradas nos levantamentos listadas nas listas de espécies ameaçadas, seja nas listas estadual, nacional e internacional de espécies ameaçadas. No entanto três espécies (Boa constrictor, Iguanaiguana e Salvator merianae) estão listadas no Apêndice II Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora (CITES, 2023).

Foram registradas cinco espécies endêmicas da Caatinga, sendo três lagartos (Hemidactylus agrius, Tropidurus semitaeniatus e Vanzosaura multiscutata) e duas serpentes (Boiruna sertaneja e Epictia borapeliotes). Essas espécies são comuns e amplamente distribuídas no bioma e podem ocorrer em áreas de tensão ecológica, na transição com outros biomas.

Quatro espécies cinegéticas foram registradas nos levantamentos: Boa constrictor, Corallus hostulanus, Salvator merianae e Iguana iguana.

São de interesse médico todas as serpentes peçonhentas registradas na área do empreendimento, a saber os viperídeos Bothrops erythromelas (jararaca-da-seca) e Crotalus durissus (cascavel), além dos elapídeos (corais-verdadeiras) do gênero Micrurus (Micrurus ibiboboca e Micrurus lemniscatus).

Comparando a Área Diretamente Afetada (ADA), Área de Influência Direta e a Área Controle observamos que a ADA apresentou uma Abundância de 1106 espécimes, Riqueza de 26 espécies e Índices de diversidade H`, D e J´ de 1.76, 0,25 e 0,54 respectivamente. Já a AID apresentou uma Abundância de 2334 espécimes, Riqueza de 39 espécies e Índices de diversidade H`, D e de 2,45, 0,12 e 0,66 respectivamente. E a Área Controle apresentou uma Abundância de 478 espécimes, Riqueza de 19 espécies e Índices de diversidade H`, D e de 1,17, 0,56 e 0,39 respectivamente. Quando reunido os dados das três áreas foi obtido uma Abundância de 3927 espécimes, Riqueza de 47 espécies e Índices de diversidade H`, D e de 2,37, 0,13 e 0,61 respectivamente.

A espécie Proceratophrys cristiceps foi a espécie dominante quando se considera o conjunto dos dados das três áreas e também quando se considera a os dados da ADA. Na AID a espécie dominante foi Tropidurus hispidus e na área controle foi Physalaemus cuvieri.

A análise de agrupamento resultou em um dendrograma em que não se observou a formação de grupos correspondentes as áreas de influência. Pois os pontos amostrais possuem composição de espécies e abundância semelhantes.

Os dados de riqueza e abundância entre as campanhas realizadas no período seco e chuvoso foram afetados pela ocorrência da chuva em especial para o grupo dos anfíbios. Em relação a abundância as duas campanhas realizadas na seca resultaram em 1034 indivíduos da herpetofauna e na campanha realizada na época chuvosa foram 2893 espécimes. A maior contribuição para esse resultado foi o incremento de 25 indivíduos de 5 espécies de anfíbios registrados nas campanhas no período seco para 2237 espécimes de 19 espécies na campanha no período chuvoso. Esse resultado reforça a necessidade de se observar a sazonalidade nos levantamentos de dados da fauna.

Comparando os resultados obtidos nas três campanhas com os resultados da literatura levantados pelo estudo observamos que a riqueza obtida pelos dados primários foi de 47 espécies e a compilação dos dados secundários resultou em um total de 89 espécies levantadas. Considerando também a curva de rarefação e os resultados dos estimadores de riqueza que retornaram o resultado de uma riqueza prevista entre 60 e 62 espécies observamos que as campanhas realizadas não foram suficientes para registrar toda a riqueza existente na região dos estudos. No entanto aos se comparar com outros estudos de curto termo observamos que a riqueza observada foi semelhante a outros estudos com a mesma característica que resultaram na identificação de 45 a 57 espécies. Portanto podemos considerar satisfatório os resultados obtidos após as três campanhas de levantamentos dados primários para a herpetofauna.

AVIFAUNA

A partir da literatura registramos na Caatinga 548 espécies entre residentes e visitantes e desse total 67 táxons são considerados endêmicos e 35 considerados ameaçados de extinção a nível global e nacional.

Para conhecer a avifauna existente na região do Projeto Santa Quitéria foi realizado um levantamento de dados secundários da avifauna da região e um levantamento de dados primários.

Para o levantamento de dados secundários sobra a avifauna existente na área de influência do Projeto Santa Quitéria se deu através da consulta à bibliografia especializada, dando preferência aos dados oriundos de localidades próximas ao empreendimento e adicionalmente foi realizada uma revisão da ocorrência de espécies em um raio de 50 km a partir do município de Santa Quitéria por meio da base de dados on-line Wikiaves (2023). E por fim utilizou-se relatórios técnicos de pesquisas realizadas na área de estudo.

Para o levantamento de dados primários da avifauna foram realizadas 3 campanhas de campo. A primeira campanha ocorreu entre os dias 5 e 18 de novembro de 2020, referente à estação seca I, enquanto a segunda campanha foi realizada entre 31 de janeiro e 13 de fevereiro de 2021, aqui considerada como estação seca II, pois, embora considerado como período chuvoso, naquele ano a chuva tardou, e a amostragem ocorreu em um ambiente de vegetação típica da época de seca com poucas árvores ou arbustos apresentando folhas verdes. A terceira campanha ocorreu entre 24 de abril e 07 de maio de 2023, durante a estação chuvosa (estação chuvosa I. Desta forma, as campanhas para o grupo de avifauna, para compor o presente diagnóstico, abrangeram o período de seca e chuva.

Foram realizadas amostragens em 14 pontos distribuídos na ADA, AID e ponto controle. Nestes pontos amostrais a avifauna foi inventariada aplicando o método de Listas de Mackinnon. Neste método cada ponto foi amostrado por um dia em cada campanha do alvorecer até as 10 horas e no fim da tarde das 16 horas até escurecer. Na elaboração das listas de Mackinnon foram levantadas e registradas todas as espécies detectadas durante o campo em listagens consecutivas de 10 espécies e elaborando-se pelo menos 10 listagens em cada ponto em cada campanha. E cada ponto amostral foi visitado pelo menos uma vez (um dia), somando 8 horas por dia e 112 horas por campanha, totalizando 336 horas ao longo do estudo (8 horas/dia *14 dias *3 campanhas).

Os registros obtidos durante as três campanhas de levantamento da avifauna foram organizados em uma base de dados contendo a lista de espécies e número de indivíduos registrados em cada ponto amostral (cada lista de Mackinnon). A classificação taxonômica e nomenclatura das espécies seguiu a classificação proposta pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos – CBRO (PACHECO et al., 2021).

Os dados colhidos em campo foram analisados e foram obtidos o Índice de Shannon-Winner (H´), índice da Equidade de Pielou (J`), frequência de ocorrência das aves (FO), o Índice de Frequência nas Listas (IFL`s), Eficiência amostral, índice de similaridade de Jaccard.

Nas três campanhas foram obtidos 4361 registros de 161 espécies de aves pertencentes a 46 famílias e 23 ordens. A riqueza observada nesse estudo foi maior que a apontada no EIA de 2011 que registrou 146 espécies. E em relação a riqueza observada em outros estudos apontados na literatura para esse mesmo bioma e com fitofisionomia semelhante o resultado se mostrou alinhado com estudos resultando no registro entre 162 e 164 espécies.

No presente estudo as famílias com maior diversidade foram: Tyrannidae, com 24 (14,81%) espécies, Thraupidae, com 14 (8,64%) espécies, Columbidae, com nove espécies (5,56%) e Picidae, com sete (4,32%) espécies. Essas famílias também estiveram entre as mais diversas ao longo das atividades desenvolvidas em 2011.

Em relação a Frequência de Ocorrência a maioria das espécies foram classificadas como regulares (N=68; 43%), enquanto 27 espécies (17%) foram classificadas como comuns. Por sua vez, 39 espécies (25%) foram classificadas como pouco comuns e 23 espécies (15%) como raras.

Em relação a eficiência amostral o resultado obtido foi comparável ao obtido em outros estudos realizados em área de caatinga bem conservada. Além disso a tendencia à estabilização da curva de coleta é clara. Ao se usar os estimadores de riqueza o estudo apresenta que o atual estudo representou entre 87 e 91 % da riqueza estimada que variava entre 180 e 198 espécies. Para essa estimativa foram utilizados os estimadores Jackknife 1 e Chao 2. No entanto parece que o dado apresentado a partir do estimador Chao 2 esteja com erro. Isso porque o dado apresentado de 198 espécies não é o mesmo apresentado na figura 11.2.1-48 e, também, não resulta no índice de 91% de representatividade da estimativa.

Apesar dessa informação equivocada e que deve ser corrigida, os resultados obtidos são suficientes para indicar que a avifauna foi bem amostrada e que as informações são uteis para estudos rápidos como os de um EIA, com o fim de se avaliar a avifauna presente na área de influência do Projeto Santa Quitéria.

O levantamento de dados primários da avifauna registrou cinco espécies classificadas como ameaçadas de extinção quando considerada as listas da IUCN, MMA e do estado de Ceará. Dessas a Penelope jacucaca (jacucaca) foi considerada vulnerável nas três listas; Leptotila rufaxilla (juriti-de-testa-branca) considerada vulnerável na lista do Estado do Ceará; Primolius maracana (maracana) considerada quase ameaçada na lista da IUCN e em perigo na lista do estado do Ceará, além de constar no anexo I da Cites; Xiphocolaptes falcirostris (arapaçu-do-norte) considerada vulnerável na lista do MMA, IUCN e do estado do Ceará; e por fim o Sporophila bouvreuil (caboclinho) considerado vulnerável na lista do estado do Ceará. No Apendice II da Cites o relatório apresentou 15 espécies identificadas. Dentre essas o relatório destacou Eupsittula cactorum (periquito-da-caatinga), Forpus xanthopterygius (tuim), Cyanocorax cyanopogon (gralha-cancã), Icterus pyrrhopterus (inhapim), Icterus jamacaii (corrupião) e Tangara sayaca (sanhaçu-cinzento).

O estudo cita evidências da presença de caçadores na área de influência do empreendimento e cita uma série de espécies cinegêticas que podem ser alvos de caça, tais como: as espécies pertencentes às famílias Tinamidae (macucos, inhambus, perdizes e codornas), Anatidae (patos e marrecos), Cracidae (jacus e mutuns) e Columbidae (rolinhas, pombas, juritis e avoante). Esse fato indica a necessidade de o empreendimento estruturar ações para desencorajar a prática da caça na área do empreendimento, seja praticada pela comunidade interna ou externa ao projeto. Em especial deve-se dar destaque a Penelope jacucaca e a Primolius maracana devido ao grau de ameaça dessas espécies.

No presente estudo, 22 espécies de aves tradicionalmente criadas como xerimbabos foram registradas na AI do empreendimento, com destaque para Paroaria dominicana (cardeal-do-nordeste), Icterus jacamacaii (corrupião) e espécies do gênero Sporophila, especialmente Sporophila bouvreuil (caboclinho), espécie ameaçada de extinção em nível estadual.

Em relação as espécies endêmicas à Caatinga foram identificadas 13 espécies. Destas, podem ser destacadas as espécies: P. jacucaca (jacucaca), Nyctidromus hirundinaceus (bacurauzinho-da-caatinga), Picumnus limae (picapauzinho-da-caatinga), e Anopetia gounelei (rabo-branco-de-cauda-larga). As demais espécies endêmicas podem ser consultadas no Quadro 11.2.1-11 do EIA.

Neste estudo foram registradas três espécies de aves consideradas migrantes. As espécies Tringa solitaria (maçarico-solitário) e Chaetura meridionalis (andorinhão-do-temporal) são migrantes do Hemisfério Norte, enquanto Elaenia chilensis (guaracava-de-crista-branca) é oriunda do Hemisfério Sul. Também foram registradas 17 espécies que são apontadas como migrantes parciais, ou seja, são espécies cujas populações são em parte migrantes e em parte residentes.

Sobre o uso do Habitat pelas espécies de aves registradas durante o levantamento realizado na área de influência do Projeto Santa Quitéria se obteve que 78 espécies são associadas a áreas abertas, 54 são associadas a ecótonos entre áreas abertas e formações florestais e 29 são espécies dependentes do ambiente florestal. Quanto a sensibilidade a distúrbios ambientais foram registradas 5 espécies com alta sensibilidade e 51 espécies com média sensibilidade a distúrbios ambientais, evidenciando a importância dos fragmentos florestais na região. E 104 espécies foram categorizadas como de baixa sensibilidade ambiental.

A distribuição das espécies da avifauna entre as categorias tróficas resultou em 83 espécies insetívoras, 26 onívoras, 20 espécies granívoras, 19 Carnívoras e detritívoros e 13 frugívoro-nectarívoros.

Do total de espécies catalogadas a partir das Listas de Mackinnon (N=157), 151 (96,18%) espécies de aves foram registradas na AID do empreendimento, sendo que, destas, 46 espécies foram catalogadas exclusivamente na AID. Por sua vez, 97 (61,78%) foram observadas na ADA e 76 (48,41%) na área-controle, sendo duas espécies exclusivas à ADA e quatro espécies exclusivas à área-controle (Quadro 11.2.1-12 do EIA).

Comparando a Área Diretamente Afetada (ADA), Área de Influência Direta e a Área Controle observamos que a ADA apresentou uma Abundância de 1138 espécimes, Riqueza de 97 espécies e Índices de diversidade H` e J´ de 3,978, e 0,87 respectivamente. Já a AID apresentou uma Abundância de 2896 espécimes, Riqueza de 151 espécies e Índices de diversidade H` e J´ de 4,313 e 0,86 respectivamente. E a Área Controle apresentou uma Abundância de 320 espécimes, Riqueza de 76 espécies e Índices de diversidade H`e J´ de 3,992 e 0,922 respectivamente. Quando reunido os dados das três áreas foi obtido uma Abundância de 4354 espécimes e Riqueza de 157 espécies.

A análise de similaridade na composição de espécies entre os pontos amostrais resultou em dois grupos. O Grupo 1 formado apenas pelo ponto amostral 7 (AID) com a presença de aves associadas a ambientes aquáticos. O segundo grupo (Grupo 2) é formado pelos demais pontos amostrais com espécies associadas à vegetação de caatinga arborizada e/ou arbustiva densa. No entanto, o segundo grupo pode ser subdividido em dois subgrupos, o primeiro formado pelos pontos amostrais 1, 2, 8, 9, 11 e 14, mais similares entre si (Subgrupo 1 - pontos da ADA e AID) e o segundo pelos pontos 3, 4, 5, 6, 10, 11 e 13 (Subgrupo 2 - pontos da ADA e AID) (Figura 11.2.1-54 do EIA).

Sobre o efeito da sazonalidade constatamos que a realização do levantamento durante o período chuvoso agregou mais 8 espécies ao resultado final do estudo. Nas duas primeiras campanhas foram catalogadas 126 e 129 espécies. Com a adição da terceira campanha no período da chuva foram catalogadas 118 espécies. Apesar da riqueza ter sido menor, neste período há uma maior abundância de espécies migrantes parciais ou que realizam deslocamentos sazonais na Caatinga, bem como de espécies associadas a corpos aquáticos. Isto indica o uso das áreas de influência do empreendimento como local integrante de rotas migratórias para a avifauna da Caatinga.

Comparando os dados primários obtidos com os dados secundários temos que o presente levantamento acessou 161 (59%) espécies das 270 espécies resultantes do levantamento bibliográfico realizado para a região do empreendimento. Ressalta-se que 5 espécies encontradas nas atividades de campo ainda não tinham sido observadas na região do empreendimento, são elas: Aegolius harrisii (caburé-acanelado), Buteo nitidus (gavião-pedrês), Columbina passerina (rolinha-cinzenta), Chaetura meridionalis (andorinhão-do-temporal) e Elaenia flavogaster (guaracava-de-barriga-amarela). Outra espécie relevante que foi observada nos trabalhos de campo foi a A. harrisii (caburé-acanelado), espécie de coruja com ocorrência do Ceará ao Rio Grande do Sul, pode ser observada em áreas abertas, florestas úmidas, zonas secas e bordas de florestas (HOLT et al., 2020). No entanto, apesar de ocorrer em toda região leste do Brasil, até o presente, poucos registros da espécie têm sido realizados, o que pode até subestimar a distribuição e o tamanho de suas populações (WIKIAVES, 2023). Desta forma, o registro na área da AI do empreendimento torna-se relevante. De todo modo, estudos futuros podem revelar a raridade ou não da espécie na área avaliada.

Embora a área do presente levantamento seja caracterizada pela presença de uma savana estépica e de uma Caatinga arbórea-arbustiva densa, ambas associadas à presença humana os dados obtidos indicam que a região proporciona condições adequadas para a manutenção de uma avifauna típica das regiões de Caatinga com bom estado de conservação. Somando-se a isso, tem-se o registro de espécies de aves ameaçadas de extinção, além de espécies endêmicas da Caatinga nas áreas de influência do empreendimento, principalmente associada à vegetação nas margens dos riachos e no sopé da Serra do Céu (pontos amostrais 4, 5, 6 e 10). Em relação ao ponto amostral 4 chama-se a atenção de o mesmo estar inserido na ADA, ou seja, em área que sofrerá intervenção para a instalação do empreendimento.

Por fim, assinala-se que a possível perda de habitat como consequência da implementação do futuro empreendimento poderá vir a contribuir com a fragmentação e antropização da região. E desse modo a avifauna poderá sofrer algumas alterações com relação à sua composição que devem ser acompanhadas durante a implantação e operação do empreendimento. Neste sentido, estudos futuros são necessários, a fim de fornecer mais informações na tentativa de se monitorar e mitigar os impactos da implantação e operação do empreendimento.

Em especial deve-se observar as espécies ameaçadas e avaliar e propor ações relacionadas ao Planos de Ação Nacional para a conservação das espécies afetadas (PAN Aves da Caatinga).

E avaliando todas a informações disponibilizadas no presente estudo podemos considerar satisfatório os resultados obtidos após as três campanhas de levantamentos dados primários para a avifauna.

Mastofauna Terrestre

A literatura aponta que no Brasil existem 759 espécies de mamíferos distribuídas em 249 gêneros, 51 famílias e 11 ordens. Já na Caatinga os registros apontam para 183 espécies de mamíferos, sendo 11 endêmicas e 10 constam na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção (MMA 2022). No estado do Ceará são conhecidas 115 espécies de mamíferos continentais pertencentes a 8 ordens, 20 famílias e 88 gêneros. As ordens mais especiosas são Chiroptera (53 espécies), Rodentia (25) e Carnivora (14). Com relação às famílias, especificamente para os mamíferos não voadores, os maiores números de riqueza estão em Cricetidae (Rodentia; 14 espécies) e Didelphidae (Didelphimorphia; 10 espécies).

Para conhecer a mastofauna terrestre existente na região do Projeto Santa Quitéria foi realizado um levantamento de dados secundários da mastofauna da região e um levantamento de dados primários.

Para o levantamento de dados secundários sobra a mastofauna terrestre existente na área de influência do Projeto Santa Quitéria se deu através da consulta à bibliografia especializada. Foi dada preferência a fontes de informações confiáveis, obtidas a partir de estudos de autores experientes, evitando possíveis erros de identificação das espécies. Com exceção do material produzido no processo de licenciamento do PSQ (ARCADIS LOGOS, 2014), não foi possível encontrar nenhuma bibliografia para a região. Dessa forma utilizamos publicações para Caatinga do Ceará e Nordeste brasileiro, incluindo a lista de mamíferos registrados para o estado de 2021 e a lista estadual de espécies ameaçadas publicada em 2022.

Para o levantamento de dados primários foram realizadas 3 campanhas de campo. A primeira campanha de levantamento da mastofauna terrestre ocorreu entre os dias 5 e 17 de novembro de 2020, período considerado como estação seca na região. A segunda campanha ocorreu entre 31 de janeiro e 12 de fevereiro de 2021, período considerado como estação chuvosa na região. Devido à variação comum das chuvas na região da Caatinga, a segunda campanha acabou acontecendo num período de baixa pluviometria, e uma terceira campanha foi realizada com a finalidade de contemplar um período chuvoso mais característico, sendo que esta última amostragem aconteceu entre os dias 30 de abril a 10 de maio de 2023.

Cada campanha teve uma amostragem efetiva (emprego das metodologias e armadilhas em funcionamento) de 10 dias consecutivos, somando 30 dias de esforço de coleta de dados primários para todo o estudo. Foram inventariadas 14 áreas, sendo uma delas o ponto “Controle”. Foram adotadas metodologias diferentes para mamíferos terrestre de pequeno porte e aqueles de médio e grande porte.

MAMÍFEROS DE PEQUENO PORTE NÃO VOADORES

Para a amostragem desse grupo foram utilizadas armadilhas tipo gaiola como as do tipo Sherman e Tomahawk e armadilhas de queda do tipo pitfall.

As armadilhas metálicas foram montadas em cinco estações de captura ao longo de 80 m, separadas por 20 m entre si, sendo cada estação constituída por duas armadilhas, uma no solo (tipo Tomahawk) e outra (tipo Sherman), quando possível, a altura do sub-bosque (aproximadamente 2 m), totalizando 10 armadilhas por transecto. As armadilhas foram iscadas e vistoriadas diariamente para retirada dos espécimes e reiscadas, quando necessário. Para cada campanha, o período de amostragem foi de 10 noites consecutivas nos 14 transectos de amostragem, totalizando um esforço de 1.400 armadilhas/noite/campanha. O esforço final, após a realização das três campanhas, foi de 4.200 armadilhas/noite.

As armadilhas de interceptação e queda (pitfall) utilizadas para os pequenos mamíferos terrestres foram as mesmas utilizadas para a amostragem da herpetofauna. O esforço amostral empregado para os dois grupos foi o mesmo, 140 armadilhas/dia, totalizando 1.400 armadilhas/dia por campanha (10 baldes x 10 dias x 14 pontos), perfazendo 4.200 armadilhas/dia no total (3 campanhas).

Os espécimes capturados foram identificados, e, sempre que possível, sexados, categorizados quanto à faixa etária e condição reprodutiva, além de marcados com eartags, antes da posterior soltura no mesmo local de captura. Eventualmente alguns dos indivíduos capturados foram coletados, catalogados e mensurados (medidas corpóreas padrão). Os espécimes eventualmente sacrificados para identificação em coleção zoológica o foram por meio do uso de anestésico inalatório, em conformidade com a Resolução CFB no 301/ 2012 e Resolução CRMV nº 1000/2012. e preparados de acordo com os procedimentos sugeridos pela “American Society of Mammalogists (SIKES and ANIMAL CARE AND USE COMMITTEE, 2016) Reitera-se que foram coletados, respeitando-se as limitações e instruções contidas nas Autorização de Captura, Coleta e Transporte de Material Biológico - ABIO emitidas (Nº 1488/2023), ou seja, coletados apenas os espécimes cuja taxonomia não estivesse resolvida ou que não fosse possível de identificação em nível específico a partir de caracteres morfológicos externos ou, ainda, aqueles encontrados mortos na área-estudo, seja o espécime completamente ou parcialmente íntegro. Todo o material coletado foi encaminhado a Coleção de Mamíferos na Universidade Federal da Paraíba, instituição fiel depositária conveniada, onde passará por todos os procedimentos de curadoria (Anexo 11.2.3-2 - Carta de Interesse da UFPB em receber o material zoológico).

MAMÍFEROS DE MÉDIO E GRANDE PORTES NÃO VOADORES

Foram aplicadas duas metodologias de levantamento para esse grupo: Busca Ativa e Armadilhas Fotográficas.

A busca ativa foi realizada por um (n=1) pesquisador nos 14 pontos amostrais citados anteriormente, durante 6 horas em torno de cada ponto, com amostragens diurnas e noturnas, totalizando 84 horas/homem por campanha e 252 horas/homem ao final das três campanhas. Esse método permite o avistamento direto de animais, sendo realizado com um número reduzido de pessoas, em silêncio, percorrendo as trilhas com velocidade constante de 1 km/h, durante as primeiras horas do dia e ao anoitecer. O registro da ocorrência dos vestígios foi realizado por meio de anotação em caderno de campo e fotografia com a utilização de referência de escala (esquadro, régua ou algum objeto) para posterior identificação com o auxílio de guias específicos.

As armadilhas fotográficas foram dispostas em pontos considerados de interesse para grupo, sendo instaladas em árvores a uma altura de aproximadamente 40 cm em relação ao solo. Para atrair mais animais e espécies de comportamento alimentar distintos, foram colocadas iscas em frente às armadilhas. O esforço amostral, por campanha, para esse método foi de 240 horas (24 horas x 10 dias de amostragem) por ponto amostral, totalizando 3.360 horas (240 horas x 14 pontos) para toda área de estudo. O esforço final, portanto, foi de 10.080 horas (240 horas x 14 pontos x 3 campanhas).

Os dados colhidos em campo foram analisados e foram obtidos o Índice de Shannon-Winner (H´), índice da Equidade de Pielou (J`), Curvas de acumulações de espécies, Eficiência amostral, índice de similaridade de Jaccard.

Nas três campanhas realizadas foram registrados 742 registros de 21 espécies. Essas espécies pertencem a 6 ordens e 12 famílias. Os mamíferos de médio e grande portes foram representados por quatro ordens, oito famílias e 11 espécies (163 registros): Callithrichidae (S=1), Canidae (S=1), Cebidae (S=1), Cervidae (S=1), Chlamyphoridae (S=2), Felidae (S=3), Mephitidae (S=1) e Tayassuidae (S=1). Já os pequenos mamíferos terrestres foram representados por duas ordens, quatro famílias e 10 espécies (521 registros): Caviidae (S=2); Cricetidae (S=4); Didelphidae (S=3) e Echimyidae (S=1). A riqueza obtida com os dados primários corresponde a cerca de 36% da riqueza de mamíferos terrestres com ocorrência registrada atualmente no estado do Ceará (59 espécies). Outros estudos realizados no bioma da Caatinga têm retornado registros de 5 a 29 espécies de mamíferos terrestres indicando que o resultado obtido neste levantamento está em linha com os resultados reportados na bibliografia. Foram identificadas espécies de diversos níveis tróficos (Posições primárias, herbívoros de grande porte, onívoras e predadores de topo de cadeia) indicando que a área de estudo possui uma comunidade equilibrada.

Em relação a abundância das espécies registradas destacamos as espécies de pequeno porte como: a a cuíca-ágil (G. agilis), com 154 registros, o ratinho-de-rabo-comprido (Oligoryzomys sp.), com 101, depois pelo rato-bico-de-lacre (Wiedomys cerradensis), com 81 e do punaré (T. laurentius), com 77 indivíduos. Entre os mamíferos de médio e grande porte a espécie mais frequente foi a raposinha (C. thous), com 71 registros e o sagui-de-tufo-branco (C. jacchus), com 36 registros.

Em relação a eficiência amostral dos trabalhos conduzidos em campo o estudo apresenta que a curva de acumulação de espécies ficou muito próxima de atingir a assíntota indicando que o esforço amostral realizado foi adequado para caracterizar a fauna de mamíferos nas áreas de influência do PSQ. Corrobora o fato do número de espécies observado (N=21) próximo ao número de espécies estimadas (N=23) (Jackknife 1), bem como do número de espécies registradas nos dados secundários (N=26).

Em relação as espécies ameaçadas de extinção, é relevante apontar que o estudo não considerou a lista estadual de espécies ameaçadas, tendo sido considerado apenas as listas do MMA, IUCN e CITES. Portanto o estudo cita como espécies ameaçadas: o gato-maracajá (L. emiliae)(MMA=EN; IUCN=VU; CITES=I), o gato-mourisco (H. yagouaroundi)(MMA=VU; CITES=II), e o mocó (K. Rupestris)(MMA=VU). Cita ainda o macaco-prego (S. libidinosus) considerado quase ameaçado (NT) na lista da IUCN e a onça-parda (P. concolor) o sagui-de-tufo-branco (C. jacchus), a raposinha (C. thous) e o cateto (D. tajacu) que estão presentes no Apêndice II da CITES (CITES, 2023). Por fim destaca que os roedores W. cerradensis e T. laurentius. Ambos estão listados na lista da IUCN (2022) como “Dados Insuficientes”.

No entanto, se considerarmos a lista estadual do Ceará de espécies ameaçadas de extinção seria necessário considerar Gato-do-mato-pequeno (Gato-maracajá)(Leopardus emiliae) classificado como vulnerável; a onça-parda (Puma concolor) classificada como em perigo; Gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi) classificado como vunerável; Veado-catingueiro (Subulo gouazoubira) classificado como vunerável e o Cateto (Dicotyles tajacu) classificado como em perigo. Portanto, considerando a lista estadual de espécies ameaçadas o número de espécies ameaçadas se amplia em mais três espécies: a onça-parda, o vedo-catingueiro e o cateto.

Em relação as espécies endêmicas o ratinho-de-rabo-curto (C. mattevvi), o ratinho-de-rabo-comprido (O. stramineus), o tatu-bola (T. tricinctus) e o macaco-prego (S. libidinosus) são endêmicos da Caatinga e do Cerrado. O rato-bico-de-lacre, anteriormente considerado endêmico apenas do Cerrado, agora se sabe que também ocorre na Caatinga. O mocó e o preá são endêmicos da Caatinga. O gato-maracajá é endêmico do Norte e Nordeste brasileiro. O punaré é considerado endêmico do Brasil.

Em relação a espécies bioindicadoras o estudo destacou o gato-maracajá (L. emiliae), a onça-parda (P. concolor) e o gato-mourisco (H. yagouaroundi), que além de estarem atualmente ameaçados, são também considerados bioindicadores devido à sua posição de topo na cadeia alimentar. A presença da onça-parda é especialmente importante, uma vez que na Caatinga ela está restrita às áreas menos impactadas pela atividade humana. O macaco-prego (Sapajus libidinosus) é outro mamífero que pode ser considerado um bioindicador, pois a sua distribuição está restrita a poucas áreas de Caatinga, geralmente aquelas mais conservadas, que detêm vegetação arbórea e que conservam certa umidade em períodos de maior seca.

O estudo cita evidências da presença de caçadores na área de influência do empreendimento e cita uma série de espécies cinegéticas que podem ser alvos de caça. Foram registradas 19 espécies, sendo que dessas 15 são de mamíferos de médio e grande porte. Em relação aos mamíferos de pequeno porte são citados D. albiventris, G. spixii, K. rupestris e T. laurentius. A interação que a comunidade local exibe com essas espécies é exibida no Quadro 11.2.1-16 do EIA e é subdividida em alimentação, estimação, conflito e medicinal/místico.

Em relação as espécies domésticas foram registradas cães e gatos e animais de criação como bovinos, ansinos, caprinos e suínos. Todos esses sendo criados livres. A presença desses animais em áreas de floresta nativa é problemática devido a competição que representam para as espécies nativas e pelo fato do pisoteio que causam em áreas nativas tender a reduzir a riqueza e abundância de pequenos mamíferos.

Em relação a espécies de interesse médico diversas espécies registradas podem servir de reservatório para patógenos. Segue a seguir os exemplos destacados no estudo. Canídeos silvestres podem ser reservatórios para Leishmania sp, Trypanosoma cruzi, virus da raiva, patógeno da Criptosporidiose. Espécies de tatus são reservatórios naturais do bacilo causador da Hanseníase e do Trypanosoma cruzi causador da Doença de Chagas. E pequenos roedores como dos gêneros Colomys e Oligoryzomys são reservatórios de hantavirus. Por isso a correta execução do Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos durante a implantação e operação do empreendimento é importante para evitar que o acúmulo de material orgânico atraia indivíduos das populações desses organismos, em especial roedores, tatus e canídeos.

Comparando a Área Diretamente Afetada (ADA), Área de Influência Direta e a Área Controle observamos que a ADA apresentou uma Abundância de 147 espécimes, Riqueza de 13 espécies e Índices de diversidade H`, D e J´ de 2.07, 0,83 e 0,80 respectivamente. Já a AID apresentou uma Abundância de 513 espécimes, Riqueza de 20 espécies e Índices de diversidade H`, D e J´ de 2.42, 0,89 e 0,81 respectivamente. E a Área Controle apresentou uma Abundância de 34 espécimes, Riqueza de 9 espécies e Índices de diversidade H`, D e J´ de 2.03, 0,84 e 0,92 respectivamente. Quando reunido os dados das três áreas foi obtido uma Abundância de 694 espécimes, Riqueza de 21 espécies e Índices de diversidade H`, D e J´ de 2.37, 0,88 e 0,78 respectivamente.

A análise de similaridade faunística também revelou a homogeneidade entre os pontos amostrais do estudo. O dendrograma gerado não mostra um padrão claro nos agrupamentos. Localidades próximas geograficamente não agruparam, e localidades distantes se agruparam. Além disso, a similaridade entre a maior parte dos agrupamentos está na casa dos 60%. Isso é sinal de que os pontos são muito parecidos entre si.

Em relação a sazonalidade não foi observado diferenças entre a riqueza obtida entre as três campanhas, no entanto a abundância foi maior na campanha chuvosa. Considerando o porte dos mamíferos terrestres observamos que para os mamíferos terrestres de médio e grande porte, na primeira campanha foram registradas 7 espécies e 42 indivíduos, na segunda campanhas 10 espécies e 84 indivíduos e na terceira campanha 8 espécies e 41 espécimes. Para os de pequeno porte foram registradas 7 espécies e 127 indivíduos na primeira campanha, 8 espécies e 138 indivíduos na segunda campanha e 9 espécies e 258 espécimes na terceira. No somatório dos registros obtidos independentemente do porte foram registradas 14 espécies e 169 indivíduos na primeira campanha, 18 espécies e 222 indivíduos na segunda campanha e 17 espécies e 297 espécimes na terceira. Outro efeito perceptível resultante da sazonalidade foi a mudança na eficiência das armadilhas utilizadas. Durante o período seco as armadilhas do tipo Livetrap que eram iscadas apresentaram maior número de registros quando comparadas com as armadilhas do tipo Pitfall. Já no período chuvoso essa situação se inverteu. Possivelmente com a maior oferta de recursos existente no período chuvoso pode ter reduzido a atratividade das iscas e a maior atividade reprodutiva aumentando a atividade (movimentação) dos animais, resultando na diminuição dos registros em livetrap e o aumento dos registros em pitfall.

Em relação a relevância regional dos dados obtidos nas campanhas de campo em relação aos dados secundários destaca-se que a literatura aponta ao menos 29 espécies de mamíferos terrestres para a região central do Ceará. Considerando que os dados primários obtidos neste levantamento inventariaram 22 espécies de mamíferos terrestres observamos que a fauna local restou bem caracterizada. Reforça esse ponto ao se considerar as espécies que são acrescidas ao inventário quando observadas as listagens de espécies do EIA de 2014 e dos trabalhos de Feijó & Langguth (2013) e Gurgel Filho et al., (2015), que resulta no total de 26 espécies inventariadas.

Em relação aos mamíferos terrestre o estudo apresenta as seguintes considerações. O registro de 658 espécimes pertencentes a 21 espécies é um resultado relevante e representativo da mastofauna terrestre regional. A análise da suficiência amostral gerou uma curva de acumulação de espécies próxima a estabilização e com estimadores de riqueza indicando que se tenha obtido 91% das espécies possíveis por meio dos métodos aplicados no levantamento. As espécies inventariadas desempenham um papel importante na comunidade de vertebrados terrestres e no ambiente, estando presentes dispersores de sementes, grandes herbívoros, espécies onívoras, predadores de topo de cadeia, além daquelas que cumprem seu papel como presas para outros animais indicando que a área estudada se apresenta com nível de conservação que permite a manutenção de relações ecológicas equilibradas. Deve-se atentar para a pressão de caça das espécies silvestres e sobre a pressão exercida pelas espécies domésticas criadas livres no ambiente natural. E deve-se monitorar espécies bioindicadoras a exemplo do macaco-prego e de espécies ameaçadas de extinção como K. rupestris, L. emiliae, H. yagouaroundi, Puma concolor, Subulo gouazoubira e o Dicotyles tajacu. Para essas espécies ameaçadas deve-se avaliar e propor ações relacionadas ao Planos de Ação Nacional para a conservação das espécies afetadas. O estudo conclui ainda que a mitigação dos impactos negativos deve abranger os locais diretamente afetados pela supressão vegetal, ao passo que deve ser evitada a degradação de áreas de maior relevância biológica, como as encostas de serra e próximas aos leitos de rios e outros corpos d’água. Com a aplicação dessas medidas e ações, acredita-se ser possível, sob a ótica dos impactos diretos ocasionados pelo empreendimento, manter a comunidade de mamíferos terrestres em níveis viáveis.

QUIROPTEROFAUNA

A literatura aponta que no Brasil existem 182 espécies de morcegos de 68 gêneros e 9 famílias. Já na Caatinga os registros apontam para 82 espécies de morcegos. No estado do Ceará são conhecidas 41 espécies de morcegos provenientes da compilação de dados de coleções feita por Gurgel-Filho et al. (2015) e na lista oficial de Mamíferos Continentais do Ceará computa 53 espécies de oito das nove famílias do Brasil.

Para o levantamento de dados secundários foram considerados os levantamentos realizados em campo para a elaboração EIA/RIMA em 2011 (ARCADIS LOGOS, 2014) e dados de três inventários em áreas de caatinga arbustiva-arbórea do estado do Ceará (NOVAES; LAURINDO 2014; SILVA et al., 2015; FEIJÓ; ROCHA 2017).

Para o levantamento de dados primários foram realizadas três amostragens, de maneira a contemplar a estação seca e chuvosa. A primeira campanha do diagnóstico de quirópteros ocorreu entre 04 e 18 de novembro de 2020 (estação seca), a segunda entre 31 de janeiro e 12 de fevereiro de 2021 (final da estação seca, início da chuvosa) e a terceira entre 16 e 30 de abril de 2023 (estação chuvosa). Para a coleta de dados foram usados três métodos distintos e sabidamente complementares, captura direta com redes-neblina, busca ativa em abrigos diurnos e a bioacústica com detectores de ultrassom (Bat detectors). Foram escolhidos 14 pontos amostrais ao longo da área do empreendimento, com um dia de amostragem de cada método por ponto. Os pontos onde foram instaladas as redes e os gravadores foram exatamente os mesmos das amostragens de mamíferos não voadores.

Na metodologia de redes de neblina foram estendidas em cada área amostral nove redes-neblina (12 x 3 m) ao nível do solo das 17 às 24 horas e sendo vistoriadas a cada 30 min para a retirada dos indivíduos capturados. O esforço para esse método foi de 6.804 h.m² por área amostral (36 m² x 9 redes x 7 h x dia x ponto x campanha), 31.752 h.m² por campanha e 95.256 h.m² para todo o estudo. Os espécimes foram identificados, marcados e anotados dados como sexo, idade, estágio reprodutivo, peso e comprimento do antebraço. Em seguida os espécimes foram soltos no memo lugar da captura.

Na metodologia de busca ativa entre 09 e 12 horas, foram feitas buscas em possíveis abrigos diurnos, como pontes, dutos de escoamento e casas abandonadas, totalizando três horas por área amostral, 42 horas por campanha (3 h/dia x dias x áreas) e 126 horas para todo o estudo (3 h/dia x dia x 14 áreas x 3 campanhas).

Em ambas as metodologias quando necessário para confirmação da identificação, utilizando-se das chaves de Gardner (2008) e Díaz et al. (2016), alguns indivíduos foram eutanasiados por uma dose de anestésico, fixados em formol a 10% e preservados em álcool 70%. Os espécimes coletados foram levados à Coleção de Mamíferos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde serão depositados conforme documento no Anexo 11.2.3-3 do EIA. Os espécimes eventualmente sacrificados para identificação em coleção zoológica o foram por meio do uso de anestésico, em conformidade com a Resolução CFB no 301/ 2012 e Resolução CRMV nº 1000/2012.

Na metodologia com o uso de detector de ultrassom as amostragens bioacústicas foram concomitantes às sessões de captura (17h às 24h) em um esforço de 294 horas de gravação para as três campanhas (7 h/dia x 01 dia x 14 pontos x 3 campanhas). Os gravadores foram instalados a três metros do chão, escolhendo-se um local (nas proximidades das redes) que seja propício ao forrageio de morcegos insetívoros, tal como clareiras na mata, leitos de riachos e outros corpos d’água. Foi usado o detector de ultrassom modelo AudioMoth 1.2.0 da linha Dodotronic (Ultramic384K) para gravar a atividade dos morcegos (Figura 11.2.1-119 do EIA). O equipamento é capaz de cobrir toda a faixa de frequência emitida pelas espécies de morcegos do Brasil.

Para a análise dos dados foi utilizado o programa EstimateS 9.1 (COLWELL, 2009) e foi calculada a estimativa de riqueza de Jackknife 1 e as curvas de acumulação de espécies (observada e estimada por Jackknife 1), as quais foram aleatorizadas 1.000 vezes. Comparações entre a estrutura das assembleias nas áreas que sofreram diferentes níveis de impacto (ADA e AID) foram feitas com análise de Escalonamento Multidimensional não métrico (NMDS), usando a distância de Bray-Curtis como medida de similaridade, e ANOSIM para verificar significância das diferenças. As análises foram realizadas no software “Past 3.16” (HAMMER et al., 2001).

O levantamento de dados secundários inventariou uma lista contendo 42 espécies prováveis de serem encontradas na área do empreendimento. Destaca-se nessa lista Lonchorhina aurita que está classificada como quase ameaçada na lista do MMA e as espécies Natalus macrourus e Furipterus horrens classificadas como vulnerável na lista de espécies ameaçadas do MMA.

A metodologia de busca ativa resultou no registro de 6 espécies de morcegos de 5 famílias. Furipterus horrens (Furipteridae), Molossus molossus (Molossidae), Noctilio leporinus (Noctilionidae), Peropteryx macrotis (Emballonuridae), Trachops cirrhosus e Micronycteris sp. (Phyllostomidae). Entre os abrigos encontrados, merecem destaque as quatro colônias de Furipterus horrens, espécie considerada vulnerável (MMA, 2022), registrada no diagnóstico apenas nas buscas ativas. Três colônias foram encontradas em dutos de drenagem da estrada vicinal (Figura 11.2.1-118– E do EIA), entre o distrito de Lagoa do Mato e a área onde será instalado o empreendimento, e uma no galpão da sede da Fazenda Itataia.

Por meio da metodologia de redes de neblina foram registrados 209 espécimes pertencentes a 19 gêneros e 6 famílias. Entre as espécies registadas, Lonchophylla sp. foi a mais frequente, com 53 indivíduos capturados (25,36%), seguida por Artibeus planirostris (N=52; 24,88%), Diphylla ecaudata (N=37; 17,7%) e Glossophaga soricina (N=22; 10,53%). Juntas, essas quatro espécies foram responsáveis por 78,4% do total de registros. As demais espécies não apresentaram mais que sete indivíduos capturados. A família Phyllostomidae foi responsável por 92,34% dos indivíduos capturados (N=193), com apenas sete indivíduos da família Noctilionidae (Noctilio leporinus e Noctilio albiventris), quatro da Molossidae (Neoplatymops mattogrossensis, Molossops temminckii, Molossus molossus) dois da Natalidae (Natalus macrourus), dois da Emballonuridae (Peropteryx macrotis) e um da Vespertilionidae (Lasiurus blossevilli).

A realização da terceira campanha que aconteceu durante o período chuvoso, de fato, proporcionou o registro de mais 12 espécies que não haviam sido capturadas nas campanhas anteriores. Merece destaque o primeiro registro de Xeronycteris vieirai para o estado do Ceará, sendo esse o ponto mais ao norte da distribuição conhecida da espécie, cerca de 416 km a oeste de Lajes-RN e 325 km ao norte de Exu-PE (ver PILATTI et al., 2021). Também chamam a atenção, por serem raros na Caatinga do Ceará, os registros de Uroderma magnirostrum (havia um único registro na Chapada do Araripe; NOVAES; LAURINDO, 2014), Tonatia bidens (havia um único registro na RPPN Serra das Almas; SILVA et al., 2015) e Noctilio albiventris (havia um único registro na ESEC Aiuaba, FEIJÓ; ROCHA, 2015).

Após três campanhas, a riqueza (S) de quirópteros acessada com redes-neblina mostrou-se dentro dos padrões esperados para áreas de Caatinga, com uma clara discrepância na riqueza e abundância entre as estações seca (C1 e C2) e chuvosa (C3). Como podemos observar na campanha C1 (N=38; S=9), C2 (N-35; S=7) e C3 (N=136; S=20). Variações sazonais de riqueza e sucesso de captura são comuns em áreas de Caatinga, geralmente apresentando valores menores durante a época seca. Levando em consideração os resultados conjuntos das redes-neblina e das buscas ativas (métodos comuns à maioria dos inventários), foram registradas pelo menos 23 espécies nas três campanhas (Micronycteris sp. não foi considerando entre os táxons por não haver certeza de que se trata de uma espécie diferente de Micronycteris microtis). Nos inventários realizados até então no bioma, a riqueza de morcegos variou entre nove, em uma área do município de Caetité (SOARES et al., 2018), e 33 espécies na região de Exu, em Pernambuco (WILLIG, 1983). Nesse contexto, é possível afirmar que as 23 registradas por redes-neblina nas áreas de influência do empreendimento colocam a região como uma das mais diversas em morcegos da Caatinga.

A metodologia de bioacústica permitiu o registro de 1560 passes de morcegos de 18 táxons pertencentes a 4 famílias: Emballonuridae, Molossidae, Noctilionidae e Vespertilionidae. Desses, oito foram identificadas até gênero (Cynomops sp., Eumops sp, Nyctinomops sp.1, Nyctinomops sp.2, Eptesicus sp., Lasiurus sp., Myotis sp.1, Myotis sp.2). A família Molossidae foi a mais representativa, com 11 espécies (61,1%), seguida por Vespertilionidae com cinco (27,8%) e Emballonuridae e Noctilionidae com uma (5,6% cada). Peropteryx macrotis foi o mais frequente, com 739 registros (47,4%), seguida por Molossus molossus (N=154; 9,9%), Eumops sp. (N=152; 9,7%), Neoplatymops mattogrossensis (N=110; 7%) e Nyctinomops sp.2 (N=106; 7%). Juntas, essas cinco espécies foram responsáveis por 80,8% do total de registros. Destaca-se os primeiros registros das espécies Promops centralis e das espécies do gênero Nyctinomops para o estado do Ceará.

O estudo ao comparar os resultados da ADA, AID e Controle, no que se refere à composição e à distribuição de registros de cada espécie, conclui por meio da análise de Escalonamento Multidimensional Não Métrico (NMDS), usando a distância de Bray-Curtis como medida de similaridade, e ANOSIM (R=-0,01; p=0,87), que não apontam diferenças na estruturação da assembleia de morcegos (Figura 11.2.1-124 do EIA). Vale salientar que, de maneira geral, o contexto da paisagem onde será instalado o empreendimento é relativamente semelhante, composta por vegetação de caatinga arbustiva-arbórea em sua grande parte, com algumas áreas de Caatinga predominantemente arbórea ao longo das margens dos riachos intermitentes.

Em relação a eficiência amostral a riqueza estimada por Jackknife 1 foi de aproximadamente 32 espécies de 22 observadas para a metodologia padronizada rede-neblina. No entanto a curva de acumulação de espécies não demonstra tendencia de estabilização demonstrando que ainda é possível realizar uma melhor amostragem desse grupo por meio dessa metodologia. Para o método de bioacústica, a riqueza estimada por Jackknife 1 foi de 18 espécies, valor exatamente igual ao observado e a curva de acumulação de espécie mostrou clara tendencia a estabilização denotando que o esforço amostral aplicado, neste estudo, foi satisfatório para acessar a riqueza de morcegos não filostomídeos da área do empreendimento.

Em relação a espécies ameaçadas foram identificadas as espécies Furipterus horrens e Natalus macrourus que foram classificadas na lista de espécies ameaçadas do MMA como Vulnerável. Tais espécies insetívoras são amplamente distribuídas, porém localmente raras, tendo nas cavernas o seu abrigo preferencial. Foram classificadas nessa categoria pelo critério A3c (declínio na área de ocupação, extensão de ocorrência e/ou qualidade do habitat).

Quatro colônias de Furipterus horrens foram registradas apenas nas buscas ativas. Três colônias foram encontradas em dutos de drenagem da estrada vicinal, entre o distrito de Lagoa do Mato e a área onde será instalado o empreendimento, e uma colônia foi detectada no galpão da sede da Fazenda Itataia, todas estas áreas localizadas na AID. O registro de Furipterus horrens em estruturas artificiais (como dutos de drenagem) não é comum na literatura e precisa ser mais bem investigado e monitorado. Integrado os dados aqui coletados e os dados do inventário espeleológico encontramos que Furipterus horrens foi registrado em 13 cavidades naturais na área do empreendimento, o que deixa claro sua reconhecida preferência por esse tipo de abrigo. A espécie Furipterus horrens já foi registrada em cinco localidades do estado do Ceará, sendo Quixadá a localidade mais próxima ao empreendimento (aproximadamente 100 km).

A captura de Natalus macrourus ocorreu por meio de rede-neblina, nos pontos 9 e 5. A espécie Natalus macrourus não foi registrada em nenhuma cavidade do inventário espeleológico da área em questão. Além dos registros feitos aqui, no estado do Ceará só há registros de Natalus macrourus para a região da Chapada do Araripe e na Estação Ecológica Aiuaba.

Observamos também no estudo de quiróptofauna a ausência da consulta a lista de espécies ameaçadas do estado do Ceará publicada pela Portaria SEMA Nº 93/2022. No entanto, neste caso as espécies ameaçadas de extinção encontradas no levantamento primário também estavam classificadas na lista de espécies ameaçadas publicada pelo MMA e exibiam o mesmo nível de ameaça da lista estadual. Portanto, não houve prejuízo informacional ao estudo. Mas alerta-se para a necessidade de se consultar todas as listas relevantes para que não aconteça o que ocorreu com os dados da mastofauna terrestre.

Em relação as espécies endêmicas, raras e as não descritas destaca-se a espécie Lonchophylla sp. que foi avaliada pela especialista do gênero no Brasil, a Dr. Patrícia Pilatti, que estudou a taxonomia de Lonchophylla e constatou que há fortes indícios de que a espécie de Lonchophylla amostrada no PSQ trata-se de uma espécie nova para a ciência, devendo por isso ser tratada como Lonchophylla sp., até a sua completa descrição. Lonchophylla sp. foi capturada tanto na Área de Influência Direta (AID) quanto na Área Diretamente Afetada (ADA), nas três campanhas amostrais. Todos os registros dessas espécies ocorreram com uso do método de redes-neblina e um total de 53 indivíduos capturados. Também merece destaque o primeiro registro de Xeronycteris vieirai para o estado do Ceará, sendo esse o ponto mais ao norte da distribuição conhecida da espécie, cerca de 416 km a oeste de Lajes-RN e 325 km ao norte de Exu-PE (ver PILATTI et al., 2021). Ainda chamam a atenção, por serem raros na Caatinga do Ceará, os registros de Uroderma magnirostrum (havia um único registro na Chapada do Araripe; NOVAES; LAURINDO, 2014), Tonatia bidens (havia um único registro na RPPN Serra das Almas; SILVA et al., 2015) e Noctilio albiventris (havia um único registro na ESEC Aiuaba, FEIJÓ; ROCHA, 2015). Por fim, destaca-se os primeiros registros das espécies Promops centralis e Promops nasutus e das espécies do gênero Nyctinomops para o estado do Ceará.

Observa-se que a quiropterofauna da região do empreendimento é diversa e apresenta elementos de importância em nível estadual e para o bioma.

Em relação a espécies de interesse médico o estudo informa que foram registrados na área duas espécies hematófagas e, portanto, com potencial de transmitir raiva. A principal é a o D. rotundus que pode ser muito favorecida por alterações ambientais, pela presença humana e de rebanhos e a espécie Diphylla ecaudata que alimenta-se quase que exclusivamente do sangue de aves, embora possa, eventualmente, alimentar-se de sangue humano.

Em relação a comparação entre as áreas Área Controle, ADA e AID as comparações foram prejudicadas pelo baixo número de capturas em redes-neblinas, principalmente na Área Controle, com apenas dois indivíduos de duas espécies capturados em três campanhas.

Comparando até onde é possível a Área Diretamente Afetada (ADA), Área de Influência Direta e a Área Controle observamos que a ADA apresentou uma Abundância de 79 espécimes, Riqueza de 9 espécies e Índices de diversidade H`, e J´ de 1,51 e 0,69 respectivamente. Já a AID apresentou uma Abundância de 128 espécimes, Riqueza de 21 espécies e Índices de diversidade H` e J´ de 2,21 e 0,73 respectivamente. E a Área Controle apresentou uma Abundância de 2 espécimes, Riqueza de 2 espécies e os Índices de diversidade H` e J´ não eram aplicáveis.

Em relação a sazonalidade foi perceptível a sua contribuição tanto em riqueza quanto em abundância quando o método de redes-neblina foi usado ao se verificar que os registros foram significativamente maiores na campanha realizada na época chuvosa. Além disso 8 espécies só foram registradas na estação chuvosa representando um acréscimo de 21% na riqueza total da área.

Em relação a relevância regional o estudo apresenta que em um único estudo realizado na Caatinga até o momento, Silva e Bernard (2017) registraram combinadamente, 37 espécies (21 com redes 18 com acústica e duas compartilhadas) no Parque Nacional do Catimbau, 24 espécies na Estação Ecológica do Seridó (14 com redes 13 com acústica e três compartilhadas) e 21 na Estação Ecológica Raso da Catarina (sete com redes 15 com acústica e uma compartilhada). Portanto o registro de 35 espécies (22 com redes e 18 com acústica), entre as quais uma provável espécie nova de Lonchophyllla, duas espécies consideradas vulneráveis na lista nacional (F. horrens e N. macrourus) e um novo registro para o estado de Ceará (X. vieirai), já coloca a região do PSQ em posição de destaque no que diz respeito à diversidade e conservação de quirópteros da Caatinga. Deve-se atentar ainda que tanto a estimativa de riqueza potencial de ser obtida com a metodologia de redes-neblinas (que não teve a curva estabilizada) quanto as prováveis ocorrências previstas para a área pelos dados secundários podem indicar que com maior esforço amostral a área de influência revele uma riqueza ainda maior.

Como considerações finais o estudo apresenta a quiropterofauna na área do empreendimento destaca-se como uma das mais diversas dentro do contexto da Caatinga e a aplicação de maior esforço de coleta ampliará ainda mais a lista de espécies. A presença de uma provável espécie nova (Lonchophylla sp.) e de duas das quatro espécies ameaçadas de morcegos do Brasil (Furipterus horrens e Natalus macrourus) já traz consigo a importância de encontrar, mapear e monitorar os abrigos dessas três espécies em um futuro programa de monitoramento, ao longo das diferentes fases de instalação e operação do empreendimento. Para tal, torna-se fundamental a interação entre os dados da quiropterofauna com os da equipe espeleológica que se dedicará ao estudo do uso do Hábitat por Furipterus horrens.

É relevante mencionar que pela primeira vez foi registrado Xeronycteris vieirai no estado do Ceará, marcando o ponto mais setentrional conhecido da distribuição dessa espécie.

Os possíveis impactos desse empreendimento sobre a fauna de quirópteros estão diretamente ligados à supressão de vegetação e consequente perda de hábitat, para a construção do complexo fabril e áreas de lavra, bem como na construção de vias de acesso. Por outro lado, o correto manejo do uso do solo no complexo da Serra do Céu, evitando-se a degradação de sua cobertura vegetal, pode não só amortizar os impactos, como também garantir a manutenção da vegetação e das populações de quirópteros a longo prazo.

Mas não se pode relevar o impacto que a supressão de cavernas pode ter sobre a quiropterofauna devido a possibilidade de interferir no ciclo de vida das espécies e neste caso os dados da equipe espeleológica são fundamentais para avaliar os impactos sobre Furipterus horrens em especial por ser uma espécie ameaçada de extinção e para a demais espécies inventariadas nas cavernas.

Por fim, deve-se observar as espécies ameaçadas (Furipterus horrens e Natalus macrourus) e avaliar e propor ações relacionadas ao Planos de Ação Nacional para a conservação das espécies afetadas.

BORBOLETAS

A literatura aponta que aproximadamente 13% de um total de 20 mil lepdótpteros correspondem as borboletas. No Brasil estima-se que esse número alcance 3628 espécies. Dentre os trabalhos mais recentes, Kerpel et al. (2014) realizaram uma grande revisão para o semiárido nordestino, onde foram registradas 389 espécies de borboletas em 11 localidades (BA, CE, PB, PE e PI). No semiárido do Ceará, dentro dos novos registros ressaltam-se o Ithomiini, Tithorea harmonia (NOBRE et al., 2008) e uma nova espécie do Hesperiidae cogia, observada na área do Projeto Santa Quitéria (ARCADIS LOGOS, 2014). A partir de comparações com outros inventários, Zacca e Bravo (2012) afirmam que os nimphalídeos Fountainea halice moretta e Hypna clytemnestra forbesi são consideradas endêmicas para a Caatinga. As borboletas são agrupadas em seis famílias: Hesperiidae, Papilionidae, Pieridae, Lycaenidae, Riodinidae e Nymphalidae.

No levantamento de dados secundários para o grupo Borboletas foram considerados o levantamento dos dados primários necessários para a composição do Estudo de Impacto Ambiental - Projeto Santa Quitéria realizado em 2011 e levantamentos realizados por Nobre et al. (2008; 2012) apresentam dois levantamentos de espécies de borboletas em biomas muito semelhantes, em outra região da Caatinga nordestina.

Para o levantamento de dados primários foram realizadas três amostragens, de maneira a contemplar a estação seca e chuvosa. A primeira campanha foi realizada entre os dias 15 e 22 de novembro de 2020, a segunda entre os dias 8 e 15 de fevereiro de 2021, e a terceira campanha, entre os dias 27 de abril a 4 de maio de 2023. Foram amostrados sete pontos e a localização geográfica e imagens representativas de cada unidade amostral durante as três campanhas foram apresentadas na seção Área de Estudo e Unidades Amostrais no início da seção de Meio Biótico. A partir de cada ponto foi delineado um transecto de aproximadamente 250 metros, sendo empregadas duas metodologias distintas e complementares: Armadilha de atração e buscas visuais.

Na metodologia de Armadilhas de atração foram dispostas ao longo do transecto 6 armadilhas de atração do tipo Van Someren-Rydon (VSR), espaçadas 50m entre si. As armadilhas foram revisadas diariamente por 7 dias e iscadas a cada 48h. As borboletas capturadas foram marcadas nas asas (com marcador permanente ou secção na asa anterior) para evitar recontagens, identificadas e em seguida soltas.

Na metodologia de Buscas visuais os mesmos transectos foram percorridos com esforço amostral padronizado em hora/rede, seguindo metodologia adaptada de Pollard (1977). O horário de amostragem foi das 9 às 16 horas, horário de maior atividade das borboletas, totalizando sete horas/rede de amostragem por transecto. Foram registrados indivíduos avistados, capturados por rede entomológica ou fotografados. Os dados da busca ativa são influenciados pela habilidade do coletor e por isso foram suprimidos das análises padronizadas e utilizados somente para fins qualitativos como a lista de espécies.

Os dados colhidos em campo foram analisados e foram obtidos o Índice de Shannon-Winner (H´), índice da Equidade de Pielou (J`), índice de Simpson para a dominância (D), Curvas de acumulações de espécies, Estimadores de riqueza Chao 2 e Jackknife 1. A descrição da composição de espécies por áreas de influência foi feita por análises de agrupamento (NMDS) calculada pelo programa PAST versão 2.17c (HAMMER et al., 2001).

Com o uso combinado das duas metodologias propostas nas 3 campanhas realizadas foram registrados 103 espécies e capturados 5791 indivíduos distribuídas em 6 famílias. A família com maior abundância foi Nymphalidae, com 80,02% dos registros, seguida de Pieridae (10,15%), Hesperiidae (7,36%), Lycaenidae (1,95%), Riodinidae (0,43%) e Papilionidae (0,09%). A família com maior riqueza foi Nymphalidae (33,98%), seguida de Hesperiidae (31,07%), Lycaenidae (19,42%), Pieridae (9,71%), Riodinidae (4,85%) e Papilionidae (0,97%). O elevado número de nimphalídeos, está associado ao uso de armadilhas de atração, cujo método de captura é exclusivo e altamente eficiente para a guilda frugívora. O método de armadilhas de atração resultou na captura de 3.941 borboletas, todas da família Nymphalidae, distribuídas em quatro subfamílias (Biblidinae, Charaxinae, Nymphalinae e Satyrinae) e 16 espécies. As três espécies mais abundantes, que juntas compõem a elevada dominância de 89,28% do total de borboletas registradas foram: Fountainea halice moretta (1.913 indivíduos); Hamadryas februa (1.022 indivíduos); Eunica tatila (739 indivíduos); todas frugívoras. As espécies menos abundantes (com apenas um indivíduo capturado) totalizam 21 espécies (0,36% da abundância total). Todas, com exceção de Eunica macris, são borboletas não frugívoras, e, portanto, sua amostragem se deu pelo método de busca ativa, o que naturalmente diminui a detectabilidade desse grupo. As espécies Fountainea halice moretta e Hypna clytemnestra forbesi são sugeridas como endêmicas para o semiárido.

Em relação a eficiência amostral a riqueza estimada com o estimador Chao 2 foi de aproximadamente 120 espécies de 103 observadas alcançando a eficiência de 85,70%. Com o uso do estimador jackkife 1 a riqueza estimada foi de 129 espécies de 103 observadas alcançando a eficiência de 79,40%. A curva de rarefação de espécies quase atinge a assíntota exibindo um padrão suave de ascensão ao longo dos dias de campo. Comparando os dados desse levantamento com os dados obtidos no EIA de 2014 temos que 33 espécies registradas naquele estudo estão ausentes no atual levantamento. Tudo isso mostra que embora o levantamento atual tenha sido suficiente para caracterizar esse grupo faunístico na área do empreendimento, caso fosse ampliado o esforço ainda seria possível aumentar o resultado de espécies obtido em campo.

Em relação a espécies ameaçadas neste levantamento não foram registradas espécies de borboletas listadas nas listas do MMA, IUCN e CITES.

Em relação a espécies bioindicadoras, endêmicas e raras o estudo aponta que todas as borboletas da guilda frugívora são bioindicadoras. São elas: Biblis hyperia, Callicore sorana, Eunica macris, Eunica tatila, Fountainea glycerium, Fountainea halice moretta, Hamadryas amphinome, Hamadryas februa, Hamadryas feronia, Historis acheronta, Hypna clytemnestra, Opsiphanes invirae, Pharneuptychia sp., Prepona laertes e Taygetis laches. Destas Fountainea halice moretta e Hypna clytemnestra forbesi são consideradas endêmicas para a Caatinga. E não foram relatadas espécies de borboletas raras.

Também não foram registradas no levantamento espécies consideradas cinegéticas, domésticas, invasoras ou exóticas, bem como de interesse médico.

Comparando a Área Diretamente Afetada (ADA), Área de Influência Direta e a Área Controle observamos que a ADA apresentou uma Abundância de 737 espécimes, Riqueza de 9 espécies e Índices de diversidade H`, D e J´ de 1,285, 0,3448 e 0,4015 respectivamente. Já a AID apresentou uma Abundância de 2.275 espécimes, Riqueza de 16 espécies e Índices de diversidade H`, D e J´ de 1.356, 0,3019 e 0,2426 respectivamente. E a Área Controle apresentou uma Abundância de 929 espécimes, Riqueza de 9 espécies e Índices de diversidade H`, D e J´ de 1,108, 0,466 e 0,3364 respectivamente.

Em relação a sazonalidade o estudo apresenta que foram verificadas nove espécies na primeira campanha, sendo duas exclusivas (Eunica macris e Prepona laertes), oito espécies na segunda campanha e 14 espécies na terceira (com cinco espécies exclusivas: Biblis hyperia, Dynamine arene, Fountainea glycerium, Hamadryas amphinome e Hamadryas feronia). Em ralação a abundância primeira campanha teve 999 registros, na segunda 837 registros e na terceira campanha foram obtidos 2105 registros. O aumento significativo no número de espécies e de indivíduos registrado deixa claro o efeito da temporada de chuvas sobre o resultado obtido no levantamento para borboletas.

Em relação a comparação entre os dados primários e secundários o estudo aponta que foram encontradas 65 espécies de borboletas em comum neste levantamento primário com os resultados do EIA de 2014 para o mesmo empreendimento. O atual estudo apresentou ainda 38 espécies exclusivas que ainda não haviam sido registradas em estudos anteriores na área e falhou em inventariar 33 espécies que já haviam sido identificadas no EIA de 2014 e que não foram observadas durantes as 3 campanhas realizadas no presente EIA.

Em relação as considerações finais o estudo apontou que a terceira campanha (estação chuvosa) elevou em 186,11% o número de espécies (67 espécies novas) e ampliou em 187,53% o número de indivíduos inventariados (3.777 indivíduos acrescentados). Apontou também que as comparações entre as áreas de influência indicam que as áreas que serão mais impactadas pelo empreendimento (ADA) não possuem características particulares para o estabelecimento ou manutenção de uma comunidade exclusiva ou sensível às perturbações. Portanto, os esforços de conservação podem ser focados em áreas menos impactadas da AID e AII, visando à manutenção da estrutura florestal de locais de vales, encostas e outras regiões com gradientes altitudinais, permitindo dessa maneira a viabilidade ecológica e ambiental do Projeto Santa Quitéria.

APIDAE

A literatura aponta que no Brasil existem 678 espécies de abelhas. Já na Caatinga os registros apontam para 187 espécies. No estado do Ceará são conhecidas 148 espécies de abelhas.

No levantamento dos dados secundários baseou-se nos resultados pretéritos registrados no Estudo de Impacto Ambiental (EIA), realizado pela ARCADIS, em 2011, na área do Projeto Santa Quitéria (ARCADIS LOGOS, 2014) juntamente com dados de consulta bibliográfica a artigos científicos, livros e bases de dados on-line, além de relatórios técnicos e pesquisas. Foram levados em consideração estudos contendo listas de espécies de abelhas para áreas da Caatinga, preferencialmente aqueles com dados provenientes dos locais mais próximos possíveis ao empreendimento.

No levantamento dos dados primários foram realizadas 3 campanhas de campo. No entanto, o estudo não informa as datas dos trabalhos de campo. Em cada campanha foram aplicados métodos de coleta passivo, com uso de armadilhas e ativo, por meio de coleta com rede entomológica. Cada ponto amostral foi visitado um dia por campanha, e os dois métodos de amostragem empregados no mesmo dia para cada ponto. Na coleta passiva, para a captura de abelhas de Euglossini e Meliponini, foram utilizadas armadilhas de garrafas-armadilha com essência, tipo pet, com iscas de cheiro e mel.

Na metodologia que usou armadilhas de garrafas-armadilha com essência foram instalados dois conjuntos de nove armadilhas-garrafas nos transectos, sendo um conjunto com armadilhas espaçadas cinco metros entre si e outro com armadilhas espaçadas 50 m entre si. Cada conjunto de armadilhas continha sete diferentes iscas de cheiro (essências químicas), uma isca de mel e uma armadilha controle (sem atrativo). As essências utilizadas como iscas foram: baunilha, cravo e canela, eucalipto, jasmim, lima-limão, lírio orquídea e menta. Na terceira campanha foram utilizados eugenol e eucaliptol como atrativos. Esses conjuntos foram instalados às 8h00 e inativados às 16h00, totalizando oito horas de amostragem por transecto. Assim, o estudo informa que o esforço amostral por campanha foi de 1.152 armadilhas/hora e considerando as três campanhas conjuntamente, o esforço amostral totalizou 3.456 armadilhas/hora. Após o período de atividade das armadilhas, essas foram retiradas e, na manhã seguinte, instaladas em outro ponto amostral. No entanto esse cálculo parece estar errado, pois são 7 os pontos amostrais e não oito. Devendo essa informação ser verificada e corrigida.

Na metodologia de busca ativa cada ponto amostral foi vistoriado ao longo de trilhas, bordas de mata e estradas à procura de abelhas em plantas com flores. Quando avistados, os espécimes foram capturados com auxílio de rede entomológica. Também foram realizadas observações em árvores e frestas nas rochas em busca de ninhos de abelhas e, quando possível, foram coletados exemplares do ninho. As árvores que continham ninho foram fotografadas, e as coordenadas anotadas. Essa metodologia de busca ativa foi iniciada diariamente às 9h00 e encerrada às 16h00, totalizando sete horas de amostragem. Segundo o EIA essa metodologia totalizou um esforço de 56 horas por campanha e 168 horas ao final das três campanhas. Mas novamente esse cálculo parece errado e deve ser verificado e se necessário corrigido.

Em relação a análise de dados foram tomadas a riqueza das espécies e a frequência relativa de abelhas. Esse método é recomendado no caso de insetos sociais, porque assim é contado o número de colônias e não o número de indivíduos, para evitar a superestimação da abundância de espécies com colônias grandes (LEAL; LOPES, 1992; LEAL et al., 1993; LEAL, 2002). Foram calculados o Índice de Diversidade (1-D) e Dominância de Simpson (D) (KREBS, 1989) e de Equitabilidade de Pielou (J’). A fim de comparar as áreas quanto à composição de espécies, foi aplicada a medida de similaridade qualitativa de Jaccard. Posteriormente, foi aplicada sobre a matriz uma análise de agrupamento não ponderado aos pares por médias aritméticas – UPGMA(Unweighted Pair-Group Method Using Arithmetic Averages), resultando em um dendrograma. Para determinar a eficiência do esforço amostral e a estimativa de riqueza da área, foi construída a curva de acumulação de espécies e curvas de estimativas (Jackknife 1 e Chao 2).

Após as 3 campanhas realizadas foram registrados 525 indivíduos agrupados em 35 táxons. A subfamília Apinae apresentou as maiores riquezas registrando 24 táxons distribuídos em oito tribos. No que concerne às tribos, Meliponini apresentou a maior riqueza, registrando 11 espécies. A tribo Euglossini, por sua vez, registrou cinco espécies. As demais tribos apresentaram valores de riqueza igual ou inferior a quatro espécies. Em termos de abundância A subfamília Apinae, que registrou 505 indivíduos, cuja maior contribuição foi para a tribo Meliponini. As demais tribos apresentaram valores de abundância igual ou inferior a seis indivíduos. A espécie mais abundante foi Trigona spinipes (Arapuá), com 183 indivíduos, representando 35% da amostra. Frieseomelitta varia (Marmelada-Amarela) também apresentou grande abundância com 143 espécimes, o que equivale a 27% da abundância total. Outras espécies mais frequentes foram Pebleia flavocincta (N=38; 7%), Apis mellifera (N=37; 7%) e Euglossa fimbriata (N=20; 4%). A abundância elevada de meliponíneos como Trigona spinipes, Frieseomelitta varia, Plebeia flavocincta e Apis mellifera está potencialmente relacionada à presença de ninhos próximos ao local das coletas.

Foram encontrados 21 ninhos, todos de abelhas nativas eussociais: Frieseomelitta varia (N=16), Frieseomelitta sp. (N=1), Trigona spinipes (N=1) e Trigona sp.(N=3). Os ninhos foram encontrados principalmente em árvores de Angico e Umburana. Todos os pontos, exceto P3, apresentaram ninhos, sendo o maior número encontrado no P2, e a maior riqueza de espécies no P5 (S=4), Área Diretamente Afetada (ADA). Os ninhos de Trigona foram encontrados no dossel de árvores com altura mínima de 10m. Os ninhos estavam distantes entre si e presentes em áreas mais abertas ou com predominância de vegetação arbustiva.

Em relação a eficiência amostral a riqueza observada foi de 35 espécies e corresponde a 64,81% da riqueza estimada (54 espécies). A curva de acumulação de espécies construída não demonstrou sinais de estabilidade, indicando potencial alto para registro de novos táxons com o prosseguimento de amostragens na área de estudo. Ao comparar as curvas de acumulação de espécies do estudo realizado em 2011 na área do empreendimento do presente estudo, utilizando a mesma metodologia, é possível verificar que tanto a riqueza observada quanto a estimada foram maiores no estudo de 2011. A partir dos dados do estudo realizado em 2011, o índice de Chao e Jackkife estimaram uma riqueza de 140 a 169 espécies para a área enquanto a riqueza observada foi de 97 espécies. O estudo apresenta como explicação para resultados tão diversos entre os dois estudos o período seco mais longo e severo em que o estudo atual foi realizado. Esses dados mostram, que a área detém um potencial de grande número de espécies de abelhas.

Em relação a espécies ameaçadas não foram registradas nenhuma espécie listada nas listas oficiais de espécies ameaçadas.

Em relação a espécies bioindicadoras e endêmicas o estudo aponta como bioindicadoras as espécies Euglossa fimbriata e Eufriesea auriceps pertencentes à tribo Euglossini e Trigona spinipes, Trigona fuscipennis, Plebeia flavocincta, Lestrimelitta tropica, Partamona cupira, as espécies do gênero Frieseomelitta, Trigonisca intermedia e Trigonisca pediculana. Quanto ao endemismo os dados na literatura são incipientes e os táxons inventariados neste estudo não se enquadraram nessa classificação.

Em relação as espécies cinegéticas o estudo aponta que além da importância como polinizadoras, algumas abelhas da tribo Meliponini são utilizadas para criação e extração de mel, conhecidas por serem abelhas nativas sem ferrão e fáceis de serem manejadas. Como espécie exótica foi registrada a ocorrência de Apis mellifera.

Em relação a espécies de interesse médico o estudo aponta a Apis mellifera devido tanto a interesses farmacológicos e ao potencial alergênico de sua substância inoculadora.

Comparando a Área Diretamente Afetada (ADA), Área de Influência Direta e a Área Controle observamos que a ADA apresentou uma Abundância de 75 espécimes, Riqueza de 9 espécies e Índices de diversidade H` e J´ de 1,67 e 0,76 respectivamente. Já a AID apresentou uma Abundância de 400 espécimes, Riqueza de 31 espécies e Índices de diversidade H` e J´ de 2,18 e 0,63 respectivamente. E a Área Controle apresentou uma Abundância de 50 espécimes, Riqueza de 7 espécies e Índices de diversidade H` e J´ de 1,18 e 0,61 respectivamente. Avaliando os resultados de cada ponto amostral foi feita uma análise de similaridade gerando um dendrograma que segregou os pontos de amostragem em dois grupos principais. O primeiro é formado pelo agrupamento dos pontos Controle, P3, P4 e P5, sendo justificado pelo compartilhamento de cinco táxons entre eles, tais como Apis mellifera, Frieseomelitta varia, Plebeia flavocincta, Trigona spinipes e Trigonisca pediculana. Já o segundo agrupamento foi formado pelos pontos P6, P2 e P1, sendo justificado pelo compartilhamento de, pelo menos, oito táxons amostrados. Esses grupos apresentaram valores acima de 85% de similaridade, o que reforça a presença de uma variabilidade de hábitats na área de estudo, capazes de abrigar distintas comunidades de abelhas.

Em relação a sazonalidade o estudo aponta que dos 35 táxons registrados no presente estudo, 26 foram registrados na terceira campanha, realizada na estação chuvosa de 2023. Destes, um total de 22 foram exclusivamente registrados nesta última campanha. Assim, a terceira campanha contribuiu de forma significativa para o diagnóstico, adicionando cerca de 62% do total de táxons registrados no presente estudo.

Ao se comparar os dados primários e secundários temos que os dados secundários contabilizaram 380 espécies de abelhas como resultado principalmente do estudo de Freitas e colaboradores (2021) enquanto o presente levantamento resultou em apenas 35 espécies identificadas. E mesmo se comparando com o EIA de 2014 para o mesmo empreendimento, onde foram registradas 97 espécies de abelhas observamos que o resultado obtido após as 3 campanhas realizadas não aparenta ter representado adequadamente este grupo. Reforça esse ponto o fato de a curva de acumulação de espécies construída não demonstrar sinais de estabilidade, indicando potencial alto para registro de novos táxons com o prosseguimento de amostragens na área de estudo. O estudo tenta justificar esse fato devido as duas primeiras campanhas terem sido realizadas em uma época que a região foi acometida por uma seca mais longa e severa que o habitual. No entanto, apesar do grande número de espécies já listadas nos dados secundários e da baixa representatividade obtida pelos estudos atualmente conduzidos, ainda assim, o atual levantamento resultou em 4 novas espécies registradas em nível local. São elas: Tetragona clavipes, Frieseomelitta varia, Trigona fuscipennis e Trigona spinipes. Isso aponta que ainda é grande o potencial de se melhor representar esse grupo faunístico com novos levantamentos.

O estudo apontou como considerações finais que a amostragem de insetos é afetada por fatores biológicos e físicos. Apontou também que a curva de acumulação de espécies construída não possui inclinação que tenda à estabilidade. Isso significa que novos táxons poderão ser registrados com o prosseguimento das coletas na região, possibilitando melhor conhecimento sobre a apifauna local, visto que foi registrado o surgimento de novas espécies durante as campanhas deste diagnóstico, tais como Tetragona clavipes, Frieseomelitta varia, Trigona fuscipennis e Trigona spinipes, sugerindo que novas espécies podem ser registradas com o monitoramento dessa comunidade. Por fim aponta que as abelhas identificadas neste estudo são generalistas e adaptadas aos impactos antrópicos. Apesar disso, táxons típicos de ambientes florestais também foram registrados, tais como as abelhas pertencentes à tribo Euglossini e Xylocopini. Neste sentido, as comunidades de abelhas devem ser continuamente monitoradas na área de estudo, pois assim será possível orientar ações de manejo e conservação e direcionar esforços para manutenção da biodiversidade local.

FORMICIDAE

A literatura aponta que no Brasil existem 1527 espécies de formigas distribuídas em 117 gêneros. Destas 538 são consideradas endêmicas para o território brasileiro. No estado do Ceará são conhecidas 138 espécies de formigas, o que representa cerca de 9% da riqueza nacional para o grupo.

O levantamento de dados secundários utilizou as informações obtidas pelo trabalho de e Quine et al. (2021) e nos resultados pretéritos registrados no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) realizado pela Arcadis, em 2011, na Fazenda Itataia, na área do Projeto Santa Quitéria (ARCADIS LOGOS, 2014).

No levantamento dos dados primários foram realizadas 3 campanhas de campo em novembro de 2020, fevereiro de 2021 e maio de 2023. Foram utilizadas duas metodologias diferentes. O primeiro método consistia em estabelecer parcelas de 1m2, espaçadas 10m entre si, ao longo de um transecto de 200m resultando em vinte parcelas. Nestas parcelas a serrapilheira é coletada e transferida para sacos de tecido individuais. Em seguida as amostras permanecem por 24h em extratores do tipo mini-Winkler. O segundo método se utiliza de armadilhas de queda (pitfall) em 5 transectos de 100m (um em cada ponto amostral), nas duas estações. Em cada transecto foram instalados 10 pitfalls (copos plásticos transparentes de 250ml enterrados ao nível do solo) espaçados por 15m de distância. Solução composta de água e detergente é colocada nos copos para capturar os espécimes. Os pitfall ficaram abertos 24h/dia, sendo revisados diariamente.

Em relação a análise de dados foram tomadas a riqueza das espécies e a frequência relativa de Formicidae. Esse método é recomendado no caso de insetos sociais, porque assim é contado o número de colônias e não o número de indivíduos, para evitar a superestimação da abundância de espécies com colônias grandes (LEAL; LOPES, 1992; LEAL et al., 1993; LEAL, 2002). A comparação da riqueza das espécies de formigas entre os pontos de amostragem e campanhas foi realizada por meio de Análise de Variância (ANOVA Fatorial). Foram testados os pré-requisitos de normalidade de resíduos e homogeneidade de variância, e a análise foi calculada no software Statistica 8 (STATSOFT, 2007). Foram calculados o Índice de Diversidade (1-D) e Dominância de Simpson (D) (KREBS, 1989) e de Equitabilidade de Pielou (J’). A fim de comparar as áreas quanto à composição de espécies, foi aplicada a medida de similaridade qualitativa de Jaccard. Posteriormente, foi aplicada sobre a matriz uma análise de agrupamento não ponderado aos pares por médias aritméticas – UPGMA(Unweighted Pair-Group Method Using Arithmetic Averages), resultando em um dendrograma. Para determinar a eficiência do esforço amostral e a estimativa de riqueza da área, foi construída a curva de acumulação de espécies e curvas de estimativas (Jackknife 1 e Chao 2).

Após as 3 campanhas realizadas foram registrados 2.096 indivíduos pertencentes a 32 táxons. A subfamília Myrmicinae registrou os maiores valores de abundância e riqueza, com 764 indivíduos e 13 espécies. A subfamília Ectatomminae apresentou 615 indivíduos em apenas cinco espécies, sendo o gênero Ectatomma o responsável pela grande abundância dessa subfamília. Formicinae também apresentou abundância elevada (601 indivíduos) e riqueza baixa (cinco espécies). Os táxons mais abundantes nas amostras foram Camponotus spp. (N=532, 25%), Pheidole spp. (N=480, 23%) e Ectatomma sp. (N=369, 18%), que em conjunto representaram 66% da abundância total. Os demais táxons apresentaram abundância relativa percentual sempre abaixo de 7%.

Em relação a eficiência amostral a riqueza observada foi de 32 espécies e corresponde a 72,72% da riqueza estimada (44 espécies). A curva de acumulação de espécies construída não demonstrou sinais de estabilidade, indicando potencial alto para registro de novos táxons com o prosseguimento de amostragens na área de estudo. Ao comparar as curvas de acumulação de espécies do estudo realizado em 2011 na área do empreendimento do presente estudo, utilizando a mesma metodologia, é possível verificar que tanto a riqueza observada quanto a estimada foram maiores no estudo de 2011.

Em relação a espécies ameaçadas não foram registradas nenhuma espécie listada nas listas oficiais de espécies ameaçadas.

Em relação a espécies bioindicadoras e endêmicas o estudo aponta como bioindicadoras as espécies Gnamptogenys sp. e Gnamptogenys tortuolosa indicando de habitats preservados e as espécies Nylanderia sp., Acromyrmex aspersus, Acromyrmex rugosus, Acromyrmex sp. e Solenopsis spp. Indicando perturbação.

Em relação espécies cinegéticas, domésticas, invasoras e exóticas as espécies do gênero Pheidole são potencialmente invasoras, caracterizadas como espécies dominantes, onívoras e generalistas (SILVESTRE et al., 2003) com alta capacidade de dispersão (PESQUERO et al., 2008).

Em relação a espécies de interesse médico o levantamento realizado na área do empreendimento não registrou espécies de interesse médico.

Comparando a Área Diretamente Afetada (ADA), Área de Influência Direta e a Área Controle observamos que a ADA apresentou uma Abundância de 150 espécimes, Riqueza de 7 espécies e Índices de diversidade H` e J´ de 1,38 e 0,71 respectivamente. Já a AID apresentou uma Abundância de 1192 espécimes, Riqueza de 27 espécies e Índices de diversidade H` e J´ de 2,34 e informação não disponível respectivamente. E a Área Controle apresentou uma Abundância de 754 espécimes, Riqueza de 12 espécies e Índices de diversidade H` e J´ de 1,69 e 0,70 respectivamente. Avaliando os resultados de cada ponto amostral foi feita uma análise de similaridade gerando um dendrograma que segregou os pontos de amostragem em dois grupos principais. O primeiro é formado pelo agrupamento dos pontos P1, P2 e P6, sendo justificado pelo compartilhamento de oito táxons. Já o segundo agrupamento foi formado pelos pontos P4 e P5, sendo justificado por apresentarem as menores riquezas do monitoramento, além do compartilhamento de três táxons entre esses pontos amostrados, tais como o Camponotus sp., Pheidole sp. e Solenopsis sp. O ponto P3 e o ponto controle foram dissimilares aos demais. Portanto, a área de estudo demonstrou uma paisagem heterogênea capaz de sustentar uma comunidade diversa, sendo os pontos amostrais complementares no que tange à representação da fauna de formigas em nível local. A baixa similaridade entre os pontos pode ser indício de que a área possui uma significativa diversidade de microhabitats para o grupo.

Em relação a sazonalidade das 45 espécies registradas, 27 foram exclusivamente registradas na terceira campanha, realizada na estação chuvosa. Este resultado representa uma contribuição significativa destes dados ao diagnóstico.

Em relação a comparação entre os dados primários e secundários o estudo informa que a partir dos dados secundários foram inventariados 58 táxons de formigas, sendo 41 gêneros e 17 espécies. Já no atual levantamento foram inventariadas 32 espécies, sendo que 15 já haviam sido listadas nos dados secundários. Dessa forma 17 espécies foram acrescidas a essa listagem como resultado desse novo estudo de campo. Comparando o atual estudo com os resultados obtidos no EIA de 2014 para o mesmo empreendimento o estudo atual registrou 12 dos 18 gêneros registrados no EIA de 2014, sendo que quatro gêneros foram registrados exclusivamente neste estudo (Dorymyrmex, Holcoponera, Nylanderia e Platythyrea).

O estudo apontou como considerações finais que as espécies de formigas da área do Projeto Santa Quitéria possuem ampla distribuição em outras áreas de Caatinga e em diversos pontos da própria região. Além disso, a presença de algumas espécies é indicativa de que determinadas áreas apresentam algum grau de interferência antrópica. O predomínio de formigas generalistas é comum em ambientes como a Caatinga e reflete a capacidade de resistência dessas espécies aos ambientes de marcada sazonalidade e flutuação de recursos. No entanto, apesar de determinadas áreas apresentarem algum grau de interferência antrópica, a manutenção de espécies de formigas de níveis tróficos superiores sugere que o local possui complexidade estrutural suficiente para manter essas populações. Apontou também que não foram encontradas espécies exóticas neste estudo. Por fim, apontou que três espécies do gênero Pheidole são espécies potencialmente invasoras e podem servir como bioindicadoras, assim como, as espécies dos gêneros Camponotus e Acromyrmex, ou ainda Solenopsis sp. Indicadoras de perturbação e Gnamptogenys sp. Indicadoras de habitats conservados. A espécie Gnamptogenys tortuolosa, apesar de ter apenas um indivíduo registrado, é indicadora de ambientes conservados e ocorreu no ponto controle, na terceira campanha.

ENTOMOFAUNA VETORA

A classe Insecta possui cerca de 5 milhões de espécies descritas mundialmente (LAMARRE et al., 2015). Entre essas espécies descritas, existem as que possuem a capacidade de transmitir patógenos aos animais e aos seres humanos, caracterizadas como espécies de interesse médico veterinário ou insetos vetores. No caso deste estudo focou-se em inventariar as espécies de flebotomíneos, culicídeos e triatomíneos. A fauna de flebotomíneos no estado apresenta 25 espécies (GALATI, 2019), porém, durante o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) realizado em 2011 no município de Santa Quitéria, CE, foi identificado especificamente apenas L. longipalpis, mostrando-se como espécie predominante na região (ARCADIS LOGOS, 2014). Poucos estudos foram realizados sobre a fauna de culicídeos na região de Santa Quitéria, havendo apenas um em 1983, que destacou a presença de Aedes fluviatilis na região (XAVIER et al., 1983). No estudo de EIA realizado em 2011 foram identificadas 11 espécies de mosquitos (ARCADIS LOGOS, 2014), dentre essas Aedes albopictus, considerada vetor secundário de dengue em diversos locais do mundo. Destaca-se, ainda, a presença de culicídeos descritos como potenciais vetores: Anopheles albitarsis, vetor da malária; Culex spp., sendo que algumas espécies podem transmitir filariose e arboviroses, bem como Aedes scapularis e Aedes serratus, que possuem importância médica por transmitirem a febre amarela. Entre as espécies de triatomíneos conhecidas no Ceará, destacam-se Triatoma brasiliensis e Triatoma pseudomaculata como os vetores mais predominantes em todo o estado (CPPS/NCV/SSCE, 2017). Essas espécies também foram identificadas durante a campanha de EIA realizada em Santa Quitéria no ano de 2011, juntamente com a espécie Panstrongylus lutzi (ARCADIS LOGOS, 2014).

Para a construção do banco de dados secundários, foi realizado levantamento bibliográfico de publicações científicas e/ou técnicas realizadas no local do empreendimento ou em área de Caatinga (Quadro 11.2.1-41 do EIA). Além dos dados referentes à fauna entomológica, foi utilizado como fonte de dados secundários, especificamente para a análise de dados de insetos de interesse à saúde pública, o banco de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) para o levantamento dos casos notificados nos municípios de inserção do empreendimento, bem como nos municípios de seu entorno.

No levantamento dos dados primários foram realizadas 3 campanhas de campo realizadas entre os dias 05 e 11 de novembro de 2020 (Campanha I), 02 e 12 de fevereiro de 2021 (Campanha II) e 21 de abril de 2023 e 04 maio de 2023 (Campanha III). Foram utilizadas duas metodologias diferentes. O primeiro método foi direcionado para a coleta de Culicídeos e Flebótomos e o segundo método para coleta de triatomíneos.

A coleta de Culicídeos e Flebótomos seguiu as seguintes metodologias. No período da manhã foram vistoriados os ambientes peridomiciliares com o auxílio de aspirador manual de castro, sendo padronizados 15 minutos para cada coleta domiciliar. Também foram posicionadas armadilhas adesivas, as folhas serão suspensas no primeiro dia de coleta próximo ao crepúsculo vespertino (aproximadamente às 18h) e permanecerão suspensas por quatro noites seguidas, sendo retiradas na manhã do quinto dia de coleta. Ao todo, essa armadilha permitiu avaliar 96 horas de atividade em cada campanha. Outro tipo de armadilha utilizado foi a armadilha do tipo CDC para coleta de culicídeos, simulídeos e flebotomíneos. Foram instaladas duas armadilhas CDC por ponto, iniciando seu funcionamento no período crepuscular vespertino e desligando somente no dia seguinte, após o crepúsculo matutino, completando um total aproximado de 12 horas por dia de funcionamento, sendo religadas novamente no dia seguinte de forma a completar três noites por ponto amostral, completando ao todo 72 horas de funcionamento por ponto amostral. No período próximo ao crepúsculo vespertino, no momento de instalação das armadilhas CDC, nos pontos amostrais estabelecidos, foi realizado um esforço amostral/ponto de 30 minutos para a realização de capturas ativas de mosquitos com o auxílio de aspirador de castro (manual), 210 minutos de esforço amostral por campanha. Por fim, foi aplicada metodologia de coleta de formas imaturas de Culicídeos utilizando concha entomológica. Nos pontos amostrais estabelecidos (pontos 9 e 10), ambos ambientes lênticos, foram realizadas três “conchadas” em diferentes posições do coletor à margem do criadouro, totalizando nove “conchadas” em cada transecção estabelecida por ponto amostral. A cada “conchada” foram observadas se havia a presença de imaturos para separá-los por estágio (L1, L2, L3, L4 e pupa). Caso houvesse larvas e pupas, essas seriam pipetadas e acondicionadas em tubos Falcon (25 mL). Contudo, nenhum espécime imaturo foi coletado nesse estudo.

A coleta de Triatomíneos em cada ponto amostral foi realizada por meio de buscas ativas de 30 minutos nos pontos amostrais 3, 5, 6, 7 e 8 na AID e nos pontos amostrais 1, 2 e 4 na AII, todos próximos de residências ou alojamentos. Ao final das três campanhas o esforço amostral informado foi de 36 horas.

Os dados colhidos em campo foram analisados e foram obtidos o Índice de Shannon-Winner (H´), índice da Equidade de Pielou (J`), indice de Simpson para a dominância (D), Curvas de acumulações de espécies, Estimadores de riqueza Chao 2 e Jackknife 1.

Após realizadas as 3 campanhas de levantamento foram coletados 788 indivíduos de 7 espécies de Flebotomíneos e 617 indivíduos e 9 espécies de Culicídeos, além de 4 espécimes identificados ao nível de gênero. Em relação a coleta de culecídios é importante relatar que na primeira campanha não houve registros de coletas e na segunda campanha houve um único registro. Todos os demais registros foram obtidos durante a terceira campanha (período de chuvas). Dos 617 registros 117 foram obtidos na AID, 423 coletados na ADA e 77 nos pontos controle. A espécie mais abundante foi Culex declarator com 387 representantes equivalendo a 62,7% do total de culicídeos coletados. Compondo o resultado das espécies coletadas: Mansonia indubitans com 103 espécimes (16,7%), Anopheles albitarsis com 43 espécimes coletadas (7,0%), Mansonia tittilans com 20 espécimes coletados (3,6%) e 15 Culex bidens (2,4%). As demais espécies identificadas foram: seis Psorophora dimidiata (1%), 4 Aedes albopictus (0,6%), 3 Mansonia pseudotitillans (0,5%), 3 Psorophora cyanescens (0,5%). Em relação a coleta de flebotomíneos dos 788 espécimes coletados 47 foram coletados nas áreas controle e pertenciam a 5 espécies (34 Lutzomyia longipalpis, 7 Evandromyia lenti, 2 Micropygomyia peresi, 3 Deanemyia samueli e apenas 1 Micropygomyia villelai). Na AID foram coletados 550 espécimes sendo 481 Lutzomyia longipalpis, 31 Evandromyia lenti, 15 Micropygomyia oswaldoi, 13 Micropygomyia peresi, cinco Micropygomia villelai e quatro Deanemuia samueli. Na ADA foram coletados 191 espécimes sendo 175 Lutzomyia longipalpis, 7 Micropygomyia oswaldoi, 6 Evandromyia lenti e 3 Micropygomia villelai. Em relação a coleta de triatomíneos não houve registro de coletas durante as 3 campanhas.

Em relação a eficiência amostral a riqueza observada e a estimada para Psychodidae foi a mesma, 7 espécies. Agregando os resultados obtidos para flebotomíneos e culicídios temos uma riqueza observada de 20 espécies e de 23 espécies (Jackknife 1) e 21 espécies (Chao 2). A curva resultante apresenta tendência a estabilização. Portanto, considera-se que a amostragem para culicídeos e flebotomíneos foi adequada para a caracterização de vetores nas áreas de influência do Projeto Santa Quitéria.

Em relação a espécies ameaçadas o estudo informa não ser aplicado ao caso.

Em relação a espécies bioindicadoras, endêmicas, raras ou não descritas, não foram registradas no levantamento realizado.

Em relação a espécies cinegéticas, domésticas, invasoras e exóticas é possível apontar a capacidade de ser encontrada em ambientes peridomiciliares as espécies Mi. villelai, Mi. peresi, Ev. lenti e Lu. Longipalpis. A espécie Lu. longipalpis, contudo, apresenta ainda a característica de ter sido encontrada no ambiente doméstico, apesar de ser uma espécie essencialmente silvestre.

Comparando a Área Diretamente Afetada (ADA), Área de Influência Direta e a Área Controle observamos para os Flebotomíneos que a ADA apresentou uma Abundância de 191 espécimes, Riqueza de 4 espécies e Índices de diversidade H` e J´ de 0,3831 e 0,2764 respectivamente. Já a AID apresentou uma Abundância de 550 espécimes, Riqueza de 7 espécies e Índices de diversidade H` e J´ de 0,5615 e 0,2886 respectivamente. E a Área Controle apresentou uma Abundância de 47 espécimes, Riqueza de 5 espécies e Índices de diversidade H` e J´ de 0,9523 e 0,5917 respectivamente.

Comparando a Área Diretamente Afetada (ADA), Área de Influência Direta e a Área Controle observamos para os Culicídeos que a ADA apresentou uma Abundância de 117 espécimes, Riqueza de 6 espécies e Índices de diversidade H` e J´ de 0,54 e 0,298 respectivamente. Já a AID apresentou uma Abundância de 423 espécimes, Riqueza de 13 espécies e Índices de diversidade H` e J´ de 1,53 e 0,598 respectivamente. E a Área Controle apresentou uma Abundância de 77 espécimes, Riqueza de 3 espécies e Índices de diversidade H` e J´ de 0,34 e 0,310 respectivamente.

A comparação da fauna de flebotomíneos da AII com a fauna da AID mostrou que as áreas com maior ação antrópica, com a presença de criadouros de animais e maior acúmulo de matéria orgânica, têm uma maior diversidade de flebotomíneos, mesmo no período seco. Essa diversidade é causada pela manutenção de criadouros que favorecem a reprodução e a sobrevivência dos flebotomíneos. Além disso, a presença de Lu. longipalpis, um importante vetor da leishmaniose visceral, foi maior nas áreas com maior ação antrópica. As amostras desta espécie foram encontradas nos dois períodos de coleta e em todos os pontos amostrais.

Comparando os dados obtidos nesse estudo com os dados secundários podemos apontar que no atual estudo foram registradas 7 espécies de flebótomos. No EIA realizado para o mesmo empreendimento apenas a espécie Lutzomyia longipalpis foi identificada especificamente. Em estudos entre 2005 e 2006 no município de Sobral foram identificadas 11 espécies de flebotomíneos. Já em estudos realizados para a transposição do rio São Francisco no Ceará foram capturadas 18 espécies entre os anos de 2011 e 2014. Esse resultado aponta que a fauna de flebotomíneos pode ser mais diversa que a obtida nos dados primários desse levantamento. No entanto os estudos citados foram de longo prazo o que possibilita obter maior número de registro.

Comparando os resultados obtidos para os culicídeos, o atual estudo registrou 13 táxons (9 espécies e 4 gêneros). Já no EIA de 2014 para o mesmo empreendimento foram registradas 11 espécies. Em um estudo de 2013 realizado por Cruz foram encontradas pelo menos 12 espécies. Essa comparação aponta que os resultados desse levantamento estão em linha com os dados secundários considerados.

Em relação aos triatomíneos o estudo atual não registrou nenhuma coleta. No estudo realizado para o EIA de 2014 no mesmo empreendimento foram encontradas 3 espécies, capturadas na estação seca: Triatoma brasiliensis, Triatoma pseudomaculata e Panstrongylus lutzi. Em outro estudo realizado em 2004, a espécie Panstrongylus lutzi também foi encontrada infectada com T. cruzy e ingurgitada com sangue de ave e roedor no município de Santa Quitéria. O estudo aponta que o melhor manejo de resíduos como madeiras e telhas aliado a ações mais eficientes da vigilância local podem ter contribuído para a redução das infestações.

O estudo apontou como considerações finais para os culicídeos que a vinda de trabalhadores (desde que previamente parasitados) de outras regiões (principalmente do norte do Brasil) pode introduzir novos ciclos de transmissão de malária tendo em vista que foi relatado o vetor Anopheles albitarsis. Sugeriu ainda a análise da Nota Técnica N° 16/2009 CGPNCM/DEVEP/SVS do Ministério da Saúde, que define diretrizes para o estabelecimento do Plano de Ação para o Controle de Malária em caráter preventivo ou profilático, levando em consideração que a região não é endêmica para a malária. Ademais, citam-se as Diretrizes Nacionais para a Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue de 2019 define em seu item 5.2 a Vigilância epidemiológica e no item 5.3 o Controle vetorial, ambos de responsabilidade do poder público.

Para os Psychodidae o estudo apresenta as seguintes considerações finais. O presente levantamento demonstra que a ação antrópica nos pontos amostrais dos assentamentos, casas habitadas, bem como o escritório da INB, favorecem o desenvolvimento das formas imaturas de flebotomíneo, enquanto na AII não exercem um papel importante na manutenção de criadouros desses insetos. Destacou a presença em dominância da espécie Lu. longipalpis, que é principal vetor de um importante agravo endêmico na região: a leishmaniose visceral. A espécie Evandromyia lenti apesar de não ser incriminada até o momento, apresenta evidências de participar do ciclo da leishmaniose, mesmo que sem apresentar importância médica para transmissão ao homem. Por fim o estudo considerou que o período prolongado de seca (Campanhas I e II) que antecedeu a Campanha III reduziu a densidade de flebotomíneos na região, levando um tempo para o reestabelecimento da fauna a níveis anterior a 2020, portanto as coletas nas três campanhas representam apenas uma fração ainda reduzida da fauna local.

Por fim, o estudo em relação aos Triatomíneos considera que apesar de não ter sido registrado a presença de triatomíneos no atual estudo, a identificação de 3 espécies no EIA de 2014 (Triatoma brasiliensis, Triatoma pseudomaculata e Panstrongylus lutzi) reforçam a necessidade de ações de vigilância constante, por parte do poder público municipal, bem como ações de promoção da saúde com a população local.

COVARIÁVEIS AMBIENTAIS

Os parâmetros ambientais são utilizados como mecanismos de interpretação da condição e características do ambiente natural, podendo levar em consideração a configuração das espécies da flora e fauna que ocorre. Considerando que o homem causa intensas modificações no ambiente, as informações da estrutura da vegetação e os aspectos abióticos, por exemplo, podem ser utilizados para identificar os elementos e avaliar de forma sistemática quais fatores estão atuando sobre o padrão populacional e permanência das espécies de flora e fauna no ambiente. Na perspectiva de entender quais questões e fatores podem atuar sobre a distribuição da fauna no Projeto Santa Quitéria, o relatório fez uma abordagem comparativa das covariáveis ambientais (estrutura da vegetação e aspectos climáticos locais) para buscar padrão que expliquem a ocorrência da fauna local.

A amostragem das covariáveis visou coletar informação dos aspectos bióticos e abióticos. Os dados compreendem a coleta de 18 covariáveis ambientais: umidade relativa do ar, umidade do solo, intensidade luminosa/iluminância, temperatura do ar, temperatura do solo, altura média da vegetação herbácea, área de cobertura da serrapilheira, densidade média da vegetação herbácea, contagem de todos os indivíduos arbóreos com diâmetro na altura do peito maior que 10 cm (DAP > 10 cm), contagem de indivíduos arbóreos DAP > 10 cm próximos (dentro de raio de 3 m do ponto de coleta) e altura média dos indivíduos arbóreos. A coleta das amostras foi planejada de acordo com a sazonalidade local, respeitando os intervalos com chuva e baixa precipitação (seca). As campanhas de coleta de dados foram realizadas entre os dias 14 e 18 de dezembro de 2020 (período seco), a segunda campanha entre os dias 17 e 21 de maio de 2021 (estação chuvosa) e a terceira campanha entre os dias 16 e 26 de maio 2023 (estação chuvosa), considerando a coleta dos dados em 33 parcelas correspondentes aos pontos do levantamento dos grupos de fauna. As áreas de amostragem compreendem as delimitações das áreas de influências do empreendimento, correspondente à realização do diagnóstico de EIA/RIMA da flora e fauna. O procedimento metodológico considera para a avaliação da estrutura da vegetação com o uso de uma parcela e quatro pontos de coletas das variáveis ambientais e composição herbáceas, considerando as dimensões do gabarito de 1 m2. O desenho amostral representou 33 parcelas para a avaliação da estrutura das espécies arbóreas, cada parcela com 4 pontos de amostragem (total 132 pontos) para as covariáveis e avaliação da cobertura do solo pelas espécies herbáceas e arbustivas. As unidades amostrais onde foram coletadas as medidas das covariáveis correspondem aos pontos de coleta da fauna, sendo os 14 pontos referentes aos vertebrados (Herpetofauna, Avifauna e Mastofauna) 12 pontos correspondente ao levantamento de Lepidópteros e 7 pontos referentes ao levantamento de Apídeos e Formicídeos. Utilizando um GPS, cada ponto amostral teve seu centro demarcado para montagem de uma parcela circular com 15 metros de raio que teve todos os indivíduos arbóreos com CAP > 15 cm amostrados, registrando sua altura e coordenadas geográficas. Dentro de cada parcela, as amostragens de dados microclimáticos foram realizadas em 4 pontos amostrais equidistantes do centro, formando uma cruz com os pontos em direções opostas. As medidas climáticas eram amostradas a 50 cm do solo, utilizando um multisensor ambiental MASTECH MS6300 calibrado (Figura 11.2.1-226), que aferia os dados de Temperatura (º C), Umidade do Ar (Umidade Relativa) e Iluminância (Lux). Para a realização de medidas medias de temperatura do Solo (º C) e de Umidade do Solo (m³/m³) era retirada a camada superficial de serapilheira e de pedregulhos de dentro do gabarito e inserido as agulhas do sensor Teros III acoplado à emissor Bluetooth ZSC. Para cada ponto amostral, o gabarito foi disposto horizontalmente e era estimada a porcentagem de obstrução da cobertura de serrapilheira e densidade de vegetação herbácea. Depois dessa medida, o gabarito era disposto verticalmente e a densidade média da vegetação até 1 m de altura era aferida por estimativa de obstrução da vegetação até 3 metros de profundidade.

Visando comparar essas variáveis com os dados da fauna, foi feito uma padronização dos dados na tentativa de reduzir os ruídos pela presença de valores extremos. Assim como foi realizado o cálculo de média, mediana e variação de cada uma das covariáveis, considerando os dados brutos coletados nos 4 pontos de cada parcela para as três campanhas. Foram copilados os dados das covariáveis em função da abundância e/ou número de espécie para cada grupo da fauna - Lepidoptera, Apideae, Formicideae, Herpetofauna, Avifauna, Mastofauna e Quiropterofauna. Os dados das 18 covariáveis, bem como a riqueza e abundância da fauna, foram calculados por ponto para cada estação (úmida e seca) e em três campanhas. Para avaliar a relação entre as variáveis ambientais e a matriz de composição e abundância dos diferentes grupos da fauna amostrados, foi realizada uma Análise de Correspondência Canônica (CCA em inglês; LEGENDRE; LEGENDRE, 2012), utilizando o software livre Past, versão 4.13 (HAMMER; HARPER; RYAN, 2001). Esta análise foi desenvolvida justamente com o intuito de identificar a relação entre duas matrizes de informação, uma delas composta por variáveis ambientais e uma outra que possua descritores dos padrões de abundância e composição de espécies de uma comunidade (PROVETE; SILVA; SOUZA, 2011). Foram testadas as variáveis medidas quanto a seu grau de correlação mútua, para eliminar das análises variáveis com alto grau de redundância de informação. Este procedimento foi feito a partir do emprego da correlação de Spearman para o conjunto das variáveis ambientais, também utilizando o software Past 4.13. Foram elencadas para serem removidas das análises subsequentes as variáveis que apresentassem correlação significativa e com coeficiente maior que 0,7 a outras variáveis que pudessem trazer informações semelhantes ao conjunto dos dados.

A avaliação da correlação entre os parâmetros ambientais e abióticos mostrou que ao menos seis variáveis que possuíam maiores correlações com outras variáveis deveriam ser eliminadas dos procedimentos analíticos subsequentes. Foram detectadas fortes correlações entre: (1) a temperatura do ar, temperatura do solo e umidade do ar, (2) entre a contagem de indivíduos arbóreos próximos e a altura média da vegetação herbácea, e (3) entre as variáveis ligadas a riqueza de espécies vegetais, como a diversidade arbórea, a riqueza e diversidade de famílias botânicas.

Para borboletas os resultados mostram que as espécies registradas se distribuíram de forma próximo do uniforme em relação às variáveis ambientais. Na segunda campanha a distribuição esteve basicamente orientada pelo gradiente cobertura florestal, com espécies associadas positivamente às variáveis de cobertura de serrapilheira, altura de indivíduos arbóreos, DAP médio, área basal, densidade de herbáceas, e outras a ambientes de maior intensidade luminosa e maior temperatura do ar. Na terceira campanha, durante a estação chuvosa, a ocorrência das espécies esteve basicamente associada à presença de habitats úmidos.

Para abelhas os resultados mostram que as espécies registradas se distribuíram em um gradiente relacionado aos ambientes mais ricos em espécies da flora. Na segunda e terceira campanha a distribuição esteve mais orientada pelo gradiente de umidade-luminosidade e cobertura florestal, com espécies associadas positivamente às variáveis de altura de indivíduos arbóreos, DAP médio, área basal, densidade de herbáceas, e outras a ambientes de maior intensidade luminosa e maior temperatura do ar.

Para Formicidae os dados da primeira campanha têm pouca estruturação em função das variáveis ambientais. A segunda e terceira campanhas apresentaram padrões de estruturação visualmente contrastantes, mas de significados similares. Os dados da segunda campanha mostram espécies mais associadas ao gradiente de ambientes abertos e fechados, especialmente correlacionadas positivamente às variáveis de altura média de indivíduos arbóreos e negativamente à contagem de árvores, que tem relação positiva com a maior incidência de luz. A terceira campanha, responsável pelo registro da maior riqueza de espécies de formigas, também possuiu dados orientados em um gradiente de ambientes mais abertos e mais fechados, mas a distinção ocorre positiva e majoritariamente alinhada às áreas de maior riqueza de espécies vegetais, que estiveram associadas às áreas onde foram registradas menores temperaturas do ar. Curiosamente esses dados se relacionaram negativamente a umidade do solo registrada durante a campanha.

Para os anfíbios os resultados mostram que a comunidade de anfíbios esteve indissociavelmente associada ao período de chuvas, assim como ao gradiente de ambientes de maior umidade do solo, menor temperatura do ar e menos luminosidade, que são características reconhecidamente associadas à presença desses organismos.

Para os Squamatas os resultados mostram que a comunidade de répteis foi bastante homogênea entre as campanhas. As espécies se distribuíram basicamente dentro de um gradiente de ambiente aberto e florestal, algumas delas aparentemente indicando para hábitats com maior cobertura de rochas. Algumas poucas espécies destoam desse padrão e aparecem mais associadas a ambiente com baixa cobertura de serrapilheira, outra em locais com maior umidade do solo.

Para os mamíferos não voadores os resultados mostram que a comunidade de mamíferos não voadores se estruturou basicamente entre as campanhas realizadas no período seco (C1 e C2) e a campanha no período chuvoso (C3). Esse gradiente foi o mais relevante na ordenação das variáveis ambientais com as espécies, e a maioria das espécies ficou quase que estritamente distribuída ao longo desse gradiente. Subscrito ao padrão de registros entre as estações climáticas também está aparente o gradiente de ambientes abertos e florestais, com um plano dos resultados estruturados em torno de relações positivas com variáveis como umidade do solo, densidade de plantas herbáceas, riqueza de espécies de árvores, e altura dos indivíduos arbóreos, e relações negativas com as variáveis de DAP médio, cobertura de serrapilheira, luminosidade, temperatura do ar.

Para os quirópteros os resultados mostraram que a comunidade de morcegos foi relativamente homogênea entre as campanhas, embora a distribuição dos pontos de amostragem esteja representada com características ligeiramente opostas entre a primeira e a terceira campanhas, provavelmente ligado a sazonalidade climática que essas duas campanhas representam. As espécies se distribuíram basicamente dentro de um gradiente de ambiente aberto e florestal, algumas mais associadas a ambiente com baixa cobertura de serrapilheira, umidade do solo, densidade de herbáceas e temperatura do ar mais elevada, enquanto outras se correlacionaram a uma maior cobertura de serrapilheira, riqueza de espécies de árvores e a contagem de indivíduos arbóreos.

Para a aves os resultados mostram que a comunidade de aves foi ligeiramente diferente entre as campanhas da estação seca (C1 e C2) e chuvosa (C3; Figura 11.2.1-237). Subjacente a essa diferença está a estruturação da comunidade no gradiente de ambiente aberto e florestal. Parte da comunidade aparece mais associada a ambiente com baixa cobertura de serrapilheira, cobertura de herbáceas e menor área basal dos indivíduos arbóreos, e outra parte se correlacionou aos ambientes com mais árvores, mais altas e de mais espécies, com maior cobertura de herbáceas, solo mais úmido.

Como considerações finais o estudo apresenta que a análise de covariáveis ambientais foi eficiente em evidenciar a relação das comunidades amostradas com as características e funcionamento dos ecossistemas estudados. Alguns grupos se mostraram claramente orientados em função da sazonalidade seca e chuva (Formicidae, Amphibia e Mamíferos não voadores), mas para a maioria esse padrão ficou menos claro e mais dependente da organização das espécies em função das variáveis de microclima ou de estrutura da Vegetação. O padrão de gradiente de habitat, principalmente de características de ambientes abertos e florestais foi majoritariamente responsável pela estruturação de quase todos os grupos de organismos estudados. Isso mostra que, para o esforço e métodos empregados em campo, fomos capazes de capturar a variação sazonal para alguns grupos, mas já foi o suficiente para detectar as nuances relacionadas a variação do habitat.

RECEPTORES ECOLÓGICOS

A avaliação dos eventuais efeitos radiológicos deletérios sobre a fauna terrestre foi realizada considerando as informações levantadas para o licenciamento nuclear junto à CNEM. Nesta análise é considerada a eventual contaminação do ar e do solo por emissões atmosféricas diante da possibilidade de dispersão dessas emissões para fora dos limites da Fazenda Itataia. Considerando a exposição do solo e vegetais a entrada dos radionuclídeos no ecossistema poderia ser por consumo por mamíferos herbívoros e aves granívoras, que se alimentem no nível de cadeia trófica dos produtores primários e, que neste contexto seriam considerados os receptores ecológicos, dos quais, como exemplo, citamos aves columbiformes e roedores herbívoros detectados no estudo. O estudo destaca a avoante (Zenaida auriculata), por tratar-se de espécie migratória e o Thrichomys Laurentius (punaré) roedor que possui por característica dieta herbívora e mais generalista em relação às demais espécies do gênero e mais diversificada no que tange às partes preferidas das plantas.

 

7.2. Ecossistemas Aquáticos

Ictiofauna

A literatura aponta que no Brasil existem mais de 3500 espécies de peixes. Já na Caatinga os registros apontam para ao menos 370 espécies. Na bacia do rio Acaraú que drena a área de influência do Projeto Santa Quitéria foi publicado um estudo de dois grandes reservatórios na região média do rio onde foram registradas 17 espécies, sendo 6 endêmicas e 3 introduzidas.

No levantamento dos dados secundários sobre a ictiofauna da área de influência do Projeto Santa Quitéria foram levantados dados das bacias hidrográficas dos rios Acaraú e Jaguaribe, que drenam a área de influência do projeto. Para isso foram consultados artigos científicos, livros, teses, dissertações e monografias. Também foram utilizados os registros de espécimes depositados na Coleção Ictiológica da Universidade Federal da Paraíba (CIUFPB).

O estudo informa que a coleta de dados primários para o levantamento da ictiofauna na área de influência do Projeto Santa Quitéria ocorreu entre os dias 27 de outubro a 4 de novembro de 2020 na primeira campanha, a segunda foi realizada entre os dias 14 e 19 de fevereiro 2021 e a terceira campanha foi realizada entre os dias 23 de abril a 2 de maio de 2023. As coletas em campo foram realizadas com uso de técnicas de captura ativa (peneiras, arrasto e tarrafas) e passiva (redes de emalhar). Foram utilizadas rede de arrasto de 5 m de comprimento e com malha de 5 mm e de 10 m de comprimento com malha de 10 mm; tarrafa de 2 m de altura com malha de 15 mm; peneira de 70 x 50 cm de largura com malhas de 1 mm e redes de espera 10 m de comprimento com malha de 30 mm. As coletas foram padronizadas em cada ponto amostrado, executadas em dois arrastos, dez peneiradas e seis tarrafadas, com o objetivo de quantificar e comparar as amostras e os pontos de amostragens. Os horários das amostragens concentraram-se entre 07h e 18h para coletas ativas, e 18h e 05h para coletas passivas com rede de espera. Os peixes coletados foram identificados em campo, quando possível, e devolvidos aos corpos d’água. Alguns indivíduos foram coletados e preparados como material testemunho, sob autorização de coleta (ABIO Nº 1488/2023).

As coletas foram realizadas em 17 pontos de amostragens distribuídos na ADA, AID, AII e no . Edson Queiroz. Foram apresentadas as coordenadas de cada ponto de amostragem, mapas com a localização dos pontos e fotos dos locais em que foram alocados os pontos nas três campanhas realizadas. Nestas fotos ficou claro como foi importante a realização da terceira campanha de levantamento de dados. Pois fica claro pelas fotos que devido à ausência de chuvas na segunda campanha a fisionomia da vegetação e a ausência de acúmulo de água nos pontos amostrais na primeira e na segunda campanha era muito semelhante, deixando claro que a sazonalidade foi muito prejudicada. Com a realização da terceira campanha esse aspecto foi sanado e trouxe mais confiança aos dados obtidos.

Adicionalmente a essas coletas nos 17 pontos amostrais também foram amostradas 9 poças temporárias inventariadas na ADA e na AID para a amostragem de peixes da família dos Rivulidae. O estudo apresentou fotos das poças amostradas contendo as coordenadas geográfica das mesmas.

Os dados colhidos em campo foram analisados e foram obtidos o Índice de Shannon-Winner (H´), Índice da Equidade de Pielou (J`), Curvas de acumulações de espécies, Eficiência amostral, Índice de similaridade de Jaccard e realizado um dendrograma de similaridade.

Como resultado do levantamento de dados secundários sobre a ictiofauna das bacias dos rios Acaraú e Jaguaribe, que drenam a área do projeto Santa Quitéria foram compiladas 59 espécies de peixes de água doce distribuídas em 16 famílias e cinco ordens. Todas as espécies elencadas no levantamento secundário foram espécies nativas. A ordem mais representativa foi Characiformes, com 32 espécies, seguida de Siluriformes com 18 espécies. Em nível de família, Characidae foi a mais representativa, com 16 espécies registradas, seguida pelas famílias Loricariidae, com 11 espécies. Das 59 espécies registradas no levantamento secundário três estão ameaçadas de extinção Apareiodon davisi Fowler 1941 e Parotocinclus spilurus (Fowler 1941) se encontram no status “Em perigo” e Anablepsoides cearensis (Costa & Vono, 2009) como “Criticamente ameaçada”.

Nas três campanhas realizadas foram registrados 1875 espécimes distribuídos em 22 espécies, 22 gêneros, 12 famílias e cinco ordens. Na primeira campanha, dos 17 pontos de amostragens pré-selecionados, apenas em quatro havia água superficial que possibilitasse a coleta de peixes, os outros estavam completamente secos. Nos quatro pontos de amostragens que continham água superficial, foram registrados um total de 407 espécimes de 13 espécies, nove famílias e quatro ordens de peixes de água doce. Na segunda campanha foi possível amostragens apenas em quatro pontos e nesses quatro pontos de amostragens foram registrados 702 espécimes de 14 espécies, oito famílias e quatro ordens. Na terceira campanha dos 17 pontos de amostragens pré-selecionados, sete pontos continham água superficial, mas não foram registrados peixes, seis ainda estavam secos, e em quatro foram registrados 766 espécimes, de 19 espécies, 10 famílias e quatro ordens de peixes de água doce. A ordem Characiformes foi a mais representativa, com 11 espécies, representando pouco mais da metade (51%) da diversidade registradas. Em segundo lugar foi Siluriformes com cinco espécies, representando 23% do total de espécies registradas e terceiro lugar foi a ordem e Cichliformes, com quatro espécies, representando 18% da amostragem. As ordens Cyprinodontiformes e Synbranchiformes, foram representadas com apenas uma espécie cada, representando cerca de 5% da amostragem cada. Em relação às famílias, Characidae foi a mais representativa com seis espécies (27%) do total registrado. Cichlidae foi segunda mais representativa, com quatro espécies registradas (18%). No entanto, das quatro espécies de Cichlidae registradas, duas são exóticas, a tilápia, Oreochromis niloticus e o tucunaré, Cichla ocellaris. Loricariidae e Heptapteridae, foram representadas por duas espécies cada (9% cada). As outras famílias foram representadas por uma espécie cada. Em termos de abundância, nas três campanhas, a Tilápia, Oreochromis niloticus, espécie introduzida sempre foi a mais abundante. Em seguida as espécies mais abundantes foram Astyanax bimaculatus, Poecilia vivipara e o Serrapinnus heterodon. Dos 17 pontos amostrais foram registrados peixes apenas nos pontos SQ3, SQ07, SQ15, SQ16 e SQ17. O ponto com maior diversidade foi o SQ17, que é a Açude Edson Queiroz. Neste ponto de amostragem foram registrados 14 das 22 espécies registradas no estudo. O segundo ponto com maior diversidade foi SQ15. Este é o rio Groaíras, no qual desagua toda hidrografia que drena a área do empreendimento. Neste ponto foram registradas 13 das 22 espécies de peixes presentes na área de estudo. Além dos 17 pontos amostrais 9 poças temporárias também foram amostradas para a presença de rivulídeos, porém não foram registrados peixes nestas poças. As nove poças estavam bem cheias, a água estava barrenta, com pouca ou ausência de vegetação aquática e grande quantidade de girinos. A partir de informações da população ribeirinha foi explicado no estudo que as poças haviam enchido a pouco tempo e não havia tempo suficiente para que as populações de peixes anuais se estabelecessem. Desse modo o levantamento foi considerado inconclusivo quanto a presença de rivulídeos na área de influência do PSQ.

Em relação a suficiência amostral dos dados primários o estudo apresenta como dado observado 22 espécies e como riqueza estimada 23 e 34 espécies ao se usar os estimadores de riqueza Chao 1 e Jack 1 respectivamente. Ainda informa que a curva apresenta comportamento de estabilização. No entanto, os dados e o gráfico apresentados não estão relacionando dias de coleta e número de espécies acumuladas. A relação proposta foi ponto amostral e riqueza do ponto. No entanto, os dados do Quadro 11.2.2-4 do EIA que exibe o número de espécies em cada ponto amostral não corresponde ao apresentado no gráfico da figura 11.2.2-35 do EIA que apresenta a curva de acumulação das espécies. Portanto, não considero apresentada a curva de acumulação de espécies e demonstrada a suficiência amostral.

Em relação a espécies ameaçadas não foram registradas espécies ameaçadas de extinção conforme as listas nacionais e internacional de espécies da fauna ameaçada de extinção (MMA, 2022; IUCN, 2022). O relatório ressalta que embora não registrado nos levantamentos há uma espécie de rivulídeo.

Sobre espécies endêmicas no ponto SQ15 foi registrado a espécie Pimelodella cf. Dorseyi. Essa espécie é considerada endêmica da bacia do rio Jaguaribe, cuja a localidade tipo é o rio Salgado, bacia do Jaguaribe, no município de Icó, Ceará. O seu registro no rio Groaíras, caso a espécie seja confirmada pode significar uma expansão de sua ocorrência. Todas as outras espécies registradas na amostragem são encontradas em outras bacias do Nordeste brasileiro. Portanto, nessas amostragens não foram registradas espécies que tenham distribuição restrita à região do Projeto. Já as espécies Cheirodon jaguaribensis, Cichlasoma orientale, Crenicichla brasiliensis, Hypostomus pusarum, Leporinus piau, Parotocinclus cf. cearensis, Phenacogaster calverti, Pimelodella cf. dorseyi, Prochilodus brevis, Triportheus signatus e Steindachnerina notonota são consideradas espécies endêmicas de bacias das ecorregiões hidrográficas do Nordeste.

Nessa amostragem não foram registradas espécies de peixes que sejam consideradas isoladamente indicadoras da qualidade ambiental dos corpos d’água, ou seja, espécie que são sensíveis, que só sobrevivem em ambientes sem nenhum ou com poucos impactos. No entanto o estudo propõe que os parâmetros populacionais, biologia e saúde das espécies de peixes registradas podem ser usadas como bioindicadoras da qualidade dos corpos d’água amostrados. Nesse sentido sugere o uso da tilápia (Oreochromis niloticus), uma espécie introduzida, bastante resistente, que prospera em ambientes degradados e foi a mais abundante no presente estudo. Essa espécie pode ser usada como bioindicadora devido à sua capacidade de tolerar ambientes alterados. Ainda para justificar o uso da tilápia como bioindicador o estudo apresenta uma adaptação do IBI de Karr, que é um Índice de Integridade Biológica. Neste índice, amostras com menos de 20% de indivíduos onívoros são boas, enquanto aquelas com mais de 45% são evidência de ambientes severamente degradados. No presente estudo, a proporção de espécies onívoras foi bastante alta, média de aproximadamente 90%. Grande parte disso se deve a espécie onívora introduzida, Oreochromis niloticus, que representou aproximadamente 30% da amostragem. Mas as espécies onivoras Astyanax bimaculatus, que representou 28% e Serrapinnus heterodon, que representou 24% da amostragem não foram consideradas pelo estudo como possíveis bioindicadoras. Fato este que deve ser justificado pelo estudo uma vez que tais espécies não são introduzidas e também exibiram ser bastante resistentes as condições ambientais locais.

Em relação as espécies exóticas os levantamentos realizados na área foram registrados duas espécies exóticas, ambas pertencentes a família Cichlidae. Estas espécies, a tilápia (Oreochromis niloticus) e o tucunaré (Cichla ocellaris).

Comparando as áreas de amostra e os índices de diversidade e de similaridade o estudo informa que dos 17 pontos amostrais em apenas 4 foram coletados peixes. No que diz respeito às análises de diversidade, os valores do índice de Shannon (H’) mostraram que os pontos SQ15 (H’=2.016) e SQ17 (H’=1.369) foram os de maior diversidade, enquanto no SQ07 só foi encontrada uma espécie (Oreochromis niloticus). A equitabilidade variou de J’= 0.52 (Ponto SQ17) a J’= 0.96 (SQ03). Este resultado pode ser interpretado pela falta de uniformidade entre os pontos e pela dominância de indivíduos de algumas espécies, no ponto SQ17 (Astyanax bimaculatus e Serrapinnus heterodon).

Em relação a relevância regional dos dados primários obtidos neste levantamento o estudo informa que durante as três campanhas de levantamento da ictiofauna, foram registrados 1.185 espécimes distribuídos em 22 espécies, 21 gêneros, 12 família e cinco ordens. No levantamento realizado com uso de dados secundários foram registradas 59 espécies de peixes de água doce com potencial de ocorrência na região de influência do Projeto Santa Quitéria e 84 espécies para todas as bacias que drenam o Ceará. Dos 17 ecossistemas aquáticos selecionados para amostragem da ictiofauna do Projeto Santa Quitéria, 12 estão nos limites da ADA. Destes 12, apenas dois continham água superficial (Açude Quixaba e Açude Morrinhos) e apenas duas espécies de peixes foram coletadas nestes pontos. Seis espécies de peixes registradas têm interesse por parte da população ribeirinha. Essas espécies são utilizadas como fonte de proteína na alimentação humana. Destas seis espécies, duas são exóticas e foram introduzidas: além da já citada “tilápia” (Oreochromis niloticus) tem-se ainda o “tucunaré” (Cichla ocellaris). Outras espécies utilizadas na alimentação são: a “curimatã”, Prochilodus brevis, o “piau”, Leporinus piau, “traíra”, Hoplias malabaricus e a “sardinha”, Triportheus signatus. Prochilodus brevis é considerada uma espécie reofílica, que precisa migrar para completar seu ciclo reprodutivo. E muitos exemplares de Prochilodus brevis foram observados subindo o rio Groaíras durante as chuvas da terceira campanha. Em relação aos peixes da família Rivulidae as poças temporárias se apresentaram cheias apenas na terceira campanha, mas como as poças haviam enchido a pouco tempo as populações ainda não tinha tido tempo para se estabelecer no ambiente resultando em uma amostragem com resultado inconclusivo. Devido ao fato desta família reunir o grupo de peixes mais ameaçado de extinção do Brasil o estudo aponta que deve ser dada maior atenção ao grupo, sendo necessário um monitoramento mais prolongado, cerca de dois a quatro anos, para avaliar mais assertivamente sua ocorrência. Também é necessário que as amostragens sejam efetuadas de um a dois meses depois do início das chuvas. Quatro espécies não constavam na lista de espécies com dados secundários, Cheirodon jaguaribensis, Moenkhausia cf. sanctaefilomenae, Megalechis thoracata e Phenacogaster calverti como também não tinham sido coletadas nas expedições anteriores do Projeto Santa Quitéria. Os possíveis impactos que o Projeto Santa Quitéria pode trazer a ictiofauna da região estão ligados a perda de habitat caso algum corpo d’água seja aterrado, bem como a degradação de matas ciliares que servem de proteção para os ambientes aquáticos.

Como considerações finais o estudo aponta que o período de amostragem na ictiofauna não ter sido o período mais adequado para amostragem de peixes, porque ainda estava chovendo bastante, os peixes ainda estavam migrando, portanto, o levantamento pode não ter sido suficiente para mostrar um retrato fiel da ictiofauna de todos os pontos de amostragem sob influência do projeto. Aponta que nos dados primários não foi registrada nenhuma espécie de peixe rara ou ameaçada de extinção no levantamento da ictiofauna dos corpos d’água sob influência do Projeto Santa Quitéria, Ceará. E que por enquanto, em relação a família Rivulidae, o estudo foi inconclusivo quanto à sua presença. A diversidade de peixes registrada na área corresponde àquela já conhecida de outras porções das bacias hidrográficas dos rios Acaraú e Jaguaribe, e de outras bacias do Nordeste brasileiro. As condições ambientais dos corpos aquáticos da área do Projeto Santa Quitéria são também similares àquela de outros pontos das mesmas drenagens. Por fim o estudo aponta que o estado de degradação das matas ciliares de alguns corpos d’água avaliados é avançado, deixando as áreas marginais dos leitos de rios muito desprotegidas, suscetíveis à erosão que pode causar poluição e assoreamento desses corpos d’água. Entende-se, portanto, que a ictiofauna dos corpos d’água das áreas onde será construído o PSQ poderá sofrer impactos diretos ou indiretos, principalmente decorrentes da degradação ambiental dos corpos aquáticos relacionados à retirada da mata ciliar para construção das estruturas do projeto e acessos. Quaisquer interferências realizadas nestes ambientes necessitam de cuidados a fim de mitigar os possíveis impactos decorrentes destas alterações. Para que tais modificações sejam percebidas recomenda-se que sejam acompanhadas sazonalmente, por meio de um programa de monitoramento desta ictiofauna nas áreas de influência do empreendimento.

A questão do levantamento dos peixes da família dos Rivulidae merece atenção especial pois como apontado pelo estudo os dados foram inconclusivos e o levantamento dos dados foi realizado em período em que ainda não era possível se observar a presença desses peixes nas lagoas temporárias pois, ainda não havia passado tempo suficiente para que as populações se estabelecessem. No estudo é apontado que as amostragens para essa família sejam efetuadas de um a dois meses após o início das chuvas. Considerando o ciclo de vida bastante diferenciado desta família o que o torna o grupo de peixes mais ameaçado de extinção do Brasil é necessário realizar nova campanha para esse grupo nas condições ideais, ou seja, realizando as amostragens com as poças temporárias cheias e pelo menos após transcorrido de um a dois meses de início das chuvas. A importância dessa nova amostragem decorre que na bacia que drena a área do Projeto Santa Quitéria, no baixo rio Acaraú, há registro de Anablepsoides cearensis, uma espécie de Rivulidae, não anual, considerada Criticamente Ameaçada de Extinção (CR; MMA, 2022, IUCN, 2022). Portanto, para se definir acerca da viabilidade ambiental do projeto é necessário que se tenha resultados conclusivos sobre a presença ou ausência de peixes desse grupo e se os mesmos, caso presentes na área, serão impactados ou não pelo projeto.

Biota Aquática

A avaliação da biota aquática na AII do PSQ foi pautada em pesquisa a dados secundários, com foco em estudos acadêmicos e publicações disponibilizadas por órgãos ambientais e por instituições de pesquisa, tais como os trabalhos conduzidos por Chaves (2013) e Torquato (2019), dentre outros, além de resultados obtidos em quatro campanhas sazonais, realizadas nos meses de abril, junho, julho e agosto de 2011 (ARCADIS LOGOS, 2014). A AII do PSQ está inserida na sub-bacia do rio Groaíras, um dos principais afluentes da margem direita do rio Acaraú. Assim, a pesquisa de dados secundários realizada focou em levantamentos nos cursos d’água na AII, porém, dada a ausência de estudos circunscritos à essa área ampliou-se a pesquisa a outros cursos d’água privilegiando a bacia do rio Acaraú, quando possível, além de demais cursos d’água em um contexto regional. A AID do PSQ engloba a sub-bacia do riacho do Mulungu, que recebe contribuição do riacho Cunha-Moti pela margem direita, segue seu fluxo na AID em direção ao oeste até desaguar no rio Groaíras, em sua margem direita. A ADA abrange contribuintes de pequeno porte do riacho Cunha-Moti, tais como o riacho sem denominação 2 (conhecido popularmente como riacho Lúcio), além do riacho das Guaribas, principal drenagem da ADA. Os levantamentos primários da AID e ADA foram obtidos por meio de três campanhas realizadas, a primeira no período seco (09 e 12 de novembro de 2020 – 1ª Campanha [1ª C]), a segunda no período chuvoso (08 a 13 de fevereiro de 2021 – 2ª Campanha [2ª C]), sendo realizada a terceira coleta no pico da estação chuvosa (25 a 27 de abril de 2023 – 3ª Campanha [3ª C]). Foram realizados levantamentos dos componentes das comunidades aquáticas planctônicas (fitoplâncton e zooplâncton), de invertebrados bentônicos e de macrófitas aquáticas. As amostragens da biota aquática foram realizadas nos mesmos períodos das coletas para a avaliação da qualidade das águas e dos sedimentos, o que possibilitou a associação dos resultados.

A malha amostral possui dez pontos de coleta, denominados sequencialmente pelos números P01 a P10, porém, a ausência de escoamento superficial nos riachos, representados pelos pontos P03, P04, P05, P06 e P07, impossibilitou a coleta de amostras nas três campanhas. Dessa forma, a tomada de amostras se restringiu aos açudes, totalizando quatro pontos de coleta (P01, P02, P09 e P10), nas duas primeiras campanhas, todos em ambientes lênticos. O açude do riacho da Gangorra (P08) também estava seco nas duas primeiras campanhas, mas na terceira coleta (abril/2023) foi possível realizar a amostragem neste local. Dentre os locais amostrados apenas os açudes do riacho Camurutim (açude Quixaba) e açude do riacho da Gangorra (açude Morrinhos) se situam nos limites da AID. Os demais açudes se situam fora dos limites das áreas de influência, porém, foram inseridos na malha amostral em função de sua importância no contexto regional. Foram apresentadas as coordenadas de cada ponto de amostragem, mapas com a localização dos pontos e fotos dos locais em que foram alocados os pontos nas três campanhas realizadas. Nestas fotos ficou claro como foi importante a realização da terceira campanha de levantamento de dados. Pois fica claro pelas fotos que devido à ausência de chuvas na segunda campanha a fisionomia da vegetação e a ausência de acúmulo de água nos pontos amostrais na primeira e na segunda campanha era muito semelhante, deixando claro que a sazonalidade foi muito prejudicada. Com a realização da terceira campanha esse aspecto foi sanado e trouxe mais confiança aos dados obtidos.

Durante a primeira campanha (nov/20), o tempo se manteve predominantemente bom, sem a ocorrência de chuvas no período de 24 horas antecedentes, porém, na segunda (fev/21) e terceira campanhas (abr/23) houve registro de chuvas previamente às amostragens. A temperatura da água oscilou entre 24,9°C e 29,3°C (nov/20), entre 28,4°C e 31,8°C (fev/21) e entre 29,2°C e 31,4°C (abr/23) (Quadro 11.2.3-1 do EIA).

O açude com menor profundidade foi o do riacho Camurutim (P02), com 0,4 m na campanha de fev/21, e o mais profundo foi o Edson Queiroz, sobretudo na campanha de abr/23, realizada no pico da estação chuvosa (14 m), na qual se observou um aumento na profundidade de todos os açudes, destacando-se o açude do riacho da Gangorra (P08), seco nas duas primeiras coletas, mas nesta última campanha atingiu profundidade de 1,5 m. A transparência mínima foi de 0,2 m no açude do riacho Camurutim (P02, em abr/23), com máximo de 1,7 m (açude Edson Queiroz).

A metodologia empregada para coleta, identificação e contagem da biota aquática foi norteada pelo Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater (APHA et al., 2017). Foram seguidas ainda as recomendações do Guia Nacional de Coleta e Preservação de Amostras (CETESB & ANA, 2011).

Para Fitoplâncton em cada ponto de coleta foi feita amostra quantitativa na subsuperfície (até 30 centímetros da lâmina d’água) com o uso de recipiente de metal, que foi transferida para um frasco de 250ml. Foi feita uma amostra qualitativa na subsuperfície utilizando-se rede de plancton com abertura de malha de 20 µm, por meio de arrasto horizontal. Adicionalmente, em função da maior profundidade do açude Edson Queiroz, na terceira campanha realizada no auge da estação chuvosa, procedeu-se a coleta de amostras na porção de fundo (1 m acima do fundo), com uso de garrafa de Van Dorn. Para preservação das amostras qualitativas, utilizou-se solução de formalina a 2% neutralizada com bicarbonato de sódio. Nas amostras quantitativas, adicionaram-se gotas de lugol. Os frascos de coleta foram homogeneizados, etiquetados e encaminhados ao laboratório para análise. O processo de identificação ocorreu sempre que possível ao nível de espécie, a partir da análise populacional, utilizando microscópio invertido. Analisou-se, no mínimo, uma lâmina de cada amostra, até atingir 10 campos sem ocorrência de táxons adicionais. A quantificação do fitoplâncton seguiu o método de sedimentação em câmaras, descrito por Utermöhl (1958). O tempo de sedimentação variou de acordo com a concentração de material na amostra e o volume analisado, adotando-se o procedimento de quantificação por campos aleatórios ou câmara inteira. O limite de contagem foi estabelecido pela enumeração de 100 indivíduos do táxon mais abundante. Os resultados de densidade do fitoplâncton foram expressos em organismos por mililitro (org./mL). Em atendimento a Resolução CONAMA n.º 357/05, realizou-se também a contagem de células de cianobactérias, com resultados indicados em células por mililitro (cél./mL).

Para Zooplâncton em cada ponto de coleta foi feita amostra quantitativa filtrando-se, na rede com malha de 68 µm, 200 L de água coletada na superfície do corpo hídrico (cerca 30 centímetros da lâmina d’água), com auxílio de recipiente de metal. A seguir, foram tomadas as amostras qualitativas por meio de arrasto horizontal da mesma rede. Adicionalmente, em função da maior profundidade do açude Edson Queiroz, na terceira campanha no auge da estação chuvosa, foi efetuada a coleta de uma amostra na porção de fundo (cerca de 1 m acima do leito), com uso de bomba de sucção e rede de 68 µm.

As amostras quantitativas e qualitativas foram acondicionadas em frascos plásticos de 250 mL, sendo preservadas com solução de formalina 4% neutralizada com bicarbonato de sódio. Os frascos de coleta foram etiquetados e encaminhados ao laboratório.

Em laboratório, foi realizada a preparação das amostras e os indivíduos foram identificados com auxílio de microscópio óptico, sempre que possível ao nível de espécie, utilizando-se chaves de identificação e descrições disponíveis em literatura especializada. Para a contagem dos organismos zooplanctônicos, as amostras com pequeno número de organismos foram analisadas integralmente. Aquelas que continham um elevado número de indivíduos foram realizadas por meio de subamostragem, sendo homogeneizadas e avaliadas a partir de alíquotas de 1 mL em câmara de Sedgewick-Rafter. Os valores de densidade obtidos são expressos em organismos por metro cúbico (org./m3).

Para invertebrados bentônicos em cada ponto de coleta foi feita amostras em triplicatas utilizando-se o pegador de fundo do tipo Petersen (0,058 m2). O sedimento coletado foi lavado em campo, utilizando-se peneira de malha de 250 µm. O material retido na peneira foi acondicionado em sacos plásticos, preservado em álcool 70% e corado com rosa de bengala 0,1%. Adicionalmente, foi empregada a rede D para uma amostragem semiquantitativa dos exemplares associados às margens dos açudes. Em laboratório, as amostras de sedimentos foram novamente lavadas com uso de peneiras de malha de 250 µm. Em seguida, procedeu-se a triagem e a identificação dos organismos em placas de Petri, com auxílio de estereomicroscópio. A identificação taxonômica ocorreu ao menor nível taxonômico possível, com auxílio de bibliografia especializada. A densidade em cada ponto das amostras obtidas com amostrador Petersen foi calculada pela média da densidade das três réplicas, com resultados indicados em organismos por metro quadrado (org./m2). Para as amostras com rede D é apresentada a quantidade absoluta dos exemplares coletados (número de indivíduos).

Para as macrófitas aquáticas em cada ponto de coleta se amostrou todos os táxons encontrados, tanto dentro da água, quanto nas margens, até uma distância de 2 m da lâmina d’água. Para identificação das espécies, foram anotados os dados dos espécimes presentes em cada banco de macrófitas registrado. Procedeu-se a identificação do material botânico por meio da análise das estruturas dos vegetais a olho nu e sob microscópio estereoscópico, com auxílio de bibliografia especializada. A densidade das macrófitas foi estimada através do índice de cobertura estabelecido por Braun-Blanquet et al. (1932). Foram preparadas exsicatas a partir das plantas coletadas. Realizou-se a conservação de plantas com estruturas frágeis em formol 10%, visando posterior análise taxonômica.

Todo material coletado foi devidamente etiquetado com dados de família, gênero, espécie, coletor, ponto e data da coleta e será destinado ao herbário para tombamento em coleção científica.

Os dados obtidos das amostragens das comunidades planctônicas, bentônicas e de macrófitas aquáticas foram avaliados qualitativamente quanto a composição taxonômica, riqueza de táxons, riqueza relativa, distribuição espacial, frequência de ocorrência, espécies exóticas e ameaçadas. E quantitativamente quanto a densidade e abundância relativa das comunidades planctônicas e bentônicas, índice de cobertura de macrófitas aquáticas e índice de similaridade.

Na avaliação do fitoplâncton foi registrado um total de 98 táxons, a maioria integrante das classes Cyanophyceae, Euglenophyceae e Chlorophyceae. Foi registrada a ocorrência da espécie criptogênica Microcystis aeruginosa, exclusivamente no açude Edson Queiroz (P10), na primeira campanha. Mas não foram identificadas espécies ameaçadas, tendo como base, as diretrizes da Portaria do Ministério do Meio Ambiente - MMA nº 354/2023. Em termos de frequência de ocorrência, apenas a euglenofícea Trachelomonas volvocina e um táxon não identificado ao nível de gênero da classe Cryptophyceae foram considerados muito frequentes. A densidade mínima do fitoplâncton foi detectada no açude da Laís, enquanto a máxima foi no açude Edson Queiroz (P10), em fev/21. Considerando apenas os resultados da estação seca (nov/20), nota-se que houve uma variação acentuada na densidade neste período, enquanto no pico da estação chuvosa (abr/23) há uma tendência de redução na densidade, em comparação ao período seco. Na análise da densidade de células de cianobactérias apenas o açude Edson Queiroz (P10) ultrapassou o limite estabelecido pela Resolução CONAMA n.° 357/05 para águas doces classe 2 (50.000 cél./mL), em nov/20 e fev/21, onde detectou-se floração de Raphidiopsis sp. e Planktothrix sp. Esses gêneros, em eventos de florações, apresentam potencial de produzir cianotoxinas.

A avaliação do zooplâncton nas três campanhas registrou 61 táxons, sendo o filo Rotifera e os microcrustáceos Cladocera, Calanoida e Cyclopoida os grupos mais diversos. Em nenhum dos grupos foram identificadas espécies exóticas para a comunidade zooplanctônica (MMA, 2016) ou ameaçadas (MMA, 2023). No nível estadual não há lista de espécies ameaçadas para este grupo. Em termos de frequência, são destacáveis os náuplios e os copepoditos ciclopóides, com registro em todos os pontos e campanhas, além do cladócero Moina sp., dos náuplios de calanóides e da classe Ostracoda, que ocorreram na maioria das amostras, o que sugere adaptabilidade às condições da região semiárida. A densidade total do zooplâncton nos açudes avaliados foi elevada e apresentou ampla variação. A menor densidade foi observada no açude da Laís, enquanto a maior no açude do riacho Camurutim (P01), ambos na 3ª campanha. Nestes ambientes, os náuplios e copepoditos de Cyclopoida contribuíram relevantemente para a densidade, assim como os rotíferos, com destaque para o ponto P01 no açude do riacho Camurutim (3ª campanha), notadamente pela presença das espécies Brachionus angularis e Filinia terminalis. Os açudes da Laís (P09) e Edson Queiroz (P10) também apresentaram elevada densidade de rotíferos, tendo predominância principal de Brachionus. De modo geral, a comunidade zooplanctônica registrada foi pouco diversificada e composta por elevadas densidades de organismo tolerantes e resistentes à eutrofização.

A comunidade bentônica nos açudes avaliados, nos períodos seco (nov/20) e chuvoso (fev/21 e abr/23), foi composta por 48 táxons, compreendendo artrópodes, moluscos e anelídeos. Nenhum dos gêneros identificados da comunidade bentônica na área de estudo do PSQ é enquadrado nas categorias de espécies ameaçadas, conforme os critérios da Portaria MMA n° 354/2023. Também não se observou a presença de exemplares exóticos, considerando os gêneros registrados no decorrer das três campanhas (MMA, 2016). Os principais representantes dos invertebrados bentônicos foram as formas imaturas de insetos da ordem Diptera, sobretudo da família Chironomidae, a qual é um componente comum da comunidade bentônica em diversos ecossistemas tropicais. Os táxons de Chironomidae inventariados nas três campanhas são integrantes das subfamílias Chironominae, Orthocladiinae e Tanypodinae, em geral semi-tolerantes às alterações ambientais. Ainda no grupo dos insetos, verificou-se em menor riqueza os Ephemeroptera, Trichoptera e Odonata, os quais são geralmente associados a ambientes com melhor qualidade ambiental. Estes tiveram maior ocorrência no açude do riacho Camurutim, ocorrendo também no açude do riacho da Gangorra e no da Laís. Biomphalaria sp., que ocorreu no açude do riacho Camurutim (P02), é um molusco de interesse médico-sanitário, já que três espécies deste gênero podem servir como hospedeiros intermediários das formas imaturas de Schistosoma mansoni, agente patogênico da esquistossomose. No açude da Laís (P09), as larvas de insetos dípteros foram o componente mais abundante da comunidade bentônica no período seco (nov/20), sobretudo Tanytarsini, organismos apontados na literatura enquanto resistentes a perda de qualidade ambiental. Neste açude também foi verificada a maior densidade de oligoquetas da família Naididae, organismos comumente encontrados em ambientes ricos em matéria orgânica e com baixas concentrações de oxigênio dissolvido. Assim os resultados apontam que o ambiente está em processo de enriquecimento orgânico. Em todos os açudes amostrados foram registrados déficits de oxigênio dissolvido nas águas, o que representa um cenário de condições seletivas para o estabelecimento de grupos mais sensíveis dos invertebrados bentônicos, tais como Ephemeroptera, Trichoptera e Odonata, os quais permaneceram em baixas densidades.

O açude do riacho Camurutim apresentou maior riqueza de invertebrados na vegetação marginal, contrastando com o açude Edson Queiroz, onde a riqueza foi reduzida. A análise dos invertebrados associados à vegetação marginal mostrou um acentuado aumento na abundância, na última campanha, conduzida no auge da estação chuvosa, em comparação as duas primeiras coletas, o que é indicativo da maior disponibilidade de microhabitas na estação chuvosa em comparação à seca. Adicionalmente, foram também observados táxons geralmente associados a ambientes com melhor qualidade ambiental, dos Ephemeroptera, Trichoptera e Odonata. Estes indivíduos ocorreram principalmente durante a campanha de abr/23, com abundância máxima registrada para a família Baetidae (ordem Ephemeroptera).

A comunidade de macrófitas aquáticas nos açudes avaliados, nos períodos seco (nov/20) e chuvoso (fev/21 e abr/23), foi composta por 52 táxons, integrantes dos grupos de samambaias e angiospermas. A família Fabaceae se destacou pela maior representatividade nos açudes amostrados ao longo das três campanhas, com onze táxons, seguida das famílias Poaceae representada por seis táxons e Cyperaceae e Malvaceae com quatro táxons cada. Nenhuma das espécies registradas é considerada endêmica do local de estudo. Nenhuma das espécies é considerada ameaçada de extinção atualmente (MMA, 2023), tampouco são listadas pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Selvagens (CITES). A forma biológica mais comum foi a anfíbia (40 táxons, 76,9 %) e as espécies mais frequentes foram: Sida cf. cordifolia (malva-branca), Sidastrum micranthum (malva-preta), Tarenaya houtteana (mussambê) e Cryptostegia madagascariensis (viúva-alegre). Do conjunto de macrófitas identificadas na rede amostral, a maioria dos táxons (81%) é considerada infestante ou daninha. Contudo a maioria das espécies apresentou cobertura pequena e rara, sem registro de espécies dominantes, um indicador de equilíbrio da comunidade de macrófitas aquáticas na área de estudo do PSQ. Mas houve registro de espécies consideradas invasoras da Caatinga: Calotropis procera (ciúme), Cryptostegia madagascariensis (viúva-alegre), Nicotiana glauca (charuto-do-rei), as quais merecem atenção.

De modo geral, a avaliação dos padrões de similaridade das comunidades planctônicas, bentônicas e de macrófitas aquáticas revelou maior diferenciação da comunidade encontrada no açude Edson Queiroz em relação aos demais pontos e foi notada influência da sazonalidade nos resultados obtidos para a maioria das comunidades.

7.3. FLORA

ÁREA DE INFLUÊNCIA INDIRETA (AII) E CONTEXTO REGIONAL

É informado no EIA que a caracterização da AII foi realizada partir de dados de campo e informações disponíveis na literatura especializada.

ÁREA DE INFLUÊNCIA DIRETA - AID E ÁREA DIRETAMENTE AFETADA (ADA)

Na Área de Influência Direta - AID consta que foi realizado levantamento de dados primários da vegetação, em duas campanhas: “a primeira entre os dias 29 de outubro e 03 de novembro de 2020 e a segunda entre 02 e 07 de fevereiro de 2021, quando se coletou dados na ADA e AID de três diferentes atributos da vegetação: 1) fitofisionomia, 2) florística e 3) fitossociologia.

O EIA informou que “adicionalmente, a título de comparação, foram considerados os dados da campanha de campo realizada na ocasião de elaboração de um Estudo de Impacto Ambiental para o mesmo empreendimento, em abril de 2011”.

PRINCIPAIS RESULTADOS DO DIAGNÓSTICO DE FLORA

A seguir são descritos, resumidamente, os métodos e os principais resultados do diagnóstico da flora, conforme consta no EIA.

DADOS SECUNDÁRIOS

A área do empreendimento está localizada no bioma Caatinga, abrangendo as unidades fitoecológicas Savana Estépica Florestada (caatinga Arbórea) e Savana Estépica Arborizada (Caatinga Arbustiva Aberta e Densa).

O EIA identificou que a área de estudo possui baixa fragmentação da cobertura vegetal, com elevada conectividade, entremeada por manchas de áreas antrópicas. Entretanto, o EIA ressalvou que o município de Santa Quitéria, e outros municípios da região, enfrentam processo de degradação / desertificação. O estudo atribuiu tais processos ao manejo indiscriminado da agropecuária.

De acordo com o EIA, a área de estudo “apresenta uma área prioritária indicada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA): Serra do Machado / Serra das Matas com prioridade e importância extremamente alta”.

ESTUDOS PRETÉRITOS

De acordo com as informações do documento, para elaborar o estudo da vegetação que integra o primeiro EIA do Projeto Santa Quitéria (realizado em 2011), foram amostrados na AID um total de 39 famílias botânicas e 105 espécies. Das 105 espécies amostradas naquela ocasião, 42 foram arbóreas, 17 arbustivas, 36 herbáceas e 10 trepadeiras. As famílias com o maior número de espécies foram: Fabaceae (25), Euphorbiaceae (9) e Cactaceae (7). A amostragem da vegetação, em 2011, foi realizada na AID do empreendimento, nas áreas classificadas como Savana Estépica Arborizada (Caatinga Arbustiva), Savana Estépica Florestada (Caatinga Arbórea) e vegetação antrópica.

Ainda conforme o estudo da vegetação que integra o primeiro EIA do Projeto Santa Quitéria, as espécies mais relevantes, segundo Índice de Valor de Importância (IVI), na amostragem fitossociológica caatinga arbórea foram: pau-branco (Cordia oncocalyx) e marmeleiro (Croton sonderianus). Juntas, essas duas espécies representaram 34% do Índice de Valor de Importância (IVI) total. Na caatinga arbustiva, o marmeleiro (Croton sonderianus) e a catingueira (Caesalpinia pyramidalis) apresentaram maior IVI.

DADOS PRIMÁRIOS

A caracterização fitofisionômica, conforme consta no EIA, foram percorridos o maior número de pontos possível localizados na Área Diretamente Afetada (ADA) e Área de Influência Direta (AID), nos pontos visitados foram observadas espécies características (indicadoras) de cada uma das fisionomias (arbóreas, arbustivas e herbáceas). Na elaboração do EIA foram utilizadas imagens do Google Earth datadas de 2020.

Em relação ao levantamento florístico é mencionado que em complementação a listagem obtida pelo levantamento fitossociológico, foram realizadas também coletas de material botânico abrangendo espécies de todos os hábitos (ervas, epífitas, lianas, arbustos e árvores).

A área amostral foi ampliada para acessar uma maior riqueza e confirmar a estrutura vigente na área de estudo. Consta ainda no estudo que “quando do estabelecimento dos monitoramentos de longo prazo deverão ser indicadas parcelas fixas com foco no acompanhamento de possíveis variações na composição das comunidades e seus principais parâmetros indicadores de qualidade ambiental.”

No Mapa 11.2-4 – Unidades Amostrais do levantamento realizado pela Arcadis em 2011 (página 465 do EIA – SEI), embora com este título constam as unidades amostrais do Levantamento Florístico – 2020/2021, contendo a 1ª Campanha de 2020; 1ª Campanha de 2020/2ª Campanha de 2021 e 2ª Campanha de 2021.

Consta no EIA a seguinte informação abaixo transcrita (CITAÇÃO):

(…)

De maneira generalizada a Área de Estudo é representada por uma matriz onde a flora é bastante homogênea, sendo formada majoritariamente por fisionomia de Savana Estépica Arborizada, intercalada por pequenos trechos de Savana Estépica Florestada, nas proximidades das drenagens e corpos d’água, bem como por áreas Antrópicas.

(…)

+ Savana Estépica Arborizada (Caatinga Arbustiva)

Caracteriza-se, sobretudo, pela predominância de estrato arbustivo denso ou espaçado combinado com poucos indivíduos arbóreos de até 6m de altura, tênue cobertura herbácea e plantas espinhosas, com cactáceas baixas em torno dos arbustos ...

As espécies mais frequentes, de modo geral, são: pau-branco (Cordia oncocalyx), bamburral (Hyptis suaveolens), cansanção (Cnidoscolus urens), xique-xique (Pilosocereus gounellei), mandacaru (Cereus jamacaru), marmeleiro (Croton sonderianus), pereira (Aspidosperma pyrifolium), mofumbo (Combretum leprosum), catingueira (Cenostigma pyramidale).

(...)

+ Savana Estépica Florestada (Caatinga Arbórea)

Formada por indivíduos arbóreos de até 10 m distribuídos densa ou espaçadamente, apresentando também um estrato herbáceo e outro arbustivo perene…

As principais espécies são: catingueira (Cenostigma pyramidale), sabiá (Mimosa caesalpiniifolia), pau-branco (Cordia oncocalyx), pereira (Aspidosperma pyrifolium), imburana (Commiphora leptophloeos), angico (Anadenanthera colubrina), aroeira (Myracrodruon urundeuva).

(...)

+ Vegetação Antrópica (Área Antrópica)

Trata-se de áreas com uso do solo diferenciado onde se observa intensa influência humana, encontrando-se vegetação arbustiva - Jatropha mollissima (pinhão); Croton sonderianus (marmeleiro); Solanum paniculatum (jurubeba); Mimosa tenuiflora (jurema preta), herbácea - Hyptis suaveolens (bamburral), Cnidoscolus urens (cansanção), Sida sp. (malva), Sena uniflora (mata-pasto) e outras ocupações como agricultura de sequeiro e agricultura de ciclo curto irrigado.

(...)

LEVANTAMENTO FLORÍSTICO

Como resultado do levantamento florístico foram identificadas 39 famílias e 99 espécies. É ainda mencionado que durante os trabalhos de campo, foram feitas coletas complementares de material botânico de indivíduos que não participaram da amostragem fitossociológica. A família Fabaceae apresentou o maior número de espécies (23), seguida de Cactaceae (7) e Euphorbiceae (6).

Neste levantamento, foram amostradas espécies citadas nas listagens da flora ameaçadas de extinção:

  • Mandacaru (Cereus jamacaru) - Pouco preocupante na IUCN; CITES;

  • Palmatória (Tacinga palmadora) - Pouco preocupante na IUCN; CITES;

  • Cumarú (Amburana cearenses) - Em perigo pela IUCN.

FATO RELEVANTE

A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará protocolou no Ibama, em16/10/2024, o Ofício nº 266/2024-CDHC – EFTA/ALECE (20857457), com anexo (20857594), referente ao “Processo nº 02001.014391/2020-17 - Encaminhamento de artigo científico sobre a descoberta da Tacinga mirim, nova espécie de cacto endêmica do sertão cearense ameaçada de extinção.” Esta informação será considerada na análise do EIA/Rima.

Em decorrência da informação acima, em 31/10/2024 o Ibama emitiu o OFÍCIO Nº 720/2024/COMIP/CGTEF/DILIC (21014710), à Indústrias Nucleares do Brasil - INB, referente ao “Licenciamento ambiental do Projeto Santa Quitéria - PSQ”. Neste ofício constam informações acerca da identificação da espécie botânica Tacinga mirim, espécie endêmica do sertão cearense e em risco de extinção.

Posteriormente, em 29/11/2024, a INB protocolou no Ibama a Carta CE-GEFIS.P/SUNOV.P- 415/24 (21303112), com anexo (21303114), referente ao “PSQ – Licenciamento ambiental / Referências: [1] Of. nº 720/2024/COMIP/CGTEF/DILIC, de 01/11/24.” Foi apresentado no anexo a “Resposta técnica ao ofício 720/2024/COMIP/CGTEF/DILIC: Licenciamento ambiental do Projeto Santa Quitéria – PSQ” referente à espécie botânica Tacinga Mirim, no documento o empreendedor propôs o seguinte: “a realização de Programa de Monitoramento da espécie Tacinga mirim, a ser realizado antes do início das obras do projeto Santa Quitéria (etapa entre LP e LI), de modo a identificar a presença de indivíduos da espécie na ADA e promover o salvamento do material genético destes indivíduos para povoamento, no âmbito da execução do Programa de Resgate de Germoplasma, já apresentado no EIA (2023).”

Conforme os resultados do levantamento fitofisionômico da Área Diretamente Afetada (ADA) e da Área de Influência Direta (AID), na área de estudo a flora encontra-se homogênea, com predominância de Savana Estépica Arborizada, intercalada por pequenos trechos de Savana Estépica Florestada. A Savana Estépica Florestada ocorre nas proximidades das drenagens, dos corpos d’água e de áreas antrópicas.

Constata-se o predomínio da Savana Estépica Arborizada na AID e ADA. Essa fitofisionomia cobre aproximadamente 12.969 ha na AID e 309,7 ha na ADA.

Algumas espécies identificadas possuem importância extrativista como a carnaúba (Copernicia prunifera), espécie utilizada na fabricação de produtos artesanais e industriais, e a imburana (Commiphora leptophloeos), espécie cuja madeira é utilizada para construção. Foi apresentada Quadro 11.2.1-76 contendo a relação das espécies consideradas de importância extrativista, encontradas na amostragem fitossociológica.

No levantamento florístico realizado não ocorreu registro de espécies de interesse científico ou de valor ecológico significativo. Não consta informação acerca de legislação específica sobre espécies da flora imunes ao corte no estado do Ceará.

Consta no EIA que a amostragem para o levantamento fitossociológico foi realizada em parcelas de 10 m x 20 m, distribuídas em 24 pontos de amostragem, num total de 51 parcelas.

Foram incluídos no levantamento, em cada parcela, todos os indivíduos arbustivos e arbóreos inseridos com CAB (Circunferência à Altura da Base) maior ou igual a 10 cm e altura igual ou superior a 2 m, para os quais foram registrados os seguintes dados: nome vulgar, CAB e altura total. Os parâmetros fitossociológicos calculados foram: densidade, frequência, dominâncias relativa e absoluta, valores de importância – VI. Foram ainda calculados os índices de diversidade de Shannon (H’) e de equabilidade (J’) de Pielou. Para os cálculos foi utilizado o programa FITOPAC-2.

No EIA temos a seguinte informação abaixo transcrita: (CITAÇÃO)

(…)

Visando ampliar a área amostral para acessar uma maior riqueza e confirmar a estrutura vigente na comunidade na área de estudo optou-se por, em alguns casos, realizar amostragem em novos pontos distintos daqueles escolhidos para a primeira campanha. Desta forma, alguns pontos foram amostrados em ambas as campanhas e outros em apenas uma delas (Quadro 11.2.1-70). Esta estratégia amostral é compatível com a fase de diagnóstico sendo que quando do estabelecimento dos monitoramentos de longo prazo deverão ser indicadas parcelas fixas com foco no acompanhamento de possíveis variações na composição das comunidades e seus principais parâmetros indicadores de qualidade ambiental.

(...)

LEVANTAMENTO FITOSSOCIOLÓGICO

Savana Estépica Florestada (Caatinga Arbórea) – ADA e AID

O EIA informa que a vegetação de Savana Estépica Florestada (caatinga arbórea) apresenta riqueza representada por 12 espécies e 8 famílias, sendo a família Fabaceae possui maior representatividade com 5 espécies.

Quanto à estrutura, a Caatinga Arbórea apresenta diâmetro médio de 16,00 cm. O estudo afirmou que a distribuição diamétrica mostrou que a caatinga arbórea é composta por árvores de pequeno porte com grande concentração de indivíduos com até 10 cm de diâmetro (69,78 %). Em relação às classes de altura, o estudo verificou maior concentração de indivíduos até 10 m (96,5%), demonstrando elevada densidade de indivíduos de pequeno porte.

É mencionado ainda que as espécies mais relevantes na amostragem fitossociológica, segundo índices de valor de importância (IVI), foram: o pau-branco (Cordia oncocalyx) e o angico (Anadenanthera colubrina), representando juntas o IVI de 141,85%.

SAVANA ESTÉPICA ARBORIZADA (CAATINGA ARBUSTIVA) – ADA E AID

Consta no EIA que a amostragem fitossociológica realizada na caatinga arbustiva identificou 17 espécies de 9 famílias, sendo a família Fabaceae possui maior representatividade com 6 espécies.

É mencionado ainda que a caatinga arbustiva apresenta diâmetro médio de 11,7 cm. A distribuição diamétrica revela que 78,7% dos indivíduos amostrados está concentrada entre 5 e 10 cm de diâmetro e somente 21,3% acima deste valor. Em relação às classes de altura, o estudo fitossociológico informou que a altura média foi de 3,3 m e a distribuição de alturas totais mostrou que quase a totalidade dos indivíduos apresentam alturas entre 2,0 e 5,0 m (90,18%) e que apenas 9,82% apresentam altura maior que 5,0 m.

As espécies mais relevantes segundo o índice de valor de importância (IVI), de acordo com o EIA, são pau-branco (Cordia oncocalyx) e sabiá (Mimosa caesalpiniifolia) com 134,5% do IVI total. É ainda mencionado que tanto o pau-branco (Cordia oncocalyx) como o sabiá (Mimosa caesalpiniifolia) destacaram-se pela densidade e frequência relativa alta, ou seja, foram amostrados muitos indivíduos desta espécie em várias unidades amostrais.

COMPARAÇÃO ENTRE AS AMOSTRAGENS

Segundo o EIA, foram registradas 99 espécies nos levantamentos florístico e fitossociológico. Grande número de espécies são comuns às fitofisionomias caatinga arbórea e arbustiva.

Segundo os resultados do diagnóstico da flora do EIA, a riqueza de espécies e os índices de diversidade (H’ e J) encontrados no estudo assemelham-se aos obtidos em outros estudos realizados em formações tropicais.

Conforme consta no EIA a vegetação do Projeto Santa Quitéria (PSQ), numa escala que varia de 0 a 1, o valor encontrado para o índice de equabilidade (J) foi de 0,7 para a caatinga arbustiva e arbórea. O estudo observou que os valores altos indicam ausência de dominância de espécies, ou seja, uma distribuição razoavelmente equilibrada entre número de espécies e número de indivíduos.

No Quadro 11.2.1-80 constam dados comparativos dos parâmetros fitossociológicos.

O estudo promoveu a comparação entre os resultados obtidos no estudo da vegetação entre o EIA atual e o levantamento realizado em 2011. De acordo com o EIA, de maneira geral observou-se similaridades entre os referidos estudos.

 

7.4. ÁREAS PROTEGIDAS

De acordo com o EIA (Volume IIB) foram identificadas duas Unidades de Conservação na Área de Influência Direta (AID) do empreendimento. Sendo a Reserva Particular de Patrimônio Natural Federal (RPPN) Luizinho Alencar, situada no município de Itatira/CE, a 4,6 km da AID e 11 km em relação ao empreendimento. O Monumento Natural Gruta Casa de Pedra, situada nos municípios de Itatira e Madalena, a aproximadamente 19 km do Projeto Santa Quitéria.

De acordo com a Portaria MMA nº 463/2018 as Áreas Prioritárias para a Conservação, Utilização Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade (APCBios) inclui o Polígono PROBIO CA 034, denominado APCBio Itatira Sul, com área superior a 106 mil hectares, estendendo-se além da AID do Projeto Santa Quitéria (PSQ).

É mencionado que parte da porção da APCBio Itatira Sul se sobrepõe à Área Diretamente Afetada (ADA) do PSQ, em cerca de 425,36 hectares, representando 0,39% desta APCBio. Consta ainda, que há uma pequena porção da Área de Influência Indireta (AID) do empreendimento que se sobrepõe a APCBio Serra do Machado.

No EIA (Volume IIB) temos a seguinte informação abaixo transcrita (CITAÇÃO):

(...)

A existência de APCBio na região de estudo não significa que há restrição legal à implantação de empreendimento, considerando que as APCBios não constituem áreas legalmente protegidas. Embora de importância reconhecida, são áreas delimitadas para implantação de diretrizes de políticas públicas no âmbito do PROBIO (Decreto nº 5092, de 21 de maio de 2004). Além disso, as APCBios possuem grande extensão territorial, o que faz com que, frequentemente, apenas uma pequena porção delas se sobreponha aos projetos em estudos, como é o caso do Projeto Santa Quitéria. Ademais, a delimitação destas áreas passa por revisões periódicas, o que significa que um trecho incluído hoje pode não estar mais no futuro.

Cabe ressaltar, entretanto, que as recomendações e ações designadas para as APCBios pelo poder público (criação de UCs, recuperação ambiental, criação de corredores, inventário da biodiversidade etc.) devem ser consideradas sempre que possível nas ações ambientais propostas pelo empreendimento. Assim, por se tratar de área destinada à recuperação ambiental, no que tange à compensação e à reposição florestal decorrentes dos impactos do PSQ, há que se considerar, futuramente, a melhor espacialização das ações de reflorestamento para benefício da APCBio Itatira Sul, auxiliando no cumprimento desta diretriz. Além disso, pode-se afirmar que os estudos técnicos realizados pelo projeto podem ser úteis ao poder público, servindo de embasamento para decisões futuras sobre as ações propostas no âmbito do para as APCBios.

(...)

O PSQ não interferirá em áreas de Reserva Legal.

A caracterização da vegetação apresentada é suficiente para subsidiar a identificação e avaliação dos principais impactos ambientais sobre a flora, no contexto de um estudo de impacto ambiental.

 

7.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS DO MEIO BIÓTICO

De acordo com as informações da flora trazidas pelo EIA a vegetação da Área de Influência Direta (AID) do Projeto Santa Quitéria (PSQ) encontra-se em bom estado de conservação.

Em relação à flora, especial atenção deverá ser dada as espécies sob regime especial de proteção e aquelas em risco de extinção.

A realização da terceira campanha para suprir as deficiências do diagnóstico da fauna no período chuvoso cumpriu a sua função tendo contribuído com informações importantes para o correto diagnóstico da fauna.

No entanto, o presente estudo não apresentou a definição da área de vida da espécie de morcego ameaçada Furipterus horrens, conforme solicitado no Parecer 148 do Ibama.

O levantamento de peixes da família dos Rivulidae foi inconclusivo. Em se tratando do grupo de peixes mais ameaçado do Brasil e havendo uma espécie desse grupo na região ameaçada de extinção é necessário realizar nova campanha para amostrar esse grupo.

Por fim há no estudo algumas imprecisões que necessitam de esclarecimentos e que serão alvo de solicitação ao final deste parecer.

 

ANÁLISE DO DIAGNÓSTICO DO MEIO SOCIOECONÔMICO

Esta análise tem como parâmetro o documento SEI 17842975 (Volume 3 do EIA - Diagnóstico do Meio Socioeconômico).

 

8.1. COMENTÁRIOS SOBRE A MÃO DE OBRA

A fase de implantação tem duração total de 2 (dois) anos e 10 (dez) meses (Página 296, Volume 1, EIA).

No que diz respeito a mobilização da mão de obra de implantação, o estudo informa que haverá criação de 2.096 empregos diretos durante o período de obras, ou seja, na implantação (34 meses).

Desse quantitativo, 60 (sessenta) trabalhadores integram a coordenação. O restante, 2.036 empregados, é mão de obra terceirizada a ser contratada por empreiteiras.

Cabe salientar que, na fase de operação (de 20 anos), essa mão de obra cai para 538 empregos diretos e 1.076 indiretos, um decréscimo de mais de 70% da mão de obra, que deverá ser desmobilizada. É uma perda considerável de empregos.

O EIA indicou que se espera a absorção de 10% a 20% da mão de obra local (Página 295, Volume 1, EIA), porém desde que atendam “aos perfis profissionais necessários” (Página 562, Volume 1, EIA). Ou seja, durante os 20 anos de operação, o empreendimento só será capaz de empregar, no máximo, cerca de 100 trabalhadores locais.

Observando-se a Figura 9.11-1 localizado na página 562 do Volume 1, é possível perceber que apenas em dois anos o efetivo a ser empregado no PSQ terá mais de mil trabalhadores.

Portanto, o impacto positivo do aumento do número de emprego deverá ser relativizado.

 

8.2. DEFINIÇÃO DAS ÁREAS DE ESTUDO E ASPECTOS METODOLÓGICOS

O estudo dividiu o diagnóstico em duas análises territoriais: Escala Regional e Escala Local.

Escala Regional abordou os municípios com interfaces direta com o PSQ.

Escala Local refere-se ao estudo individualizado dos microterritórios de entorno do PSQ, incluindo núcleos rurais, urbanos e projetos de assentamento rural.

Escala de Estudo Regional:

Município

Número de habitantes

Motivo

Santa Quitéria

40.183

Município anfitrião

Itatira

20.424

Município cujo aglomerados urbanos estão mais próximos ao empreendimento e inserido na rota logística principal

Canindé

74.174

Município polarizador e potencial fornecedor de mão de obra, insumos e serviços

Madalena

16.896

Município inserido na rota logística principal

Reproduz-se abaixo o Mapa da Área de Estudo Regional (página 26, Volume 3, EIA):

A área de estudo regional coincide exatamente com a Área de Influência Indireta definida para o meio socioeconômico, portanto não traz a análise de um contexto mais amplo que registre a situação de uma região para então concluir quais as áreas que realmente deverão ser impactadas. Essa decisão fragiliza a análise, na medida em que não apresenta justificativas consistentes para questionamentos quanto à exclusão de outros municípios do entorno do empreendimento trazidas nas Audiências Públicas.

Quanto a presença de aldeamentos indígenas próximos ao empreendimento, o EIA afirma que os mais próximos se encontram a mais de 25 km de distância. Esses aldeamentos estão localizados nos municípios de Monsenhor Tabosa, Boa Viagem, Catunda, Canindé e Aratuba.

Quanto a presença de comunidades quilombolas, o estudo afirma que o mais próximo está a mais de 30 km de distância do PSQ. Essas comunidades estão localizadas no município de Monsenhor Tabosa, Tamboril e Quixadá.

Escala de Estudo Local:

  • 1º critério: buffer de 5 km a partir das estruturas do empreendimento. A delimitação corresponde com os aspectos do meio físico (dinâmica dos ventos, ruído, vibração e dispersão de material particulado).

  • 2º critério: refere-se ao fluxo de veículos na rota logística. A principal via de acesso é a Rodovia CE-366. O estudo a dividiu em dois focos de estudo. A parte leste liga o empreendimento ao distrito de Macaoca (Madalena/CE); já a oeste liga o PSQ ao município de Santa Quitéria. Para essa rota foi considerado um buffer de 500 metros em relação à rodovia.

  • 3º critério: ligado ao aspecto hídrico, foram selecionadas as localidades que “estão posicionadas próximas dos corpos e cursos d’água influenciados pelo empreendimento”, notadamente o Rio Groaíras. Foi estabelecido, como no critério acima, um buffer de 500 metros do leito dos recursos hídricos. No âmbito do estudo, os cursos d’água foram seccionados nos seguintes segmentos:

  1. Segmentos fluviais de afluentes do Rio Groaíras (notadamente o Riacho Mulungu), que nascem na Fazenda Itataia e vai até a confluência com o curso principal.

  2. Curso principal do Rio Groaíras, cuja cabeceira localiza-se na divisa dos municípios de Santa Quitéria e Monsenhor Tabosa, até a confluência com o Riacho Mulungu.

  3. Curso principal do Rio Groaíras a partir da confluência do Riacho Mulungu até a chegada no Açude Edson Queiroz.

  4. Entorno do Açude Edson Queiroz (página 30, Volume 3, EIA).

Além desses três critérios o EIA faz menção às seguintes localidades como Área de Estudo Local (AEL):

  • Sede Distrital de Riacho das Pedras (que já havia sido incluída no 2º critério);

  • Sede Distrital de Lagoa do Mato (que já havia sido incluída no 2º critério);

  • Projeto de Assentamento Saco de Belém.

No total, foram selecionadas 97 localidades. Cabe ressaltar que, embora o EIA usar o vocábulo “localidade”, considerou-se nesta análise o termo “comunidade”, pois se entende o vocábulo mais representativo e correto.

O Mapa da Área de Estudo Local (página 37, Volume 3, EIA) mostra a localização das comunidades. Porém como citado neste Parecer, o estudo colocou “Pontos” para representar “Áreas” de Estudo, não seguindo, portanto, critérios técnicos e metodologia adequados para demonstração espacial das mesmas. Não foi localizado no EIA mapas com a delimitação do buffer que possibilitaria melhor compreensão da área.

Dessas 97 comunidades, o EIA separou em Comunidades “Mais Relevantes” (29) e Comunidades “Menos Relevantes” (68).

Comunidades “Mais Relevantes” (página 43, Volume 3, EIA) e critério adotado:

  • 1º critério (buffer de 5 km da ADA): comunidades posicionadas na região da direção predominante dos ventos (leste-noroeste) e que não apresentam anteparos naturais que atenuem a dispersão de material particulado e de ruídos mereçam um enfoque diferenciado em relação às demais. Menciona característica de intensificação da movimentação no entorno da Fazenda Itataia, definição que não constava na descrição do critério. Deduz-se que, das comunidades que estão dentro desse buffer de 5 km, apenas as que apresentam as características geográficas acima foram consideradas como “Mais Relevantes”. Destas, citam-se:

  • Projeto de Assentamento Queimadas

  • Comunidade de Cantina

  • Projeto de Assentamento Morrinhos

  • Comunidade Barriguinha

  • Comunidade Quixabá

  • Comunidade Fazenda Tapera

  • Comunidade Pajeú

  • Comunidade Fazenda Ponteira

Não foi apresentada a espacialização da dispersão de material particulado e dos ruídos, sendo que a proposta de buffer de 5km resulta em uma área que ultrapassa a AID dos meios físico e biótico, que deveriam ser a referência para essa definição, como pode ser observado abaixo.

Não foi espacializada a área afetada por vibração, parâmetro citado anteriormente na definição do critério. Não foram mencionados buffer ou critérios adotados para a definição de “intensificação da movimentação no entorno da Fazenda Itataia. E considerando que a movimentação se dá com a utilização de estradas, que outras estradas seriam afetadas além da definida no 2º critério. Não foram avaliadas quais propriedades do entorno da fazenda sofreriam maior pressão fundiária.

  • 2º critério (fluxo de veículos e buffer de 500 metros): Cita-se:

  • Fazenda Oriente/Novo Oriente

  • Raposa

  • Mourão

  • Lagoa do Mato

  • São Joaquim

  • Projeto de Assentamento Umarizeira

  • Boa Vista

  • Bola de Ouro

  • Poço de Pedra

  • Machadinho

  • Barro Vermelho

  • Santana

  • Sabonete

  • Macaoca

Considerando os dados apresentados de transporte de insumos, produção, material para obras e caminhões-pipa, a intensificação do fluxo rodoviário deve alcançar outras vias, mas a definição de quais em cada etapa não está adequadamente descrita e representada. Além disso, deveriam ter sido consideradas também as comunidades dependentes das rotas impactadas (deslocamento para escola, saúde, escoação da produção), não apenas as que estão nos arredores.

  • 3º critério (aspecto hídrico e buffer de 500 metros): as comunidades foram selecionadas por dois motivos: por estarem mais próximas aos afluentes do rio Groaíras; e as que representam grupos organizados de pescadores, “na medida em que a pesca é uma atividade que necessita dos recursos hídricos da região”. O EIA cita para este critério:

  • Projeto de Assentamento Queimadas (já colocada no 1º critério)

    • Comunidade de Cantina (já colocada no 1º critério)

  • Projeto de Assentamento Morrinhos (já colocada no 1º critério)

  • Comunidades situadas no entorno do Açude Edson Queiroz:

    • São Cosme;

    • São Damião; e

    • Santa Margarida.

Ao longo dos afluentes, aparecem ainda Fazenda Tapera (já citada no 1º critério), Fazenda Fronteiras e Sabonete (já citada no 2º critério), que não foram mencionadas no critério. Não foi abordado se outras comunidades mais distantes do recurso hídrico se deslocam para uso desses recursos em atividades como pesca e agricultura. Ademais, não foi apresentado mapa com escala que permita uma visualização detalhada dos afluentes com o buffer e as comunidades do entorno.

  • Também foram consideradas como Comunidades “Mais Relevantes”:

    • Sede Distrital de Riacho das Pedras (que já havia sido incluída no 2º critério);

    • Sede Distrital de Lagoa do Mato (que já havia sido incluída no 2º critério);

    • Projeto de Assentamento Saco de Belém.

    • Sede urbana do município de Santa Quitéria

    • Sede urbana do município de Itatira

O Mapa com a localização das Comunidades “Mais Relevantes encontra-se ne página 43, Volume 3, EIA.

O levantamento primário, junto a essas 29 comunidades ditas como as “Mais Relevantes”, foi realizado entre os dias 03 e 28 de julho de 2023 (Página 44, Volume 3, EIA). O estudo informa que realizou 24 entrevistas, sendo que não conseguiu contato com as comunidades de Barriguinha, Barro Vermelho, Boa Vista, Bola de Ouro, Fazenda Ponteira, Machadinho, Pajeú, Raposa e Santana (todas consideradas como AEL “Mais Relevantes”), ou seja, nove dentre as 29 selecionadas.

Neste ponto o estudo é confuso nos seguintes aspectos:

  1. No Anexo 9.3-6 Reuniões Públicas (documento SEI 17843138, página 3.878) consta que para o período citado (03 a 28 de julho de 2023) ocorreram apenas seis reuniões: Comunidade Sabonete (dia 04/07/2023), Comunidade Sapucaíba (24 e 25/07/2023), Prefeitura de Santa Quitéria, Itatira e Madalena (dias 26 e 27/07/2023) e Secretaria de Saúde de Santa Quitéria (06/07/2023). A maioria das reuniões informadas no Anexo foram feitas antes deste período.

  2. As 24 entrevistas ocorreram apenas em 14 comunidades (conforme apresentado no Quadro 11.3.2-3 - Entrevista nas Comunidades de Maior Relevância para o Diagnóstico Socioeconômico da Área de Estudo Local (AEL). Como o estudo informou que não havia conseguido contato com nove comunidades, restariam 20 para serem visitadas.

  3. O quadro (11.3.2-3) não mostra quantas pessoas compareceram nas reuniões e não foi encontrado nenhuma lista de participação nos anexos. Para algumas comunidades só há menção de que foi entrevistada uma pessoa (apenas a liderança).

  4. Não há evidências de utilização de metodologias participativas que possibilitem um diagnóstico adequado das condições dessas populações consideradas relevantes, são citadas apenas entrevistas semiestruturadas.

  5. Consta como metodologia aplicada para caracterização das 97 comunidades apenas o preenchimento de formulário de caracterização e registro fotográfico.

  6. A existência de comunidades tradicionais ou vulneráveis, conforme solicitado no item 136 do Termo de Referência (SEI 10653318) não foi tratada.

  7. Foram utilizados dados secundários de pesquisas de percepção realizadas em 2022 (anexo 11.3-2) e 2021 (anexo 11.3-1), porém o número de comunidades era muito menor e os documentos não individualizam os dados por comunidades.

Depreende-se disso que o estudo não demonstrou evidências sobre as reuniões realizadas que comporiam o levantamento primário para o Diagnóstico Socioeconômico da Área de Estudo Local.

Nesse contexto, observou-se também no item Comunicação Social, Veiculação de Notícias do Projeto e Reuniões Públicas que o número de reuniões públicas informado no estudo não corresponde ao que consta no Anexo 9.3-6 (Página 3878, SEI 17843138). Nesse anexo, há uma tabela com o nome da comunidade visitada e o cargo/função do entrevistado. Pelo que foi apresentado, apenas uma pessoa foi entrevistada e algumas comunidades foram repetidas. O documento é confuso e não pode ser considerado como evidência da realização dessas reuniões.

Para as comunidades consideradas como “menos relevantes”, foi elaborado um compilado de informações no documento SEI 17846016, página 404 (Anexo 11.3-5).

Com as informações obtidas nos levantamentos primário e secundário da AEL e AER, o estudo definiu as Áreas de Influência para o meio socioeconômico.

 

8.3. DIAGNÓSTICO DA ÁREA DE ESTUDO REGIONAL

Neste tópico, o EIA apresenta diversas informações oriundas de levantamentos primários e secundários, os quais são importantes para a contextualização territorial e sua relação com o empreendimento. Para este Parecer, no entanto, será considerado apenas as mais relevantes no que diz respeito a análise de viabilidade.

Como informado, a Escala Regional abordou os municípios com interfaces direta com o PSQ: Santa Quitéria, Itatira, Canindé e Madalena.

Quanto a Hierarquia Urbana e Polarizações, sobressaem os centros urbanos de Canindé e Santa Quitéria, considerados como Centros de Zona B conforme metodologia do IBGE que utiliza Regiões de Influência das Cidades Brasileiras (REGIC).

Já os centros urbanos de Itatira e Madalena são considerados como Centros Locais.

Quanto as Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias, o estudo informa que o município de Canindé tem papel destaque na região, sendo o polo da Região Geográfica Imediata de Canindé, que inclui os municípios de Itatira e Madalena.

Já Santa Quitéria está inserido na Região Geográfica Imediata de Sobral.

Quanto às condições de acesso e transporte, o EIA informa que a rodovia estadual CE-366 (que conecta a sede de Santa Quitéria ao empreendimento) tem 75 km de estrada não pavimentada, situação constatada durante as vistorias realizadas concomitantemente com as audiências públicas. Essa via começa na sede do município e termina em Lagoa do Mato (Página 64, Volume 3, EIA).

De acordo com o EIA, há uma rodovia que conecta Lagoa do Mato à sede do município de Itatira: CE-168. Apenas esse trecho da rodovia é pavimentado. O restante da rodovia (40 km), que liga Itatira à CE-257, não é pavimentado. Cabe lembrar que essa rodovia é rota dos caminhões que levarão água para o empreendimento durante a fase de implantação (34 meses). A CE-168 é de pista simples e sem acostamento (Página 66, Volume 3, EIA).

 

11.3.3.7. USO DA ÁGUA

O EIA traça o histórico da seca no Estado do Ceará e apresenta a Figura 11.3.3-46 para demonstrar o déficit de recarga hídrica nesses períodos de calamidade.

Entre 2012 e 2016 ocorreu a mais severa seca já registrada desde 1910. A gravidade da situação levou ao Estado “intensificar seus investimentos e estratégias para atenuar os impactos dos períodos de escassez” (página 170, Volume 3, EIA).

Umas das primeiras medidas adotadas foi a construção de açudes na região a partir de 1890. Em 2012 foi criado o Comitê Integrado de Combate à Seca e, em 2015, lançado o Plano Estadual de Convivência com a Seca.

Neste contexto, foi elaborado o Projeto Malha d’Água, o qual foi citado no item referente ao abastecimento de água neste Parecer.

O estudo ainda informe que (página 176, Volume 3, EIA):

As condições climáticas na Área de Estudo Regional são notavelmente marcadas pela imprevisibilidade das precipitações pluviométricas, temperaturas médias elevadas e taxas significativas de evapotranspiração, todas características típicas do semiárido nordestino. Essa realidade resulta em uma situação de escassez crônica ou baixa disponibilidade dos recursos hídricos, agravada pelo uso humano e pelas diversas atividades econômicas presentes na região.

Quanto aos usos e fontes de abastecimento hídrico na AER, os municípios estão localizados em duas diferentes Regiões de Planejamento: Sertão dos Cratéus (Santa Quitéria) e Sertão do Canindé (Canindé, Itatira e Madalena).

Na AER há três bacias hidrográficas: Bacia do Acaraú (Santa Quitéria - região do empreendimento e do Açude Edson Queiroz), Bacia do Curu (Itatira e Canindé) e Bacia do Banabuiú (Madalena).

O EIA apresenta o Mapa da Bacia Hidrográfica na página 177 do Volume 3. Em seguida, inicia-se a apresentação dos usos e formas de abastecimento em cada um dos municípios da AER.

A. SANTA QUITÉRIA

Está localizada na bacia hidrográfica do Acaraú.

O principal manancial para o abastecimento da cidade é o Açude Edson Queiroz.

Os dados secundários (oriundos da COGERH) utilizados no EIA são de 2021. Não há dados recentes sobre o açude Edson Queiroz.

Posteriormente, o estudo menciona novamente a elaboração da Nota Técnica nº1 da SRH exposta anteriormente nesse Parecer (infraestrutura de abastecimento de água).

Os volumes disponíveis para abastecimento público são alocados anualmente, “de maneira descentralizada e participativa por meio de Comitês que estão estruturados em instâncias participativas, onde são negociados e definidos os múltiplos usos dos recursos hídricos” (página 583, Volume 1, EIA).

O processo de alocação negociada da água é realizado anualmente sempre após a estação chuvosa do Ceará (entre fevereiro e maio), pois só após esse período é possível definir a disponibilidade hídrica de cada açude, em função da recarga de água armazenada. São realizados seminários nos quais é apresentado a situação atual e a simulação de esvaziamento dos açudes, avaliada a demanda, definida a vazão a ser liberada, e formada uma comissão de usuários de água para o acompanhamento da operação. As deliberações das reuniões são registradas em atas assinadas por seus participantes, constituindo um documento de referência oficial para a operação dos açudes (Nota Técnica nº 1/2021 - SRH, SEI 17846016, página 743).

A Nota Técnica nº 1/2021 - SRH (SEI 17846016, página 743) esclarece ainda que a partir de junho até dezembro a pluviometria não é expressiva a ponto de possibilitar recarga aos reservatórios monitorados.

B. ITATIRA

De acordo com o EIA, em 2012 foi construído o Açude João Guerra para suprir o abastecimento de água da população de Itatira. Entretanto não foi capaz de fazê-lo devido à seca de 2012-2016 (Página 186, Volume 3, EIA).

O açude João Guerra não consta no mapa da página 177 (Volume 3), o qual foi utilizado para demonstrar os corpos d’água da região.

Outro açude que abastece Itatira é o Umari (responsável também por abastecer Madalena). Este foi construído entre 2010 e 2011. Liga o açude até a sede de Madalena por meio de um sistema adutor. No entanto, nunca atingiu sua capacidade total, passando por longos períodos de seca (2015-2017) - Página 202, Volume 3, EIA.

C. CANINDÉ

Era abastecida pelo Açude Souza, localizado a 5 km da sede municipal. De acordo com o EIA, “devido aos baixos índices pluviométricos que tem afetado a região nos

últimos anos, o Açude Souza não tem tido participação efetiva no abastecimento de Canindé, com alguns anos sendo considerado, inclusive, como fora de operação” (Página 189, Volume 3, EIA).

O açude Souza não consta no mapa da página 177 (Volume 3), o qual foi utilizado para demonstrar os corpos d’água da região.

Atualmente, a principal fonte de abastecimento para Canindé é o Açude General

Sampaio, que atende ao município por meio de uma adutora. No entanto, também enfrenta desafios decorrentes da estiagem, resultando na redução anual de suas vazões devido às recargas insuficientes.

O açude General Sampaio não consta no mapa da página 177 (Volume 3), o qual foi utilizado para demonstrar os corpos d’água da região.

O estudo mostra a evolução das vazões aprovadas nas reuniões de alocação da Região Hidrográfica do Curu (Página 191, Volume 3, EIA). Observou-se que o EIA não se preocupou em mostrar esses mesmos dados para a RH do Acaraú.

D. MADALENA

O abastecimento de água é dependente de poços, sendo reforçado pelo aproveitamento dos açudes Marengo e Santa Catarina durante os períodos de estiagem. Outro açude é o Umari que abastece também a cidade de Itatira.

O açude Umari, diferente dos outros açudes, consta no mapa da página 177 (Volume 3), o qual foi utilizado para demonstrar os corpos d’água da região.

Quanto à identificação dos Projetos de Assentamentos (PA), o estudo não informou a situação (capacidade, número de famílias, ato de criação, fase de evolução dos assentamentos e tipologia do projeto) do PA Queimadas, comunidade identificada no próprio EIA como uma das mais impactadas, no Quadro 11.3.3-128 (Página 373, Volume 3, EIA), como o fez para os PAs federais.

O estudo ainda afirma que “nenhum dos projetos [de assentamento] em questão sofrerá impactos diretos do empreendimento”. Isso contradiz todo o diagnóstico socioeconômico realizado pelo empreendedor, o qual afirma que os PA Morrinhos, Queimadas, Saco de Belém e Umarizeira estão na AID.

Quanto ao item Patrimônio Cultural e Natural, o estudo erra ao caracterizar as Comunidades de Terreiro (dita como “locais de manifestação de religiões de matriz africana”) e Bezendeiras neste item, pois são considerados como Comunidades Tradicionais.

Esse erro só corrobora com a tentativa de apagamento da história desses povos tradicionais responsáveis pela preservação do patrimônio histórico da região. O item, portanto, deve ser refeito.

Quanto ao item Comunidades Tradicionais e Povos Indígenas, a consultoria responsável pelo EIA não se preocupou em buscar dados primários. Não foram realizadas entrevistas ou qualquer tipo de abordagem às comunidades (Página 431, Volume 3, EIA).

Neste contexto, a Funai, por meio do Ofício Nº 1226/2025/DPDS/FUNAI (23636708), solicita uma consulta específica junto as comunidades indígenas (diferente da consulta prévia, livre e informada nos termos da Convenção OIT nº 169), conforme diretrizes dos respectivos Protocolos de Consulta, com apoio da Coordenação Regional da Funai, a fim de reduzir o impacto negativo da geração de expectativas, evidenciado nas audiências públicas. Esse pedido já havia sido solicitado pelo órgão indigenista por meio do Ofício Nº 342/2025/DPDS/FUNAI (22404607) em 19/02/2025, porém não houve tempo hábil de realizá-las devido à realização das audiências públicas.

Portanto, o empreendedor deverá realizar trabalho de campo junto às comunidades indígenas, com acompanhamento de antropólogo, utilizando ferramentas como etnomapeamento e etnozoneamento, de modo a trazer elementos técnicos adicionais ao processo e que possam contribuir para análise da viabilidade do PSQ.

Tal demanda se deve também pela não consideração das terras tradicionalmente ocupadas pelos indígenas (“as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições” – art. 231, §1º da Constituição Federal). O EIA só considerou “pontos” (aldeias), assim como o fez ao apresentar a Área de Influência Direta.

A complementação do estudo também deverá apresentar informações atualizadas sobre o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da Terra Indígena (TI) Serra das Matas, inclusive com sua representação territorial (etnomapeamento). A TI está localizada nos municípios de Monsenhor Tabosa, Santa Quitéria, Boa Viagem, Tamboril e Catunda, onde habitam os povos Potiguara, Gavião, Tabajara e Tubiba-Tapuia.

Quanto ao item Comunidades Remanescentes de Quilombos, o Ibama aguarda a manifestação técnica conclusiva do Incra.

Quanto ao item Relação de Dependência da População com os Recursos Ambientais, o EIA afirma que “fica evidente que as populações descritas não possuem dependência direta dos recursos naturais que serão interferidos e utilizados pelo Projeto Santa Quitéria durante as etapas de implantação e operação” e que “o PSQ não fará uso de recursos que afetarão a dinâmica socioambiental das populações descritas ao longo do presente estudo”. Ora, essa afirmação, paradoxalmente, vai de encontro com os impactos identificados na avaliação de impacto ambiental realizada pelo próprio empreendedor, por meio de sua consultoria (Página 454, Volume 3, EIA).

 

8.4. DIAGNÓSTICO DA ÁREA DE ESTUDO LOCAL

A metodologia utilizada para aferição da Área de Estudo Local (AEL) foi definir três critérios de seleção das comunidades “que possuem alguma relação com os recursos ambientaisque serão utilizadas pelo empreendimento. Embora o EIA não especifique, há um quarto critério tácito que engloba comunidades que são “referências populacionais na região do empreendimento”. Neste critério adiciona-se as sedes municipais de Santa Quitéria e Itatira. Com essa metodologia, foram encontradas 97 comunidades (Página 455, Volume 3, EIA).

Destas houve nova seleção, “por conta da possível relação com o empreendimento”. Então, a mesma metodologia é aplicada novamente, com os mesmos critérios, para definir as “Localidades de Maior Relevância”. De 97, caiu para 29 o número de comunidades afetadas, ou seja, todas as outras 68 (que antes havia relação com os recursos ambientais impactados pelo empreendimento, e assim se diferenciavam de outras comunidades mais afastadas por, justamente, estarem nesta condição) foram colocadas com AER e posteriormente transformadas em Área de Influência Indireta, equiparando-se a localidades mais distantes que serão impactadas de forma mais residual.

Critério

Delimitação de área

Comunidades

1

Buffer de 5 km do empreendimento (diferente do que foi definido nas áreas de influência do meio biótico e físico)

  • PA Morrinhos

  • PA Queimadas

  • Cantina

  • Pajeú

  • Barriguinha

  • Quixaba

  • Fazenda Ponteira

  • Fazenda Tapera

2

Fluxo de veículos na CE-366 (somente entre a Fazenda Itataia e Macaoca)

  • Raposa

  • Fazenda Oriente/Novo Oriente

  • Mourão

  • Lagoa do Mato

  • São Joaquim

  • PA Umarizeira

  • Boa Vista

  • Bola de Ouro

  • Poço de Pedra

  • Machadinho

  • Barro Vermelho

  • Santana

  • Sabonete

  • Macaoca

3

Recursos hídricos que serão interferidos pelo empreendimento (rio Groaíras e Açude Edson Queiroz

  • São Cosme

  • São Damião

  • Santa Margarida

4

Localidades mais adensadas e que podem ser locais preferenciais para obtenção de serviços básicos, insumos e mão de obra.

  • Lagoa do Mato

  • Riacho das Pedras,

  • PA Saco de Belém,

  • Sede municipal de Santa Quitéria

  • Sede municipal de Itatira

O EIA informa que realizou levantamento primário com lideranças entre os dias 03 e 28 de julho de 2023. De acordo com o documento, as entrevistas nas localidades foram conduzidas com representantes de associações e com lideranças comunitárias.

Entretanto, como já analisado neste Parecer (Definição das Áreas de Estudo e Aspectos Metodológicos), não foram encontradas evidências dessas reuniões, nem lista de presença. Para o período entre 03 e 28 de julho de 2023 ocorreram apenas seis reuniões.

Além disso, para a análise de percepção socioambiental, o EIA considerou apenas os dados levantados em 2021 (época de pandemia), quando o estudo ambiental não havia abordado todas as comunidades impactadas e selecionadas como AID no atual EIA.

No item 11.3.4.1 Contextualização dos Atributos Geográficos e Físicos da Área de Estudo Local, o estudo é inconclusivo quanto a aferição dos impactos de efluentes gasosos e material particulado.

O transecto, utilizado para verificar as barreiras naturais no entorno do empreendimento, não é capaz de concluir que não haverá impacto nas regiões adjacentes às mesmas. O empreendimento é maior que os limites das serras indicadas. No mapa de perfil topográfico da página 482 (Volume 3, EIA), por exemplo, é possível constatar que a rodovia CE-366 passa justamente entre as serras, indo em direção à Lagoa do Mato.

Com relação as caracterizações das “localidades” do município de Santa Quitéria, o estudo separa novamente as comunidades nos critérios de seleção (1º, 2º e 3º).

O diagnóstico realizado das comunidades possui dados genéricos da população residente. O número de moradores levou em consideração a quantidade de domicílios e, posteriormente, multiplicou-se por três para se estimar o total de habitantes (Página 513, Volume 3, EIA).

Além disso, há dados conflitantes no estudo. Por exemplo, na página 364 do Volume 3, o EIA informa que o PA Saco de Belém possui 220 família, em seguida, na página 575 do mesmo volume, a informação é que há 93 domicílios e população estimada de 279 residentes. Destarte, essa disparidade encontrada põe em dúvida a confiabilidade dos dados.

A maioria das fotos apresentadas no EIA são de fora das comunidades, em área pública. Além disso, algumas não possuem informações quanto a cultivos, saúde, educação e percepção socioambiental. Depreende-se, portanto, que não foi realizado diagnóstico participativo junto às comunidades impactadas e selecionadas como AID, impedindo a análise mais detalhada deste item por parte do Ibama.

A produção de mel foi apontada como atividade econômica em 10 (dez) comunidades (PA Morrinhos, Fazenda Tapera, São Damião, Santa Margarida, Riacho das Pedras, PA Saco de Belém, Lagoa do Mato, Mourão, Poço de Pedra, Macaoca). Apesar disso, o EIA não apresentou maiores informações quanto ao monitoramento dos impactos causados às abelhas na região. Essas atividades ocorrem bem próximas ao empreendimento (4,4 km no caso do PA Morrinhos).

Além da produção de mel, foram identificadas criações de bovinos, caprinos, ovinos e suínos nas comunidades que foram visitadas no estudo.

Ainda assim, nas considerações finais do item OBJETIVOS E JUSTIFICATIVAS DO EMPREENDIMENTO ao citar as ações e os programas executados pelo consórcio, o estudo informa que o Programa de Monitoração Radiológica Ambiental Pré Operacional (PMRA-PO) monitora:

  • A qualidade da água superficial e subterrânea;

  • Sedimentos, solo e vegetação;

  • Peixes;

  • Ar;

  • Produtos agropecuários: feijão, milho, ovo, leite e pasto.

Esse programa foi desenvolvido para “mapear o background da região para futuras comparações com os dados operacionais” (Página 89, Volume 1, EIA). Nota-se que não há previsão de monitoramento de outros animais da região que foram citados acima e nas Audiências Públicas, como abelhas, morcegos, caprinos, bovinos etc. O documento Parecer Técnico Científico UFC – VF (SEI 23048801) enfatiza a preocupação com riscos de contaminação da cadeia produtiva do mel, de relevância na região e para a renda de comunidades e grupos vulneráveis.

Na página 158 (Volume 1, EIA), o estudo afirma que o PMRA-PO “não avalia os riscos radiológicos e ambientais, mas sim mede a radiação de background da região para futuras comparações entre o background e o operacional”. Este programa está em execução desde setembro de 2022.

Sobre a percepção ambiental nas comunidades, foram utilizados dados de uma pesquisa realizada em 2021 no âmbito de outro estudo ambiental. Além disso, a mesma foi realizada em período de isolamento social devido a pandemia de coronavírus.

Na época, a pesquisa identificou e coletou informações de apenas cinco comunidades (PA Morrinhos, PA Saco do Belém, Queimadas, Riacho das Pedras e Distrito de Lagoa do Mato).

Lagoa do Mato seguramente é uma das comunidades mais afetadas, devido sua proximidade com o empreendimento (11,6 km) e possibilidades de obtenção de serviços. O Distrito possui 7.538 habitantes. Causa preocupação a falta de infraestrutura hospitalar nessa localidade.

O Açude Edson Queiroz é utilizado pelas comunidades de São Damião, São Cosme e Santa Margarida para realização de atividade pesqueira e de irrigação para produção agropecuária. Sendo, portanto, um açude capaz de gerar renda e bem estar para uma população de, ao menos, 1100 moradores, de acordo com a população estimada que consta no EIA.

Mesmo reconhecendo o problema de escassez de água na região e a relevância do açude Edson Queiroz para as comunidades em seu entorno (Página 684, Volume 3, EIA), ao definir a Área de Influência Direta, o EIA as desconsiderou por completo.

 

ANÁLISE INTEGRADA

A análise integrada dos dados obtidos no diagnóstico ambiental, com vistas a caracterizar a área de estudo de forma global, foi realizada no EIA tomando-se o conceito de sensibilidade ou vulnerabilidade socioambiental, por meio da construção de mapa síntese com a espacialização dessa sensibilidade/vulnerabilidade considerando a sobreposição normalizada de indicadores para determinadas variáveis ambientais.

 

9.1. METODOLOGIA

As variáveis utilizadas foram selecionadas entre aquelas avaliadas e/ou identificadas nos diagnósticos socioambientais que representavam importantes componentes do meio físico, biótico ou socioeconômico. Para cada variável foi designado um indicador de sensibilidade socioambiental. Após selecionados os indicadores para cada meio, foram atribuídas classes de sensibilidade (desde nula ou muito baixa até muito alta sensibilidade) e cores para apresentá-los espacialmente em mapa. Com intuito de possibilitar a integração de informações de diferentes meios, foram atribuídos também valores às classes de sensibilidade, de modo a normalizar os dados. Quanto mais alta a sensibilidade, maior foi o valor atribuído. Posteriormente, para fazer a ponderação dos indicadores, foram dados pesos a cada um, de acordo com a importância atribuída na caracterização da qualidade ambiental da área. Os pesos podem variar de 0,1 a 1, sendo maior quanto mais importante for um indicador na descrição da qualidade ambiental da área de interesse. O EIA ressalta que a seleção dos indicadores, a designação das classes de sensibilidade e dos pesos foram feitas pelos profissionais especialistas que participaram da elaboração dos diagnósticos dos meios físico, biótico e socioeconômico, com base em sua percepção e experiência.

O EIA contém os passos metodológicos e os valores atribuídos para normalização das classes dos indicadores/classes de sensibilidade e pesos dos indicadores para ponderação. O processamento matemático das informações foi realizado pelo método de classificação por Quebra Natural (Método de Jenks), incorporado no software ArcGis.

 

9.2. RESULTADOS

Em relação ao meio físico, as variáveis e respectivos indicadores de sensibilidade ambiental são:

  • Estruturas Geológicas e Tipos de Rochas -> Sensibilidade a Contaminação das águas subterrâneas;

  • Interpolação dos Lineamentos, segundo seu tamanho -> Sensibilidade a Contaminação das águas subterrâneas;

  • Drenagens -> Sensibilidade a Contaminação das águas subterrâneas;

  • Tipos de Solos -> Sensibilidade a Contaminação das águas subterrâneas e do solo;

  • Declividade -> Sensibilidade a propagação da Contaminação;

  • Hipsometria -> Sensibilidade a Contaminação das águas subterrâneas;

  • Unidade Geotécnicas -> Suscetibilidade a movimentação de massas;

  • Susceptibilidade a assoreamento e carreamento do solo -> Fragilidade a erosão;

  • Ruído nos pontos receptores críticos -> incômodos à população.

A partir da compilação dos indicadores do meio físico, foi elaborado o Mapa de Sensibilidade do Meio Físico, que apresenta a distribuição dessa informação na AII e AID. De modo geral, predomina a suscetibilidade ambiental média, que ocupa cerca de 55% da AII, seguida pela classe de baixa suscetibilidade, com aproximadamente 20% da área. As áreas de suscetibilidade média estão amplamente distribuídas pelas planícies da depressão sertaneja, enquanto as de baixa e muito baixa suscetibilidade – que representam conjuntamente 13% – concentram-se principalmente nas serras e colinas do planalto sertanejo.

As regiões classificadas com alta suscetibilidade representam 19% da área, localizando-se preferencialmente em áreas de baixa declividade, solos arenosos ou com pouca espessura, e setores marcados por fraturas, falhamentos e presença de drenagens. Já as áreas com muito alta suscetibilidade são mais restritas, abrangendo apenas 1% AII. Estas estão associadas principalmente a açudes, grandes canais de drenagem, e regiões com ocorrência de cavidades cársticas, concentradas nos terços médios das colinas do planalto sertanejo e nas rochas metacarbonáticas – que abrigam cerca de 83% das cavidades mapeadas.

Dessa forma, a AID apresenta, em sua maioria, uma suscetibilidade de média a baixa (cerca de 80% do território), enquanto áreas com alta a muito alta suscetibilidade somam 20%, concentrando-se principalmente na porção oeste/sul da região.

Na Área de Influência Direta Ampliada (ADA), os padrões se alteram: a suscetibilidade média aumenta significativamente, abrangendo 72,1% da área. Já as classes de suscetibilidade baixa e muito baixa quase desaparecem, somando apenas 0,07%. As áreas de alta e muito alta suscetibilidade mantêm proporções semelhantes àquelas da AII, com 26,7% e 1,0%, respectivamente. Essa mudança está relacionada à maior presença de áreas com baixa declividade na ADA, maior concentração de rios e açudes, e à atuação de processos cársticos.

O texto apresenta os dados de forma descritiva, mas carece de uma análise mais aprofundada sobre implicações ambientais, principalmente nas zonas com alta e muito alta suscetibilidade.

Em relação ao meio biótico, as variáveis e respectivos indicadores de sensibilidade ambiental são:

Variável

Indicador de Sensibilidade

Cobertura Vegetal e Uso do Solo

Sensibilidade da Cobertura Vegetal

Zona de Efeito de Estradas (qualidade do Hábitat)

Qualidade do Hábitat

Zona de Efeito de Estradas (colisão de veículos com a fauna)

Colisão de Veículos com a Fauna

Área de Preservação Permanente

Funções Ecológicas Relacionadas à Faixa de Proteção de Corpos D’água

Biodiversidade

Classificação dos Polígonos Probio (APCBios)

Índice de Riqueza de Espécies Vertebrados e Invertebrados

Número de Espécies

Espécies Ameaçadas

Presença de Espécies Ameaçadas

Cavidades

Área de Influência Espeleológica

 

COBERTURA VEGETAL E USO DO SOLO

Nesse item, no EIA constam o “Quadro 12-20: Sensibilidade da Cobertura Vegetal e Uso do Solo” (EIA, página 25 do Volume IV – SEI nº 17843043) e o Mapa 12.2-17 (EIA, pág. 26 do Volume IV – SEI nº 17843043) contemplando a “Cobertura Vegetal e Uso do Solo” e a “Sensibilidade da cobertura vegetal”. As classes de sensibilidade mapeadas pelo EIA variaram de: muito baixa, para as categorias “solo exposto”, “usos antrópicos” e “agricultura”; até a classe de sensibilidade muito alta, para a “Savana Estépica Florestada Arbóreo-arbustiva Fechada” e “Savana Estépica Florestada Arbóreo Densa”.

No EIA (Volume IV) são apresentados os mapas da “Área de Preservação Permanente” e de “Sensibilidade das funções ecológicas relacionadas à faixa de proteção de corpos d’água”, de acordo com esse último mapa, as áreas de preservação permanente (APPs) são consideradas de sensibilidade muito alta.

Foram identificados o uso de trechos das margens de cursos d’água, na Área de Influência Direta (AID) do Projeto Santa Quitéria, para a prática agrícola conhecida como “sequeiros”. Entretanto, o EIA ressaltou que a “degradação das características ambientais originais de APPs não as desqualificam como áreas legalmente protegidas”. Assim, como observado no diagnóstico do tema flora do EIA, a avaliação da cobertura vegetal e uso do solo

A partir da compilação dos indicadores do meio biótico, foi elaborado o Mapa de Sensibilidade do Meio Biótico, que apresenta a distribuição dessa informação na AII e AID. De modo geral, as áreas de maior sensibilidade do meio biótico estão relacionadas à presença de vegetação mais desenvolvida e Áreas de Preservação Permanente (APPs) de rios e córregos e se encontram mais distantes das estradas e rodovia. As áreas de sensibilidade baixa são aquelas recobertas por formações mais abertas, notadamente, a savana estépica arbustiva aberta e as áreas mais próximas às rodovias, o que é compatível com a ideia que os efeitos ecológicos das estradas são relevantes para a qualidade do hábitat. A sensibilidade das áreas aumenta num gradiente desde as margens das estradas, em direção às áreas mais interiores, onde os efeitos deletérios das rodovias já não atuam contundentemente sobre a qualidade ambiental e onde ocorrem trechos de savana estépica florestada arbustiva fechada e arbóreo arbustiva aberta, classificadas como de alta sensibilidade. As pistas de rolamento das estradas também são consideradas áreas de média ou alta sensibilidade devido ao risco de atropelamento, que é um importante fator de mortalidade para a fauna. Destaca-se ainda como áreas de muito alta sensibilidade, as áreas de influência espeleológica das cavidades presentes na Fazenda Itataia, representando a importância do patrimônio espeleológico e a fragilidade intrínseca destes sistemas.

Os resultados são coerentes com a presunção de que nos trechos de maior sensibilidade os processos ecológicos estão relativamente mais preservados e as áreas contínuas de vegetação nativa constituem hábitats apropriados para muitas espécies ameaçadas e de interesse conservacionista, como aquelas registradas pelo diagnóstico. A conservação da Biodiversidade é crítica na quase totalidade da AID, pois está se encontra inserida em polígono PROBIO de CA 034 (APCB Itatira Sul) importância biológica e prioridade de ação muito altas.

 

MEIO SOCIOECONÔMICO

Tendo em vista a necessidade de reelaboração do diagnóstico do Meio Socioeconômico, será necessário reapresentar a análise ambiental integrada quanto a este meio.

 

IDENTIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS

A avaliação dos impactos ambientais referentes aos meios físico, biótico e socioeconômico seguiu metodologia em que a identificação dos impactos foi realizada para todas as etapas do projeto (planejamento, implantação, operação e desativação), avaliando-se Grau de significância; Sensibilidade dos meios abiótico, biótico e antrópico, levando-se em conta os diversos fatores (ou) componentes ao alcance de cada impacto; Representatividade de cada impacto frente à pressão das atividades do projeto sobre o meio ambiente; Importância qualitativa dos impactos identificados em relação ao fator ambiental, considerando a relevância conferida a cada um deles.

No EIA, os impactos identificados foram separados de acordo com a fase do empreendimento (fase de planejamento, fase de implantação, fase de operação e fase de desativação) para cada um dos meios (físico, biótico e socioeconômico). Adicionalmente, há uma avaliação dos efeitos sinérgicos e cumulativos resultantes dos impactos ambientais do projeto com a infraestrutura de água, acessos rodoviários e energia, sob responsabilidade do Governo do Estado do Ceará.

Para avaliação dos impactos ambientais considerou-se os seguintes critérios: Natureza (positivo negativo); Ordem (direto, indireto); Abrangência Espacial (local, municipal, regional, nacional, global); Prazo de Ocorrência (imediato, médio prazo, longo prazo); Duração (permanente, temporário); Reversibilidade (reversível, irreversível); Probabilidade de Ocorrência (certa, provável); Magnitude (ou intensidade) (muito alta, alta, média, baixa); Relevância (ou importância) (muito alta, alta, média, baixa); Efeito (cumulativo, sinérgico). A metodologia utilizada foi aquela em que aos aspectos são atribuídos valores matemáticos de acordo com sua maior ou menor influência ambiental, sendo posteriormente determinado por combinação de somas e produtos o valor da significância do impacto ambiental.

Como resultado dessa análise, propõe-se medidas de controle, mitigadoras, de monitoramento, de recuperação ou compensatórias para os impactos significativos identificados, bem como potencializadoras, quando seus efeitos são positivos.

O estudo relaciona as seguintes atividades/ações associadas ao planejamento, à implantação, à operação e à desativação do empreendimento, capazes de gerar impactos ambientais: divulgação de informações sobre o empreendimento; intervenções em encostas; remoção de vegetação; movimentação de solo; terraplenagem; abertura e melhoria de acessos internos; implantação das instalações industriais e de apoio e implantação de sistemas de controle ambiental; movimentação de máquinas e equipamentos; manutenção de máquinas e equipamentos; operação de posto de abastecimento, oficina mecânica e outras infraestruturas de apoio; mobilização de pessoal; disposição de material estéril em pilha; disposição de fosfogesso e cal em pilha; desenvolvimento de lavra a céu aberto; beneficiamento do minério; operação das estruturas de apoio; manutenção e intervenção nos acessos internos; rebaixamento do nível d’água do aquífero fraturado; detonações; contratação e treinamento de mão de obra permanente; aquisição de equipamentos, insumos e serviços; desativação da operação de lavra; desativação da operação da pilha de estéril; desativação das lagoas de tratamento de contaminantes; desativação do sistema de contenção de sedimentos (diques e sumps); desmobilização das instalações industriais e de infraestrutura e operação das estruturas de apoio; recuperação de áreas degradadas.

Foram identificados 67 impactos ambientais, sendo 26 sobre o meio físico, 10 sobre o meio biótico e 31 sobre o meio socioeconômico. Destes impactos identificados, dois ocorrem na fase de planejamento (meio socioeconômico), 31 na fase de instalação (10 para o meio físico, seis para o meio biótico e 15 para o meio socioeconômico), 21 na fase de operação (nove para o meio físico e dois para o meio biótico e 10 para o socioeconômico) e 13 para a fase de desativação (sete para o meio físico, dois para o meio biótico e quatro para o socioeconômico).

A Matriz Síntese de Impactos Ambientais está apresentada no EIA com os impactos ambientais identificados, meio afetado, atividade causadora, aspecto ambiental, fator ambiental impactado, instalação, a valoração dos critérios dos impactos, a fase de ocorrência, as medidas mitigadoras e/ou potencializadoras dos impactos, bem como os planos e programas ambientais associados a cada um dos impactos, e por fim a reavaliação da relevância considerando a implantação dos planos e programas.

 

10.1. IMPACTOS SOBRE O MEIO FÍSICO

De acordo com o Estudo, os impactos ambientais do meio físico da fase de planejamento foram restritos à etapa de pesquisa mineral (levantamentos geológicos, geofísicos e geoquímicos, sondagens, amostragens sistêmicas, entre outros), tendo sido a maioria desses trabalhos realizados há mais de uma década, de modo que nesse momento os impactos foram considerados insignificantes, não sendo avaliadas no EIA. Considerando as fases de implantação, operação e desativação, o Estudo identificou os seguintes impactos ambientais relacionados ao meio físico, os quais são sintetizados no Quadro em sequência:

Fase de implantação

Fase de Operação

Fase de Desativação

Alteração da Dinâmica Geomorfológica dos Terrenos

Alteração da Dinâmica Geomorfológica dos Terrenos

Alteração da Dinâmica Geomorfológica dos Terrenos

Alteração da Dinâmica de Recarga de Aquíferos

Alteração da Dinâmica de Recarga de Aquíferos

Alteração Físico-Químicas do Solo e das Águas Subterrâneas

Alterações Físico-químicas no Solo e nas Águas Subterrâneas

Alterações Físico-químicas no Solo e nas Águas Subterrâneas

Alteração do Regime de Escoamento das Águas Superficiais

Alteração do Regime de Escoamento das Águas Superficiais (devido à geração de sedimentos)

Alteração da Disponibilidade Hídrica Subterrânea

Alteração da Qualidade das Águas Superficiais e dos Sedimentos

Alteração do Regime de Escoamento das Águas Superficiais (devido à alteração da configuração da rede hidrográfica)

Alteração da Qualidade das Águas Superficiais e dos Sedimentos

Alteração dos Níveis de Ruído em Áreas Ocupadas

Alteração na Qualidade das Águas Superficiais e dos Sedimentos

Alteração dos Níveis de Ruído em Áreas Ocupadas

Alteração dos Níveis de Vibração no Solo

Alteração dos Níveis de Ruído em Áreas Ocupadas

Alteração dos Níveis de Vibração no Solo

Alteração da Qualidade do Ar

Alteração dos Níveis de Vibração no Solo

Alteração da Qualidade do Ar

 

Alteração da Qualidade do Ar

Comprometimento do Patrimônio Espeleológico

 

Comprometimento do Patrimônio Espeleológico

 

 

O impacto ambiental identificado como Alteração da Dinâmica Geomorfológica dos Terrenos está previsto para ocorrência nas fases de implantação, operação e desativação, em razão de intervenções em encostas, terraplenagem, abertura de acessos, disposição de material estéril em pilha, disposição de fosfogesso e cal em pilha, desenvolvimento e desativação da lavra a céu aberto, bem como desativação das demais estruturas do empreendimento. Esse impacto ocorre sobre aspecto da alteração topográfica, exposição de solo e maciços de rocha com graus elevados de alteração e fragmentação, consolidação de paisagem antrópica, geração de processos de instabilização de encostas e taludes e aumento de erosão. Na fase de implantação trata-se de um impacto negativo, direto, local, imediato, temporário, reversível, de probabilidade de ocorrência certo e de baixa magnitude, considerando-se que as intervenções se darão em área de baixa a média suscetibilidade a movimentações de massa. Na fase de operação, esse impacto foi classificado como negativo, direto, local, de prazo de ocorrência médio, temporário, reversível, de probabilidade de ocorrência provável e de magnitude média. Já para a fase de desativação, os atributos classificados como negativo, direto, local, imediato, temporário, reversível, provável e de magnitude média.

Considerando as três fases, há 17 medidas propostas para evitar ou minimizar esse impacto ambiental, sendo que algumas são comuns entre as fases, envolvendo desde monitoramento geotécnico, medidas de engenharia, drenagem e recuperação de vegetação. Além dessas medidas, as ações estabelecidas para a para a execução das medidas apresentas estão contempladas no Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos e Assoreamento, Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), Programa de Controle e Monitoramento de Estabilidade de Encostas Naturais e Taludes, Programa de Controle Ambiental das Obras e Plano de Descomissionamento.

Em relação aos atributos, não parece razoável classificar um impacto ambiental associado a modificações geomorfológicas, características de processos minerários dessa dimensão, como sendo de ocorrência provável e de reversibilidade reversível. Entende-se que esses impactos têm ocorrência certa e, sob ponto de vista mais conservador, são irreversíveis.

No referente ao impacto ambiental Alteração da Dinâmica de Recarga de Aquíferos, tem-se que sua ocorrência está prevista para as fases de implantação e de operação do empreendimento, como consequência das atividades de remoção de vegetação, implantação das instalações industriais e de apoio, implantação de sistemas de controle ambiental, disposição de estéril em pilha, disposição de fosfogesso e cal em pilha, desenvolvimento de lavra a céu aberto, beneficiamento do minério, operação das estruturas de apoio. Essas atividades promovem a geração de áreas impermeabilizadas, reduzindo as áreas naturais de infiltração, acarretando a na redução da recarga de água dos aquíferos. Nas duas fases do empreendimento, esse impacto ambiental foi classificado como negativo, direto, local de ocorrência imediata, duração permanente, irreversível, de probabilidade de ocorrência certa e magnitude baixa. As medidas propostas para mitigação são reafeiçoar terrenos quando necessário; realizar plantio de cobertura vegetal de acordo com o uso da área, a fim de aumentar a retenção de água; e instalar dispositivos hidráulicos e sistema de drenagem provisório (canaletas, bacias de contenção, saídas d’água, terraços). Essas medidas estão contempladas no Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD).

O impacto identificado como Alterações Físico-químicas no Solo e nas Águas Subterrâneas também tem ocorrência em múltiplas fases (implantação, operação e desativação), sendo derivado da geração de efluentes, geração de resíduos e geração de sedimentos nas atividades de implantação das instalações industriais e de apoio, manutenção de máquinas e equipamentos, operação de posto de abastecimento, oficina mecânica e outras infraestruturas de apoio, terraplenagem, disposição de estéril em pilha, disposição de fosfogesso e cal em pilha, desenvolvimento de lavra a céu aberto, beneficiamento do minério, desativação da operação de lavra, desativação da operação da pilha de estéril, desativação das lagoas de tratamento de contaminantes, desativação do sistema de contenção de sedimentos (diques e sumps), desmobilização das instalações industriais e de infraestrutura e operação das estruturas de apoio, recuperação de áreas degradadas. Esse impacto está avaliado como negativo, direto, local, imediato, temporário, reversível, de probabilidade de ocorrência provável e de magnitude baixa para as fases de implantação e operação e média para a fase de desativação.

Há 20 medidas previstas para mitigação desse impacto, distribuídas nas três fases do empreendimento, sendo geralmente de impermeabilização de áreas de atividade onde há geração efluentes; monitoramento (amostragem/ensaios); execução de atividades e implantação de estruturas seguindo normas técnicas e técnicas adequadas de engenharia; utilização de kits de emergência para contenção de derrames; entre outras. As ações necessárias para a execução das medidas apresentas estão contempladas no Programa Controle Ambiental das Obras, Programa de Controle e de Monitoramento da Qualidade dos Solos, Programa de Monitoramento da Dinâmica e da Qualidade das Águas Subterrâneas, Programa de Gestão de Resíduos Sólidos, Programa de Gestão de Efluentes Líquidos, Programa de Recuperação de Áreas Degradadas e Plano de Descomissionamento.

Alteração do Regime de Escoamento das Águas Superficiais é previsto para as fases de implantação e desativação do empreendimento. Na fase de implantação esse impacto ambiental é devido à geração de sedimentos e à alteração da configuração da rede hidrográfica (desvios de trechos de drenagens superficiais do entorno da futura área industrial e pilha de fosfogesso e cal), em atividades de terraplanagem, implantação das instalações industriais e de apoio, remoção da vegetação, abertura e melhoria de acessos internos. É impacto negativo, direto, local, imediato e de magnitude média, sendo temporário, reversível e provável para a questão da geração de sedimentos, e permanente, irreversível e de probabilidade de ocorrência certa quando em relação à alteração da rede hidrográfica.

Durante a fase de desativação do empreendimento algumas atividades poderão ocasionar, direta ou indiretamente, o carreamento de sedimentos, o que potencialmente pode acarretar o assoreamento cursos d’água e, consequentemente, a alteração do regime de escoamento das águas superficiais (desativação da operação de lavra, desativação da operação da pilha de estéril, desativação das lagoas de tratamento de contaminantes, desativação do sistema de contenção de sedimentos, desmobilização das instalações industriais e de infraestrutura e operação das estruturas de apoio, recuperação de áreas degradadas). Os pontos de maior criticidade são todas as áreas que sofrerão intervenção para recuperação ambiental e adequação das áreas conforme usos futuros que forem propostos. Estas áreas deverão ficar com suas superfícies expostas para recuperação, podendo se tornar fontes de sedimentos. Nessa fase, o impacto ambiental está classificado como negativo, direto, local, imediato, temporário, reversível, provável e de magnitude alta.

Quanto às medidas mitigadoras e programas ambientais associados, há nove para a fase de implantação, as quais se aplicam também à fase de desativação, estando contempladas no Programa de Monitoramento de Processos Erosivos e Assoreamento, Programa de Controle Ambiental das Obras, Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), no Programa de Monitoramento da Qualidade das Águas Superficiais e dos Sedimentos e Plano de Descomissionamento.

A Alteração da Disponibilidade Hídrica Subterrânea é impacto identificado no EIA para ocorrência apenas na fase de operação do empreendimento, como consequência do desenvolvimento de lavra a céu aberto e rebaixamento do nível d’água do aquífero fraturado, ocasionando redução de vazões em poços do entorno e redução das vazões de base de drenagens superficiais afetadas. Segundo o EIA, medidas das cargas hidráulicas em períodos distintos, entre 1986 e 2021, sugerem sazonalidade do nível da água subterrânea no local do empreendimento. Ainda assim, não é descartada a possibilidade de interceptação do nível d’água na área da cava, após 10 a 15 anos de operação da mina, considerando evolução do Plano de Lavra da Mina do PSQ, podendo provocar alteração da disponibilidade hídrica subterrânea. Esse impacto ambiental está classificado como negativo, direto, regional, de ocorrência de longo prazo, temporário, reversível, de probabilidade de ocorrência provável e de magnitude média. Trata-se ainda de um impacto cumulativo e sinérgico, com grau de relevância alta. Há cinco medidas mitigadoras desse impacto ambiental inseridas no Programa de Monitoramento da Dinâmica e da Qualidade das Águas Subterrâneas.

Segundo consta no EIA, a água armazenada na cava, após decantação dos sólidos nos diques de finos será utilizada para sistema de umectação dos arruamentos e pilhas de minério. Porém não há uma avaliação quanto ao volume dessa água, considerando ainda que, uma vez iniciado o rebaixamento do lençol freático, o bombeamento deverá ser contínuo, não estando claro como se dará destinação ao eventual excesso de água explotada.

Com relação ao impacto Alteração na Qualidade das Águas Superficiais e dos Sedimentos, novamente se tem um impacto ambiental identificado como de ocorrência nas três fases do empreendimento (implantação, operação e desativação). Esse impacto está associado com geração de sedimentos, geração de efluentes e geração de resíduos sólidos, em razão das atividades de terraplanagem, limpeza do terreno, remoção de vegetação, abertura e melhoria de acessos internos, implantação das instalações industriais, operação de posto de abastecimento, oficina mecânica e outras infraestruturas de apoio, desenvolvimento de lavra a céu aberto, beneficiamento do minério e movimentação de máquinas e equipamentos, desativação da operação de lavra, desativação da operação da pilha de estéril, desativação das lagoas de tratamento de contaminantes, desativação do sistema de contenção de sedimentos (diques e sumps), desmobilização das instalações industriais e de infraestrutura e operação das estruturas de apoio, recuperação de áreas degradadas.

As alterações na qualidade das águas superficiais são passíveis de ocorrer devido, principalmente, ao aporte de cargas difusas transportadas pelos sedimentos e por cargas de origem pontual, representadas por resíduos sólidos e efluentes líquidos, gerados pelas obras de implantação e de desativação e durante a operação das atividades minerárias e processos industriais. Nas fases de implantação e de operação, esse impacto está classificado como negativo, direto, de abrangência regional, imediato, temporário, reversível e provável, com magnitude alta e relevância média. Na fase de desativação, há diferenças quanto à origem (indireto), abrangência (local), magnitude (média) e relevância (baixa).

Quanto às medidas mitigadoras, nas fases de implantação e operação há apenas três medidas de caráter genérico descritas na seção. Na fase de desativação são seis medidas propostas, de caráter mais executivo quanto aos procedimentos a serem realizados. Os seguintes programas ambientais estão associados ao controle desse impacto ambiental: Programa de Monitoramento da Qualidade das Águas Superficiais e dos Sedimentos, Programa de Gestão de Resíduos Sólidos, Programa de Gestão de Efluentes Líquidos, Plano de Descomissionamento e Programa de Recuperação de Áreas Degradadas.

Segundo princípio, o empreendimento operará em circuito fechado e não há previsão de liberação de efluentes líquidos em cursos d’água, entretanto, não há clareza com relação ao destino de águas oriundas de eventual rebaixamento do lençol freático na área da cava, com impactos na qualidade das águas superficiais, o que deverá ser esclarecido pelo empreendedor.

Também identificado para as três fases do empreendimento, a Alteração dos Níveis de Ruído em Áreas Ocupadas é impacto ambiental derivado de movimentação de máquinas e equipamentos, remoção de vegetação, terraplenagem, implantação das instalações industriais e de apoio e abertura e melhoria de acessos internos, desenvolvimento de lavra a céu aberto, beneficiamento do minério, desativação da operação de lavra, desativação da operação da pilha de estéril, desativação das lagoas de tratamento de contaminantes, desativação do sistema de contenção de sedimentos (diques e sumps), desmobilização das instalações industriais e de infraestrutura e operação das estruturas de apoio, recuperação de áreas degradadas. Nas três fases do empreendimento trata-se de impacto classificado como negativo, direto, local, imediato, temporário, reversível e de probabilidade de ocorrência certa. Quanto à magnitude, tem-se alta na fase de implantação e média nas fases de operação e desativação, com relevância média.

Em relação às medidas mitigadoras, prevê-se monitoramento dos níveis de ruído nos pontos receptores; manutenção em máquinas e equipamentos; controle das detonações e controle da velocidade e rotas dos veículos. Há um programa ambiental específico para monitoramento de ruídos e vibrações, além do Programa de Controle Ambiental das Obras.

O impacto ambiental identificado como Alteração dos Níveis de Vibração no Solo tem como causa as atividades de movimentação de máquinas e equipamentos, remoção de vegetação, terraplenagem, implantação das instalações industriais e de apoio e abertura e melhoria de acessos internos, desenvolvimento de lavra a céu aberto, beneficiamento do minério, desativação da operação de lavra, desativação da operação da pilha de estéril, desativação das lagoas de tratamento de contaminantes, desativação do sistema de contenção de sedimentos (diques e sumps), desmobilização das instalações industriais e de infraestrutura e operação das estruturas de apoio, recuperação de áreas degradadas, ou seja, trata-se de impacto previsto para as fases de implantação, operação e desativação do empreendimento.

Esse impacto está classificado como negativo, direto, local, imediato, temporário, reversível, de ocorrência provável (fases de implantação e desativação) e certa (fase de operação), de magnitude média e relevância também média. Destaca-se que a principal fonte de vibração do empreendimento é decorrente de detonações e britagem na fase de operação. Nas fases de implantação e desativação, tem-se como fonte de vibração as atividades características da construção civil, com menor geração de ruídos quando comparadas às detonações.

Para mitigar esse impacto há ações previstas no Programa de Controle Ambiental das Obras e no Programa de Monitoramento de Ruído e Vibrações, contemplando controles em máquinas e veículos, manutenções e principalmente o estabelecimento de plano de fogo adequado.

Com relação ao impacto ambiental descrito como Alteração da Qualidade do Ar, têm-se as seguintes atividades como fonte: remoção da vegetação, terraplenagem, abertura e melhoria de acessos internos, movimentação de máquinas e equipamentos, desenvolvimento de lavra a céu aberto, beneficiamento do minério, disposição de estéril em pilha, disposição de fosfogesso e cal em pilha, desativação da operação de lavra, desativação da operação da pilha de estéril, desativação das lagoas de tratamento de contaminantes, desativação do sistema de contenção de sedimentos (diques e sumps), desmobilização das instalações industriais e de infraestrutura e operação das estruturas de apoio e recuperação de áreas degradadas. Essas atividades produzem a geração de material particulado, geração de gases de combustão e geração de gases de detonação de explosivos. Logo, trata-se de impacto comum às fases de implantação, operação e desativação do empreendimento.

Esse impacto é mais significativo na fase de operação, em razão da maior abrangência espacial. Para essa fase, está classificado como negativo, direto, de abrangência regional, imediato, temporário, reversível, de probabilidade de ocorrência certa, magnitude média e relevância média.

Ressalta-se que a qualidade do ar na fase de operação foi alvo de Estudo de Dispersão Atmosférica (EDA), apresentado no Anexo 13.2.3 do EIA. Como parte integrante do EDA foi realizado o inventário de emissões atmosféricas para identificar e definir qualitativamente e quantitativamente os principais poluentes e suas fontes de emissão (difusas), bem como as eficiências de controle que serão aplicadas em alguns processos para atenuação das emissões

Para a fase de instalação há nove medidas mitigadoras desse impacto, a exemplo de umectação de vias não pavimentadas, manutenção de máquinas e veículos, controle de arraste eólico, monitoramento, entre outras. Para as fases de operação e desativação, há respectivamente oito e nove medidas mitigadoras, destacando-se igualmente a questão da umectação de vias e áreas fontes, estabelecimento de plano de fogo com desmontes controlados, manutenções em maquinário, monitoramento de parâmetros meteorológicos e de níveis de concentração dos poluentes atmosféricos.

As ações necessárias para execução das medidas supracitadas estão contempladas no Programa de Controle Ambiental das Obras, no Programa de Monitoramento da Qualidade do Ar e no Programa de Controle e Monitoramento das Emissões Atmosféricas.

Por fim, para o meio físico, foi identificado para as fases de implantação e operação do empreendimento o Comprometimento do Patrimônio Espeleológico, como consequência das atividades de movimentação de solo, movimentação de máquinas e caminhões, veículos de carga e passeio, terraplanagem; remoção de vegetação e detonações. No Anexo 11.1.13-1 consta Avaliação de Impacto ao Patrimônio Espeleológico, elaborado por empresa especializada, com panorama sobre o estado de conservação atual do patrimônio espeleológico presente na área do projeto.

Na fase de implantação foram identificados cinco impactos: Supressão de Cavidades; Alteração da Dinâmica dos Aerossóis (material particulado); Alteração da Dinâmica Hidrossedimentar; Alteração da Integridade Física; e Alteração da Fauna Cavernícola. Em síntese, esses impactos foram considerados negativo, direto, local, imediato, permanente, irreversível, de probabilidade de ocorrência certa; magnitude alta; relevância média, cumulativo e sinérgico.

Na fase de operação foram identificados quatro impactos ambientais: Alteração da Dinâmica dos Aerossóis (material particulado); Alteração da Dinâmica Hidrossedimentar; Alteração da Integridade Física; Alteração da Fauna Cavernícola. Em síntese, trata-se de impacto negativo, direto, local, imediato, permanente, irreversível, de probabilidade de ocorrência certa, magnitude baixa, relevância média, cumulativo e sinérgico.

Em ambas as fases, há previsão de quatro medidas mitigadoras, as quais perpassam no Programa de Monitoramento da Qualidade do Ar, Programa de Controle e Monitoramento de Emissões Atmosféricas, Programa de Gestão do Patrimônio Espeleológico, Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos e Assoreamento, Programa de Monitoramento da Qualidade das Águas Superficiais e dos Sedimentos, Programa de Controle e Monitoramento de Estabilidade de Encostas Naturais e Taludes, Programa de Monitoramento de Ruído e Vibrações.

De maneira geral, esses impactos têm baixo grau de resolução, em especial por considerar a supressão de cavidades.

 

10.2. IMPACTOS SOBRE O MEIO BIÓTICO

De acordo com o estudo, os impactos ambientais do meio biótico na fase de planejamento foram insignificantes e associados à execução da campanha de diagnóstico do meio biótico, onde as atividades limitaram-se a abertura de picadas e a captura ou coleta de material biológico, devidamente autorizadas pelo Ibama. Considerando as fases de implantação, operação e desativação, o estudo identificou os seguintes impactos ambientais relacionados ao meio biótico, os quais são sintetizados no Quadro a seguir:

Fase de implantação

Fase de Operação

Fase de Desativação

Redução da Cobertura Vegetal Nativa

 

 

Perda de Habitats e Alteração da Biodiversidade

 

 

Perda de Indivíduos da Fauna

 

 

Perturbação da Fauna

Perturbação da Fauna

 

Alteração na Biota Aquática

Alteração da Biota Aquática

Alteração da Biota Aquática

Perda de Habitat Aquático

 

 

 

 

Alteração na Biota Terrestre

 

FLORA

FASE DE INSTALAÇÃO

REDUÇÃO DA COBERTURA VEGETAL NATIVA

Conforme consta no EIA, esse impacto ocorre devido a supressão de vegetação necessária à instalação do empreendimento (mina, pilhas de estéril e de fosfogesso e cal, áreas industriais e demais instalações de apoio). De acordo ao informado, a perda da cobertura vegetal trará possíveis consequências como a diminuição da riqueza de espécies da flora, promover ou ampliar a fragmentação da paisagem, a aceleração do risco de extinção local de algumas espécies da flora. Para a implantação do PSQ estão previstas intervenções em cerca de 379,75 hectares, sendo que destes, 360,11 hectares representam áreas onde haverá supressão de vegetação nativa. A área de preservação permanente sujeita a intervenção é de 24,29 hectares, sendo 13,50 hectares em Savana Estépica Arborizada e 8,31 hectares em Savana Estépica Florestada.

Conforme informado no EIA a Área Diretamente Afetada (ADA) do empreendimento é caracterizada predominantemente pela formação vegetal de Sava Estépica Arborizada (82,32% da área a ser suprimida).

A avaliação de impactos ambientais do EIA considerou o impacto “Redução da cobertura vegetal” nativa como sendo: de natureza negativa; ordem direta e abrangência local; irreversível e de caráter permanente; de ocorrência imediata; de alta magnitude e alta relevância devido a supressão ocorrer exclusivamente em vegetação nativa (94,88%), com áreas antropizadas reduzidas (0,06%), e ainda, a presença de espécies vegetais constante da Lista Vermelha da IUCN.

O EIA considerou o impacto como cumulativo e sinergético “No caso, considera-se que o impacto da alteração da cobertura vegetal na população de quirópteros poderá atuar sobre o ambiente cavernícola, uma vez que essas espécies forrageiam no ambiente externo e têm importância no aporte de nutrientes (guano) para as demais espécies cavernícolas.”

As medidas mitigadoras da redução da cobertura vegetal estão contempladas nos seguintes programas ambientais: Programa de Plantio Compensatório, Programa de Resgate de Germoplasma, Programa de Monitoramento da Fauna Terrestre, Programa de Gestão do Patrimônio Espeleológico (incluindo monitoramento bioespeleológico e subprograma específico de monitoramento de Furipterus hortens) e no Programa de Controle da Supressão Vegetal.

Dentre as medidas propostas pelo estudo, destacam-se as seguintes:

  • Realizar atividades de plantio compensatório considerando espécies vegetais com interesse da fauna;

  • Favorecer conexões de fragmentos identificados no presente estudo por meio de plantio de mudas;

  • Realizar a coleta de sementes e plântulas para recomposição vegetal local;

  • Acompanhar as alterações ambientais decorrentes da obra e suas implicações sobre a fauna por meio do monitoramento de parâmetros ecológicos de grupos indicadores da herpetofauna, avifauna, mastofauna (pequenos, médios/grandes e quirópteros), abelhas e formigas;

  • Delimitar as áreas de supressão da vegetação diminuindo o risco de supressão em local não previsto/autorizado.

 

OPERAÇÃO

O EIA não considerou a possibilidade de ocorrência do impacto ambiental da redução da cobertura vegetal nativa na fase operacional do empreendimento. Sendo a atividade minerária dinâmica, podendo exigir, na fase de operação, a remoção de cobertura vegetal, no caso de avanço de lavra e implantação de estruturas de apoio.

O impacto ambiental identificado como Perda de Habitats e Alteração da Biodiversidade está previsto para ocorrência na fase de implantação em razão da remoção de 360 hectares de vegetação nativa. Com a geração de áreas com vegetação suprimida espera-se a alteração na qualidade dos hábitats acarretando impactos diretos na biodiversidade local. A perda direta dos habitats tende a provocar respostas diretas nas comunidades faunísticas, que podem se manifestar na composição e abundância de espécies. Com a alteração da cobertura vegetal espera-se o favorecimento e estabelecimento de espécies generalistas (pouco dependentes de ambientes florestais) com maior resiliência às alterações antrópicas e menos exigentes ecologicamente em detrimento das espécies mais sensíveis. Além disso, pode ocorrer a dispersão e estabelecimento de espécies exóticas por ações antrópicas. Considerando que as características ambientais da ADA são mais bem conservadas quando comparadas ao entorno do empreendimento e a AID esse impacto tem muita importância sobre o habitat de espécies sensíveis e ameaçadas de extinção existentes na área. O estudo ressalta esse efeito sobre espécies cinegéticas da herpetofauna, e espécies ameaçadas de extinção da avifauna, mastofauna e mastofauna alada. O estudo prevê também impacto sobre o ambiente cavernícola e sobre a produção de mel por abelhas. Assim, considerando que a supressão vegetal da ADA do PSQ aumentará a pressão sobre os exemplares de fauna na região do empreendimento e que tais alterações aumentarão o processo de fragmentação já identificado na AID, considera-se que a implantação do empreendimento acarretará na perda de hábitat que poderá gerar alteração na biodiversidade local. Na fase de implantação trata-se de um impacto negativo, direto, local, imediato, permanente, irreversível, de probabilidade de ocorrência certa, de alta magnitude, de baixo grau de resolução, grau de relevância muito alto e com efeito cumulativo e sinérgico. O estudo propõe 5 medidas para mitigar esse impacto ambiental, sendo elas, realizar plantio compensatório considerando espécies vegetais com interesse da fauna; favorecer conexões de fragmentos por meio de plantio de mudas; coleta de sementes e plântulas para a recomposição vegetal local; monitoramento de parâmetros ecológicos da herpetofauna, avifauna, mastofauna, abelhas e formigas e delimitar as áreas autorizadas para a supressão de vegetação. As ações necessárias para execução das medidas supracitadas estão contempladas no Programa de Plantio Compensatório, Programa de Resgate de Germoplasma, Programa de Monitoramento da Fauna Terrestre, Programa de Gestão do Patrimônio Espeleológico (incluindo monitoramento bioespeleológico e subprograma específico de monitoramento de Furipterus horrens) e no Programa de Controle da Supressão Vegetal.

O impacto ambiental identificado como Perda de Indivíduos da Fauna está previsto para ocorrência na fase de implantação em razão da terraplanagem, remoção da vegetação, abertura e melhoria de acessos, mobilização de pessoal, movimentação de máquinas e equipamentos. Com a geração de áreas com vegetação suprimida, intensificação da circulação de pessoas, intensificação de tráfego nas vias de acesso, podem ocasionar injurias à fauna, podendo acarretar a perda de indivíduos, especialmente de espécies que possuem hábitos arborícolas e fossoriais, que abrigam-se em ocos ou tocas e/ou apresentam baixa capacidade de deslocamento. O aumento do tráfego de veículos e maquinários também pode afetar diretamente indivíduos da fauna devido a atropelamentos acidentais. Durante os meses de implantação do empreendimento espera-se um aumento considerável na movimentação de pessoas em relação ao que ocorre atualmente, seja por trabalhadores das obras ou, por pessoas atraídas por possíveis oportunidades. Esse contingente humano pode ocasionar maior pressão sobre alguns grupos animais silvestres, principalmente aquelas espécies de maior valor cinegético (cerca de 19 espécies) ou cobiçadas para criação. Na fase de implantação trata-se de um impacto negativo, direto, regional, imediato, permanente, irreversível, de probabilidade de ocorrência provável, muito alta magnitude, de médio grau de resolução, grau de relevância alto e com efeito cumulativo e sinérgico. O estudo propõe 7 medidas para mitigar esse impacto ambiental, sendo elas, a realização de ações de Educação Ambiental junto aos trabalhadores e à população local de modo a conscientizar, desestimular e coibir práticas de caça/captura de animais; ações de educativas que visem orientar os trabalhadores das frentes de supressão vegetal a respeito dos cuidados com a fauna para evitar injúrias e óbitos; afugentar a fauna previamente às atividades de supressão de vegetação; resgatar indivíduos com baixa capacidade de deslocamento ou debilitados; acompanhar a frente de supressão vegetal de forma a favorecer o afugentamento passivo dos animais; realizar atendimento médico veterinário no caso de animais feridos durante as atividades de implantação do empreendimento e monitorar os atropelamentos acidentais, principalmente nas vias visando correlacionar o aumento do tráfego de veículos e maquinários gerando informações para ações corretivas. As ações necessárias para execução das medidas supracitadas estão contempladas no Programa de Afugentamento e Resgate de Fauna, Programa de Monitoramento de Atropelamento de Fauna, Programa de Controle da Supressão Vegetal e Programa de Educação Ambiental.

O impacto ambiental identificado como Perturbação da Fauna está previsto para ocorrência na fase de implantação em razão da terraplanagem, remoção da vegetação, abertura e melhoria de acessos, mobilização de pessoal, movimentação de máquinas e equipamentos e na operação em razão da movimentação de máquinas e equipamentos, desenvolvimento de lavra a céu aberto, beneficiamento do minério, operação das estruturas de apoio. Com a geração de ruído, geração de vibração, intensificação da circulação de pessoas, intensificação de tráfego nas vias de acesso, intensificação de utilização de luzes artificiais causada pelas obras e pela operação do empreendimento poderá ocasionar perturbação dos indivíduos da fauna, especialmente os que possuem maior sensibilidade às alterações do meio. A iluminação artificial, durante trabalhos noturnos, também exercerá uma fonte de perturbação, especialmente aos representantes de espécies que têm hábitos noturnos. Estas alterações na área do empreendimento podem ocasionar o afugentamento de animais para áreas adjacentes o que, mesmo em pequena escala, pode ocasionar no aumento da competição por recursos, ampliando a propagação do impacto para além da ADA. Na fase de implantação trata-se de um impacto negativo, direto, regional, imediato, temporário, reversível de probabilidade de ocorrência provável, de muito alta magnitude, de baixo grau de resolução e de grau de relevância muito alto e com efeito cumulativo e sinérgico. Na fase de operação trata-se de um impacto negativo, indireto, regional, imediato, temporário, reversível, de probabilidade de ocorrência certa, de média magnitude, de baixo grau de resolução e de grau de relevância médio e com efeito cumulativo e sinérgico. O estudo, considerando as fases de implantação e operação, propõe 5 medidas para mitigar esse impacto ambiental, sendo elas, realizar capacitações por meio da educação ambiental com a população local e trabalhadores envolvidos no empreendimento; resgate e afugentamento da fauna com baixa capacidade de deslocamento; acompanhar as alterações ambientais decorrentes da operação do empreendimento e suas implicações sobre a fauna por meio do monitoramento de parâmetros ecológicos; implantar ações para minimizar a emissão de ruídos e vibrações e outras fontes de perturbação e orientar funcionários e prestadores de serviços sobre procedimentos com relação à fauna silvestre. As ações necessárias para execução das medidas supracitadas estão contempladas no Programa de Educação Ambiental, Programa de Monitoramento da Fauna Terrestre e seus subprogramas específicos para espécies bioindicadores e/ou ameaçadas, Programa de Afugentamento e Resgate de Fauna e Programa de Controle Ambiental das Obras.

Em relação aos atributos, não parece razoável classificar um impacto ambiental associado a ocorrência de ruídos e vibrações resultantes da terraplanagem, remoção da vegetação, abertura e melhoria de acessos, mobilização de pessoal, movimentação de máquinas e equipamentos como sendo um impacto de ocorrência provável. Os ruídos e vibrações destas atividades são certos e a fauna sem dúvidas será perturbada. Portanto solicita-se que esse impacto da fase de implantação tenha esse atributo reclassificado para probabilidade de ocorrência certa. Quanto a esse impacto durante a fase de operação, não parece razoável classificar este impacto como indireto, uma vez que as atividades decorrentes da operação do empreendimento causarão ruídos e vibrações que diretamente impactarão a fauna. Como exemplo podemos citar as detonações de explosivos e atividade de britagem de minérios. Portanto solicita-se que esse impacto da fase de operação tenha esse atributo reclassificado para ordem direta.

O impacto ambiental identificado como Alteração na Biota Aquática está previsto para ocorrência na fase de implantação em razão da terraplanagem, limpeza do terreno, remoção de vegetação, abertura e melhoria de acessos, implantação das instalações industriais, operação de posto de abastecimento, oficina mecânica e outras infraestruturas de apoio, na fase de operação em razão do desenvolvimento de lavra a céu aberto, movimentação de máquinas e equipamentos e beneficiamento do minério e na fase de desativação em razão da desativação da operação de lavra, desativação da operação da pilha de estéril, desativação das lagoas de tratamento de contaminantes, desativação do sistema de contenção de sedimentos (diques e sumps), desmobilização das instalações industriais e de infraestrutura e operação das estruturas de apoio e a recuperação de áreas degradadas. Com a geração de sedimentos, geração de resíduos sólidos, geração de efluentes devido as atividades ligadas as obras civis que poderão favorecer a ocorrência de processos erosivos e a lixiviação de sólidos e de nutrientes minerais para os cursos d’água, constituindo cargas difusas o que pode aumentar os níveis de nutrientes, de sólidos, de cor e de turbidez das águas. O aporte de cargas difusas, representadas pelos sedimentos gerados durante a operação do empreendimento, sobretudo nas atividades de lavra e de beneficiamento do minério, poderá alcançar os cursos d’água. O fluxo de cargas pontuais, na fase de operação, é passível de ocorrer devido à geração de resíduos sólidos gerados nas Instalações Mínero-industrial e de Urânio e o eventual aporte de resíduos sólidos e de sedimento rico em fósforo, especialmente em ambientes represados, poderá ocasionar a alteração na biota aquática afetando as comunidades planctônicas, bentônicas, as macrófitas aquáticas e a ictiofauna. Na fase de implantação trata-se de um impacto negativo, indireto, local, imediato, temporário, reversível, de probabilidade de ocorrência provável, de magnitude média, de grau de resolução alto, baixo grau de relevância, cumulativo e não sinérgico. Na fase de operação trata-se de um impacto negativo, indireto, local, imediato, temporário, reversível, de probabilidade de ocorrência provável, de magnitude alta, de grau de resolução alto, médio grau de relevância, cumulativo e não sinérgico. Na fase de desmobilização trata-se de um impacto negativo, indireto, local, imediato, temporário, reversível, de probabilidade de ocorrência provável, de magnitude média, de grau de resolução alto, baixo grau de relevância, não cumulativo e não sinérgico. O estudo, considerando as fases de implantação, operação e desmobilização, propõe 5 medidas para mitigar esse impacto ambiental, sendo elas, realizar inventário, classificação, segregação, reciclagem, armazenamento temporário, transporte e disposição final dos resíduos sólidos gerados no PSQ; o gerenciamento, tratamento e destinação adequada dos efluentes líquidos gerados no PSQ; caso ocorram florações de cianobactérias, será intensificada a frequência de monitoramento desses organismos e investigadas as possíveis fontes de introdução de nutrientes nos cursos d’água; monitorar a qualidade das águas superficiais e dos sedimentos nos pontos receptores da área de influência, permitindo a implantação de medidas mitigadoras ou de controle, sempre que necessário, e acompanhar suas efetividades; acompanhar as alterações ambientais por meio do monitoramento de parâmetros ecológicos de grupos indicadores das comunidades ictiofaunísticas, planctônicas, bentônicas e de macrófitas aquáticas. As ações e medidas supracitadas são apresentadas no Programa de Monitoramento da Biota Aquática, Programa de Monitoramento da Qualidade das Águas Superficiais e dos Sedimentos, Programa de Controle Ambiental das Obras, Programa de Gestão de Resíduos Sólidos e no Programa de Gestão de Efluentes Líquidos. Plano de Descomissionamento apresentado no Capítulo 17 do Estudo de Impacto Ambiental, no Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD).

O impacto ambiental identificado como Perda de Habitat Aquático está previsto para ocorrência na fase de implantação em razão das atividades de terraplanagem, implantação das instalações industriais e de apoio. Com a geração de interferência física ao escoamento superficial devido a instalação das estruturas do empreendimento como as pilhas de estéril e respectivos diques de contenção de finos, pilha de fosfogesso e cal, área da cava e as instalações industriais, as microbacias que drenam as áreas previstas para estas estruturas sofrerão alteração da configuração atual da rede hídrica, implicando supressão de habitats para os organismos aquáticos, especialmente da comunidade bentônica, que coloniza os leitos dos corpos d’água. Na fase de implantação trata-se de um impacto negativo, direto, local, imediato, permanente, irreversível, de probabilidade de ocorrência certa, de magnitude média, de grau de resolução baixo, médio grau de relevância, não cumulativo e não sinérgico. O estudo, considerando a fase de implantação, propõe 2 medidas para mitigar esse impacto ambiental, sendo elas, instalar dispositivos hidráulicos e do sistema de drenagem provisório (canaletas, bacias de contenção, saídas d’água, terraços) e monitorar as alterações ambientais e suas implicações sobre a biota aquática por meio parâmetros ecológicos de grupos indicadores das comunidades ictiofaunísticas, planctônicas, bentônicas e de macrófitas aquáticas. As ações necessárias para execução das medidas supracitadas estão contempladas no Programa de Controle Ambiental das Obras e Programa de Monitoramento da Biota Aquática.

O impacto ambiental identificado como Alteração na Biota Terrestre está previsto para ocorrência na fase de desativação em razão da desativação da operação de lavra, desativação da operação da pilha de estéril, desativação das lagoas de tratamento de contaminantes, desativação do sistema de contenção de sedimentos (diques e sumps), desmobilização das instalações industriais e de infraestrutura e operação das estruturas de apoio, recuperação de áreas degradadas. Com a geração de superfícies recuperadas espera-se um progressivo retorno da cobertura vegetal em áreas antes utilizadas para atividades antrópicas, assim como recolonização pela fauna presente em hábitats do entorno. Na fase de desativação trata-se de um impacto positivo, direto, local, imediato, permanente, irreversível, de probabilidade de ocorrência certa, de magnitude média, de grau de resolução alto, médio grau de relevância, cumulativo e sinérgico. O estudo, considerando a fase de desativação, propõe 4 medidas para potencializar esse impacto ambiental, sendo elas, recompor terrenos impermeabilizados ou compactados nos trechos em que não forem definidos novos usos, com aplicação de topsoil; realizar plantios com espécies nativas ou aplicar técnicas de abandono, com aplicação de serapilheira de savanas do entorno; isolar as áreas para evitar degradação, queimadas e invasão por animais domésticos como bovinos e caprinos e monitorar o processo de sucessão ecológica. As ações e medidas supracitadas são apresentadas no Plano de Descomissionamento apresentado no Capítulo 17 do Estudo de Impacto Ambiental, no Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD).

 

10.3. IMPACTOS SOBRE O MEIO SOCIOECONÔMICO

Tendo em vista que o diagnóstico referente ao Meio Socioeconômico deverá ser reapresentado, o mesmo deverá ser feito quanto aos impactos a serem identificados relativos a este meio.

 

10.4. AVALIAÇÃO DE IMPACTOS CUMULATIVOS E SINÉRGICOS COM A INFRAESTRUTURA DE ÁGUA, ENERGIA E ACESSOS RODOVIÁRIOS

Os itens relativos a Infraestrutura de Água, Energia e Acessos Rodoviários foram discutidos ao longo deste parecer, sendo solicitados esclarecimentos e estudos complementares. Deste modo, entende-se que este item deverá ser reapresentado nas complementações ao estudo, levando-se em consideração os esclarecimentos e estudos complementares solicitados.

 

10.5. AVALIAÇÃO DAS ÁREAS DE INFLUÊNCIA

Conforme explicitado ao longo deste parecer, não há questionamento quanto à definição das áreas de influência para os meios físico e biótico. Entretanto, existem problemas na definição das áreas de influência do meio socioeconômico. Deste modo, deverá ser feita a redefinição das áreas de influência do meio socioeconômico, com reavaliação dos parâmetros referentes a este meio.

 

PROGRAMAS AMBIENTAIS

11.1. PROGRAMAS DE MITIGAÇÃO

Neste item o EIA traz uma relação e uma descrição dos programas ambientais propostos para prevenir e mitigar os impactos ambientais previstos pela implantação do Projeto Santa Quitéria. Ao todo, foram previstos 34 Programas Ambientais, quais sejam:

Programa de Gestão Ambiental (PGA)

Programa de Controle Ambiental de Obras (PCAO)

Programa de Gestão de Resíduos Sólidos

Programa de Gestão de Efluentes Líquidos

Programa de Monitoramento da Qualidade do Ar

Programa de Controle e Monitoramento de Emissões Atmosféricas

Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD)

Programa de Controle e Monitoramento da Qualidade dos Solos

Programa de Controle e Monitoramento dos processos Erosivos e Assoreamento

Programa de Controle e Monitoramento de Estabilidade de Encostas e Taludes

Programa de Monitoramento da Dinâmica e da Qualidade das Águas Subterrâneas

Programa de Monitoramento da Qualidade das Águas Superficiais e dos Sedimentos

Programa de Monitoramento de Ruído e Vibrações

Programa de Monitoramento da Fauna Terrestre

Programa de Monitoramento de Atropelamento de Fauna

Programa de Monitoramento da Biota Aquática

Programa de Controle da Supressão Vegetal

Programa de Gestão do Patrimônio Espeleológico

Plano de Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Programas de Saúde Ocupacional, Segurança do Trabalho, Meio Ambiente

Plano de Descomissionamento - Analisado no item 17 deste parecer.

Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)

Plano de Ação de Emergência (PAE)

Programa de Monitoramento de Infraestruturas e Serviços Essenciais

Programa de Comunicação e Relacionamento Social

Plano de Articulação Interinstitucional

Programa de Convivência e Prevenção de Conflitos

Programa de Gestão de Tráfego, Segurança e Alerta

Programa de Educação Ambiental

Programa de Gestão da Mão de Obra

Programa de Gestão Social dos Contratados

Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico e Cultural

Programa de Resgate de Germoplasma

Programa de Afugentamento e Resgate de Fauna Silvestre

Programa de Plantio Compensatório

Com exceção dos Programas de Gerenciamento de Riscos e Programa de Ação de Emergência, que possuem escopos próprios, os demais programas foram, de modo geral, estruturados da mesma forma, apresentando uma Introdução; Objetivos; Estrutura e Finalidade; Abrangência e Público Alvo; Metodologia; Metas e Indicadores; Implementação e Acompanhamento e Responsabilidade.

Os programas foram considerados adequados para a atual fase do licenciamento, bem como considerados adequados para prevenir e mitigar os impactos previstos devido à implantação do Projeto Santa Quitéria. O detalhamento dos mesmos, em nível executivo, deverá ser apresentado quando do requerimento da Licença de Instalação. Nesta fase, solicita-se que especial atenção seja dada às medidas de controle e monitoramento que deverão ser implantadas, em especial nos programas relacionados ao meio físico.

Nos programas 14.1.7 Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD); 14.1.33 Programa de Resgate de Germoplasma e no 14.2.2 Programa de Plantio Compensatório está previsto a construção de um Viveiro pelo próprio empreendedor com a finalidade de atender as necessidades do empreendedor para executar esses programas. No entanto, essa estrutura que será necessária desde a implantação até a desmobilização do empreendimento não está prevista no EIA, não sendo listada entre as estruturas existentes no empreendimento e nem localizadas nos mapas do item 9.2.4 Arranjo Espacial das Estruturas – Plano Diretor. É necessário já se estabelecer a sua localização, área e capacidade de produção pretendida. Outras informações poderão ser detalhadas na fase de PBA. E com a previsão da localização e área dessa estrutura, deve-se verificar, se a construção dessa estrutura impactará na ampliação da área a ser desmatada pelo projeto.

No programa 14.1.34 Programa de Afugentamento e Resgate de Fauna Silvestre está prevista a instalação de uma base de triagem para avaliação e estabilização dos animais resgatados. Para os animais que necessitem de atendimento veterinário de maior complexidade está previsto o uso de clínicas veterinárias parceiras. Estas clínicas veterinárias provavelmente estarão localizadas em alguma das cidades ao redor do projeto e, portanto, distantes das atividades de supressão. Não está claro se a estrutura de clínicas veterinárias da região comporta a demanda e possuem a estrutura de internação e recuperação para os espécimes silvestres encaminhados pelas atividades de supressão de vegetação e se possui veterinários especialistas em fauna silvestre. Além da demanda das atividades de supressão de vegetação também podem ocorrer, mesmo que em menor número, a demanda de atendimento de espécimes da fauna nos programas 14.1.14 Programa de Monitoramento da Fauna Terrestre e 14.1.15 Programa de Monitoramento de Atropelamento de Fauna. Por tudo isso, sugere-se que além da montagem do centro de triagem nas proximidades da linha de supressão, que se crie uma estrutura de atendimento a fauna com capacidade de atendimento a procedimentos veterinários mais complexos e com recintos adequados a internação e recuperação todos os grupos faunísticos passíveis de serem afetados pelas atividades do empreendimento. Para essa estrutura deve-se contar com equipe de profissionais especialistas em fauna silvestre. Caso, seja feita a opção da construção dessa estrutura de atendimento a fauna deve ser previsto a localização e a área a ser ocupada por essa estrutura e deve-se verificar, se a construção dessa estrutura impactará na ampliação da área a ser desmatada pelo projeto.

Ressalta-se que novos programas podem ser solicitados nas próximas etapas do licenciamento.

 

PROGNÓSTICO AMBIENTAL

FÍSICO

A manifestação referente ao meio físico, especificamente no que se refere ao Prognóstico Ambiental em caso de execução do empreendimento, encontra-se condicionada à resolução prévia das pendências apontadas ao longo deste parecer técnico. Somente após o atendimento satisfatório dessas questões será possível uma conclusão adequada e fundamentada acerca da viabilidade ambiental da proposta.

BIÓTICO 

Em relação à fauna e flora, o prognóstico ambiental deverá considerar a resolução das pendências elencadas neste parecer técnico.

SOCIOECONÔMICO

Depois de reelaborar o diagnóstico socioambiental participativo, a complementação deverá comparar os novos parâmetros encontrados, notadamente relativo a empregabilidade e o valor monetário da produção agrícola para o autoconsumo e para a comercialização das comunidades, já que esse impacto, classificado como positivo pelo estudo, confrontará com novos dados sobre as atividades econômicas já presentes na área de influência do projeto e que compõem a renda das comunidades impactadas.

 

COMPENSAÇÃO AMBIENTAL

 

No Estudo de Impacto Ambiental (EIA, Volume IV – SEI 17843043) temos a seguinte informação abaixo transcrita:

(…)

“A compensação ambiental é prevista no Ar􀀲go 36 da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, a Lei do SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza), em licenciamentos ambientais de empreendimentos com significativo impacto ambiental.”

(…)

Conforme a Instrução Normativa Ibama nº 8 de 14/07/2011, o Plano de Compensação Ambiental do empreendimento deverá, de acordo com o Art. 3º alínea VI, conter os dados necessários para o cálculo do Grau de Impacto (GI), observando as diretrizes estabelecidas no Anexo do Decreto nº 6.848, de 14 de maio de 2009. Quando existirem UCs próximas à região do empreendimento, este Plano também poderá apresentar sugestão daquelas que poderiam ser beneficiadas com os recursos da compensação ambiental. .

(...)

No Estudo de Impacto Ambiental - EIA (Volume IV – SEI 17843043) foi apresentado para o Projeto Santa Quitéria (PSQ) o valor do Grau de Impacto (GI) = 0,471%.

Para o cálculo do Grau de Impacto (GI) foram considerados os seguintes valores:

ÍNDICE DE MAGNITUDE (IM)

O Índice de Magnitude (IM) varia de 0 a 3, e avalia a magnitude dos impactos ambientais existentes, relevantes e concomitantemente significa􀀲vos e nega􀀲vos sobre os diversos aspectos ambientais associados ao empreendimento, analisados de forma integrada. Havendo impacto negativo sobre os meios biótico ou físico com alta magnitude, seja qual for a fase (implantação, operação, descomissionamento, etc.) ou atividade, o índice de magnitude receberá a valoração IM = 3 e assim, sucessivamente para média ou baixa magnitude.

Tabela I – Valoração do Índice de Magnitude (IM)

Valor

Atributo

0

Ausência de impacto ambiental significativo negativo

1

Pequena magnitude do impacto ambiental negativo em comprometimento de recursos ambientais

2

Média magnitude do impacto ambiental negativo em comprometimento de recursos ambientais

3

Alta magnitude do impacto ambiental negativo em comprometimento de recursos ambientais

De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental - EIA (Volume IV – SEI 17843043) o Índice de Magnitude (IM) é igual a 3 (IM = 3).

Este instituto considera o valor do IM = 3, conforme proposto, como pertinente ao empreendimento.

ÍNDICE DE BIODIVERSIDADE (IB)

O IB busca caracterizar os ecossistemas a serem afetados em termos qualitativos, devendo ser considerada a biodiversidade antes da implantação do empreendimento. Deverá ser considerado o grau de antropização e/ou a falta de vegetação nativa na área impactada ou ao longo do traçado de empreendimentos. Havendo no estudo ambiental a identificação ou citação de ocorrência de espécie ameaçada de extinção e/ou espécie endêmica, listada em listas oficiais, o IB receberá a valoração 3.

Tabela II – Valoração do Índice de Biodiversidade (IB)

Valor

Atributo

0

Biodiversidade se encontra muito comprometida

1

Biodiversidade se encontra medianamente comprometida

2

Biodiversidade se encontra pouco comprometida

3

Área de trânsito ou reprodução de espécies consideradas endêmicas ou

ameaçadas de extinção

O EIA (Volume IV – SEI 17843043) considerou o IB = 2, entretanto no estudo é listada espécies ameaçadas de ex􀀲nção da fauna e da flora. Foi apresentada ainda informação contida no Ofício nº 266/2024-CDHC – EFTA/ALECE ( 20857457), com anexo ( 20857594), protocolado em 16/10/2024, referente ao “Processo nº 02001.014391/2020-17 – Encaminhamento de artigo científico sobre a descoberta da Tacinga mirim, nova espécie de cacto endêmica do sertão cearense ameaçada de extinção.” E ainda, o possível surgimento de informações sobre ocorrência de espécies endêmicas ou em riscos de extinção na área do empreendimento, entende-se que o Índice de Biodiversidade (IB) seja alterado para 3 (IB = 3).

ÍNDICE DE ABRANGÊNCIA (IA)

O IA varia de 1 a 4, avaliando a extensão espacial de impactos nega􀀲vos sobre os recursos ambientais. Em casos de empreendimentos lineares, o IA será avaliado em cada microbacia separadamente, ainda que o trecho submetido ao processo de licenciamento ultrapasse os limites de cada microbacia.

Tabela III – Valoração do Índice de Abrangência (IA)

Valor

Atributo

1

Impactos limitados à área de uma microbacia

2

Impactos que ultrapassem a área de uma microbacia limitados à área de uma

bacia de 3ª ordem

3

Impactos que ultrapassem a área de uma bacia de 3ª ordem limitados a uma

bacia de 1ª ordem

4

Impactos que ultrapassem a área de uma bacia de 1ª ordem

O EIA (Volume IV – SEI 17843043) considerou o Índice de Abrangência foi estabelecido igual a 2 (IA = 2).

Este instituto considera o valor do IA = 2 como pertinente ao empreendimento.

ÍNDICE DE TEMPORALIDADE (IT) = 3

O IT varia de 1 a 4 e se refere à resiliência do ambiente ou bioma em que se insere o empreendimento. Avalia a persistência dos impactos negativos do empreendimento.

Tabela IV – Valoração do Índice de Temporalidade (IT)

Valor

Atributo

1

Imediata: até 5 anos após a instalação do empreendimento

2

Curta: superior a 5 e até 15 anos após a instalação do empreendimento

3

Média: superior a 15 e até 30 anos após a instalação do empreendimento

4

Longa: superior a 30 anos após a instalação do empreendimento

O EIA (Volume IV – SEI 17843043) considerou o Índice de Temporalidade (IT) igual a 3 (IT = 3).

Em decorrência de informações constantes no EIA, e ainda, tendo em vista que a atividade de mineração além do tempo previsto de sua exploração, deve ser ainda considerado o tempo necessário ao fechamento da mina, que extrapola os 20 anos considerados pelo empreendedor. Devendo-se ainda observar que a presença de radionuclídeos, amplia o prazo a ser considerado. Neste sentido entende-se que o Índice de Temporalidade (IT) seja alterado para 4 (IT = 4).

ÍNDICE DE COMPROMETIMENTO DE ÁREAS PRIORITÁRIAS (ICAP)

O ICAP avalia o comprometimento sobre a integridade de fração significativa da área prioritária impactada pela implantação do empreendimento, conforme mapeamento oficial de áreas prioritárias aprovado mediante ato do Ministro de Estado do Meio Ambiente.

Tabela V – Valoração do Índice de Comprometimento de Áreas Prioritárias (ICAP)

Valor

Atributo

0

Inexistência de impactos sobre áreas prioritárias ou impactos em áreas

prioritárias totalmente sobrepostas a unidades de conservação

1

Impactos que afetem áreas de importância biológica alta

2

Impactos que afetem áreas de importância biológica muito alta

3

Impactos que afetem áreas de importância biológica extremamente alta ou

classificadas como insuficientemente conhecidas

O EIA (Volume IV – SEI 17843043) considerou o Índice de Comprometimento de Áreas Prioritárias (ICAP) foi definido com valor igual a 2 (ICAP = 2).

Este instituto considera o valor do ICAP = 2, conforme proposto, como pertinente ao empreendimento.

INFLUÊNCIA EM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (IUC)

O IUC varia entre 0,00 a 0,15%, avaliando a influência do empreendimento sobre as unidades de conservação ou suas zonas de amortecimento, sendo que os valores podem ser considerados cumulativamente até o valor máximo de 0,15%. Este IUC será diferente de 0 quando for constatada a incidência de impactos em unidades de conservação ou suas zonas de amortecimento, de acordo com os valores abaixo:

Tabela VI – Valoração do Influência em Unidades de Conservação (IUC)

Valor (%)

Atributo

0,15

G1: parque (nacional, estadual e municipal), reserva biológica, estação

ecológica, refúgio de vida silvestre e monumento natural

0,10

G2: florestas (nacionais e estaduais) e reserva de fauna

0,10

G3: reserva extrativista e reserva de desenvolvimento sustentável

0,10

G4: área de proteção ambiental, área de relevante interesse ecológico e

reservas particulares do patrimônio natural

0,05

G5: zonas de amortecimento de unidades de conservação

O EIA (Volume IV – SEI 17843043) considerou o Índice de Influência em Unidade de Conservação é igual a 0 (IUC = 0).

Este instituto considera o valor do IUC = 0, conforme proposto, como pertinente ao empreendimento.

Em observância as disposições legais, com base na Lei nº 9985/2000, cabe ao órgão licenciador determinar o montante de recursos e definir quais as Unidades de Conservação serão beneficiadas pelos recursos oriundos da Compensação Ambiental (CA) referente ao empreendimento de significativo impacto ambiental.

O Grau de Impacto (GI) será reavaliado por este Instituto, sendo calculado conforme metodologia estabelecida no Decreto nº 6.848 de 14 de maio de 2009, e regulamentado pela Norma de Execução Ibama nº 1 de 08 de Dezembro de 2017 (1353861), é composto pelo Impacto Sobre a Biodiversidade (ISB), Comprometimento de Área Prioritária (CAP) e Influência em Unidades de Conservação (IUC). De acordo com a metodologia do decreto, o valor do GI é calculado na seguinte equação: GI = ISB + CAP + IUC .

As informações para realização do cálculo foram retiradas do Estudo de Impacto Ambiental – EIA e do Plano Básico Ambiental – PBA do empreendimento.

O ISB, parte do GI, é calculado com base no Índice de Magnitude (IM), Índice de Biodiversidade (IB), Índice de Abrangência (IA) e Índice de Temporalidade (IT): ISB = IM x IB x (IA + IT) / 140. O ISB terá seu valor variando entre 0 e 0,25%. O ISB tem o objetivo de contabilizar os impactos diretos do empreendimento sobre a biodiversidade, inclusive os impactos sobre a área de influência.

O CAP, parte do GI, é calculado com base no Índice de Magnitude (IM), no Índice de Temporalidade (IT) e no Índice de Comprometimento de Área Prioritária (ICAP): CAP = IM x ICAP x IT / 70. O CAP terá seu valor variando entre 0 e 0,25%.

O IUC, parte do GI, é calculado com base na tipologia de Unidade de Conservação e em sua zona de amortecimento, afetados pelo empreendimento.

Índices utilizados para o cálculo do GI:

a) Índice Magnitude (IM) = 3;

b) Índice de Biodiversidade (IB) = 3;

c) Índice de Abrangência (IA) = 2;

d) Índice de Temporalidade (IT) = 4;

e) Índice de Comprometimento de Áreas Prioritárias (ICAP) = 2;

f) Influência em Unidades de Conservação (IUC) = 0.

Com as informações acima podemos calcular o Impacto sobre a Biodiversidade (ISB) e o Comprometimento de Área Prioritária (CAP):

IMPACTO SOBRE A BIODIVERSIDADE (ISB) 

ISB = IM x IB x (IA + IT)/140 ð ISB = 3 x 3 x (2 + 4)/140 ð ISB = 0,385

No entanto, uma vez que o Decreto 6.848/2009 determina que o valor máximo do ISB será de 0,25%, este valor será considerado para o cálculo da Compensação Ambiental ISB = 0,25%.

COMPROMETIMENTO DE ÁREA PRIORITÁRIA (CAP) 

Assim, aplicando-se a fórmula definida no Decreto e tendo como base as informações apresentadas, temos:

CAP = IM x ICAP x IT/70 ðCAP = 3 x 2 x 4/70 ð CAP = 0,342

Uma vez que o CAP deve ter o valor máximo de 0,25%, segundo o Decreto 6.848/2009, o valor a ser considerado pelo cálculo de Compensação será CAP = 0,25%.

Assim, considerando as fórmulas e índices acima estabelecidos e as informações constantes do Estudo de Impacto Ambiental - EIA, tem-se que:

  • ISB = 0,25;

  • CAP = 0,25; e

  • IUC = 0,00.

De acordo com a fórmula do Grau de Impacto, tem-se: GI = 0,25% (ISB) + 0,25% (CAP) + 0,00% (IUC) ð GI = 0,50%.

Conforme disposto no Decreto nº 6.848 de 14 de maio de 2009 o Grau de Impacto pode variar de 0 a 0,5%.

Assim, o resultado do Grau de Impacto do Projeto Santa Quitéria (PSQ) tendo em vista as informações apresentadas no Estudo de Impacto Ambiental – EIA (págs. 702 a 709 do Volume IV – SEI 17843043), e a aplicação de metodologia estabelecida no Decreto nº 6.848, de 14 de maio de 2009, bem como regulamentação da Norma de Execução Ibama nº 1 de 08 de Dezembro de 2017 (1353861) para fins de cálculo de Compensação Ambiental é igual a 0,5%.

Quanto as possíveis Unidades de Conservação a serem beneficiadas pela Compensação Ambiental temos no EIA (Volume IV – SEI 17843043) a seguinte informação abaixo transcrita:

(...)

“Tendo em vista o valor do recurso e a inserção do empreendimento no bioma da Caatinga, sugere-se que seja aplicado em UC que apresente características ambientais semelhantes à área do PSQ. Considerando que não foram identificadas UCs na AID do empreendimento, sugere-se que tal recurso seja aplicado em UCs na AII do empreendimento ou no estado do Ceará. Conforme apresentado no item 11.2.3 – Áreas Protegidas, a Unidade de Conservação mais próxima ao empreendimento é a RPPN Luizinho Alencar, distante 11 km do empreendimento e 4,5 km dos limites da AID. Além desta, há ainda o Monumento Natural Gruta Casa de Pedra, localizada a aproximadamente 19 km do Projeto Santa Quitéria.”

(...)

Na eventual emissão de licença prévia para este empreendimento, sugerimos a seguinte condicionante da Compensação Ambiental:

Para cumprimento das obrigações previstas no Artigo 36 da Lei 9.985/2000, apresentar o Valor de Referência – VR do empreendimento, com a relação, em separado, dos valores dos investimentos, dos projetos e programas para mitigação de impactos e dos valores relativos às garantias e os custos com apólices e prêmios de seguros pessoais e reais, observando os §§ 1º e 2º do Artigo 3º da Resolução Conama nº 371/2006. Fica definido o Grau de Impacto (GI) no valor de 0,5%, conforme definido neste Parecer Técnico.

 

PLANO DE DESCOMISSIONAMENTO

14.1. DIRETRIZES GERAIS

Em sua introdução, o plano de descomissionamento menciona a ocorrência de adequados descomissionamentos, mas também de empreendimentos minerários que foram abandonados sem controle, no Brasil. Nesse contexto, são apresentadas como diretrizes para a elaboração do plano a Resolução n° 68/2021 da ANM, que dispõe sobre o Plano de Fechamento de Mina; o Art. 18 da IN Ibama n° 4/2011 (esta revogada pela IN 14/2024, posteriormente à apresentação do EIA); normativas da Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN (CNEN - NE - 1.13 - Licenciamento de Minas e Usinas de Beneficiamento de Minério de Urânio e/ou Tório, CNEN-NN-3.01 - Diretrizes Básicas de Proteção Radiológica e norma CNEN-NE-1.04 - Licenciamento de Instalações Nucleares); Plano de desativação do empreendimento estabelecido pela a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – CETESB; Decisão de Diretoria Nº 038/2017/C estabelecida pela Cetesb, (contemplando o “Procedimento para a Proteção da Qualidade do Solo e das Águas Subterrâneas”, “Procedimento para o Gerenciamento de Áreas Contaminadas” e “Diretrizes para Gerenciamento de Áreas Contaminadas no Âmbito do Licenciamento Ambiental”; e a Resolução Conama n° 420/2009, que dispõe sobre critérios e valores orientadores de qualidade do solo quanto à presença de substâncias químicas e estabelece diretrizes para o gerenciamento ambiental de áreas contaminadas por essas substâncias em decorrência de atividades antrópicas.

São indicadas, como boas práticas a serem adotadas no Plano de Descomissionamento a garantia da reparação dos danos ambientais e a recuperação dos ambientes degradados, de modo a possibilitar o uso futuro seguro das áreas afetadas; e a manutenção dos benefícios sociais obtidos pela comunidade e reduzir os impactos negativos decorrentes do fechamento.

É mencionado que o cenário descrito e os impactos ambientais previstos no descomissionamento do empreendimento, além dos programas e custos dimensionados para o fechamento, constituem-se em um primeiro levantamento, em caráter preliminar e conceitual, havendo necessidade de detalhamento e revisão (a cada 5 anos), a fim de que seja consolidado o Plano Executivo de Descomissionamento e o Plano Final de Descomissionamento.

O Plano apresenta conceitos relacionados ao Plano de Fechamento da Mina, abordados na Resolução nº 68/2021, com alterações na Resolução nº 104/2022, da Agência Nacional de Mineração – ANM.

São apresentadas diretrizes gerais para o Plano de Fechamento da Mina, Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (que é apresentado com maior detalhamento em item específico do EIA), Plano de Desativação das Áreas Industriais da Instalação Mínero-Industrial, Plano de Descomissionamento da Instalação de Urânio, Plano de Monitoramento e Plano de Parada da Unidade Industrial.

 

14.2. PROCEDIMENTOS

GESTÃO DA DESATIVAÇÃO

É mencionada a complexidade da desativação de um empreendimento como o PSQ e necessidade de cumprimento de rígidas condições de segurança ambiental, nuclear e operacional.

São apontados objetivos, tais como: Qualidade de vida, a segurança e a saúde do público interno e das comunidades circunvizinhas, como objetivo maior; Qualidade do ar atmosférico; Qualidade das águas superficiais e subterrâneas e a proteção dos recursos hídricos; Proteção do solo, da flora e da fauna; Garantia de que as estruturas restantes estarão fisicamente estáveis e não sofrerão deterioração ou falha após o descomissionamento; Adequada proteção de todas as estruturas e utilidades de contenção de resíduos líquidos e sólidos contra erosão e carreamento de sólidos, instabilidade física e química, lixiviação de metais pesados e produtos tóxicos ou prejudiciais à saúde humana; Retorno de áreas impactadas e degradadas a um estado compatível com os objetivos de uso futuro do solo; Minimização das necessidades de manutenção e de monitoramento após o fechamento; Identificação dos itens que poderão ter valor como sucata e daqueles que poderão ser reciclados, com a avaliação de seu valor residual; a identificação dos itens que poderão ser vendidos ou transferidos como itens reaproveitáveis do ativo, visando ao reaproveitamento ou a destinação final, de forma apropriada e segura, de produtos e resíduos resultantes da desmontagem e demolição de prédios, equipamentos e utilidades; e Estabelecimento dos custos e receitas de fechamento.

São apresentados princípios que deverão embasar toda as atividades, desde o início da terraplanagem, em consonância com o PRAD apresentado, de forma a permitir a recuperação por etapas sucessivas, anteriormente ao descomissionamento geral do empreendimento. São mencionados: Revegetação imediata; Uso da Biomassa Vegetal não Comercial; Uso da Camada Orgânica do Solo; Descompactação do Solo; Coquetel de espécies pioneiras nativas da região; Coleta de Sementes Nativas; Uso do Banco de Plântulas; Plantio (por sementes e através de mudas), executado no início da época mais chuvosa do ano (inverno); Introdução de Plantas Herbáceas/Arbustivas do Sub-bosque e Epífitas; Tratos Culturais (coroamento, raleamento de pioneiras, combate a formigas, replantio); Transporte de biomassa vegetal não comercial e o solo orgânico das frentes de desmate para as áreas a serem revegetadas utilizando retroescavadeiras, tratores agrícolas e tratores tipo D4. É previsto que durante todo descomissionamento deverão ser realizadas ações relacionadas ao gerenciamento de resíduos sólidos.

INCLINAÇÃO DE TALUDES

É indicada a necessidade de monitoramento da estabilidade de taludes, sendo previsto em todas as áreas de lavra, pilha de estéril e pilha de fosfogesso e cal, de modo a garantir que os parâmetros topográficos, geotécnicos e construtivos previamente estabelecidos tenham sido seguidos durante toda a fase de operação. Dessa forma, na fase de fechamento, os eventuais trabalhos de reafeiçoamento topográfico consistiriam na correção de escorregamentos, gretas, fissuras ou ravinamentos detectados nos taludes de corte ou aterro em materiais de maior alteração ou fraturados, com o emprego dos mesmos equipamentos utilizados na lavra e transporte, conforme detalhamento nos programas ambientais (Capítulo 14). Nesse sentido, são elencadas ações de controle geológico na fase de operação do empreendimento.

É mencionada necessidade de revisão de ângulos de talude da cava e pilhas na fase de projeto básico, no entanto, tais ângulos não são mencionados no plano de descomissionamento, na fase atual.

DESATIVAÇÃO DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA (ETA)

É prevista possibilidade de que a ETA opere em módulos paralelos na fase de desativação, com o funcionamento de apenas um módulo possibilitando maior equilíbrio entre a vazão projetada, considerando a diminuição do consumo hídrico. É indicada substituição parcial e periódica dos sistemas de bombeamentos e armazenamentos, sempre que pertinente, tornando compatíveis os usos e dimensionamentos para que as eficiências de tratamento não comprometam a qualidade da água para os devidos usos industriais e sanitários.

DESATIVAÇÃO DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE EFLUENTES DOMÉSTICOS (ETE)

Há indicação de (i) redução progressiva de geração de efluentes sanitários que poderá ser adequada com a eliminação de alguns sistemas (sem especificação de quais); (ii) direcionamento para outros locais de tratamentos ativos (novamente sem especificar quais); (iii) desativação (se existentes) de sistemas aéreos; e (iv) desativação de tubulação dos sistemas desativados (entende-se como redundante, considerando que tais tubulações integram o sistema).

Na forma como o texto é apresentado, parecem existir vários locais de tratamento (várias ETEs). No entanto, conforme se observa no item 9.7.2 do Estudo (Vol. I) e figura de mesmo número, há apenas uma ETE para tratamento de Eluentes Líquidos Sanitários do empreendimento. Não são apresentadas informações concretas sobre a desativação da ETE.

DESATIVAÇÃO DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE EFLUENTES LÍQUIDOS INDUSTRIAIS (ETEL)

Somente é informado que, durante o período de fechamento do empreendimento, os sistemas de controle de efluentes industriais serão desativados. Não são apresentadas informações concretas sobre a desativação da ETEL.

DESATIVAÇÃO DOS SEPARADORES DE ÁGUA ÓLEO (SAOs)

Há indicação de que, quando desativados os SAO, haverá remoção física do mesmo e da respectiva tubulação. É mencionada possibilidade de desativação de alguns separadores e direcionamento para outros ainda ativos.

Não há detalhamento de quais áreas teriam seus separadores mantidos ou retirados, sendo mencionado que a sequência de desativações dos sistemas de controle será apresentada em planos periódicos de descomissionamento e que todo resíduo seguirá as diretrizes estabelecidas pelo PGRS.

DESATIVAÇÃO DA PILHA DE ESTÉRIL, PILHA DE FOSFOGESSO E CAL

Segundo informado, é mencionado que o fechamento da pilha de fosfogesso e cal será definido ao longo da operação do complexo, com base no acompanhamento dos monitoramentos e análises que serão realizados periodicamente, sendo observado que será necessário monitoramento, conforme descrição nos Programas Ambientais.

Com relação à pilha de estéril, é mencionado que serão iniciados trabalhos de recuperação após atestada sua estabilidade, executado reafeiçoamento topográfico, promovidas correções de eventuais escorregamentos de massa e ravinamentos e executado sistema de drenagem pluvial definitivo. No entanto, são mencionadas duas alternativas de descomissionamento, uma contemplando a manutenção da estrutura e outra prevendo a disposição de seu material na cava.

Além de ausência de detalhamento das ações a serem executadas para desativação da Pilha de Estéril e Pilha de Fosfogesso e Cal, não há discussão sobre os critérios (tampouco escolha) para a tomada de decisão quanto à manutenção da pilha de estéril ou disposição de seu material na cava. Minimamente, entende-se que as diferentes soluções apresentem custos diferentes.

DESATIVAÇÃO DO SISTEMA DE DRENAGEM PLUVIAL

Há menção de que os sistemas de drenagem serão progressivamente desativados e removidos durante o fechamento do empreendimento, exceto na pilha de fosfogesso e cal. A estabilidade das estruturas geotécnicas deverá ocorrer sem necessidade de técnicas que requerem manutenção rotineira.

SISTEMA DE CONTENÇÃO DE SEDIMENTOS

É mencionado que o sistema poderá ser desativado após comprovado o efetivo estabelecimento da vegetação e performance adequada no entorno das estruturas. Não é explicitado o que seria a performance adequada.

DESATIVAÇÃO DO DEPÓSITO INTERMEDIÁRIO DE RESÍDUOS

É indicada sua manutenção durante a fase de fechamento, com redução da frequência de coleta e destinação de resíduos, e sua desmobilização completa no fechamento total com aplicação das ações definidas no PRAD.

DESATIVAÇÃO DO SISTEMA DE COMUNICAÇÃO

O Estudo menciona que o sistema de comunicação será fechado durante a fase de fechamento, com destino adequado de resíduos gerados.

DESATIVAÇÃO DOS CONTROLES DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS

É mencionado que as medidas de controle de geração de material particulado relacionadas à pilha de estéril serão mantidas na fase de fechamento e até o estabelecimento de vegetação que tornem tais ações desnecessárias.

DESMONTAGEM DE EQUIPAMENTOS E DEMOLIÇÃO DAS ÁREAS OPERACIONAIS E INDUSTRIAIS

O Plano não detalha os procedimentos de desmontagem e demolição, mas pode-se destacar as seguintes informações:

- A demolição deverá seguir procedimentos para segregação e destinação de resíduos. Há previsão de estabelecimento de depósitos temporários.

- É indicada a execução de procedimentos de revegetação descritos no PRAD para as áreas ocupadas com edificações e estruturas de apoio.

- É sinalizada necessidade de avaliação sobre aproveitamento de equipamentos; levantamentos das estruturas, materiais, equipamentos e edificações em listas com pesos (para desmonte) e áreas (para demolição); dimensionamento de equipamentos para elevação, carregamento e transporte das estruturas desmontadas e demolidas.

- Especificamente para desmontagem de equipamentos, é mencionada elaboração de um programa com definição de procedimentos específicos para (i) desmonte dos equipamentos; (ii) segregação e destinação de resíduos e materiais; (iii) ações no caso de acidentes com óleos e produtos poluentes.

MONITORAMENTO PÓS-FECHAMENTO

O estudo indica a realização de monitoramentos: (i) águas superficiais e subterrâneas; (ii) processos erosivos, assoreamento, estabilidade de encostas e taludes; (iii) qualidade do ar; (iv) revegetação.

Não há detalhamento de parâmetros, técnicas, periodicidade e duração dos monitoramentos a serem realizados. A forma em que o texto foi escrito (“monitoramentos, como ...”) sugere que são exemplificativos e que não estão definidos.

 

14.3. POTENCIAIS USOS FUTUROS

O Estudo afirma que a avaliação dos potenciais usos futuros deverá ser subsidiada por projeto específico (não apresentado), considerando a vocação da área e restrições impostas pelos órgãos de controle.

São indicadas as seguintes possibilidades de alternativas para uso futuro:

- Propriedade rural à semelhança das propriedades vizinhas.

- Parque aberto ao público, com vegetação, trilhas e equipamentos para visitação.

- Área cercada com restrição de acesso público.

- Continuidade da operação parcial com minério proveniente de outra reserva.

São apresentadas as figuras 17-1, mostrando o empreendimento com a área da cava após receber a pilha de estéril; 17-2 considerando a área da cava revegetada após a disposição do material da pilha de estéril e reconformação topográfica; e 17-3 considerando o estabelecimento de cobertura vegetal nos taludes e bermas da pilha de estéril e cava e revegetação da área industrial e reconformação topográfica.

A decisão quanto aos usos futuros é lançada para projeto específico posterior. Não são apresentadas discussões relacionadas à vocação da área e potenciais restrições a serem impostas pelos órgãos de controle.

 

14.4. CRONOGRAMA DE DESATIVAÇÃO

É apresentado Cronograma de desativação do empreendimento (Quadro 17-2) contemplando 20 anos de operação do empreendimento, 3 anos de descomissionamento, 4 anos de manutenção e um ano de pós fechamento.

Entende-se como pertinente mencionar as seguintes inconsistências relacionadas ao cronograma:

- A definição quanto ao uso futuro da área é colocada para o último ano de manutenção e 1° (e único) ano de pós fechamento previsto no cronograma. Entende-se que tal decisão poderá refletir em ações de descomissionamento, logo, não poderia ser deixada para fase posterior a essa etapa.

- Não há plena consonância entre os monitoramentos sinalizados no texto (águas superficiais e subterrâneas; processos erosivos, assoreamento, estabilidade de encostas e taludes; qualidade do ar; revegetação) e no cronograma (manutenção das estradas e instalação de cercas, guaritas, placas de aviso e sinalização; áreas vegetadas; geotécnico e hidrológico; água, solo, fauna, flora etc.).

- Não aparece no cronograma a realização de projetos específicos que se façam necessários, considerando que não houve detalhamento das ações a serem realizadas para desativação.

- Não é apresentada discussão sobre a duração dos monitoramentos a serem realizados. Entende-se que os períodos apresentados podem ser insuficientes.

 

14.5. CUSTOS DE FECHAMENTO

O Estudo menciona que, seguindo estimativa de custos de recuperação ambiental por meio de recomposição da vegetação nativa de áreas no Bioma Caatinga apresentada na Portaria Ibama n° 118/2022, a recuperação ambiental de 247 ha seria de R$ 5.155.075,25. Adicionalmente é informado que a reserva financeira de R$ 81 milhões, acumulada no período de 20 anos de operação do empreendimento, seria suficiente para as atividades apresentadas no Plano de Descomissionamento.

No entanto, com relação aos custos de execução do plano de descomissionamento, não foram apresentadas informações necessárias para sua avaliação. É pertinente mencionar que, ainda que não seja esperado para a atual fase de licenciamento a apresentação de um Plano de Descomissionamento em caráter executivo, o Plano contemplou apenas algumas diretrizes para sua futura execução não sendo possível, na forma apresentada, inferir se sua execução é factível no cronograma e com o orçamento apresentados. Decisões quanto ao uso futuro da área foram, em cronograma, postergadas ao máximo, sem que fossem sequer apresentados critérios claros e específicos para a tomada de decisão.

 

ESTUDO DE ANÁLISE DE RISCO

O Estudo de Análise de Risco (EAR) para a o complexo mínero-industrial foi apresentado no Capítulo 18 do EIA (Vol.IV, p. 802-1103), composto de oito itens: 18.1.introdução, 18.2.Caracterização das Instalações, Operações e Região de Entorno, 18.3.Classificação das Substâncias Químicas, 18.4.Identificação dos Riscos, 18.5.Estimativa de Consequências e Análise de Vulnerabilidade, 18.6.Estimativa das Frequências de Ocorrência, 18.7.Estimativa e Avaliação dos Riscos, 18.8.Conclusões e Recomendações da Análise de Risco.

Utilizou-se como requisito norteador a “Norma Técnica CETESB P4.261: Risco de Acidente de Origem Tecnológica – Método para decisão e termos de referência”. Tal norma estabelece as diretrizes e critérios técnicos para a elaboração de Análises de Risco Tecnológico associadas a fontes de risco fixo: instalações industriais e dutos, cujas atividades e processos envolvem substâncias com potencial de causar acidentes ampliados, a exemplo de produtos inflamáveis e compostos químicos classificados como perigosos.

No terceiro parágrafo do Item 18.1, destaca-se que tal método não se aplica a análise de riscos provenientes das substâncias com características radioativas, os quais, são analisados em estudos específicos, de acordo com as exigências e diretrizes para o Licenciamento da CNEN.

A descrição das etapas do processo, contida no item 18.2, faz referência ao Volume I do EIA, que aborda a caracterização do empreendimento. Foi incluído neste item dados técnicos necessários a modelagem de risco, informações referentes à localização do projeto, levantamento populacional, condições meteorológicas, e um diagrama de blocos simplificado do projeto (figura18.2-1). Consta ainda a lista de documentos de referência utilizados para elaboração do Estudo, a exemplo de fluxogramas de engenharia dos sistemas; fichas de informações de produtos químicos (FISPQ); lista de dados de entrada das avaliações de hipóteses acidentais e Anotação de Responsabilidade Técnica da equipe responsável pelo EAR.

A classificação das substâncias químicas foi discutida no Item 18.3, discorre-se sobre os critérios definidos na Norma P4.261 para seleção dos compostos, que por sua natureza apresentem potencial de imposição de danos, a partir da ocorrência de acidentes ampliados. São apresentados os conceitos de toxicidade e inflamabilidade e as suas respectivas classificações (Quadro18-4, 18-5 e 18-6). Tais conceitos foram empregados para montar o quadro 18-7 que apresenta a lista de substâncias químicas associadas ao complexo mínero-industrial, suas respectivas propriedades físico-químicas, nível de inflamabilidade e de toxicidade.

O estudo aponta cinco substâncias líquidas e/ou gasosos (ácido fluossilícico, amônia, dióxido de enxofre, trióxido de enxofre e GLP) que por sua natureza química se enquadram como potencialmente danosos.

Foram listadas no quadro 18-8 quinze substâncias sólidas envolvidas no processo, sendo que apenas quatro foram classificadas como “produto potencialmente explosivo”. Informa-se que, mesmo não se vislumbrando danos externos ao complexo industrial, em função da possibilidade de danos à saúde humana ou ao meio ambiente, tais compostos foram também incluídos na análise.

A primeira etapa da avaliação, de natureza qualitativa, discute de forma sistematizada as características do empreendimento e os possíveis desvios e/ou perigos associados a sua operação. Para o caso do PSQ, foi utilizado como metodologia para identificação dos perigos a técnica qualitativa denominada Análise Preliminar de Risco (APR). Informa-se que essa metodologia é indicada para avaliação de instalações na fase inicial e nas etapas de projeto, porém também se aplica à revisão dos aspectos de segurança em unidades já em operação.

No item 18.4 evidencia-se as etapas da metodologia de identificação dos riscos. Foram identificadas 84 hipóteses acidentais, classificadas conforme os critérios apresentados nos quadros contidas no item. Discutiu-se as possíveis causas dos eventos, os meios esperados de detecção e as salvaguardas ou medidas de proteção já previstas no projeto. As possíveis consequências ou danos foram analisadas para quatro meios receptores: meio ambiente (solo, ar, fauna, flora e recursos hídricos); pessoas (operadores e terceiros presentes na planta industrial); imagem da empresa e instalações. O quadro 18-13 nomeia os componentes da equipe responsável pela estruturação e revisão da APR: engenheiros de segurança da empresa AGR Engenharia, profissionais da Fosnor e um representante das Indústrias Nucleares do Brasil. Concluindo o item, são apresentadas as 41 planilhas (pg.826-866) com os resultados consolidados do trabalho, evidenciando-se cada uma das 84 hipóteses acidentais.

Os itens subsequentes, detalham os critérios técnicos e a aplicação da metodologia para etapas de estimativa das consequências, das frequências de ocorrência e demais parâmetros aplicáveis para as 45 hipóteses acidentais selecionadas, basicamente aquelas que envolvem vazamentos dos cinco compostos químicos nas variadas situações identificados. Informa-se que a fermenta utilizada para análise qualitativa do Risco foi o software Safeti™ versão 8.23.

Os riscos impostos pela instalação foram estimados e avaliados sob a forma de risco social, representado pelo risco imposto a um grupo de pessoas e risco individual, aquele inerente à instalação, imposto a um indivíduo.

Os resultados para o risco individual são discutidos e apresentados em imagens nas Figuras 18.7-1 e 18.7-2, concluindo-se que os valores obtidos são plenamente aceitáveis para os cenários estudados.

A discussão do risco Social e apresentada no item 18.7.3, e considerando as áreas com presença de população não são atingidas pelos efeitos físicos das hipóteses acidentais avaliadas, conclui-se que não há possibilidade de eventos de vazamento de líquidos inflamáveis ou tóxicos causarem fatalidades nas comunidades externas ao empreendimento. Motivo pelo qual software não gerou nenhum ponto ou curva representativa de tal risco.

O EAR seguiu a metodologia proposta pela Norma Técnica CETESB P4.261: Risco de Acidente de Origem Tecnológica – Método para decisão e termos de referência” no que se aplica ao processo mínero-industrial. A técnica de APR, utilizada para levantamento preliminar dos perigos incluiu as possíveis consequências ao meio ambiente (solo, ar, fauna, flora e recursos hídricos). Concluída as etapas do Estudo, o Risco Individual foi considerado aceitável e o Risco Social, aquele que avalia possíveis danos no entorno da instalação, foi considerado nulo, uma vez que a planta industrial será implantada dentro da área da Fazenda Itataia. Diante do que foi apresentado entende-se o EAR adequado, devendo seus resultados ser observados quando da elaboração do Plano de Gerenciamento de Riscos e Plano de Emergência da instalação.

 

ENCAMINHAMENTOS E COMPLEMENTAÇÕES

CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO

Cavidades - Caso seja exposta alguma cavidade oclusa durante a implantação das fundações da instalação industrial, ou mesmo durante o desenvolvimento da lavra, as obras deverão ser paralisadas até que seja realizada uma avaliação da cavidade e do seu grau de relevância.

Sistema de impermeabilização da pilha de fosfogesso e cal - reavaliar o sistema de impermeabilização esclarecendo a sua eficácia, robustez e durabilidade, considerando os aspectos de tensão elevada, recalques diferenciais e imperfeições no terreno, bem como considerando a necessidade de adicionar uma camada espessa de solo compactado (com coeficiente de permeabiliade adequado), de modo a garantir regularidade no terreno e impermeabilização mais segura e durável.

Abastecimento de Água Durante a Implantação - Definir nova forma de abastecimento de água durante a implantação do Projeto Santa Quitéria, uma vez que o abastecimento via caminhões pipa e, secundariamente, por água subterrânea, foi considerado inviável pela equipe técnica.

Abastecimento de Energia Elétrica durante a Implantação - Considerando que o uso de geradores implica na queima de combustíveis fósseis, esta equipe técnica solicita que seja verificada a possibilidade de que todo o abastecimento de energia elétrica ao canteiro de obras seja realizado por meio da linha de transmissão já existente.

Transporte - A movimentação de cargas através das estradas será intensa, solicita-se ao empreendedor esclarecer se a infraestrutura das estradas terá condições de atender ao aumento de tráfego e se estão sendo propostas medidas para minimizar tal impacto. 

Topsoil - Qual a destinação final do material oriundo do decapeamento da mina (solo orgânico/topsoil)? Está prevista a utilização deste material em projetos de recuperação ambiental, tipo o PRAD?

Na planta de ácido sulfúrico - informar a destinação do material oriundo da caixa separadora de sólidos.

Considerando que a pilha de fosfogesso será constituída por uma mistura entre fosfogesso dihidratado (CaSO4.2H2O) e carbonato de cálcio (CaCO3), dois materiais com dureza baixa (2 e 3 respectivamente), tem-se dúvidas quanto a informação apresentada pelo empreendedor de que o material encaminhado à esta pilha não apresenta potencial de erodibilidade, de modo que deverão ser apresentadas informações complementares quanto a este ponto.

Questiona-se se a reação entre o fosfogesso hemi-hidratado e a cal hidratada provocará expansão ou contração do material. Caso haja a contração ou expansão do material, qual a probabilidade de fraturamento deste? Em caso de formação de fraturas, que medidas serão adotadas visando a manutenção da estabilidade da pilha de fosfogesso e, principalmente, se evitar a percolação de água na pilha, o que favoreceria a sua erosão e/ou intemperismo físico/químico.

Considerando que a disposição do material na pilha de fosfogesso será feita por, entre outros equipamentos, tratores de esteira, e considerando que a dureza dos compostos que compõem o material disposto na pilha (fosfogesso e carbonato de cálcio) é baixa, o vai e vem dos tratores de esteira pode danificar a porção superior das camadas o que, por sua vez, pode levar a dispersão de material pela ação do vento ou chuva. Solicita-se manifestação do empreendedor quanto a esta possibilidade e quais medidas de controle podem/serão adotadas.

Considerando que a pilha de fosfogesso e cal foi dimensionada para toda a vida útil do empreendimento, questiona-se se as camadas basais da pilha de fosfogesso aguentarão toda a carga das pilhas superiores ao longo do tempo, não havendo a possibilidade de fraturamento ou mesmo o colapso destas. Este ponto deverá ser esclarecido pelo empreendedor.

Geração de Efluentes Líquidos e Gasosos e Resíduos na Instalação de Urânio - Solicita-se que seja confirmado que os demais elementos não foram detectados pelos métodos de análise aplicáveis, ainda que presentes em traços, e que tal situação não compromete a destinação pretendida.

Apresentar lista dos aterros Classe I existentes na região do empreendimento e qual a sua distância para o PSQ.

Logística do Transporte de Insumos e Produtos no PSQ e Transporte de Insumos - Reapresentar o mapa 9.6-1 (página 467 – volume I) em escala adequada, uma vez que o mapa presente no EIA não permite a visualizar se há previsão de uso de estradas carroçais do entorno do empreendimento.

Apresentar discussão sobre a qualidade das rodovias de acesso ao PSQ, enfocando na necessidade de compatibilização da qualidade da malha viária com as demandas do transporte de insumos do empreendimento.

Distribuição de Produtos do PSQ - Justificar a afirmação do EIA de que a maioria das operações de transporte do PSQ seria casada, uma vez que o meio utilizado no transporte dos produtos (basicamente caminhões graneleiros e carreta porta container) difere significativamente do meio utilizado no transporte dos insumos (caminhão toco, caminhão truckado, caminhão basculante e caminhão tanque).

Esclarecer a disparidade entre a Logística do Transporte de Insumos e Produtos do PSQ apresentado na Figura 9.6-3 (página 762 – Volume I) e o mapa da página 468 (Volume I), que trata do mesmo assunto. Enquanto na figura 9.6-3 tem-se até a utilização de navegação de cabotagem no litoral do Nordeste e interior do estado do Pará e distribuição dos produtos para o interior do estado do Pará e norte do estado do Mato Grosso, com os insumos sendo provenientes exclusivamente da região Nordeste; o mapa da página 468 restringe o transporte ao meio rodoviário, não havendo transporte de produtos para o interior do Pará e norte de Mato Grosso e parte dos insumos seria proveniente da região Sudeste, em especial o estado de São Paulo.

Operações de Controle da Qualidade Ambiental na Fase de Operação

DrenagemO Estudo não esclarece como será a drenagem das águas oriundas do rebaixamento do lençol freático, no momento em que houver a interceptação do nível d’água pela evolução do nível de exploração na cava. Considerando que se trata potencialmente de vazões elevadas; considerando características da água quanto à presença de elementos radioativos; e considerando que essas águas não podem ser lançadas nos corpos hídricos naturais, faz-se necessário que o empreendedor apresente os seguintes esclarecimentos: forma como se dará o rebaixamento do lençol freático (sistema de bombeamento); cálculo da máxima vazão explotada; destinação das águas explotadas, compatível com os valores da vazão, caráter contínuo do bombeamento e volumes gerados; tratamento das águas sob aspectos de qualidade.

Chama atenção o grande número de viagens de caminhão que serão necessárias para suprir a demanda do complexo mínero-industrial. Considerando apenas os quatro insumos mais significativos (quadro 9.6-2, (Vol.I, pg.465), coque de petróleo e enxofre, rocha fosfática e filler tem-se um total de 24.699 viagens de caminhão por ano, para atender ao processo. Tal situação configura-se enorme pressão sobre o sistema viário da região, além de impacto sobre a qualidade do ar. Desta forma, solicita-se a apresentação de esclarecimentos e proposta de medidas para minimizar tal impacto.

Insumos para a Fase de Operação - o empreendedor deverá esclarecer se realmente existe a possibilidade de uso da água subterrânea para abastecimento do projeto, seja na implantação, seja na operação, seja para abastecimento normal ou para casos de contingência e/ou emergência e, em caso afirmativo, apresentar todos os estudos relacionados, principalmente aqueles referentes ao rebaixamento dos aquíferos locais, influência em nascentes, vazão dos rios e influência futura na qualidade da água presente na região. Esses estudos deverão ser realizados levando-se em consideração as mudanças climáticas previstas para a região.

Quanto ao insumo Enxofre, informar a destinação final dos sólidos (retorno para a pilha de enxofre?) ou da água (se será reutilizada na aspersão ou encaminhada para alguma lagoa).

Para o óleo vegetal, faz-se necessário informar a destinação da borra oleosa e da água oriunda da caixa separadora de água e óleo.

Equipamentos para a Fase de Operação - Não foi apresentada uma estimativa para a quantidade de equipamentos necessários, nem uma estimativa das máquinas (caminhões, escavadeiras, tratores de esteira, etc.) e suas quantidades, necessárias para a operação, devendo este ponto ser corrigido pelo empreendedor. Quando da apresentação da lista de máquinas/equipamentos necessários para a operação do empreendimento, incorporar os equipamentos necessários para a fase de lavra.

Fase de Desativação

Apesar de apresentada a possibilidade de utilização da pilha de estéril para fechamento da cava no Plano de Descomissionamento, não houve definição por tal opção nem apresentados os critérios para a tomada de decisão quanto à manutenção da pilha de estéril ou disposição de seu material na cava.

Conforme abordado na análise do Plano de Descomissionamento, entende-se que (i) deverá haver detalhamento da concepção final da área da cava ou dos diferentes cenários para sua configuração final, bem como dos critérios que deverão nortear as decisões relacionadas à fase de desativação, em especial no que se refere à configuração final do empreendimento e do uso futuro da área. Também deverão ser apresentados subsídios que indiquem que os recursos previstos serão suficientes para a execução das atividades necessárias para a desativação do empreendimento.

Infraestrutura para o PSQ – Projetos Correlatos

Infraestrutura de Acesso Rodoviário - A infraestrutura de acesso rodoviário foi considerada como ponto de gargalo pela equipe técnica. Embora exista o Memorando de Entendimentos assinado entre o Governo do Estado do Ceará e o Consórcio Santa Quitéria, entende-se que este ponto deverá receber especial atenção por parte do empreendedor, para que a infraestrutura viária esteja adequada quando do possível início das obras, de modo a não inviabilizar a implantação do empreendimento.

Cronograma de implantação dos Projetos correlatos de infraestrutura – questiona-se a viabilidade do início imediato das obras visando a implantação/melhoria da infraestrutura necessária ao PSQ imediatamente após a emissão da Licença Prévia por parte do Ibama, devendo este ponto ser esclarecido pelo empreendedor.

 

IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDIMENTO E DA EMPRESA CONSULTORA

Apresentar a seguinte documentação:

  • Os certificados de regularidade junto ao CTF da INB, TETRA+, e sub-contratadas que elaboraram o EIA;

  • Os certificados de regularidade junto ao CTF dos técnicos que elaboraram o EIA;

  • As ART’s dos profissionais:

  • Katiuscia de Sousa Silva

  • Matheus Tribst Rico

  • Felipe Jardelino Elói

  • Jayme Aysla Mendonça Brito

  • Isabella Laís Chalegre

  • Raone Beltrão Mendes

  • Patrício Adriano da Rocha

  • Telton Pedro Andelson Ramos

  • Diogo Loretto

  • Declaração de Participação e Responsabilidade Técnica do profissional Bruno Ferreira.

Foi apresentada a ART do profissional Marcos Portela referente ao trabalho realizado por ele no ano de 2021, devendo ser apresentada a ART referente ao trabalho realizado por ele no ano de 2023.

Foi apresentado somente o rascunho da ART do profissional Robson Caldeira Cruz, devendo ser apresentada a ART válida.

Foram apresentadas duas ART’s de profissionais que não constam do quadro 2.3-2 (folha 32, Volume I do EIA – SEI 17842400) – Martinês Vicente da Silva Júnior (ART CREA-SP 28027230231902798) e Augusto Salerno Auler – ART CREA-MG MG20210672856 – devendo ser esclarecido se esses dois profissionais fizeram ou não parte da Equipe Técnica que elaborou o EIA ora em análise.

 

ALTERNATIVAS TECNOLÓGICAS

Explicar o que seria o método de explotação ex-situ.

Apresentar cópia do Ofício nº 153/2017- CGRC/CNEN, de 27/07/17.

Durante a purificação do ácido fosfórico, há a geração de uma “lama” rica em Th e lantanídeos (elementos terras raras). Considerando a elevada demanda por terras raras no mercado mundial, solicita-se que o empreendedor estude a possibilidade/viabilidade de comercialização dessa “lama”.

Esclarecer qual será a forma secundária de abastecimento de água ao Projeto Santa Quitéria, uma vez que ora se fala em água subterrânea, ora se fala em açudes particulares.

Dados os problemas de escassez de água na região, e a necessidade de um elevado fluxo de caminhões para o Açude Edson Queiroz para o abastecimento do complexo durante as obras, por estradas não asfaltadas e em condições precárias de manutenção, esta equipe entende que as opções apresentadas visando o abastecimento de água durante a implantação do empreendimento não são viáveis, tendo em vista que os impacto gerados não foram avaliados dentro do projeto e não são mitigáveis.

Deverá ser apresentada avaliação da capacidade da malha viária, com destaque para a Rodovia BR-020 (mas não exclusivamente), para receber o incremento de viagens e cargas previstas para o empreendimento.

 

ALTERNATIVAS LOCACIONAIS

Reelaborar o item alternativas locacionais, apresentando as diferentes alternativas estudadas (apresentadas no Mapa 7.1-1 - página 192 – Volume I – SEI 17842400), discussão sobre seus pontos positivos e negativos e uma comparação entre elas, justificando alternativa escolhida.

Entre as premissas utilizadas para justificar a adequação da alternativa locacional sugerida, tem-se unicamente premissas relacionadas aos meios físico e biótico, não tendo sido apresentada nenhuma premissa relacionada ao meio socioeconômico, o que está em desacordo com o solicitado no Termo de Referência do empreendimento, devendo este ponto ser corrigido pelo empreendedor.

Quanto à disposição do estéril e do fosfogesso, estudar a viabilidade de disposição parcial destes no interior da cava a partir do segundo ou terceiro ano de operação.

Verificar a possibilidade de dar outra destinação à lama enriquecida de Th e lantanídeos (terras raras) que não seja a pilha de fosfogesso (venda?, armazenamento em tambores? Lagoa?).

Caso seja possível dar outra destinação à lama enriquecida em Th e Elementos Terras Raras, verificar a possibilidade de comercialização parcial ou total do fosfogesso como insumo agrícola ou outros usos, tais como condicionador de solos, construção civil, indústria cimenteira e como fonte de sulfato em aplicações industriais.

Ressalta-se que as sugestões acima visam reduzir o impacto ambiental do empreendimento, uma vez que minimizam a geração de rejeito ou dão outra destinação a este.

 

DEFINIÇÃO DAS ÁREAS DE INFLUÊNCIA

Quanto a Área Diretamente Afetada, realizar e apresentar o monitoramento da espécie Furipterus horrens, com a definição da sua área de vida, e verificação de necessidade ou não de ajustes na AID e na ADA do empreendimento. Em caso afirmativo, que sejam realizados os ajustes necessários na AID e na ADA e as devidas correções no EIA do empreendimento.

Quanto às Áreas de Influência do Meio Socioeconômico O EIA considerou, portanto, as localidades (pontos) como AID, caracterizando um erro metodológico, pois como o próprio nome indica a “Área” deve ser considerada em duas dimensões. Quando uma área é definida como ponto, exclui-se na análise ambiental a interação comunidade-ambiente que a envolve, desconsiderando, por exemplo, o modo de vida local e a utilização dos recursos naturais pelas comunidades. Ao mesmo tempo, o método acaba considerando como AII um impacto ambiental que ocorre próximo a uma comunidade. As áreas de influência direta e indireta do meio socioeconômico deverão ser redefinidas, e os estudos elaborados deverão ser adequados tendo em vista as novas áreas definidas.

 

ANÁLISE DO DIAGNÓSTICO DO MEIO FÍSICO

Clima e Meteorologia - O Estudo utiliza dados de diferentes estações e postos pluviométricos, mas não indica o motivo para não utilização dados de períodos contínuos das diferentes estações e postos pluviométricos. É possível imaginar que existam lacunas de dados, mas tal informação deveria ser explicitada.

O Estudo apresenta rosa dos ventos (fig. 11.1-21) a partir dos dados obtidos da Estação Itataia, onde é possível visualizar, frequência, direção e velocidade dos ventos. Considerando que junto ao Estudo de Dispersão Atmosférica é apresentada também outra rosa dos ventos, entende-se que deverão ser apresentados esclarecimentos relacionados, justificando qual rosa dos ventos seria a mais adequada para a caracterização esperada.

Qualidade do Ar - Entende-se como pendências do diagnóstico de qualidade do ar a ausência de discussão e justificativa sobre a escolha dos pontos de medição; e de discussão de resultados referentes ao material particulado (MP2,5, MP10, PTS) e monóxido de carbono (CO). Adicionalmente, por ocasião da apresentação das informações solicitadas, entende-se que deverão ser apresentadas as adequações relacionadas à alteração na legislação, considerando a Resolução Conama n° 506/2024 estabeleceu novos padrões de qualidade do ar.

Ruído e Vibração - Considerando que os valores de vibração aferidos parecem extrapolar valores de vibração natural, inclusive adentrando a níveis de potenciais incômodos à população (aspecto não abordado no estudo), entende-se que a afirmação de que os valores aferidos são de origem natural e estão corretos deverá subsidiada por bibliografia relacionada, cabendo detalhamento das possíveis causas de vibrações elevadas ou eventualmente confirmação por realização de nova campanha de vibrações.

Geomorfologia - O Mapa 11.1-4, denominado “Domínio Morfoestrutural dos Cinturões Móveis”, contempla as principais unidades geomorfológicas que ocorrem na região de estudo. Ainda que seja possível interpretá-lo com as informações apresentadas em texto e demais mapas dispostos no Estudo, é pertinente registrar que o referido mapa apresenta problema em sua legenda, não sendo indicados os significados das cores de fundo e de delimitações apresentadas (áreas de influência, cursos e acúmulos d’água, serras, domínio morfoestrutural, limites municipais). Entende-se que o mapa deve ser reapresentado, com a legenda corrigida.

A Figura 11.1-46, apresenta três perfis topográficos cujas localizações estariam dispostas no Mapa Geomorfológico da AID e ADA (Mapa 11.1-7), no entanto, observa-se que os perfis diferem das localizações indicadas no referido mapa e estão em consonância com as localizações apresentadas na Figura 11.1-47.

Pedologia - Questiona-se se os dados obtidos no ensaio de rebaixamento da água no solo realizado no ano de 2021 podem ser comparados com os dados obtidos no ano de 2023 uma vez que se constatou diferença metodológica entre os dois.

Caracterização Química dos Valores de Base para os Solos da ADA - Reapresentar o mapa 11.1-11 (página 147 – Volume IIA), e o mapa 11.1-12 (página 155 – Volume IIA) com a localização de todos os pontos de amostragem de solo, obtidos nas campanhas de 2011, 2021 e 2023, juntamente com uma descrição desses pontos em termos de pedologia e geomorfologia, de modo a permitir avaliar se a distribuição está adequada e se realmente houve uma coleta em cada tipo de solo e em diferentes tipos de domínios geomorfológicos.

Solicita-se que sejam apresentados mapas mais simples, com menor número de informações, para melhor visualização da informação que se quer apresentar, mesmo que isto resulte em um maior número de mapas a ser elaborado.

Quanto à coleta de amostras de solo para análise, esclarecer se todas as amostras foram coletadas segundo as normas da ABNT; se foram coletadas através de pequenas escavações; se as amostras coletadas em 2023 foram coletadas em pequenas escavações e em profundidade, através de sondagem e se depois foram quarteadas para homogeneização.

Esclarecer se todas as amostras de solo foram analisadas pelo laboratório Bioagri com as amostras coletadas no ano de 2023 também sendo analisadas pelo laboratório Mérieux.

Informar qual a real profundidade da amostra de solo. O texto do EIA informa que as amostras teriam sido coletadas no ponto mais fundo das sondagens. Entretanto, segundo as fichas de análise, as amostras teriam sido coletadas a uma profundidade entre 30cm e 1,0m. Não foi apresentada justificativa para a mudança na metodologia de coleta das amostras (nos anos de 2011 e 2021 foi feita a coleta de amostras superficiais enquanto no ano de 2023 foram feitas coletas de amostras sub-superficiais); não foi apresentada justificativa para a variação na profundidade da coleta das amostras no ano de 2023; qual impacto dessas duas variáveis (alteração da metodologia de coleta e variação na profundidade das coletas) nos resultados obtidos; e se os dados obtidos no ano de 2023 ainda podem ser comparados com os resultados obtidos nos anos de 2011 e 2021. Todos esses pontos devem ser esclarecidos.

Corrigir o Quadro 11.1.5-8 (página 175 – Volume IIA), apresentando também, para comparação, os dados obtidos nas campanhas realizadas nos anos de 2011 e 2021.

Geotecnia - O EIA aponta que durante a fase de implementação do empreendimento e construção das estruturas, está prevista a realização de sondagens mistas (percussivas e rotativas) para avançar nos conhecimentos geológicos-geotécnicos. Os estudos têm como objetivo principal a avaliação de presença de cavidades subsuperficiais, bem como a determinação em nível executivo do perfil do solo/rocha (modelo geológico-geotécnico), de modo a se avaliar as influências para o suporte de tensões do terreno. A incerteza quanto ao perfil do solo/rocha e quanto à existência ou não de cavidades subsupeficiais geram igual incerteza quanto à capacidade de resistência dos terrenos onde se assentarão as estruturas da planta industrial e principalmente as pilhas de estéril e de fosfogesso e cal. Nesse momento, não é possível afastar totalmente a eventual necessidade de alteração de local e/ou geometria dessas pilhas, caso medidas de tratamento das cavidades não se mostrem viáveis técnica ou economicamente. Dessa forma, é necessário proceder a realização das sondagens mistas, para avaliação da viabilidade locacional das estruturas do empreendimento.

Geologia

Dados Geofísicos – Reapresentar, de forma legível, a figura 11.1-113 (página 293 – volume IIA).

Apresentar os resultados obtidos por Alcântara e Silva (2002) através do método de Sondagem Geofísica (eletrorresistividade) com o arranjo do dispositivo do tipo Schlumberger. Também deverão ser apresentados os dados/resultados obtidos por este autor quanto ao processo de carstificação e mineralização da jazida de Itataia e discussão quanto a possíveis implicações quanto a espeleologia.

Esclarecer por que as anomalias identificadas nos perfis de resistividade realizados no ano de 2021 locados sobre mármores não foram correlacionados a possíveis cavidades naturais.

Geologia Local – Reapresentar o Mapa 11.1.19 (página 321 – Volume IIA do EIA), corrigindo-se a legenda, que se encontra incompleta, pois atualmente não mostra quais as cores correspondentes aos diferentes tipos de rocha identificados em campo; e não apresenta a localização da pista de pouso.

Geologia da Área da Jazida - O mapa da figura 11.1-127 deve ser reapresentado, uma vez que a legenda se encontra ilegível, não permitindo se identificar as feições presentes. Nesse mapa também não foi possível localizar os perfis geológicos. Não foram apresentadas as legendas para as figuras 11.1-128 a 11.1-132. De modo a facilitar a leitura dos perfis, solicita-se que cada perfil apresente a sua própria legenda.

Solicita-se a reapresentação da figura 11.1-146, em escala adequada para a visualização, uma vez que o modo como esta está representada não permite a identificação/diferenciação adequada dos seus diferentes elementos.

Hidrogeologia - Reapresentar, em escala adequada, os mapas temáticos e o mapa consolidado da figura 11.1-29, de modo a permitir uma melhor visualização das feições apresentadas.

Reapresentar, em escala adequada, a figura 11.1-30, de modo a permitir uma melhor visualização das feições apresentadas.

Reapresentar, em escala adequada, os mapas temáticos e o mapa consolidado da figura 11.1-31, de modo a permitir a visualização em detalhe das feições apresentadas.

Reapresentar, em escala adequada, o mapa da figura 11.1-32, de modo a permitir a visualização em detalhe das feições apresentadas.

Identificar, nos mapas das figuras 11.1-31 e 11.4-32, o que é a linha em azul, que não foi descrita na legenda.

Simplificar a figura 11.1-270, de modo que ela apresente somente o Modelo Hidrológico conceitual da ADA. As demais informações atualmente presentes na figura 11.1-270 deverão ser apresentadas em figuras separadas. Especial atenção deverá ser dada à legenda, uma vez que existem feições que não estão listadas na legenda e símbolos muito semelhantes que não permitem diferenciação entre eles.

Espeleologia - Refazer a prospecção espeleológica, na densidade de caminhamento adequada, na região de muito alto potencial espeleológico localizada próximo à pilha de fosfogesso. A região foi definida pela empresa de consultoria como apresentando muito alto potencial espeleológico e a prospecção espeleológica no local não foi realizada em acordo com a densidade de caminhamento proposta para este grau de potencial espeleológico.

Esclarecer se as cavidades em mármore utilizadas para compor a amostra regional estão localizadas em mármores da Formação Itataia do Grupo Ceará. Caso as cavidades estiverem localizadas em outras formações do Grupo Ceará, elas devem ser desconsideradas, uma vez que não corresponderão à mesma Unidade Espeleológica, pois terão sido formadas em litologias semelhantes (calcário) mas depositadas em ambientes diferentes e/ou submetidas a processos metamórficos e deformacionais distintos.

Questiona-se se a época de visitação das cavidades influenciou na avaliação do item hidrologia das cavidades, com as cavidades visitadas no período seco sendo subestimadas quanto às suas características hidrológicas locais. Ressalta-se que o próprio relatório informa que a ausência de feições hidrológicas não permite descartar por completo eventuais atividades hídricas temporárias.

Estudo de Dispersão Atmosférica (EDA). O Estudo deverá ser reapresentado contemplando as pendências indicadas em item específico deste parecer relacionadas à (i) desconsideração de concentrações background de PTS, MP10, MP2.5, SO2, NO2 e CO; (ii) não utilização de dados meteorológicos provenientes de estação meteorológica de superfície que atenda aos requisitos do modelo utilizado; (iii) apresentação de duas rosas dos ventos, semelhantes mas não iguais e (iv) utilização de Área Urbana nas configurações do modelo, o que pode, eventualmente, gerar concentrações mais baixas e subestimar os impactos, por considerar o aumento da dispersão horizontal e vertical em razão de ocorrência de maior turbulência e maior altura da camada limite (boundary layer) por maior rugosidade e maior convecção térmica.

 

ANÁLISE DO DIAGNÓSTICO DO MEIO BIÓTICO

Solicita-se verificar as informações sobre a eficiência amostral apresentadas no EIA sobre a amostragem de aves, revisando e corrigindo:

Os dados,

Os cálculos de porcentagem da representação dos dados obtidos quando comparados com os estimadores utilizados e

O gráfico apresentado na figura 11.2.1-48 do EIA.

Solicita-se revisar o tópico C.3. Espécies Ameaçadas e Protegidas por Legislação Internacional e/ou Federal e/ou Estadual, apresentado no diagnóstico da Mastofauna Terrestre considerando a lista de espécies ameaçadas do estado do Ceará publicada pela Portaria SEMA Nº 93/2022 ou por versão mais recente.

Solicita-se em relação ao diagnóstico do grupo Apidae:

Informar as datas em que foram realizados os trabalhos de campo.

Revisar os cálculos do esforço amostral referente as metodologias de amostragem com o uso de armadilhas e de busca ativa descritos no item B.2. Levantamento de Apidae – Dados Primários. 

Solicita-se em relação ao diagnóstico grupo Formicidae a verificação e correção no texto apresentado para o dado sobre a equitabilidade da AID e da referência ao Quadro 11.2.1-39.

Solicita-se em relação ao diagnóstico da ictiofauna que:

Verificar e corrigir os dados Quadro 11.2.2-4, da Figura 11.2.2-34 e da Figura 11.2.2-35.

Apresentar a curva de acúmulo de espécies do levantamento primário e realizar nova avaliação da suficiência amostral.

Apresentar justificativa para o uso como bioindicador da espécie Oreochromis niloticus ao invés das espécies nativas Astyanax bimaculatus e Serrapinnus heterodon.

Realizar nova campanha levantamento dos peixes da família dos Rivulidae em boas condições de amostragem, ou seja, realizando as amostragens com as poças temporárias cheias e pelo menos após transcorrido de um a dois meses de início das chuvas.

Solicita-se em relação a Identificação e avaliação de impactos ambientais sobre o impacto Perturbação da Fauna:

A reavaliação do atributo Probabilidade de Ocorrência na faze de implantação.

A reavaliação do atributo Ordem (ou origem) na fase de operação.

Solicita-se a elaboração de programa específico para as espécies ameaçadas de extinção identificadas no diagnóstico do meio biótico, visando apoiar a implementação das ações dos Plano de Ação Nacional – PAN das espécies identificadas, como instrumento de mitigação dos impactos do empreendimento sobre estas espécies.

Solicita-se apresentar a localização, área e capacidade de produção do viveiro a ser instalado pelo empreendedor e verificar, se a construção dessa estrutura impactará na ampliação da área a ser desmatada pelo projeto.

Solicita-se avaliar a implantação de estrutura de atendimento a fauna, com capacidade de realização de procedimentos veterinários de maior complexidade e com recintos adequados a internação e recuperação dos espécimes silvestres que necessitem de atendimento devido as atividades de supressão de vegetação e dos monitoramentos da fauna. Caso esta avaliação conclua pela construção dessa estrutura deve ser prevista a localização e a área a ser ocupada por esse centro e deve-se verificar, se a construção dessa estrutura impactará na ampliação da área a ser desmatada pelo projeto.

 

ANÁLISE DO DIAGNÓSTICO DO MEIO SOCIOECONÔMICO

A metodologia utilizada na identificação da Área de Estudo não conseguiu aferir precisamente a dinâmica territorial (para delimitação) e ambiental (para avaliação de impacto).

Considerar a “área” como um “ponto” prejudica a análise socioambiental da região, pois ignora impactos nos modos de vida da população impactada e sua relação com os recursos ambientais disponíveis.

O estudo tem inconsistências significativas e carece de demonstração de evidências para alguns dados.

Além disso, para a análise de percepção socioambiental o estudo considerou apenas os dados levantados em 2021 (época de pandemia), quando o estudo ambiental não havia abordado todas as comunidades impactadas e selecionadas como AID no atual EIA.

A exclusão do Açude Edson Queiroz da Área de Influência prejudica melhor análise dos impactos sinérgicos a partir do funcionamento da adutora.

Cumpre-se informar que o fundamento na suposta utilidade pública e interesse social do sistema adutor dispensou o EIA/RIMA do processo de licenciamento estadual, desconsiderando a informação de que 98% da vazão da água proveniente da adutora irá para o empreendimento.

Assim, infere-se que, o processo de licenciamento ambiental da adutora, conduzido pela SEMACE, não contempla uma análise sobre a viabilidade hídrica de abastecimento do empreendimento de mineração, tampouco estudo de impacto sobre o ambiente provocado por extensa intervenção. Com isso, tem-se uma licença ambiental para a retirada de um grande volume de água do Açude Edson Queiroz, para abastecimento de uma mineração de urânio e fosfato no semiárido, sem que haja análise de viabilidade por parte do órgão ambiental licenciador.

A questão da vulnerabilidade hídrica na região já foi densamente explorada nesse Parecer e no próprio EIA, o que, por si só, identificaria o significativo impacto. É preocupante não haver estudos que analisam os impactos sinérgicos da captação de água do Açude Edson Queiroz pela adutora e a utilização desse recurso como principal insumo do empreendimento.

Embora a decisão pelo fracionamento do licenciamento do PSQ e do PSAI tenha sido dada em outro momento do processo (durante a elaboração do EIA anterior), recomenda-se nova avaliação por parte da Diretoria de Licenciamento Ambiental deste Ibama, com a assessoria de sua Procuradoria Federal Especializada, sobre a ratificação desse entendimento, tendo em vista os fatos narrados neste Parecer, notadamente, os que estão expostos na análise da infraestrutura de abastecimento de água.

Considerando a análise do meio socioeconômico do PSQ acima verificada, o empreendedor deverá providenciar:

  1. Novo diagnóstico socioambiental participativo para delimitação da Área de Influência (Direta e Indireta), apresentando evidências recentes e completas (cronograma, metodologia, imagens, atas assinadas etc.) de todas as comunidades impactadas. Ressalta-se que a participação dessa população deverá ser efetiva, não ficando a cargo de apenas uma pessoa (seja liderança ou pessoa pública) representar toda uma coletividade;

  2. Delimitar as áreas de influência em duas dimensões (e não em pontos);

  3. Considerar o trajeto oeste da rodovia CE-366 como área de influência, tendo em vista que o próprio EIA indicou que as comunidades impactadas utilizam esse trecho, que terá maior movimentação a partir de uma possível fase de implantação;

  4. Considerar as comunidades do entorno do Açude Edson Queiroz na Área de Influência Direta, já que é usuária (prioritária) do recurso hídrico em disputa com o empreendimento. Cabe destacar que essa população foi identificada como impactada no próprio estudo. Nesse contexto, o Consórcio também deverá apresentar informações atualizadas sobre o processo anual de alocação de água negociada da RH Acaraú, tendo em vista que esta é decidida exclusivamente pelo Comitê de Bacia Hidrográfica do Vale do Acaraú;

  5. Mostrar a evolução das vazões aprovadas nas reuniões de alocação da Região Hidrográfica do Acaraú como foi feito com a RH Curu (Página 191, Volume 3, EIA), porém atualizadas;

  6. Apresentar informações sobre a construção das Barragens Pedregulho e Poço Comprido, bem como o andamento do Projeto Malha d’Água e seu cronograma;

  7. Adicionar, em seu Programa de Monitoração Radiológica Ambiental Pré Operacional, o monitoramento dos animais de criação das comunidades impactadas pelo empreendimento, como bovinos, caprinos, abelhas etc.

  8. Realizar trabalho de campo junto às comunidades indígenas, com acompanhamento de antropólogo, utilizando ferramentas como etnomapeamento e etnozoneamento, de modo a trazer elementos técnicos adicionais ao processo e que possam contribuir para análise da viabilidade do PSQ, conforme solicitação do órgão indigenista - Ofício Nº 1226/2025/DPDS/FUNAI (23636708).

O EIA não identifica as potencialidades locais de desenvolvimento territorial, inclusive as fomentadas pela economia popular tradicional na agricultura, pecuária, apicultura, pesca e artesanato.

A complementação também deverá apresentar estudos do valor monetário da produção agrícola para o autoconsumo e para a comercialização das comunidades impactadas, com especial atenção aos principais cultivos (fava, milho e feijão), tendo em vista a provável perda de produtividade (competição pelo recurso hídrico já escasso) e de mercado (diante da desconfiança da origem do produto) e comparar com os impactos positivos apresentados no EIA para essas comunidades (notadamente a geração de empregos).

Por fim, no âmbito do novo diagnóstico socioambiental participativo, a complementação deverá realizar o levantamento dos povos e comunidades tradicionais, de acordo com o Decreto Estadual nº 36.036, de 27 de maio de 2024, que regulamenta a Lei Estadual nº 17.533/2021, para dispor sobre a regularização dos territórios de Povos e Comunidades Tradicionais no estado do Ceará, os quais são:

  1. Povos Indígenas

  2. Quilombolas

  3. Pescadores e Pescadoras Artesanais

  4. Marisqueiras

  5. Povos de Terreiro

  6. Povos Ciganos

  7. Extrativistas

  8. Povos Serranos

A Política Estadual de Regularização Fundiária Rural do Ceará tem como objetivos específicos observar a Convenção 169/OIT, cumprindo os protocolos de consulta livre, prévia e informada, que porventura tenham sido construídos pelos povos e comunidades tradicionais; e promover a participação efetiva dos povos e comunidades tradicionais nas instâncias de deliberação, fiscalização e controle social das ações governamentais, especialmente no que se refere a projetos que envolvam direitos e interesses dessas populações (art. 4º, incisos V e VI).

 

PLANO DE DESCOMISSIONAMENTO

O Plano de Descomissionamento deverá ser reapresentado contemplando as inconsistências detalhadas na análise realizada em item específico deste parecer relacionadas (i) a informações concretas sobre a desativação de estruturas do empreendimento; (ii) ao detalhamento das ações a serem executadas para desativação da Pilha de Estéril e Pilha de Fosfogesso e Cal; (iii) à definição quanto à manutenção da pilha de estéril ou disposição de seu material na cava ou, minimamente, discussão sobre os critérios para a tomada de decisão relacionada à questão; (iv) aos monitoramentos necessários após fechamento do empreendimento; (v) ao cronograma de fechamento; (vi) aos usos futuros da área; (vii) aos custos de execução do plano de descomissionamento.

 

QUANTO AOS ÓRGÃOS INTERVENIENTES: 

Apresentar a situação atual sobre a manifestação dos órgãos intervenientes quanto ao EIA/Rima.

 

QUANTO AOS QUESTIONAMENTOS REALIZADOS NAS AUDIÊNCIAS PÚBLICAS E EM PERÍODO POSTERIOR 

O empreendedor deverá se manifestar quanto aos questionamentos e inconsistências indicadas nos seguintes documentos: SEI 22982427, enviado pelo Ministério Público do Trabalho; SEI 23131501, enviado pela Universidade Federal do Ceará e SEI 23062575, enviado Ministério Público Federal. A manifestação deverá apresentar uma tabela índice com indicação de cada um dos questionamentos ou inconsistências apresentadas nos referidos documentos e o local (página) onde são apresentados os esclarecimentos necessários ou menção de que não cabem esclarecimentos (nos casos em que os questionamentos forem direcionados ao Ibama, CNEN ou outras situações em que não se aplique manifestação do empreendedor ou consultoria).

 

CONCLUSÃO

Considerando as análises realizadas por esta equipe técnica, conclui-se que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) deverá ser submetido às complementações elencadas no item 16, além de atender às recomendações mencionadas no presente parecer.

 

REFERÊNCIAS

APHA – American Public Health Association; AWWA – American Water Works Association; WEF – Water Environment Federation. Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater. 23rd ed. Washington, D.C.: APHA, 2017.

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BRASIL. Decreto nº 5.092, de 21 de maio de 2004. Dispõe sobre a composição, estrutura e funcionamento do CONAMA. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 24 mai. 2004.

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BRASIL. Decreto nº 6.848, de 14 de maio de 2009. Dispõe sobre o Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 mai. 2009.

BRASIL. Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 9 jan. 1997.

BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 fev. 1998.

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Respeitosamente,


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